quinta-feira, 30 de abril de 2009

Estação Digital - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Estação ferroviária de Ipueiras


Ela já não é mais cor-de-rosa, mas, mesmo assim não perdeu sua graça.
Está diferente esteticamente, e já não exerce a mesma função.

Felizmente não teve a sina de tantas outras que caindo no esquecimento pouco a pouco vão desmoronando e deixando nos escombros parte importante de nossa história ferroviária.

Reformada, de cara nova, ganhou um tom amarelado e cumpre um importante papel. Transformou-se em Estação Digital , beneficiando crianças ipueirenses de baixo poder aquisitivo, que tem hoje, a oportunidade de manusear um computador e apostar num futuro menos desigual.

Eu particularmente tenho grande apreço por esta estaçãozinha do interior. Durante muito tempo, meu avô, Gonçalo Ximenes Aragão foi Agente Ferroviário ou chefe de estação, como se costumava falar em Ipueiras, onde fez história e colocou os filhos nos mesmos trilhos.

Se hoje por falta de interesse dos governantes deste país, nosso trem saiu dos trilhos, tenho pelo menos, o conforto de saber, que numa cidadezinha do interior que se chama Ipueiras a fachada da história continua de pé, e que o barulho da sineta novamente será ouvido, e uma nova linha entrará em ação tendo como ponto de partida: A ESTAÇÃO DIGITAL.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

Foto do dia


Rua Padre Angelim - Ipueiras-Ce

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ogum aqui e Oxum lá e cada um marchando ao som do seu próprio tambor - Por Paulo Felipe / Rio de Janeiro



Quarta-feira, 22 de abril de 2008, Bruno com seu jeitão de pit boy, mas cheio de carinho, eu diria como um filhão, passa rápido no meu "apt".

Cheio de fé e com um certo sincretismo religioso me mostra uma rosa vermelha (seria a de Grampola, ui!) velas que ao chegar em casa iria acender para São Jorge, pois afinal amanhã 23 de abril será o dia dele e para felicidade dos cariocas e moradores do Estado é feriado. Bruno vai embora rápido, toma uma cerveja ainda das que sobraram do meu aniversário, dá-me aquele abraço caloroso e me avisa que amanhã logo cedo estará na Igreja, próxima da minha residência.

Quinta-feira, 23 de abril de 2008, acordo com aquela lembrança de Bruno, da rosa, das velas, penso em ligar para ele, mas acho ainda cedo, é feriado ele deve dormir até mais tarde, não vai chegar tão cedo na igreja. O telefone toca, é Bruno me avisando que já está na igreja e me convida para ir ao seu encontro.......

Recordo-me que ano passado estive nos arredores da Igreja de São Jorge, e que era um evento alegre, uma mistura de samba e fé. Não pensei duas vezes, fui ao encontro de Bruno.

No caminho, já observo que duas cores predominam nas vestimentas do povo, o vermelho e o branco, parecia até um certo desfile daquelas cores, uma viva, cor de sangue, cor da vida eu diria, cor de luta, resistência e outra cor da paz... Ao chegar às proximidades da Igreja, lembro que Bruno me avisou que estava no “ pagode, quase em frente à igreja” .

De longe já fui avistado e todos já fazem a tão comum observação e pergunta:

- Quem é o gringo ?

E eu como sempre com a resposta já na ponta da língua:

-Não sou gringo, sou brasileiro, sou cearense lá da distante Ipueiras no meu Ceará.

Mas, não seria uma festa religiosa?

Olho para a Igreja, e vejo uma imensa fila para entrar. Bruno logo me avisa:

- A fila para entrar na Igreja está enorme, é melhor ficar por aqui no pagode, aqui é o “ bom” é o ‘ fervo” .

Logo, começo a observar as pessoas ou diria as figuras mais imagináveis possíveis que passam e outras que param.

