sexta-feira, 29 de maio de 2009

Foto do dia


Coroação de Nossa Senhora da Conceição - Terminal Rodoviário Manoel C.Dias - Ipueiras

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Núncios a chuva - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Das regiões inesperadas, bons ventos nos sopram, núncios de produtiva chuva, nos céus de nossa educação superior.

Trovões primeiros, os que, sob provocação da Federação das Indústrias do Ceará, irmanaram as faculdades ditas "privadas" e "isoladas", em torno da "responsabilidade social", na formação dos graduandos.

"Uma boa ideia" - saudou-a Jamil Cury, em coro com vultos outros do Conselho Nacional de Educação, na iniciativa, emblema de caminhada sob o diapasão desta "era do saber", onde a escola - não mais a fazenda, a indústria ou o banco – é reator da economia e da vida. É o próprio homem, em suas múltiplas formas de inteligência (nelas inclusas a emoção e a espiritualidade), que se faz enfim "capital...social", imbricado por natureza na teia da convivência entre os homens, onde universidade é "indústria do saber" e, como tal, há de ter lugar em nossas federações da indústria. Capital e trabalho, em dueto, deságuam na "iniciativa social", a superar os campos do "estatal" e do "privado" e a compor o plural acorde do "público".

Do outro lado, nossa universidade-matriz, a UFC, emite sinais em convergência com este caminho, ao romper os limites já gastos de seu ... "PC do B" (o Pólo Cultural do Benfica) - fugindo ao tom do "longe do estéril turbilhão da rua" de Bilac, da insulada cidadela de alunos e mestres a celebrar o "a-útil", do Cardeal Newman, e a fechada "corporação dos pesquisadores" de Humboldt – e reeditar, nestes tempos de Lula, o "contrato social" de Rousseau.

Nesse clima, eis que os Conselhos de Educação descobrem-nos "federação” (de 'foedus', em latim ‘aliança’) e, dela, as ferramentas da "colaboração" e da "negociação social”, na busca do novo.

Cairá a produtiva chuva? Sim, se o espírito for o de transpor guetos e águas menores, e, no abraço sinfônico da "água grande!" .

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, em 27/12/2002 de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Frase do dia
"Criar uma CPI é direito democrático da minoria, mas eleger presidente e indicar relator é direito da maioria."

Renan Calheiros (AL), líder do PMDB no Senado

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Primeiro Médico de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Foto : Acervo Grandes Personalidades Ipueirenses – Bérgson Frota

Raimundo Melquíades Costas nasceu em Ipueiras em 10 de dezembro de 1912, filho de Simão Alves Costa e de Raimunda Moreira Costa, que ainda tiveram Pedro Simão, Antônio Simão, Elias Simão, Genário Simões, Cesarina Simões e Maria Simões.

Dr. Melquíades foi o primeiro médico de Ipueiras.

Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia em 19 de dezembro de 1942. Tornou-se Segundo Tenente em 1943, e atuou como médico do exército na Bahia.

Cursou em 21 de maio de 1947 no Centro de Estudos na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, o Curso de Doenças Parasitárias. Concluiu em 09 de junho de 1947 o Curso de Doenças do Rim.

Fez em 31 de julho de 1957 em Recife, o Curso da Nestlé : Atuação em Pediatria, e em 29 de junho de 1972, em Fortaleza, concluiu um Curso de Saúde Pública.

Foi sempre um estudioso que procurava na atualização de seus conhecimentos médicos o benefício para o próximo.

Laborou nas cidades de Ibiapina, Sobral e Ipueiras, atuando como Chefe em Saúde Pública.

Como auxiliar de grande valia e confiança, muito lhe serviu o Sr. Mariano Ribeiro de Oliveira.

Cidadão respeitado por toda sociedade ipueirense, pelo seu falecimento, deixou uma lacuna ainda hoje não totalmente preenchida.

Em 25 de outubro de 1987, o então prefeito Manuel Cavalcante Dias, prestou uma importante homenagem ao Dr. Melquíades, inaugurando o Centro de Saúde em Ipueiras, que recebeu seu nome.

Durante toda a sua vida Dr. Melquíades foi um homem de muito bom humor. Certa vez numa mesa, bebendo com amigos, o que fazia sempre de maneira comedida, contou a seguinte estória :

“Uma paciente ao ser por ele atendida, depois de contar todo seu problema, mostrou-se apreensiva pois, como ele sabia, ela pertencia a “alta-roda” de Ipueiras.”

Ele com ar cômico respondeu-lhe :

--- Minha filha não se preocupe, aqui em Ipueiras, “alta-roda” eu só conheço a de trator, e isso quando mandam para as obras.

Os que ouviam a narrativa caíam em gargalhada.

Assim passavam os anos e o velho médico foi aos poucos perdendo a visão sem se deixar abater. Ao guia que o servia para os passeios invertia os papéis ao dizer que quem não enxergava era ele.

Manteve até o fim da vida a alegria que Deus lhe deu, e certamente nos últimos instantes se chorou foi de saudades.

