terça-feira, 31 de março de 2009

Vamos ensinar a pescar - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
No Ceará (é bordão em meus artigos), economia e política alternam-se, como nossos rios, em cheias e secas. Exemplos recentes entre nós, a União pelo Ceará, com Virgílio Távora, a superar as velhas rixas entre PSD e UDN. Em 1984, Celso Furtado, voltado do exílio político, dava-nos conta, nos Encontros Culturais da UFC de que os ciclos, no País, vêm e se vão de 15 a 18 anos, daí nascendo, o “projeto das mudanças” liderado pelos à época “jovens empresários do CIC”, à frente Tasso Jereissati. Agora, um desses “jovens empresários”, por alguns chamado “o Samurai do Cambeba” e hoje a levar à frente, na presidência da Transpetro, os sonhos do Barão de Mauá, em nossa indústria naval, adverte-nos para a chegada de novo ciclo – político e econômico - entre nós. Sérgio Machado aponta-nos estratégicas presenças de cearenses na vida política e social, no cenário nacional, que poderiam, sob o diapasão do olhar mais alto, re/unir, num “Partido do Ceará”, forças nossas hoje em desperdício, nos poderes executivo, legislativo e judiciário do País.

Em O POVO, Sérgio Machado nos diz que sua intenção “é explicitar as características do nosso mercado e caminhos do treinamento e do crédito. Não vamos dar o peixe, mas ensinar a pescar”. De minha parte, sou partidário, sim, do “dar de comer a quem tem fome”. Mas insisto: “... uma esmola a um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão” (Zé Dantas e Luiz Gonzaga). E, não mais que Pero Vaz de Caminha, nessa jornada, ecoa-me a lição que, no Auditório Castelo Branco (UFC), deixou-nos Celso Furtado: “Quando o projeto social dá prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento”. Esse, o horizonte de um desenvolvimento sustentável. É a esperança de todos nós!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Nunca fui virgem - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Apesar de ter nascido e me criado no interior e eu achava aquele mundo muito pequeno para mim. Era meu ninho, não tenho dúvidas! Porém minhas asas eram imensas e essa desproporção dificultava meus vôos. Mesmo assim arriscava uns rasantes.

Sempre tive respostas na ponta da língua e a palavra fácil. E não poderia ser diferente, pois desde criança nutri grande paixão pelos livros, paixão essa, que carrego até hoje.
Se não dominava todos os assuntos, posso dizer sem modéstia alguma, que eu era à frente de minha geração para uma menina do interior.

Como nunca tive cara de remédio, abdiquei daquela bula que a sociedade impõe e determinei, eu mesma, minha posologia sem medo dos efeitos colaterais.

Reconheço que muitas vezes eu gostava de deixar as pessoas numa saia justa. De chocar mesmo. Até porque a grande sociedade apenas representava o papel a ela destinado e não vivia deveras a realidade.

Lembro-me como se fosse hoje... Eu fazia o colegial e nas salas, entre alunas, rolava um “disparate”. E o que era um disparate? Era um caderno com uma capa bonita, cheio de perguntas tolas ou absurdas que era passado de mão em mão para ser respondido. Coisa de meninas... Pois nunca vi o sexo masculino respondendo, quando muito roubando para ler.

Eu adorava responder disparate, e ler o que as outras colegiais respondiam. E todas elas tinham a curiosidade em ler também, pois ali de certa forma estava a ficha pregressa de cada uma.

Certa vez, respondendo um “disparate” deparei-me com a seguinte pergunta:
- Você é Virgem? E eu logo respondi:- Nunca fui virgem!!!
A resposta da outras meninas era: sim, ou então, claaaaro! E não poderia ser diferente, a sociedade, na época, não admitia que uma moça fosse estreada antes do casamento.