Um ex-canditado a rei momo no carnaval carioca é só alegria e quando menos se espera ele dá um grito, usando uma expressão da umbanda e salda São Jorge ou Ogum. Fala para eu parar de tomar água de coco e beber uma boa cerveja, gentilmente aviso que não estou bebendo bebida alcoólica naquele dia.

Meio que assustado, eu diria, começo a observar toda aquela festa, uma mistura de fé, carnaval, raças, cores, uma verdadeira miscigenação religiosa.

De repente pelo meu olhar apaixonado pelo Rio de Janeiro, percebo que este é o povo e a cidade que tanto amo, que carinhosamente me acolheu há 20 anos de braços abertos assim como está à imagem do Cristo no alto do corcovado e hoje é uma das sete maravilhas do mundo.

Mas, nem só o povo do samba estava ali, recebo o abraço carinhoso do organizador do Miss Gay RJ , carinhosamente eu o chamo de “ papito” . Olha que pensei em chamar Dr. Charles, quem sabe São Jorge não dê uma forcinha no seu sonho de ser Miss Brasil.

Do meio do povo, uma figura impar, única e autentica, vem em minha direção cantando “ parabéns pra você “ pela passagem de meu aniversário dia 17, é ela, transformista da noite carioca, da velha guarda eu diria, exemplo de filho e neto, um ser humano maravilhoso, Kátia Jones.

A festa ta boa, Bruno é só alegria com a festa de São Jorge. De repente os pagodeiros começam a cantar uma canção que eu desconhecia, me disseram que é da macumba, se é da macumba eu nem sabia, mas que um grupo de pessoas que sabem na pele o que é preconceito e dificuldade de aceitação começou a entoar aquela musica como se fosse um hino, um bom samba ou um lamento festivo, daqueles rememorados nas senzalas..............

Aviso que vou pegar uma água de coco, mas na realidade só estava saindo à francesa.
Vou me afastando de todos e daquele local de festa, continuando minhas observações e olhando com bastante respeito por todo aquele sincretismo religioso.......

Com todo respeito a São Sebastião, além de ser feriado no estado do Rio de Janeiro, acho que o padroeiro deveria ser São Jorge, assim como lá na minha distante Ipueiras no Ceará é Nossa Senhora da Conceição, com sua festa em 8 de dezembro, com aquele povo que também quando criança e adolescente eu via misturar tantos sentimentos e FÉ.

Nada mais justo Oxum lá e OGUM aqui.

Com uma certeza eu saio daquele local, que a cada dia a frase que já faz parte da minha vida é uma grande realidade:

“ Ninguém deve decidir como você vai agir, porque cada um deve marchar ao som do seu próprio tambor. ”

Aquele povo, que estava ali, não estava preocupado com a batida do tambor de ninguém, só estavam marchando ao som do seu próprio tambor.

Tenho dito.

Paulo Felipe é advogado trabalhista, pós-graduado em direito e processo do trabalho pela Escola Superior de Advocacia da OAB/RJ
Demócrito, uma saudade! - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Um ano desde a trágica notícia a nos abalar a todos: Demócrito Dummar a nos deixar, em inesperada viagem para a outra vida. Hoje, porém, o conforto do projeto e lições que deixou. Um jornalismo (jornal, rádios e televisão) sob a batuta de um cotidiano arrancado do barro do chão, mas sem perder de vista “psicanálise e metafísica do mundo” (Roland Barthes). Um jornalismo, em que a feição gráfica se opera num “produtivo caos” a nos lançar o forte apelo: nossos segmentos sociais, em aparente ruído, a desenhar porém democracia nos plurais acordes em sinfonia.

Desde os anos 60, nas funções que ocupei, sobretudo na Universidade Federal do Ceará, captei, das relações entre O POVO e a inteligentzia do Ceará, a concordância com o lema “O universal pelo regional”, que Martins Filho legaria à UFC, acorde com o “poder de pauta” de Demócrito a O POVO. Pauta de uma caminhada em que teriam que se articular cabeças (os intelectuais), mãos (os gestores públicos e sociais) e tato (os políticos).