Dr. Melquíades faleceu na manhã de 23 de fevereiro de 2004.

Finalizando esta homenagem, tomo como empréstimo o que escreveu, Hélder Catunda, um erudito ipueirense sobre sua morte numa crônica publicada no Diário do Nordeste, intitulada : O Médico dos Ipueirenses.

“Pela maneira altruística com que exercitou a medicina, foi essencialmente cristão, sem ser formalmente religioso; venerou a Deus, sem rezar nos altares, ao tratar dos desfavorecidos dispensando recompensas financeiras.”

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Lume da Lamparina - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Às vezes ainda pisca,
E minha mente alumia.
O facho esfumaçado
Que antigamente eu vi,
No cantinho da alcova
Que no sertão eu dormia.

Eu ficava maravilhada
Olhando de manhãzinha
Mamãe acendendo o fogo
Naquela rústica cozinha,
Nas mãos o mesmo lume
Que alumiava a noitinha.

De vidro, zinco ou de lata,
De muitos modelos era ela.
Tinha uma alça para segurar,
E um pavio enfiado nela.
Nos velhos tempos, garanto,
Ninguém abria a mão dela.

Quem um dia não recorreu
A luz de uma lamparina?
Lá dos cafundós do sertão
Eu nunca fugi dessa sina.
Já acendi e soprei muito,
Seu facho quando menina.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Frase do dia
"Nenhuma empresa que atue no Brasil, quanto menos uma estatal da importância da Petrobras, está imune a investigação parlamentar."

Editorial da Folha de S. Paulo

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Diploma - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia
O Brasil, mais (olha o nível dos que nos fazem companhia) África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia, é um país que exige diploma de jornalista para o exercício da profissão.

O Sérgio Murillo de Andrade - Presidente da Fenaj, Federação Nacional dos Jornalistas defende sua manutenção, em artigo por ele assinado dia 31 de março passado no site da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina.

Interessante que a referida Lei é de 1969, época que os próprios jornalistas, e a Fenaj, por extensão, chamam de período de exceção, ditadura e outras. Quer dizer: só era ditadura para aquilo que não estava na cartilha dele.

Inté outro dia, se Deus quiser

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Revelando os Brasis - Por Tamy Rodrigues / Vitória - ES


Três caminhões vão percorrer 27,5 mil quilômetros levando para 40 cidades do interior e 18 capitais os vídeos produzidos por moradores formados pelo projeto.

Numa praça às escuras, moradores de 40 cidades do interior do Brasil se reúnem diante de um telão com oito metros de largura onde não serão exibidas produções hollywoodianas. Ao contrário, eles estão prestes a conferir na tela as suas próprias histórias, lendas, folclores, alegrias, dores e sonhos, transformados em vídeo por alguém da sua cidade, que dá seus primeiros passos no mundo audiovisual.

A cena descrita acima irá se repetir por todo o Brasil durante os meses de maio e junho pela terceira vez consecutiva. Trata-se da última fase do projeto “Revelando os Brasis”, criado para democratizar o acesso aos meios de produção audiovisual, uma iniciativa do Instituto Marlin Azul e do Ministério da Cultura.

O projeto começa convidando moradores de cidades brasileiras com até 20 mil habitantes a contar uma história que gostariam de ver transformada em vídeo. Dessa vez, terceira edição do projeto, 712 inscrições foram recebidas e 40 foram selecionadas.

Os escolhidos participam de um curso intensivo de produção audiovisual no Rio de Janeiro e têm a oportunidade de conviver com profissionais da área, que compartilham conhecimentos relacionados a roteiro, planos de produção, fotografia, som e edição. Depois, retornam para suas cidades, montam suas equipes com moradores da própria cidade e produzem seus vídeos, com apoio de dois profissionais da área.

Na terceira etapa do projeto, as cidades dos 40 selecionados terão a oportunidade de conferir o resultado do trabalho. Três caminhões irão percorrer entre os meses de maio e junho 27,5 mil quilômetros em 18 estados brasileiros, cujas capitais também serão alvo da exibição dos vídeos produzidos em sua região.

“São cidades pequenas onde a maioria dos moradores nunca teve a oportunidade de ir a um cinema. Muitos têm ali, durante a exibição dos vídeos do Revelando os Brasis, o primeiro contato com o mundo audiovisual”, afirma Beatriz Lindenberg, do Instituto Marlim Azul, entidade responsável pela realização do projeto.

Do Rio Grande do Sul ao Acre, há cidades contempladas. Em uma delas, no Estado do Pará, o caminhão não consegue chegar e todo o material para exibição será enviado de barco, numa viagem que dura três dias e três noites.

De acordo com Beatriz, o dia da exibição costuma movimentar a cidade e provocar verdadeiras festas. O lugar escolhido para montar a estrutura é quase sempre ao ar livre – a menos quando a chuva atrapalha.

Primeiro, é exibido o vídeo produzido pelo morador da cidade, que participa do evento e dá o seu depoimento. Depois, outras três produções da região são exibidas. O projeto ainda abre espaço para outras manifestações artísticas e folclóricas do lugar.

