sábado, 31 de janeiro de 2009

Frase do dia
"Se fizerem em 2010, poderei ir como presidente. Se for em 2011, já vai ser Dilma."

Lula, sobre a próxima edição do Fórum Social Mundial.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

De camisinha e de propaganda - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia


Foi eu escrever que não sou politicamente correto para alguns leitores mandarem ver na minha cabeça. E como três deles perguntaram como, sendo católico, eu me coloco com relação à proibição (certamente, o grifo é meu, de alguns cocorocas que ainda mandam na cúpula da Igreja Católica) do uso de preservativos.

Ora, convenhamos, segundo andei lendo e ouvindo, inclusive de dirigentes religiosos, a concepção de um novo ser só acontece quando o espermatozóide e o óvulo se encontram, e o primeiro penetra no segundo. Então, se algum fator impede que isso aconteça, então não há concepção, não há novo ser e, consequentemente, não há transgressão.

Desafio que me apontem um percentual aceitável do ponto de vista estatístico,de casais, mesmo daqueles que são mais ativos nas pastorais e/ou movimentos, que sejam adeptos da tabelinha, ou da proposta de só copular para procriar.Já é passada da hora da Igreja Católica tomar um novo direcionamento nessa e em outras questões.Outro fato aqui é a proximidade do Carnaval e, com certeza, de nova campanha contra o HIV, através da forte mídia que acaba estimulando o sexo pelo sexo, tudo escondido atrás da propaganda do uso de camisinha.

Recentemente, se não me engano no ano passado, um jornal inglês publicou que o Brasil é um país onde há dois esportes, o futebol e o sexo. Acho que falta um, a corrupção. Ora, e quando se vê campanhas ditas educativas propondo que basta ter uma camisinha para se fazer sexo à vontade, não se fica muito distante da afirmação da reportagem da publicação inglesa, até porque, conforme se afirma por aí, o súdito de SM não é muito chegado na fruta.Ora, mas está na hora de se mudar o foco.

A prática do sexo responsável não é só botar uma camisinha e pronto. Nem, tampouco, como fazem alguns (des)educadores que levam uma banana e um preservativo para a sala-de-aula, supostamente para ensinar pré-adolescentes a colocar ou tirar a camisinha do companheiro. Isso é educação? Não. Isso é orientar a prática do sexo pelo sexo. É a sua banalização, entrando no currículos escolar.Nada de mais.Inté outro dia, se Deus quiser!

Texto publicado originalmente na coluna CONTA GOTAS do site:
http://www.gentedeopiniao.com.br/

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Rainha da Rapadura - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Não eram cinco horas,
Quando o galo cantou.
O canto de outros galos
A bela aurora despertou,
E um coro de passarinhos
Cantando o dia saudou.

Na rede me espreguicei
Na cozinha o café cheirou.
Juntei os pés e levantei,
Rezei pra nosso senhor,
E agradeci pelo bom dia,
Que a natureza ofertou.

Um alpendre, uma rede,
O amanhecer no sertão,
Um velho rádio tocando
Moda de viola e baião
Não é apenas saudade
Que trago no coração.

Tenho o meu ranchinho,
E por ele tenho paixão.
A rainha da rapadura
Me sinto naquele chão.
Quando a saudade aperta
Eu volto pro meu sertão.

Esse rancho meu amigo,
Fica na minha Ipueiras.
Lá pras bandas do Ceará,
Com o Piauí faz fronteira
De lá se avista a beleza
Da serra grande inteira.

Quando a lua ilumina
O manto azul da serra,
Totalmente embevecida
Dou vivas a minha terra,
Que sempre ao meu olhar
A mais pura beleza encerra.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Escrever, verbo intransitivo - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Os janeiros – repisemos – trazem-nos o olhar à frente e atrás, a dupla face de Jano. E, a mim, aquariano, o olhar sobre a escola e, nela, o escrever.

Reporto-me aos tempos de adolescente, egresso das caatingas das Ipueiras para as brumas da Serra dos Órgãos, no Seminário de Petrópolis. Ao final do ano, uma caneta a mim de prêmio, símbolo e estímulo ao escrever. Alegando humildade, rejeito-a. O bispo reclama-me não ter eu aprendido a diferença entre "húmus" (chão) e "vanus" (oco, vazio). Lição, a caneta de volta. E, nela, o responsável "ofício do escrever".