Basta mirar, em retrospecto, as históricas iniciativas conjuntas entre nossas universidades (a UFC sobretudo): os simpósios, os festivais de cinema e audiovisual, os programas de responsabilidade social, os cursos de educação à distância, a editoração de livros e periódicos, entre muitos outros.

Saudade, presença dos ausentes (Olavo Bilac). Demócrito, em nós que ficamos, nos é sensível presença. Presença nos meios de comunicação de O POVO, em que o poder de pauta evoca o poema de Demócrito Rocha, O Rio Jaguaribe, a desaguar, presença sensível no jornalismo de nossa plural sociedade, na ágora e no agora, em busca do “longo amanhecer” de que nos falaria Celso Furtado, hoje em outra vida, aqui trazido, em 1984, pela UFC e O POVO: “o do crescimento econômico a se metamorfosear em sustentável desenvolvimento”.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 28 de abril de 2009

Frase do dia
"Um soco no estômago. Foi essa a sensação que senti ao saber que a ministra Dilma Rousseff estava com câncer."

José Dirceu, na coluna de Ilimar Franco, em O Globo
Jatobá - Por Chico Parnaibano
Adotei o nome JATOBÁ, como nome de guerra.
As vezes em algum telelefonema uma voz perguntadora diz:
"Quem quer falar com o dotô fulano???..."
- Aí eu digo bem sibalaticamente:
"É O DOTÔ J A T O B Á"
- ou então quando eu quero ser autoridade
eu digo "É O GENERAL J A T O B Á
- as vezes a voz perguntadora
se espanta "quem?"
- E eu repito "É O GENERAL JATOBÁ DO CPOR DE BATURYTE
(Baturaite) = Baturité"
- Não tem erro.
O atendimento é imediato.
Essa brincadeira foi inspírada no RIO JATOBÁ.

Uma única vez e deve ter sido na invernada de 1956, eu atravessei o JATOBÁ
agarrado no cangote do meu tio Cândido Torres.
Ele fez varias travessias pra levar gente e bagagens de um lado pro outro, montado num cavelete munlungu. Nós estavamos indo de férias pra fazenda
dele (semana santa), que ficava logo depois do JATOBÁ, no gido do BATOQUE
(Hoje na fazenda na boca da noite, com o céu avermelhado e grande nevoeiro de chuva.
No terreiro tinha uma arvore semimorta e asssim que chegamos pousa uma coruja bem grande.
Meu tio entrou em casa pegou um papo amarelo e de lá da porta deu um
tiro certo na coruja.
Lá pelas nove e meia dez horas da noite estavamos comendo um delicioso
pirão escaldado de coruja. Muito, muito gostoso mesmo e tome chuva.
Mais ou menos três horas da madrugada um grande papôco sacudiu a casa toda.
O açude tinha arrombado por causa das chuvas.
Durante a semana inteira quse não saimos da casa. Chovia muito.
Na volta o JATOBÁ já estava manso.

Inté mais ver.
Enviado por Dalinha Catunda
O jatobá botou água - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Choveu nas cabeceiras
O Jatobá transbordou,
O rio tá botando água!
A molecada se agitou.
E o povo da cidade
Para ver a novidade
Na chuva até se molhou.

Menino pulando da ponte,
Fazendo estripulia.
Com o rio botando água,
Era o que mais se via.
Filho de bananeira
Passava nas carreiras
E na correnteza sumia

O jatobá se zangou
Ficou de toda largura.
Nunca vi cheia maior,
Falava uma criatura,
Vendo a água que corria
Apreciando a magia
Vendo acabar a secura.

Oposto que a meninada
Já preparou o landuá,
Ou garrafa com farinha
Para piaba pescar,
Depois bem salgadinhas
Torrada e com farinha
Melhor tira gosto não há.

As lavadeiras, garanto!
Já começaram a cantar,
Cantigas de bater roupa
Nas pedras do jatobá.
É grande a animação
Aqui neste meu sertão
Ao ver a chuva chegar.