O “Revelando os Brasis” é realizado pelo Instituto Marlin Azul e pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultural, com patrocínio da Petrobras e parceria do Canal Futura.

Enviado por Tamy Rodrigues

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Crônica de Inverno - Por Bérgson Frota / Fortaleza


O céu escurecia de repente. Do nascente da cidade, um azulado escuro se assomava com o vento que tornava-se mais frio.

Os morros daquela cidade, amarronzados pelo muito tempo de sol, ostentavam sua seca e imóvel vegetação.

Pássaros voavam em grupos para direções incertas.

De repente um forte relâmpago que tornou o dia mais iluminado, logo em seguida um trovão fazia tremer toda a cidade, feito uma explosão vinda de alguma região celestial.

Começava uma ventania forte, que varria com força folhas e areia nas ruas ainda calçamentadas.

Longe da época das parabólicas, a cidade parecia ter em cada casa uma longa haste. Eram as antenas de TV, que por terem um cabo muito comprido começavam a dançar feito um bambuzal de ferro, não resistindo a força dos ventos e da chuva que já caía em grossos pingos.

A terra do rio seco, porosa e ainda quente, pois o sol partira há pouco, recebia e emanava um mormaço cheiro de coisa aquecida, que aos poucos cedia e logo tímidas as primeiras e rasas cacimbas formavam-se.

Era preciso esperar um pouco.

Quando a chuva já caía a cântaros na cidade, sua primeira parte atingia as cabeceiras do rio, na serra próxima.

Então grossas e rápidas ondas de água começavam a descer pelo rio outrora seco, vindas de longe, trazendo águas barrentas que com velocidade pareciam querer ocupar com pressa seus antigos espaços.

A chuva caía forte na cidade, agora já escurecida. O vento, os relâmpagos e os trovões acompanhavam-na.

O rio recebia a sua primeira cheia.

Era o inverno que chegava.

E todo este espetáculo regido por sábias mãos trazia para o povo do sertão uma tão grande alegria que mais parecia cair do céu neste dia, todas as lágrimas de sofrimento longamente represadas no peito da brava gente sertaneja.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Momento Antológico

O ano era 1991, da esquerda para direita: Ricardo Belém, Paulo Ênio, Carlinhos Moreira, Gerson, Luís Plínio e Cauby Moreira

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Frase do dia
"O governo Lula optou por prejudicar o pobre, o aposentado, o trabalhador, criando um novo imposto para não perder arrecadação."

Nota assinada pelo PSDB, DEM e PPS sobre a taxação da cadernete de poupança

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A banalização da violência - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia
Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei. Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei. Então, quando vieram me buscar... Já não restava ninguém para protestar. (Martin Niemoller, pastor luterano alemão que contestou Hitler e foi preso por ordem dele)

Ligue a TV na hora do almoço: programas locais e nacionais estão cheios de violência, crimes, sangue. Ligue a TV na hora do jantar. E, novamente, mais crimes, mais violência. O bandido atira na cabeça de uma balconista que nada fez de mais. Outro bandido executa friamente um cobrador de ônibus depois de se apoderar da féria. Tudo filmado. Aqui quatro bandidos matam uma mulher na frente de sua filha. São presos não por ação investrigativa, mas porque o carrod ela tinha rastreamento eletrônico.

Pela televisão ficamos sabendo que policiais estão empenhados em prender um homem que, deixando a passividade de lado, ao ver uma mulher sendo assaltada, atropela os assaltantes e eles morrem. Não sou favorável à violência em qualquer sentido. Mas, quantas pessoas concordaram com a ação do motorista e quantas acham que os policiais estão certos?

E nós, passivamente, assistindo a tudo, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Crianças participando do almoço ou do jantar, e a televisão não apenas falando, mas também mostrando tudo. Na TV, a Record ensina, em pleno domingo a noite, como se estruturar para cavar um túnel e assaltar um banco. De seu lado, a Rede Globo, logo após mostrar cenas de execuções sumárias de vítimas de assaltos, larga a próxima matéria, todo mundo sorrindo.

No Congresso Nacional conseguem fazer o que nem os eugenistas conseguiram nos primeiros 40 anos do século passado: oficializar o racismo. Como? Aprovando lei que gera vagas exclusivas e marginaliza desse processo, discriminatório em todos os sentidos, pessoas de etnia branca, que, mesmo sendo, às vezes mais ainda, pobres, não terão o benefício da lei racista. Ao invés de investir forte para melhorar o nível da Educação, especialmente no Fundamental, o Governo Federal investe sustentando faculdades particulares, não priorizando as públicas e, ainda, cria dois tipos de estudantes de nível superior, aquele que tem uma boa base escolar e aquelemque, às vezes por culpa própria, tem base ruim, mas ascende, por uma legislação racista, a uma faculdade. Será que nesse novo meio, esse grupo vai também ter lei especial para obter diploma?