Elas ficavam tão chocadas ao lerem minha resposta que não prosseguiam com a leitura. Saiam correndo direto para fuxicar. Lá mais na frente, aparecia a pergunta reveladora:
Qual é o seu signo? Escorpião.... por iiiiiiiisso... É que, não sou virgem, nem nunca fui.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sexta-feira, 27 de março de 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

Frase do dia
"Uma gripe, num cabra mofino, ele fica de cama; num cabra macho, ele vai trabalhar e não perde uma hora de serviço."

Lula

terça-feira, 24 de março de 2009

Foto do dia


Açude da cadeia - Ipueiras

domingo, 22 de março de 2009

A História da Igreja Matriz de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


O primeiro templo católico a ser construído na região que hoje é a cidade de Ipueiras, foi erguido no início do século XVIII.

Tudo começou em 1722, quando deu-se o encontro do frei carmelita José da Madre de Deus com o então Capitão-mor José de Araújo Chaves. O religioso chegou à região com ordem para escolher o local do novo templo. José de Araújo Chaves era potentado daquela região e proprietário de vastas sesmarias da Boa Vista, na Serra dos Cocos, e da Ipueira Grande no sertão.

Com muito entusiasmo e sendo um homem devoto, o Capitão propôs ao frei a construção de duas capelas, sendo uma sobre a serra e outra no sertão, para tal finalidade doou os terrenos e coube ao próprio, escolher os oragos (padroeiros) : São Gonçalo e Nossa Senhora da Conceição.

São Gonçalo na Serra dos Cocos seria uma homenagem ao Conselho de Amarante, vila portuguesa de onde provinham os Martins Chaves e no sertão Nossa Senhora da Conceição em homenagem a Portugal, que a tinha como padroeira.

A capela de Ipueiras foi concluída em 1745, precisamente em 4 de julho do ano citado. A benção foi dada pelo padre Pedro da Costa que batizou no mesmo dia Manoel Martins Chaves, filho do construtor da capela.

Somente em 1883, através da Lei Provincial no. 2.037, é que foi instituída a paróquia de Nossa Senhora da Conceição, tendo por limite o Distrito de Paz de Ipueiras e o de São Gonçalo, extinguindo a antiga freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, reduzida a simples capela da paróquia nascente.

Canonicamente a paróquia foi instituída em 21 de abril de 1884 por provisão do segundo bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira. Logo em 16 de maio do mesmo ano foi nomeado como primeiro vigário o padre João Dantas Ferreira Lima que tomou posse no dia 16 de julho do ano citado.

Guardava a paróquia uma antiga estátua de madeira da Virgem da Conceição em estilo barroco, que estava posta no altar desde o século XVIII, porém antes que findasse o século XIX, de forma misteriosa a imagem sumiu.

Tal perda levou os paroquianos encomendarem da Alemanha uma grande estátua de Nossa Senhora da Conceição. Ocorreu que na época Nova Russas, ainda um pequeno distrito de Ipueiras, foi beneficiada no mesmo pedido com uma estátua menor para sua capela. Na Alemanha, os encarregados do envio, não distinguindo qual das duas cidades era a mais importante, enviaram para Nova Russas uma grande estátua de Nossa Senhora das Graças e para Ipueiras uma pequena imagem da Virgem da Conceição.

A estátua que recebeu Nova Russas logo veio para Ipueiras, e por ser a maior da matriz, ocupou o altar que por regra deveria estar a estátua da padroeira local. Esta é a razão de ainda hoje estar esta imagem no plano maior da Nave de Ipueiras. Porém nas procissões sempre é o pequeno ícone de Nossa Senhora da Conceição que é levado.

Entrando no século XX a igreja matriz de Ipueiras era pequena, em termos mais realistas guardava ela o tamanho de uma simples capela, só então que no final dos anos 30 foi construída uma torre de estilo gótico, fugindo um pouco das características barrocas originais de sua planta, para o alto da mesma foi transferido o sino.