Debaixo das oiticicas,
Nas pedras do Jatobá,
Com cachaça e tira gosto,
Diversão maior não há.
Mas isso só tem sabor
Pra quem é do interior
Ou quem já viveu por lá.

Eu só queria saber,
Responda-me, por favor:
Quem tomou banho de rio,
E já morou no interior.
Se não bate uma vontade
De rever a antiga cidade,
Ou só eu sinto esse amor?

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gripe Suína - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia


Fani - A Tribuna (ES)


ATENÇÃO – A gripe suína já chegou ao México. No Brasil, onde o ministro da Saúde disse que é o próprio consumidor quem deve escolher entre comer ou não alimentos contaminados, se a gripe suína chegar, o que esperar?

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

Política, coisa suja - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Na mídia, política é coisa suja. E isso me leva a Aristóteles, para quem o homem é animal político, a construir, gregário, o mundo. Abro o livro “... a seara de Caim”, que, no Seminário da Imaculada, em Campinas (SP), recebi como “prêmio áureo”, em 1960, onde se lê: “Os povos não merecem julgamento pelos crimes dos seus maus filhos, mas pela violência da reação que esses crimes provocam. Pois Deus concede poder de água lustral ao sangue de Abel (...), que redime a seara de Caim”.

A “coisa pública” (res publica), entre nós, molda-se em formal aliança (foedus) entre união, estados e municípios. Prudente atentarmos para a advertência de Montesquieu: “é uma eterna experiência que todo homem, a quem é dado poder, termina por ser levado a dele abusar; ele vai até onde encontra limites”.

Muitas, as queixas apontadas em nossa federação, onde “foedus” – a aliança entre seus entes - também se reclama para as regiões. Em recente seminário sobre o Nordeste, onde discutíamos suas potencialidades e limites, a reclamação geral era a de que regiões, no contexto atual entre o global e o regional, haveriam que se alçar a entes federativos.

Em nossa federação, os poderes executivo, legislativo e judiciário compartilham de formal independência e harmonia entre si. Passos mais avançados de reforma, porém, em nossa política se esperam.

No plano nacional, o legislativo é bicameral: câmara e senado. Neste, a representação opera-se igual para os estados e o distrito federal, a nação em equilíbrio.

Nestes tempos de crise, o Brasil é respeitado, ocupando lugar entre os grandes. E, no plano interno, sem os históricos surtos de Confederação do Equador. É tempo de passarmos a limpo, na expressão de Darci Ribeiro, a nossa política, vista ainda por muitos ... “coisa suja”...

É a esperança de todos nós!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Invernada - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
No tempo da invernada
O canto da passarada
Encanto meu coração.

Borboletas fazem festa
Sapos afinam sua orquestra
Canta e sorrir o sertão.

Chananas bordam o chão.
Entre salsas e muçambês.
Nos galhos do sabiá
A brancura do florescer.

Carnaúbas batem palmas,
Sentindo o frescor da brisa.
O sol por entre as nuvens,
Meio apagado desliza.

É a estação das chuvas
Trazendo seu esplendor.
É a peitica cantando,
Seu canto repetidor.

É a presença do campina,
Os arrulhos da fogo-pago.
É a alegria do verde,
Que com a chuva brotou.

É a enxada no ombro,
Do nosso agricultor,
Que não carece de esmola
Nem foge ao seu labor.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sábado, 25 de abril de 2009

Charge da semana


Lézio Jr. - Diário da Região (SP)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

Frase do dia
"Para sobreviver politicamente, vou encarar de frente a morte política."

Deputado Fernando Gabeira (PV-RIo), que doou a parentes passagens da Câmara para viagens ao exterior

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Posse da nova diretoria do G.C.D.I - Por Carlos Moreira


Diretoria empossada


Aconteceu no último dia 15 de Abril, Assembleia Geral para a escolha da nova diretoria do Grêmio Cultural e Diversional Ipueirense (G.C.D.I).