Nos fechados anos 70, sob a coordenação de Adísia Sá, publicamos, pela Editora Vozes, de Petrópolis, o livro Fundamentos científicos da Comunicação, cabendo-me discorrer sobre os fundamentos lingüísticos. À época, os arapongas viram-nos sob as metonímias do mar cor de rosa com a editora do clero. E logo depois, nos tempos do Ciclo Básico, na UFC, a metodologia Oficina do Pensar, considerada pelo MEC, entre as mais avançadas do País, despertaria preocupante olhar sobre nossos propósitos. Lembro-me haver deixado tais setores sem nada entender ante a frase: "escrever é verbo intransitivo"...

Jano, em seu duplo olhar, à frente e atrás, ostenta-nos dual a nossa escola e, produto dela, seus alunos. De um lado, gênios até, figurando alguns entre os melhores "deste País" e do mundo. De outro, escolas (privadas e públicas) entre as piores do globo. Nelas, alunos analfabetos funcionais.
Em mim, a lição que, em Petrópolis, ratificada após no Seminário da Imaculada, em Campinas (SP), deixaram-me os professores sobre o escrever e o ofício do pensar. Verbos, os dois, intransitivos, alicerces de uma escola a formar "cidadãos, profissionais e pessoas", porto constitucional e seguro para nossa combalida educação.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sábado, 24 de janeiro de 2009

Charge da semana



Humberto - Jornal do Commercio (PE)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Frase do dia
"(...) sem vigilância, o mercado pode sair do controle - e uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os mais ricos."

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos

domingo, 18 de janeiro de 2009

Esron - Em outro Astral - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia

Esron Penha de Menezes


A idéia da coluna de hoje era bem diferente. Pretendia responder a alguns leitores que me criticaram por causa da coluna anterior, em que me coloquei contra o politicamente correto, mas, quando eu estava ligando o computador, a voz do Dimarcy nem precisou continuar a mensagem.
Lúcio, o vovô se foi. Dimarcy é neto do Esron Menezes, que, na madrugada deste sábado, 17 de janeiro, contra a vontade de todos que o conheceram, embarcou no expresso da meia noite, chamado por Deus.

Desde o dia 31 de dezembro que perdi três amigos, o Pablo, amigo da família, vítima do que, pelo que me contaram, suponho ter sido um erro médico, aos 30 anos de idade, deixando a saudade com os muitos amigos que fez nas vezes que esteve em Porto Velho. Na terça-feira passada foi a bisavó do meu neto Yan, dona Lili que, aos 94 anos, embarcou para outra dimensão.

Neste sábado, foi o Esron. Aliás: Esron Penha de Menezes, fundador da Guarda Territorial (atual Polícia Militar), professor, jornalista, colunista, historiador, escritor, maçom graduado (desculpem se erro na indicação) há 65 anos da Loja União e Perseverança. Natural de Humaitá (AM), 94 anos completados dia 27 de dezembro passado, desde 1927 morando em Porto Velho, Esron foi absorvendo informações sobre a construção de Porto Velho, do Território Federal, do Estado durante mais de meio século ativamente ligado na política e na administração.

Apenas para lembrar a importância de Esron para a organização de Rondônia, coube-lhe, quando da abertura da BR-29, atual BR-364, a responsabilidade de fazer a ponte entre o Governo do Território e as empresas construtoras que atuaram em Rondônia; aliás, Esron estava em Vilhena, quando o presidente JK chegou para derrubar a última árvore entre as duas turmas de trabalhadores da construção da estrada.

Há alguns anos ele sofreu um duro golpe, quando sua esposa, Dona Vitória, partiu e, há dois anos, se não estou enganado no tempo, foi a vez de um filho. Mas o velho capitão, como os amigos o chamavam, continuou sentado na área de sua casa, ouvindo o rádio ou, então, na enorme mesa da sala de estar, lendo, ouvindo rádio e fazendo palavra-cruzada.

E, mais: sendo interrompido seguidamente por pesquisadores da História regional, estudantes, jornalistas e outras pessoas que, como disse o historiador Francisco Matias, iam ali beber na principal fonte histórica de Rondônia.