Entre os anos de 1956 e 1957 começou a construção na parte detrás da igreja de um plano maior que abrigaria o novo altar, este foi concluído em 1958 e é hoje a parte mais importante do templo.

A Igreja Matriz de Ipueiras foi portanto no século XX alterada três vezes, na primeira acrescentou-se uma torre (final da década de 30) , no fim da década de 50 foi feita na parte detrás um alargamento de altura menor que a da torre, e finalmente em meados da década de 70, transferiu-se o altar para a parte mais nova e ampla da Nave.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

(Publicado no jornal O POVO em 15.03.2008)

sábado, 21 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Padroeiro do Ceará - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Dia 19 de março é o dia de São José. Padroeiro do Ceará. "Segundo a tradição popular cearense e os Profetas da chuva, essa data tem grande significado, pois, se até esse dia houver chuva, o "inverno" (estação chuvosa) estará garantido. Do contrário, a seca estará inegavelmente caracterizada [70]. Essa data curiosamente coincide com o equinócio.”

Este ano o cearense precisa apenas agradescer ao santo, pois as chuvas tem caido com vontade para os lados do Ceará enchendo o cearense de alegria e vestindo de verde nosso sertão.


Apelo a São José


Glorioso São José.
Santo da minha devoção.
Não se esqueça de mandar,
Chuva pro meu sertão.
Aqui o povo é sofrido,
E carece de proteção.

Olho pro gado no pasto,
Tão magro tão desnutrido...
Parece que lambe pedra,
O verde foi destruído.
Só se vê nessas paragens,
Galhos secos retorcidos.

À vontade de trabalhar é grande.
A fé em Deus não é menor.
A gente só quer do senhor,
Uma ajudinha maior,
Pois o nordestino é forte,
Não economiza suor.

Dá uma tristeza danada,
Ver nosso açude secar.
Primeiro vira lama,
Depois se dana a rachar.
Os peixes vão se sumindo,
E os urubus a rondar.

É a miséria chegando,
É a chuva sem chegar,
É a oração e o pranto,
E o pobre sempre a rogar:
Glorioso São José,
Venha nos ajudar.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

Texto publicado originalmente no jornal O POVO

quarta-feira, 18 de março de 2009

Padroeiro do Ceará, São José - Por Ana Marques de Oliveira / Aracoiaba


Esposo da Virgem Maria e padrasto de Jesus. Ele figura na infância de Jesus conforme a narrativa de Mateus (1-2) e Lucas (1-2) e é descrito com um homem justo. Mateus descreve os pontos de vista de José e Lucas descreve a infancia de Jesus com José.

José é descendente da casa real de David. Noivo de Maria ele foi visitado por um anjo que informou a ele que ela estava com um filho e que o filho era do "Sagrado Espirito". Ele tomou Maria e a levou para Belém e estava presente no nascimento de Jesus. Avisado de novo, por um anjo das intenções do Rei Herodes José levou Maria e Jesus para o Egito. Eles só voltaram a Nazaré quando outro anjo, apareceu de novo a José, avisando da morte de Herodes.

José devotou sua vida a criar Jesus e estava cuidando da ovelhas e de Maria quando os reis magos chegaram. Defendeu o bom nome de Maria e Jesus Deus o chamava de pai e queria ser conhecido como filho de José. Ele levou Maria e Jesus para visitar o templo e apresentar Jesus a Deus no templo. E juntamente com Maria ficou preocupado quando Jesus teria se perdido no templo, isto quando Jesus tinha 12 anos.

A ultima menção feita a José nas Sagradas Escrituras é quando procura por Jesus no Templo de Jerusalem. Os estudiosos das escrituras acreditam que ele já era um velho e morreu antes da Paixão de Cristo. Veneração especial a José começou na Igreja moderna ,onde escritos apócrifos passaram a relatar a sua história.

O escritor Irlandês, do nono século Felire de Oengus comemora José. Em 1479 ele foi colocado no calendário Romano com sua festa a ser celebrada em 19 de março.