Fundado em 06 de Julho de 1957, foi palco de muitas festas, movimentos políticos e peças teatrais. Hoje percebe-se uma preocupação por parte da sociedade em reconstruir a estrutura e resgatar sua história, através de um trabalho que teve inicio neste último evento, onde todos que se pronuciaram, relembraram momentos inesquecíveis de suas vidas e do povo de Ipueiras registrados e vividos nos salões nobres do G.C.D.I.

Nova Diretoria, ei-los:

PRESIDENTE - ANTONIO MELO SAMPAIO

VICE-PRESIDENTE – JOSÉ HÉLDER FARIAS CATUNDA

1º SECRETÁRIO – ANTONIO ALVES NETO

2º SECRETÁRIO – MARIA ESTER TIMBÓ TEIXEIRA

1º TESOUREIRO – JOSÉ DE ALENCAR BEZERRA

2º TESOUREIRO – AFONSO AZEVEDO DE CARVALHO

ORADOR – ERIVELTON SILVA OLIVEIRA


CONSELHO SUPERIOR:

FERNANDO ANTONIO FONTENELE
JOSÉ RODRIGUES ARAGÃO
EUGÊNIO PACELLI FONTENELE DIAS
RAIMUNDO MELO SAMPAIO
FRANCISCO DÊNIS MORAIS MOURÃO
ANTONIO FARIAS FONTENELE
JOSÉ BENONE DO NASCIMENTO

CONSELHO FISCAL:

BENEDITO LUIZ ARAGÃO
ANTONIO DEUSDEDITH MELO
JOSÉ EGBERTO MORAIS
FRANCISCO DE ASSIS EUZÉBIO
RAIMUNDO NONATO DE OLIVEIRA
EMÍLIO ANTONIO ARAGÃO MEDEIROS
GONÇALO ERASMO DE MEDEIROS JÚNIOR

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Absurdo - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia


O típico exemplo do desprezo que os mandantes deste país têm pela população ficou muito às claras na noite desta quarta-feira, com a declaração (Jornal da Band) do ministro da Saúde, na matéria sobre uso de agrotóxicos em alimentos.

Ele simplesmente disse que na casa dele cortou vários produtos porque podem estar com agrotóxicos. Mas a jóia da coroa foi o final da declaração, de que compete ao usuário decidir sobre o uso ou não de produtos possivelmente contaminados.

Em qualquer outro país ele seria sumariamente exonerado, e ainda teria de, publicamente, pedir desculpas. No Brasil, no entanto, vai ficar tudo no "ora veja".

Ao invés de fazer o sistema de fiscalização funcionar, ou trabalhar para proibir o uso de agrotóxicos, o ministro (Deus que me livre!) da Saúde manda o contribuinte às favas. Absurdo!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Frase do dia
"Uma [imprensa, a estrangeira] está vendendo otimismo sobre o nosso país. E a outra [a brasileira] está vendendo pessimismo sobre o nosso país."

O Cara

terça-feira, 14 de abril de 2009

Política, coisa suja - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Na mídia, política é coisa suja. E isso me leva a Aristóteles, para quem o homem é animal político, a construir, gregário, o mundo. Abro o livro “... a seara de Caim”, que, no Seminário da Imaculada, em Campinas (SP), recebi como “prêmio áureo”, em 1960, onde se lê: “Os povos não merecem julgamento pelos crimes dos seus maus filhos, mas pela violência da reação que esses crimes provocam. Pois Deus concede poder de água lustral ao sangue de Abel (...), que redime a seara de Caim”.

A “coisa pública” (res publica), entre nós, molda-se em formal aliança (foedus) entre união, estados e municípios. Prudente atentarmos para a advertência de Montesquieu: “é uma eterna experiência que todo homem, a quem é dado poder, termina por ser levado a dele abusar; ele vai até onde encontra limites”.

Muitas, as queixas apontadas em nossa federação, onde “foedus” – a aliança entre seus entes - também se reclama para as regiões. Em recente seminário sobre o Nordeste, onde discutíamos suas potencialidades e limites, a reclamação geral era a de que regiões, no contexto atual entre o global e o regional, haveriam que se alçar a entes federativos.