Se você passa em concurso público é-lhe exigida uma certidão de nada consta fornecida por cartório criminal, ainda que você vá ser coletor ecológico, a maneira simpática de chamar gari num concurso em Ji-Paraná. Mas você pode estar cheio de processo, por crimes que vão do atentado violento ao pudor ao envolvimento em crime contra o patrimônio público que pode ser diplomado para qualquer cargo eletivo no país. E, lógico, vai legislar sobre temas, inclusive, que a esses casos dizem respeito diretamente. Aí, quando questionadas, lideranças alegam que o jeito é mudar a Lei. Mas como, se a Lei é feita por eles lá?

Aí, nas entrevistas, tomamos conhecimento de frases do tipo Não posso ser colocado na vala comum, ferindo-se às críticas que foram feitas aos que fazem a Lei. E nós chegamos a acreditar que estão falando sério.

Quantas vezes você ouviu dizer que uma dessas comissões de Justiça e Paz ou de Direitos Humanos já foi visitar uma família vítima de violência, ou uma vítima de violência?

E nós continuamos passivamente fazendo de conta que está tudo bem. Apenas esperando uma nova violência que logo gera matérias repetidas não sei quantas vezes e anúncios oficiais de que a coisa vai mudar, mas não muda. Aliás, muda, sim, para muito pior.

Inté outro dia, se Deus quiser

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Foto do dia

Foto: Jota Brito

As chuvas que caem na Região Norte nos últimos dias provocaram na madrugada desta segunda-feira (11) a destruição de parte da CE-183, que liga os municípios de Cariré à Santa Quitéria.
Charge do dia

Charge do amigo Bimartins - Tony Aragão, Edilva e Juscelino Araújo
Mel, o doce gatinho - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Tudo aconteceu num dia chuvoso de céu escuro. Foi neste dia, que uma luz surgiu na vida de Mel, mudando definitivamente sua triste sina.

Mas quem é Mel?

Mel é um lindo gatinho branco que mia diferente, como se a todo instante pedisse mel.

E foi por esse motivo que ele ganhou o nome.

O gatinho, além de miar cada vez que se mexe em comida na cozinha, adora dormir.

Quando o sono chega, ele se dirige à sua caixinha que fica num canto da cozinha.

Dormindo, é a coisa mais linda do mundo! Já o vi dormindo até sentado.

O doce gatinho branco é muito limpo e toda vez que quer fazer suas necessidades, vai procurar um lugar onde ele possa cavar e enterrar cuidadosamente as suas fezes.

Ele tem um arzinho carente e não poderia ser diferente.

É lógico que ele não caiu do céu, nem nasceu do nada.

E como ele chegou até seu novo abrigo?

É isso que vou contar agora:Um humilde agricultor que passava pelas margens de um rio para cuidar do seu roçado, ouviu um barulho estranho e começou a olhar em volta.

Redobrou sua atenção para tentar descobrir o misterioso barulho que vinha de um dos lados do rio.Andou para um lado, para o outro e conseguiu ouvir mais de perto.

Pelas suas conclusões, apesar de muito fraco, eram miados de gato.
Mas, onde estaria enfiado o danado deste gato que apenas miava sem aparecer?

Estaria enganchado nos arbustos espinhentos que eram comuns naquela região?

Ou apenas miava procurando sua mãe?

Continuou a procurar e quase caiu, ao tropeçar num saco.

O saco estava se mexendo; o agricultor, cuidadosamente retirou o nó, e lá de dentro viu sair um lindo e assustado gatinho branco, tão assustado e fraco, que nem força para fugir ele teve.

Quando o agricultor chegou à sua casa com aquela criaturinha cor de algodão, a criançada fez uma festa danada, até brigavam para ver quem ficava com o gatinho mais tempo no colo.E o que era estorvo em uma casa, tornou-se alegria em outra.

Muitas vezes, é no coração das pessoas mais simples que a bondade faz morada.E foi assim, pelas mãos de um homem simples, que Mel ganhou uma nova moradia e foi salvo da maldade de pessoas sem coração que descartam os animais quando deveriam protegê-los.

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Amanhã, em caos produtivo - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Mudar tamanho Imprimir Corrigir “No ar, a sintonia da terra, jornalismo e educação não formal”, trabalho sobre a Rádio Universitária (FM), que Débora Medeiros , a autora, Márcia Vidal (orientadora), me envia.

Tudo a surgir, do Seminário Geral, inaugurado desde Martins Filho, e, na administração Paulo Elpídio, “canal em dupla mão” entre a academia e o povo, que eu (brincava irônico o ex-reitor Walter Cantídio) ali não se dizia “uma rádio” (rsrs).

Lembro-me. Visita à Rádio Jornal do Brasil. Som quadrifônio, Conselho de 12 intelectuais, onde Carlos Eduardo Novais, era “concessão da Condessa”. Por fim: “vocês vão ter a melhor FM do País”! Não gostei da ironia. “Nada disso! Vocês têm, mais que nós, 1.300 cabeças, em múltiplas áreas...” Fiquei só, no matinal “comentário”.