São Francisco de Assis e Santa Teresa d'Avila ajudaram a espalhar a devoção, e em 1870 José foi declarado patrono universal da Igreja pelo Papa Pio IX. Em 1889 Papa Leão XIII o elevou a bem próximo da Virgem Maria e o Papa Benedito XV o declarou patrono da justiça social.

O Papa Pio XII estabeleceu uma segunda festa para São José, a festa de "São José, o trabalhador" em primeiro de maio. Ele é considerado pelos devotos como padroeiro dos carpinteiros e na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado como um homem velho com um lírio, e algumas vezes com Jesus ensinando a ele o ofício de carpinteiro.

De acordo com um antiga lenda, Maria e as outras virgens do Templo receberam ordens para retornar a sua casa e se casarem. Quando a Virgem Maria recusou-se, os anciões oraram por instruções e uma voz no Santuário instruiu a eles a chamarem todos os homens que podiam se casar para a Casa de David e para ele deixarem seus cajados no altar do templo durante a noite. Nada aconteceu.

Os anciões então chamaram também os viúvos, entre eles estava José. Quando o cajado de José foi encontrado na manhã seguinte coberto de fores (" as flores no bastão de Jessé") a ele foi dito para tomar a Virgem Maria como esposa e a guardasse para o Senhor. Muitas vezes o cajado florido é mostrado como um bastão de lírios.

Outra versão da vida de São José é relatada nos "Atos de São José" que é tido por muitos como sendo apócrifa, mas estudiosos como Origens, Euzébio e São Cipriano fazem referência em suas obras. Nesses "Atos" José teria se casado jovem e só foi prometido a Maria quando já era viúvo.
José teria tido, no primeiro casamento, duas filhas e quatro filhos sendo o caçula chamado Tiago, que Jesus considerava como irmão e com ele teria passado sua infância e parte de sua adolecência. E Maria achou o menor Tiago na casa de seu pai e este estava triste pela perda de sua mãe e Maria o consolou e o criou. Assim Maria é as vezes chamada de mãe de Tiago.

Com o passar dos anos o velho José tinha uma idade bem avançada, mas nunca deixou de trabalhar, nunca sua vista falhou e nunca ficava sem rumo, tonto, e como um rapaz ele tinha vigor e suas pernas e braços permaneceram fortes e livres de nenhuma dor. Quando aproximou-se a sua hora um anjo do Senhor veio até ele e disse a ele que estava para morrer e ele levantou-se e foi para Jerusalém orar no santuário e disse: "Ó Deus autor da consolação, Ó Senhor da compaixão, Ó Senhor de toda a raça humana, Deus de meu corpo e espirito, com súplica eu Vós reverencio e Ó Senhor e meu Deus, se agora meus dias terminam e eu preciso deixar este mundo, peço a Vós que envie o arcanjo Miguel, o príncipe dos Vosso anjos, e deixe ele ficar comigo e leve minha alma deste aflito corpo sem problemas e sem terror. E José foi enterrado pelos seus amigos e parentes sem o odor dos mortos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Frase do dia
"Sugestão de bem viver. Existe uma lei que não está em nenhum código ou constituição, embora presente em todos os momentos de nossas vidas. É a lei da compensação. Se você pratica o bem agora, esse mesmo bem retornará mais adiante. Se facilita o de alguém hoje, um outro alguém facilitará o seu lado amanhã. Pense nisso e, no mínimo, evite complicar a vida alheia."

Neno Calvante é jornalista

segunda-feira, 16 de março de 2009

Posse de Marcus Lucenna - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Jandira Feghali,Marcus Lucenna e Dalinha Catunda


No dia 12 de março de 2009, Marcus Lucenna, cantador, cordelista, acadêmico da ABLC, natural da cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte, foi empossado como gerente do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, pela Secretária de Cultura do municipal Jandira Feghali.