Em nossa federação, os poderes executivo, legislativo e judiciário compartilham de formal independência e harmonia entre si. Passos mais avançados de reforma, porém, em nossa política se esperam.

No plano nacional, o legislativo é bicameral: câmara e senado. Neste, a representação opera-se igual para os estados e o distrito federal, a nação em equilíbrio.

Nestes tempos de crise, o Brasil é respeitado, ocupando lugar entre os grandes. E, no plano interno, sem os históricos surtos de Confederação do Equador. É tempo de passarmos a limpo, na expressão de Darci Ribeiro, a nossa política, vista ainda por muitos ... “coisa suja”... É a esperança de todos nós!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Frase do dia
"[As prefeituras] não estavam preparadas [para o PAC]. Todo mundo fazia campanha para acabar com as favelas, mas ninguém tinha projetos. Digo sempre que o bom projeto faz o dinheiro. Mas se você tem o dinheiro e não tem projeto, não acontece nada."

Lula ao falar sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

domingo, 12 de abril de 2009

O Céu está informatizado - Por Antonio Alves Neto / Ipueiras

Num recente contato mediúnico de um falecido com seus parentes, ele fez relatos interessantes, como o seguinte: O Céu está informatizado. Curiosos com tamanha revelação, lhes perguntaram por quê. Afinal, estavam em plena mesa branca de uma sessão espírita.
E ele começou a relatar:

_ Pensam que ainda existe aquele o livro de ocorrências e de pecado que São Pedro, fedorento a mofo, ou aquele molho de chaves, fazendo zoada, prá cima e prá baixo? Existe mais não.

Em conversas de pé de ouvido com São Pedro de quem me tornei, muito amigo, ele me contou como eram as coisas por lá agora. Disse-me que logo que eu adoeci, ele começou a baixar o meu Download, Como não tinha completado o meu tempo aí na terra. Ele cancelou.

Depois de muito tempo, a doença voltou. Começou a baixar o meu download definitivo, agora prá valer. No dia que eu morri, foi o dia que apareceu no computador de São Pedro: Download efetuado com sucesso. E eu cheguei lá... meio atorduado. Dei conta de mim, numa linda entrada, com um painel bem grande piscando. Siga em frente. Juro: não entendi o que eu estava vendo. Cheguei numa sala bem grande e fui recepcionado por um senhor de idade. Sentado numa confortável cadeira rotativa em frente a um elegante birô estilizado. Suas vestes eram de um tecido muito fino, com nuances de ouro e prata. Prá minha surpresa, percebi um crachá pendurado no seu pescoço numa linda fita da cor de ouro. No crachá tinha: São Pedro e abaixo do nome, Setor Triagem.

Fiquei calmo. Ele vagarosamente apertou numa tecla de um painel que estava sobre seu birô e apareceu uma cadeira. Pediu, gentilmente, que eu me sentasse. Sentei-me. Olhou para mim e disse: dê-me seu cpf. Bati a mão num bolso e no outro. E me perguntei, eu já morri, prá que cpf. Nisso, São Pedro olhou-me com uma cara de quem não tinha tempo a perder e disse: Trouxe não? Se não tiver trazido bote aqui o polegar direito. Olhei, tinha um espaço que parecia um vidro em 3D. Era para colocar o polegar direito dos falecidos que não tinham cpf, dos que a Receita Federal tivesse bloqueado ou daqueles que não se lembrasse do número. Parece que o RG por lá não tem muito futuro, não. Falsificam muito. Ainda bem que eu sabia do meu decorado. Disse os números e ele lentamente, digitou. E num pequeno barulho que parecia um tilintar de chamada celular, de repente abriu em minha frente uma tela de LCD, 40 metros quadrados, com as seguintes inscrições. CPF identificado. E ainda continha o meu nome completo e o nome da minha mãe. Perguntei, e o do meu pai? Parece que nome de pai também não identifica muito por lá, não. Segundo ele, tem mãe que não sabe quem é pai do seu filho. Concordei. Abaixo tinha assim: Idade de consciência de pecado: 13 anos. Não entendi muito, mas, deixei para lá. Afinal, já havia feito várias perguntas e o homem não era muito de conversa. Mais abaixo tinha uma janelinha que dizia: Continuar. São Pedro teclou e logo apareceu, não mais uma, agora duas telas, nas mesmas proporções da anterior, com as seguintes inscrições: Boas Ações, em uma, e, Más Ações, na outra.