Dias atrás, na TVC, por onde superintendente passei e participei do “Diálogo”, com Ricardo Guilherme. Falávamos do oral hoje a permanecer e de bibliotecas hoje a voar... E nessa linha, meus comentários, desde então, a ficar... Exemplos, peruana da Unicef, aqui retornada, a guardar em mente muitos de meus comentários. O mesmo, médico a recordar “artigos” mais nele ficados que os “escritos”...

No “Diálogo”, o “objeto surpresa”. Ricardo a entrevistar, na Rádio Universitária, Celso Furtado, a nos abrir sendas para “longo amanhecer”. E, saudoso, eu a lembrar de Benito Melo (TVE) a indagar de Jorge Amado, na mesma Rádio, se não era contradição: o ateu de uma obra prenhe de orixás. E a antológica confissão de JA a culminar: “Ai do ateu que não acredita em Deus”!

Hoje, em cacos, os três mundos: o acadêmico (a cabeça), a gestão pública e privada (mãos não dadas) e a política (tato e coração). Nesse contexto, uma rádio educativa, para além da educação formal, uma resina (a educação não-formal) a untar e construir novo amanhã, em caos produtivo!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

domingo, 10 de maio de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

Frase do dia
"A tática para as eleições de 2010 será orientada para a vitória na eleição presidencial, submetendo a ela todos os processos estaduais."

Nova resolução do PT

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pedaço bom é uma mãe,  mesmo que seja pelo menos a voz  ...   Por Paulo Felipe / Rio de Janeiro


Parece que foi ontem... mas passaram-se 20 anos.......

Com seu olhar bem triste, mas cheio de carinho e muita coragem ela me disse:

- Se cuide, estude e se não der certo, você volta, vem estudar em Fortaleza, aqui é mais perto de tudo.....

Foram mais ou menos essas as palavras daquela mulher que no ano de 1972 com 42 anos de vida, já na 19.ª gestação, precisamente no dia 17 de abril, por volta das 20:00hs nasceu junto comigo. Sim, nasceu junto comigo! Expressão utilizada pela dificuldade de “comunhão” entre maternidade e vida....

Ela já não tinha forças, o médico que veio fazer o parto na fazenda Ilha, município de Nova Russas/CE, pois é não nasci no Mane Vaca! Rs... mas, papai colocou no meu registro que sim, coisas de papai, como o Neto no final do meu nome, cultura brasileira utilizada para valorizar a família, em toda sua plenitude....

O doutor deixou a todos preocupados, quando chamou minha irmã mais velha para ajudá-lo no parto foi bastante direto:

- Um dos dois talvez não sobreviva.

Lágrimas....

Sobrevivemos os dois! Prevalecidos de uma força sobrenatural e como um “ bezerro desmamado” branco que nem leite e parecendo um bebê de dois meses eu cheguei naquela noite com a força dela e pelas mãos de minha irmã mais velha, minha segunda mãe, como milagre não saberia descrever, mas o dom da vida.

Quando parti e resolvi viver aqui na Cidade Maravilhosa, o Rio que tanto amo, o que mais me incomodava era à distância de mamãe. Mas, uma coisa ela sempre foi clara em suas atitudes, da forma dela, “ que filho se cria para o mundo” .

Mamãe é uma fortaleza, é sábia em suas colocações e é por demais segura. Segura porque ela veio de uma família humilde e sofreu na pele o preconceito da rejeição, segura porque ela sabe exatamente o que passou para ganhar todos os bens matérias que adquiriu com papai, hoje queria ter um pouco da segurança econômica de mamãe, só um pouquinho, mas sempre relutei e achei essa qualidade dela um defeito... Não sei explicar, mas acreidito que seus valores são outros.

Minha rainha hoje vive sozinha em seu “castelo”, na casa em que vivi parte de minha infância e adolescência, fases inesquecíveis...

Quando ela atende ao telefone, nunca me identifico, quando ela com sua voz já cansada diz:

- Alô

Falo aqui do outro lado, tão distante, mas com ela tão próxima em minhas lembranças, só sinto o pulsar acelerado do coração.

- Mãe...

Ela me da à certeza que está do outro lado e muito “VIVA”, comigo também no coração e nas suas lembranças:

- Oi meu filho! Paulinho ?

Ah! Mãe seja eterna!! Para eu sempre poder pelo menos ouvir tua voz...já que sua eternidade é uma realidade para mim.

Em minha recente visita a Ipueiras/CE, fui de surpresa... passei o natal com ela, fomos à missa na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, foi tudo muito mágico e vivo.

Mas, o mais mágico de tudo foi quando na minha despedida, não me contive e comecei a chorar...

Ela me olhou com os olhos cheio de lágrimas, mas não chorou! E me disse:

- Eu nem tenho mais lágrimas, não chore meu filho!

Olhei nitidamente para ela e falei

- Mãe, eu choro de saudades , de viver longe da senhora... mas EU SOU FELIZ lá!

- Seja FELIZ meu filho, VOCÊ É FELIZ, eu sei disso...