A Feira de São Cristovão foi invadida por nordestinos que orgulhosamente prestigiaram e aplaudiram o novo Gerente.

Tanto Jandira Feghali, como Marcos Lucenna prometeram dar mais ênfase a cultura e uma cara, realmente, mais nordestina a famosa “Feira dos Paraíba” que andou perdendo, e muito, sua essência nordestina.



A ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel compareceu com boa parte do seu quadro acadêmico. Lá estiveram: Chico Sales, Campinense, Dr. William G Pinto, professor Aragão, Lobisomem, Cepalo e Mestre Azulão. Eu que não sou boba nem nada também marquei presença.

Entre as apresentações gostaria de destacar Zé Calisto com sua sanfona, que arrancou aplausos dos convidados, e a apresentação cheia de graça do Mestre Azulão.

Marcos Lucenna numa homenagem ao rei do baião e aos nordestinos que ali se encontravam cantou Asa Branca emocionando os presentes.

Conjuntos tocando apenas pé-de-serra, também animaram a posse. Bebidas e salgados foram oferecidos aos presentes finalizando a festa com chave de ouro

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

Educação, capital humano - Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Abro O POVO e nele, duas manchetes me chamam a atenção. Mais ostensiva, ressalta-se a declaração da ministra Dilma Rousseff: “o desenvolvimento do País só poderá ser alcançado por meio de ações contra as desigualdades social e econômica”. E, em tom mais discreto: “Prefeitura destina 40% do orçamento para a educação”.

Por instantes, em minha mente, desfilam múltiplas distorções sabidas e denunciadas dos programas assistencialistas a, num crescendo, afastarem seus beneficiários do mundo construtor do trabalho. E, nisso, martela-me o refrão do baião “Vozes da Seca”, do médico Zé Dantas e Luiz Gonzaga, o rei do baião: “Mas, doutor, uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Nessa caudal, recordo-me de Ariosto Holanda, em solenidade em Limoeiro do Norte, a confessar, sob forte emoção, lição que lhe havia ficado de dom Aureliano Mattos, a justificar seu Liceu de Artes e Ofício: “Sem uma arte e um ofício, não se é filho de Deus”, força motriz da obstinação a hoje embasar CVTs, Centecs...

Volto à criação do mundo. E, no Gênesis, vejo, instigado pela serpente, Adão seduzido pela intuição de Eva, a despertar de edênico sono. E, imagem e semelhança do Criador, nossos pais darem início ao projeto humano, alicerçado na construção e no trabalho, à luz do “comerás o pão com o suor do teu rosto”, num equilibrado e instigado “crescei e multiplicai-vos”...

Hoje, o globo inteiro abala-se em desequilíbrios: o ecológico, o desemprego, a educação vista em seu papel de capital humano, a exigir-se ferramenta para que a imagem e semelhança do Criador se dignifique sob a integrada tríade do “profissional, cidadão e pessoa”, pois, “sem uma arte e um ofício não se é filho de Deus.” Só assim o desenvolvimento poderá encarar-se ... sustentável!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Frase do dia
"Ocupar fazenda de banqueiro bandido é dever do povo brasileiro"

Delegado Protógenes Queiroz sobre a ocupação pelo MST de fazendas do banqueiro Daniel Dantas

domingo, 15 de março de 2009

Medo da morte - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia


Dizer que alguém não tenha medo da morte, é coisa difícil de entender. Mas o que andei ouvindo nesse périplo nordestino, 40 dias de Aracaju ao Maranhão, chama a atenção porque não se trata de medo de morrer, mas de que alguém morra e, aí, seque a galinha dos ovos de ouro que garante a muitos marmanjos deixar de trabalhar e passar a viver dos rendimentos de senhores e senhoras aposentadas, nas pequenas cidades.