De repente comecei assistir o filme da minha vida. Foi aí que eu vim entender a idade de pecado. Era porque a partir dos treze anos, comecei a ter noção e consciência do que eu fazia. Passei, então, a ver de um lado as minhas más ações e no outro, as minhas boas ações. Olhei para São Pedro, cabisbaixo, só teclando no painel. E eu ali, assistindo, vendo a minha vida passar. Comecei a me tremer... Vixe... E agora... Que vai ser de mim. Deixei rolar... Não tinha mais o que fazer. Já tava morto mesmo. Assisti minha vida toda. Tudo o que fiz de bom e de ruim enquanto permaneci da terra. Vi todos os meus downloads, e o dia quando download foi completado, ou seja, o dia da minha morte.

Repentinamente, São Pedro colocou uns fones de ouvido e começou a falar num minúsculo microfone que mal dava para ser notado entre suas barbas brancas. Parecia conversar com alguém. Dizia no microfone: essas duas boas ações cobrem essa má ação. Essa cobre aquela. Esse pecado não tem jeito, é mortal. E eu, só pensando, meu Deus. Eita, tô lascado. De repente, São Pedro disse para a pessoa com quem ele estava falando: Análise concluída. Virou-se para mim e como um bom atendente de call center, disse-me: Vou lhe explicar todas as fases pelas quais você passou: Um momento por favor...Ficou teclando no painel. Demorou. Favor aguardar mais um momento, disse-me de novo. Nisso, uma musiquinha ambiental tocava com a intenção de passar tranqüilidade. Pronto, disse São Pedro. Arregalei os olhos. Ele vagarosamente começou a me explicar.

_Vou puxar o seu relatório. Apertou uma tecla e surgiu uma folha de papel contínua. Antes de me entregar, ele me revelou algo interessante. Resolvemos acabar com os livros e as escritas, porque muitos falecidos já chegavam aqui debaixo da asa de um advogado. Esses que morrem e ficam na frente do céu para ver se ganham alguma boa ação defendendo os que morrem e não tem consciência da desencarnação. Querendo questionar a lisura das minhas escritas. Então informatizamos tudo. Criamos e museu do céu. Mandei todas as chaves para lá e microfilmamos os livros todos. Montamos um grande programa de software. Fiquei impressionado. Nisso, abriu-se uma tela na mesa dele e, passou a me explicar. Os castigos aqui agora são em etapas. Eu disse:

_ mais como? Ele respondeu: Se você tiver sido ruim, vai para o Inferno. Lá é muito quente. Já tem muita gente. De vez enquanto, se escuta uma voz rouca e assombrosa, dizendo: Vire a bunda para a passagem. Todos viram. Passa um cão com um tridente vermelho em brasa de fogo, espetando um a um. Só se escuta os gritos de dor e uma gemedeira infernal. É cada “ai” que dói na alma. Eu disse: Vixe. Valei-me Santo Antonio. Se você tiver sido daqueles um pouco mais ruim, você vai para o Meio dos Infernos. Lá é caldeira pegando fogo, todo mundo nu. Só com um tapa sexo. Todos pintados de preto. De hora em hora, passa uma grande quantidade de cão. Uns com panela cheia de óleo quente, outros, com chicote de fogo. Batendo em todo mundo. E tem um cão que vem no meio, xingando as mães de quem está lá. Agora, se você tiver sido ruim demais, você vai para o Quinto dos Infernos. Eu disse: eita, São Pedro, lá deve ser de lascar. São Pedro respondeu: Lá é assim: Prá começar, não tem nenhum cão macho. Eu disse: tem o quê?