Com certeza MÃEZINHA, SOU FELIZ! Mas, sou acima de tudo FELIZ por ter uma MÃE como à senhora, exatamente como já descrevi em um texto quando você completou 72 anos de vida.

E você que lê este texto, lembre-se sempre, já dizia meu velho e saudoso pai:
“Pedaço bom é uma MÃE!”

Tenho dito.

Paulo Felipe é advogado trabalhista, pós-graduado em direito e processo do trabalho pela Escola Superior de Advocacia da OAB/RJ
Mãe é consolação - Por Otávio Lima / Ipueiras



Com lápis papel e tinta
Faço-te uma homenagem
Só pra ver se lápis pinta
Algo da tua imagem
A vida que é tão linda
Mais as mães são mais ainda
De todos os personagens.

A mãe parece uma jardim
Com tantas flores cherosa
Não se encontraem espinho
Por ser muito carinhosa
No sorriso uma beleza
Não se ver nela tristeza
A mãe sempre é amorosa.

Eu comparo uma mãe
Com uma planta verdeada
Onde todos os passarinhos
Procuram fazer morada
O filho ganhou à vida
A mãe tão bem querida
Merecer ser adorada.

Quando vejo uma mãe
Levando o filho nos braços
Com gesto de alegria
O filho achando graça
Sinto no meu coração
A grande recordação
Com minha mãe lá na praça.

Da minha parte eu comento
Com grande satisfação
Sei que o melhor presente
É o carinho e consolação
DEUS vai dar-lhe o presente
Pois ELE é o alimento
E vai dar-lhe a salvação.

Otávio Silva de Lima
Autor desta narração
Quero agradecer a Deus
O dom de minha vocação
Aqui vai o meu abraço
A todas as mães do espaço
Poeta de estimação.

Otávio Silva de Lima é professor da rede municipal de ensino em Ipueiras-Ce.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

À minha mãe - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Minha mãe estou distante,
Mas em mim nada mudou.
Conservo em meu coração
Lembranças do que passou.
Do lado esquerdo do peito
Guardo carinho e respeito
Que você, mãe, conquistou.

Lembro-me com saudades,
Daqueles tempos antigos.
Eu menina astuta e levada
E você brigando comigo.
Quantas surras eu levava,
E aí era que eu aprontava
Não tinha medo de castigo.

No fundo eu bem sabia,
Que tinha sua proteção.
Os castigos e as surras
Soavam como correção
Em cima desta menina
Que mesmo tão traquina,
Tinha um bom coração.

Saudades sinto muitas,
Ás vezes fico perdida.
Tentando em vão imitar
O sabor de sua comida.
E daquela boa comidinha...
Nunca mais sua Dalinha
Vai esquecer nessa vida.

Você já passou dos oitenta
Mas ainda briga pela vida.
Seus ombros estão arreados,
Anda um tanto esquecida,
Mas ainda faz versos e canta,
E por tudo isso me encanta,
Minha velhinha querida.

Hoje também sou mãe,
Tenho minhas obrigações.
Somente agora entendo
As suas preocupações.
Pois pelos filhos que pari
Já chorei e também sorri
Em tempos de emoções.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mãe e Mestra - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Senhora Ruth Frota Catunda (Álbum de família)


Diz uma antiga lenda que Deus, depois de criar a humanidade, preocupou-se em demasia com sua criação, e que não vendo outra saída concedeu à mulher um pouco da fagulha de seu amor divino.

Esta dádiva faz com que a figura da Mãe encarne na Terra a mais perfeita e mais próxima forma de amor que Deus devotou e sempre devota aos homens.

Todas as Mães são portadoras de luz, diz-se até que ao levar no ventre o filho, em torno de sua cabeça para muitos, cuja sensibilidade é maior, vê-se um halo de flores, como se a saudar a nova vida em gestação.

Nos olhos daquela que espera, encontra-se uma luz, e muitos hão de dizer : é o pequeno ou a pequena que dentro dela cresce, e já deseja ver pelas pupilas da Mãe, o mundo que lhe espera.

Saúdo neste trabalho a todas as Mães, as pobres que com sacrifício lutam pela subsistência dos seus filhos, pelas Mães que com alegria encantam o rosto do filho preso ao leito, pelas Mães que já se foram embora nunca esquecidas, e finalmente pelas Mães que, com olhos enternecidos fitam o filho a mamar, envolvidas num êxtase de quase santidade

Mãe, três palavras apenas. Como pode um texto em tão poucas linhas conter o sentimento de amor de um filho ? Como palavras, tão pobres e eternas traiçoeiras das intenções reais dos homens, podem exprimir a real candura dos teus beijos, o afeto dos teus olhos, o cuidado que tuas ações na incondicional e irrestrita doação de amor que gera ?

Na data em que se comemora o dia das Mães, quero desejar também à minha Mãe, de coração, com gratidão e amor, mesmo um quinto do que de suas mãos recebi, a boa direção, o afeto, e acima de tudo o amor incondicional que me deu, com isto me fazendo crer de forma mais segura e feliz nos meus semelhantes.

À Ruth Frota Catunda.