O maior medo de muitos desses jovens é que seus pais ou avós morram, porque aí deixam de receber o dinheiro da aposentadoria e, então, para sobreviver, têm de voltar a trabalhar.
A frase foi ouvida em várias situações diferentes, entre Fortaleza e Aracaju, em João Pessoa, em Teresina, em Campina Grande, e por aí afora.

Bom prá gente é quando pagam o bolsa-família e o bolsa-escola. Só estão deixando de plantar para viver disso.

A opinião foi de comerciantes em Guaraciaba do Norte (CE) e em Timom (MA). Quem está gostando desse sistema de aposentar velho são os políticos e os donos de financeiras que emprestam dinheiro. Os filhos e netos exigem e pressionam. Aí o pai ou o avô se endivida para atender. Mas eles não tratam os velhos com respeito, diz um professor de História Regional em Teresina.

Recebidos, com alegria, por todos os segmentos envolvidos , os auxílios sociais do Governo são vistos, atualmente, inclusive por funcionários de órgãos federais, como fatores de desestruturação econômica. O Governo está invertendo a filosofia, que manda ensinar a pescar. Até quando vão continuar dando o peixe?, pergunta uma funcionária federal em Parnayba (PI).

Para muitos, o grande beneficiário é aquele político que transforma o auxílio social em voto. Isso também acontece em Rondônia, onde muitas famílias estão deixando de plantar e de criar, para viver do que o Governo lhe dá, me diz uma atendente de enfermagem residente na região de Guajará-Mirim e com a qual eu conversei na feira de Caruaru.

A coluna de hoje busca apenas levar aos leitores uma reflexão em torno de uma idéia que, como é fácil de entender, se deixou mesmo de lado o ensinar a pescar para se instaurar a exploração da miséria humana. Enquanto quem trabalha paga a conta.

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Lembranças do interior - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Foto: Dalinha Catunda

Boina na boca do pote.
Água fresca naturalmente.
O pote por fora suado,
Matava a sede da gente.

Era água de cacimba,
Que a natureza servia.
No copo de alumínio
No interior se bebia.

No ranchinho que possuo
Lá pras bandas do sertão.
Tem lá um banco de pote
Preservando a tradição.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Frase do dia
"Após seis meses, (o governo federal) ainda pratica a política monetária mais equivocada entre todos os países do mundo, porque manteve os juros na estratosfera, dificultando a retomada da economia. Acredito em quadro de recessão, torço para que não."

José Serra (PSDB), governador de São Paulo

domingo, 8 de março de 2009

O Poeta nunca morre - Por Luiz Alpiano Viana



O poeta nunca morre, pois é assim que dizem os saudosos. Ele estará sempre presente no coração de cada um de nós. Sua obra é o combustível que aciona os leitores e termina inundando de lágrimas os olhos de quem ler.


Dizem que o poeta sabe o dia de sua morte, e por isso faz registro de tristeza e de saudade. O que ele não sabe é que seus poemas incentivarão, mais ainda, o leitor a chorar amargamente sua perda.


Palavras de Costa Matos na inauguração da Praça Sebastião Matos: Eu devia ter escrito... eu devia ter pensado... eu devia não dizer nada...


Como imaginar que um homem de sua envergadura deveria ter escrito o que falar! Da mesma forma, sua invejável cultura dispensaria o pensar quando o improviso é o seu mais forte instrumento de comunicação! Sem dúvida nenhuma, naquela hora, não deixaria de falar para não dizer nada. Ele não seguiria, jamais, essa linha de comportamento, dado o seu potencial literário.


Costa Matos tinha o trabalho como oração e por isso mesmo deixa um cabedal de obras em prosa e outras tantas joias em poesias de nomeadas. Ler tais maravilhas significa enriquecimento cultural; acondicioná-las em lugar seguro, e de destaque, é respeitar seu autor e conduzi-lo no topo dos mais lidos do mercado editorial.