São Pedro respondeu: Só uma multidão de cão fêmeas. Todas pintadas de vermelho abrasante, com seios fartos jorrando fogo pelos bicos. Os olhos são duas tochas vermelhas e da boca, cada cuspida quando bate no chão, vira labareda de fogo. Eu, disse: se eu for prá lá, tô lascado. Lá não tem dia e nem noite. Uma grande quantidade de enxofre líquido e fervendo é derramado em cima das pessoas e uma cão fogosa, balançando os seios fartos na cara de cada um. Não se anime, não. Só que jorrando, ao invés de leite, labaredas de fogo. Eu disse: Ave Maria. Agora, seu caso não é de inferno, não. Você vai para o Purgatório. Irá encontrar seus velhos amigos da terra. Se repetir os mesmos erros cometidos, sai de lá para uma permanência no meio dos infernos, e depois, no quinto dos infernos: Cuidado: lá tem forró e carnaval. A galera tá toda lá. E eu fui para o purgatório e estou lá até hoje, não agüento escutar um forró e nem um carnaval que caio dentro.

Professor Antonio Alves Neto é sub-secretário de Educação do município de Ipueiras

sábado, 11 de abril de 2009

Páscoa e Paz - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Vamos adubar nosso chão,
Plantar justiça, colher a paz.
Ressuscitar sentimentos
Que tanta falta nos faz.
Repudiar a violência
Pois cada um é capaz.

Chega de tanta violência,
Chega de tanta matança.
Chega de tanta maldade
Envolvendo as crianças.
Vamos semear justiça,
E tentar colher esperança.

Cristo foi crucificado,
Para nossa salvação.
Vamos abraçar o próximo,
Como se fosse um irmão.
Vamos ressuscitar a paz,
E abrandar o coração.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

domingo, 5 de abril de 2009

Frase do dia
"O PT deve ter juízo e clareza para compreender, na hora de fechar alianças, que os interesses nacionais prevalecem sobre os regionais."

Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do Lula

sábado, 4 de abril de 2009

Histórica reunião - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Na Fiec, auditório repleto: empresários, acadêmicos, lideranças várias. Sérgio Machado, presidente da Transpetro, expõe reversão, pelo governo federal, da política dos transportes: a Embraer, o orgulho de agora. De resto, ferrovias ficadas do império, rodovias com saudades de JK e indústria naval em declínio desde os 80, hoje paralisada. Plano factível e transparente, hoje a envolver sete estados, anseio de 95 por cento de nossa exportação.

Apelo final que, nordestinos, acertemos o passo com o agora: as águas transpostas do São Francisco, mais que para nos matar a sede, sejam caminho integrado à Transnordestina a às vias marítimas e fluviais a desaguar no porto da inclusão social. E a constatação: nunca tantos os cearenses com influência no cenário nacional. Mas sem forças, perdidos em solidões. Daí, o proposto concerto (com c e com s) de cantos e contracantos em plural harmonia.

Nos debates, empresários se dispõem a solidarizar hegemonias em cacos. Acadêmicos abrem-se chamando todos a discutir o mar, em reunião da SBPC, em Fortaleza. Temores: "Interesses eleitoreiros poderão dispersar-nos".

Abraços finais. Sérgio segreda-me já positivos encontros com lideranças políticas. O presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC) garante-nos a entidade fórum aberto para as grandes questões comuns. Empresário agrícola: "Profético, o Conselheiro - o sertão vai virar mar, e o mar virar sertão!" E, na saída, alguém observa: "É bom algo assim acontecer. Do contrário, esta morna calma aparente será atropelada por inesperados maremotos. Não foi disso sinal, o segundo turno das eleições em Fortaleza, com Luizianne e Moroni?"

Texto publicado originalmente no jornal O Povo 02/02/2005, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009