Mestra na profissão, pois era professora, hoje aposentada. Foi mestra também em casa junto aos filhos, meus irmãos com quem soube tratar assim também como a mim , incutindo em nós valores imutáveis de honra, lealdade e amor.

Fostes minha Mãe boa filha.

Sim, fostes aquela que esteve junto aos pais e por último os deixou. Fostes aquela que herdou o meio de vida de teu pai, conciliando de forma magistral a arte da farmácia com a de magistratura.

O que dizer em relação a meu Pai, a quem sempre tratastes com respeito, amor e sacrifício.

Teu exemplo para mim e meus irmãos é sagrado.

Teu abnegado sacrifício sempre para nos proporcionar o melhor, o mais aceitável e o justo.

Fonte eterna de puro amor, Mãe tu és o maior exemplo na terra que o Criador, na sua grande benevolência nos permitiu gozar.

Feliz dia das Mães minha Mãe, feliz dia das Mães a todas as Mães que com amor, dedicação e afeto, exercem com lucidez e coragem a sempre e insuperável virtude da maternidade.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

Frase do dia
"Vim de Brasília para ver o Flamento ser campeão, mas paguei minha passagem."

Cartaz assinado por "Candango" e exibido nas arquibancadas do Maracanã

domingo, 3 de maio de 2009

Foto do dia

Foto: globo.com

Jogadores do Flamengo comemoram o tricampeonato após a vitória em cima do Botafogo nos pênaltis

O Sertanejo - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Imagem:Xilogravura de J. Borges

Hoje dia 03 de maio é o dia do sertanejo. Eu como, Nordestina, cearense do sertão ipueirense, presto, com muito prazer, minha homenagem ao SERTANEJO.


O SERTAJEJO

O Sertanejo quando sai
Do seu querido torrão,
Só sai porque necessita,
Sai porque tem precisão.
Se fosse mesmo por gosto,
Jamais deixaria seu chão.

Nos alforjes carregados
Transporta tristeza e dor.
Saudades da lua cheia,
Das noites no interior.
Do amanhecer do dia
Com galo despertador.

Com olhos marejados,
Lacrimeja de emoção.
Quando escuta no rádio
Ou mesmo na televisão,
Canções que antes ouvia
Em seu saudoso sertão.

Dói na alma dói no peito,
É bem grande a emoção,
Do “sertanejo que é forte”,
Mas vira menino chorão,
Se sente a saudade telúrica
Batendo em seu coração.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

Um botão para uma rosa - Por Luiz Alpiano Viana / Sobradinho DF


Acompanhei seus passos suaves, majestosos e delicadamente femininos, desde sua chegada à floricultura. Ela olhava um buquê e alinhava as pétalas carinhosamente, demonstrando profundo conhecimento do assunto. As mulheres sabem, evidentemente, que as rosas foram feitas exclusivamente para elas. Rosa não tem perfume, dizem, mas sentimos vontade de cheirá-las. Eu acho que rosa e flor são a mesma cosia, sempre muito belas, perfumadas e divinas como as mulheres. Foi Deus que as fez assim, como, tudo que existe sobre a terra. Se a rosa é flor das flores, a mulher é a estrela do céu dos homens!

Não me cansava de observar que cada mulher que entrava na floricultura, dela saía com um ar de pureza, olhos brilhantes e lábios umedecidos de sensualidade. Somente elas, e mais ninguém no mundo, têm um jeito todo especial de lidar com as flores. O homem inteligente não se arrisca em contrariar uma mulher no que ela gosta de fazer. Se o fizer, certamente corre o risco de não mais ter sua amizade. Eu mesmo não quero que isso me aconteça. Não, não quero!

No teto do prédio da floricultura viam-se desenhos que não tinham nada a ver com o produto ali comercializado: como fotografias de elefante, jaguatirica, tartaruga, pato selvagem... Bem, acho que aquela sala era usada para outra finalidade, como secretaria de meio ambiente, por exemplo.

De repente nossos olhares se cruzaram! - Por que a mulher ao perceber que está sendo observanda pelo homem, dá uma "arrumadinha" no cabelo? Ela ajeitava os cabelos como se estivesse diante de um espelho. São simplesmente encantadores seus gestos. O homem não perde nenhuma oportunidade de observá-los, mesmo que esteja acompanhado da mais linda criatura do sexo feminino. Para mim tudo que elas fazem tem um pedacinho do céu. Sua feminilidade enlouquece qualquer um, principalmente os que gostam realmente de mulher.

Seu vestido de linho e suas botas de cano longo davam-lhe um toque genuinamente clássico. Eu não tinha costume de vê-la em tão apurados trajes. Minha sensibilidade estava mais para o romantismo. Colhi de um jarro um botão vermelho, e pus-me de espreita e tocaia, esperando o momento exato para lho ofertar.

Um minuto se passava como um século. Ela não sabia que alguém a esperava num canto da floricultura. Não me estava sentindo bem, dado que um só homem no meio de tantas mulheres despertava sua aguçada curiosidade. Elas são muito inteligentes e observadoras natas. Bem dito sóis vós sozinho entre as mulheres... Penso que, pelo menos uma delas no meio de tantas que por ali circulavam, fazia essa oração.