O tempo conservará no arquivo de doces lembranças, o trabalho de um homem que sempre se honrou diante do que produziu. A belaza das rimas, a disposição dos versos, o toque singelo da seriedade de um poeta que emudece para o mundo material, mas que permanecerá vivinho no coração de seus admiradores de última hora.


O Professor continuará para sempre como nosso mestre. Em momento algum se deixou envaidecer por ser poeta. O Escritor que escreveu de manhã, de tarde e de noite, às portas fechadas, no primeiro andar de seu sobrado em Ipueiras, precisava mesmo de tempo e de isolamento para seu trabalho dar frutos de qualidade.


Somente agora se sabe que para ser poeta e escritor como ele, tem que sofrer as duras penas dos pequenos e grandes críticos que julgam saber tudo e nada sabem.


Quem quiser seguir as pegadas do Professor terá que ser humilde de coração, pequeno de egoísmo, mas de disciplinada aspiração futurística como ele foi.


Esteja com Deus, Professor!

sexta-feira, 6 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

A Ceriguela - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Foto: Dalinha Catunda

Ela é muito apetitosa,
Todos querem saborear
Sua cor avermelhada
É um convite a provar
Depois de um bom trago,
Pra muitos é um manjar.

No Ceará muito gente,
Vi correndo atrás dela.
Até eu andei trepando
Num galho, doida por ela.
Antes que o pau quebrasse
Minha mão eu meti nela.

Típica do meu Nordeste.
Bem gostosa como ela só.
Quem ainda não comeu,
Confesso que tenho dó,
Pois ainda não encontrei,
Sabor que fosse melhor.

Às vezes bem vermelha,
Outras vezes é amarela.
Falo é da preciosidade,
Que se chama Ceriguela.
Fruta pequena e gostosa
Não há quem resista a ela.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

terça-feira, 3 de março de 2009

Frase do dia
"Eu já vi um deputado/dizendo no Cariri/que Dilma é linda e charmosa/ igual não existe aqui/ é capaz de ser mais bela/que a Angelina Jolie! "

Miguezim da Princesa, poeta popular do Nordeste

segunda-feira, 2 de março de 2009

Um poeta mais perto de Deus - Por Carlito Matos / Fortaleza

Costa Matos


Amigos: cumpro o doloroso dever de informar a todos vocês o falecimento, no início da manhã de hoje (02.03.2009), do nosso grande poeta, pai e amigo COSTA MATOS. Um extraordinário homem, que transformava pequenas coisas em grandes lições de vida e de amor.

Um verdadeiro alquimista, que convertia metais comuns, aparentemente sem valor, no mais puro ouro. Fica comigo, de forma muito clara, o exemplo da simplicidade, do agradecimento permanente a Deus, por tudo que Ele nos oferece: ninguém é melhor do que ninguém.

Ele dizia sempre: as pessoas têm o direiro de serem tudo que quiserem. MENOS BESTAS. E era assim que ele vivia ultimamente: cortava laranjas e mangas e colocava na janela do apartamento para alimentar as abelhas, colibris. Ou quem chegasse.

Alimentava as rolinhas do predio com arroz. Todos os dias. Já no hospital, perguntava por elas, que, religiosamente, iam ao encontro diário com ele. Chorava com os poemas que dele musiquei: Isolamento, A Mentira das Aparências Sensoriais, Eu Hoje, Tudo Igual.

Cometia, às vezes, o sacrilégio de dizer que eu era mais poeta do que ele. Impossível. Ele é um dos maiores poetas que este País já conheceu e, tenho certeza, o tempo ainda vai mostrar isto.

O sepultamento vai ser no Cemitério Jardim Metropolitano, com o velório e a missa no mesmo local, a partir do meio dia. Saibam todos os amigos que meu pai partiu brando, cheio de paz e certo que foi e vai ser eternamente amado nesta terra de transição. Grato pelas orações de vocês. Que Deus abençoe a todos.

Carlito Matos é músico e compositor