Fiquei sem graça ao perceber que me viam com uma rosa na mão. A diva encantadora por quem tanto eu esperava, rodara todo o salão, e nas mãos trazia um pequeno ornato de rosas amarelas e roxas. E a rosa que eu lhe tinha escolhido era vermelha! Que tristeza! Tentei trocá-la e não deu tempo. Quando ela se aproximou eu lha entreguei. Ela sorriu e corou! Beijou-a tão delicadamente que eu tremia como se me desintegrasse no tempo e no espaço. Senti que suas mãos eram macias e perfumadas e ao tocarem as minhas, também tremeu, mas soube se conter.

Disse-me:
- Obrigada, muito obrigada! - pediu-me licença e saiu inteligentemente.

Por que foge de mim, por que me esquiva, pensei. Elas são hábeis fugitivas do que não lhes interessa. Está provado que elas têm um senso criativo inigualável. Por isso as admiro e quero continuar por elas apaixonado. Depois desse dia com ela nunca mais me encontrei. Dela não me esqueci. Só sei que hoje é casada, mãe dedicada, e um ser humano do mais alto nível.

O amor é lindo! Amar pode ser tudo isso que sinto. Só ama quem sabe distinguir os segredos do amor. Pode-se amar tudo nesse mundo, mas para amar de verdade um coração, tem que ter coração!

Luiz Alpiano Viana, nascido em Ipueiras, morou mais tarde em Crateús . Atualmente é funcionário aposentado do Banco do Brasil e mora na cidade de Sobradinho , no Distrito Federal.

sábado, 2 de maio de 2009

Menores - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia


Imitando um conhecido frasista, e fazedor de causos, nacional, nunca, neste país, houve tanta legislação e tantas entidades envolvidas com a questão do menor, do adolescente, enfim daqueles aos quais, conforme a legislação, ou o interesse de momento, estão enquadrados, ou se dizem envolvidos, com o assunto.

Mas, é só dar uma olhada por aí que se vê, sem dúvida, que há alguma - ou muita - coisa claramente fora do lugar, porque, como dizem os defensores das chamadas políticas públicas, há diferenças entre programas e projetos e o que se observa nos resultados no fim da linha, isto é: no objetivo maior dos enunciados, a criança, o adolescente, o chamado menor de idade.

Aqui abro um parêntese: Não sou politicamente correto conforme a regra usual que faz com que se pense conforme preceitos estabelecidos por um grupo sem que se dê, aos outros, o direito de pensar. Por isso sou a favor da redução da responsabilidade penal, assim como entendo que quando um servidor público cometa ação dolosa, deve competir a ele, e não ao Estado (quer dizer, a nós que pagamos impostos), pagar, inclusive financeiramente.

Mas, voltando à vaca fria, fico me questionando com relação a esse festival de entidades e gentes apresentadas como sendo de boa vontade, interessadas na questão do menor. É só dar uma olhada em volta e você verá como, entre o discurso e a realidade, há uma distância maior do que da Terra ao planeta Marte.

Em qualquer cidade do país o problema está às claras. É menor mendigando, muitas vezes claramente sendo explorado por adulto; é menor usando droga; é menor se envolvendo com a criminalidade (e até suspeito que muitos crimes violento, assumido por menor, tenha, realmente, sido cometido por maior, mas aí muitas vezes se acaba admitindo como verdadeira a versão e não o fato), é menor se prostituindo, enfim, a lista é grande, como enorme é a das entiddes que dizem trabalhar com o menor.

E é fácil de se apegar à Lei. Perguntem a qualquer policial o que ele enfrenta quando vai atender a uma ocorrência envolvendo quem se identifique como di menor. O infrator logo ameaça: Sou di menor, eu conheço meus direitos. Ora, ele conhece o que alega serem seus direitos, mas comete o crime. E o que vemos? Situações, como recentemente se noticiou em nível nacional, de dois di menor, alegadamente com 12 anos de idade, e com uma ficha policial muito maior do que muito di maior.

O país se encontra numa encruzilhada nessa questão: de um lado a proliferação do crime através do di menor, e, de outro, a sociedade clamando por mudança e adequação a conceitos atuais no tratamento de uma questão que recebe, na Brasil, um encaminhamento como se o mundo tivesse parado em 1945.

Reduzir a idade penal é uma necessidade urgente. Quando vejo pessoas defendendo sua manutenção fico até imaginando que haja, de qualquer forma, uma ligação interesseira com isso, chutando às favas o que se vivencia. Mas, enquanto se mantém a situação como se encontra, continuamos vendo aumentar, cada vez mais, o número de crimes violentos com envolvimento de di menor, e só quando há casos de notoriedade nacional, e acendem-se as luzes das televisões e abrem-se espaços em todos veículos de comunicação, aí muita gente aparece defendendo mudanças, mas logo a seguir esse mesmo pessoal se encolhe e deixa a coisa como está.

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009