A todos o ex-jogador do Ypiranga recebia com o mesmo sorriso, a mesma atenção e uma mente privilegiada, buscando no imenso arquivo bibliográfico, ou no de memória, o detalhe para a conversa, a informação que faltava para completar um fato histórico.
Humilde, Esron não gostava de títulos, apesar de portar, e com toda a justiça, todos os que uma comunidade poderia dedicar a um cidadão. Lúcio, sou apenas um velho xereta, ouvi dele várias vezes.

Dizer que a História e a sociedade rondoniense estão com uma perda irreparável é o óbvio ululante. Não sei se o prefeito de Porto Velho e o governador de Rondônia decretaram Luto Oficial. Mas, se não o fizeram, cometeram um enorme erro.

Quando Esron fez 90 anos, sua família realizou um evento no Ferroviário. Àquela altura, amigos lembraram como conheceram o Esron. Eu disse à dona Fátima, minha mulher, que, ao contrário dos outros, eu conheci o velho capitão através dos filhos que jogavam voleibol.

A última vez que conversei com o CEM, eu estava em Aracaju, e ele me convidava para sua festa dos 94 anos. Lamentavelmente não pude ir, como também não estou agora em Porto Velho.
Mas, tenho a certeza, Deus há de ter um espaço especial para meu amigo, junto com Dona Vitória e outros que já passaram deste para o outro lado do balcão.

À família, os meus, e de minha família, sinceros sentimentos. Mas, tenho certeza, do exemplo, da capacidade e do amor que o CEM dedicava a Rondônia, vão frutificar muitos outros para seguir a sua trilha.
Inté outro dia, se Deus quiser!

P.S. Dos que vão para o outro lado, gosto sempre de lembrar das coisas boas. Do Pablo, aquele jeitão moleque e risonho sobre 120 quilos, falando numna mistura de espanhol e português.
Da Dona Lili, as conversas quando falava de seu Piauí, deitada numa rede no restaurante Bambu.
Do Esron, o sorriso amigo, os conselhos, as conversas longas, as tantas vezes que sentei naquela varanda da sua casa e ele falava de coisas várias.
E o meu arrependimento de não ter podido concluir a revisão do seu livro a tempo dele o ver publicado.

Texto publicado originalmente na coluna CONTA GOTAS do site:
http://www.gentedeopiniao.com.br/

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte.

sábado, 17 de janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Estação Primeira de Mangueira - Rio de Janeiro


O Desembargador Siro Darlan, que foi Juiz da Vara da Infância e juventude durante muitos anos, enviou à assessoria de imprensa da Estação Primeira de Mangueira um artigo em defesa da importância cultural e social que a escola tem no desenvolvimento de projetos esportivos, culturais, educacionais, entre outros, na comunidade, onde lamenta que a mídia dê destaque somente ao noticiário policial, deixando os grandes feitos da escola de lado.

"Conheço a comunidade da Mangueira desde o tempo em que ainda Juiz da Infância e da Juventude fui procurado em meu gabinete pelo Professor Francisco de Carvalho e pela cantora Alcione que estavam preocupados com o assédio do tráfico aos meninos e meninas que freqüentavam a Vila Olímpica e os projetos da Mangueira do Amanhã.

Na ocasião montamos uma estratégia que consistia em levar ao Juizado todo jovem que estivesse em situação de risco para atendimento psicológico e uns aconselhamentos. A operação deu excelentes resultados porque os dois responsáveis, Chiquinho e Alcione, vigiavam e protegiam os jovens com muito carinho e dedicação, e o resultado foi que durante anos a comunidade com mais baixo índice se adolescentes infratores no Rio de Janeiro foi justamente a Mangueira.

Sempre sob o comando dos baluartes criados na própria comunidade em 1967, o Presidente Carlos Alberto Dória, Tia Alice, Tia Zica, Tia Neuma, e outros ícones da comunidade laboriosa fundaram a Vila Olímpica da Mangueira, exemplo inimitável de determinação no investimento social em favor de crianças e adolescentes. Logo surgiram os campeões em diversas modalidades esportivas e a ampliação do projeto com o apoio da iniciativa privada ocorreu naturalmente.

A consagração veio com o apoio de visitantes ilustres como o Ministro Pelé, que ao conhecer a Mangueira tentou reproduzir o sucesso plantando na Baixada Fluminense outras cinco Vilas Olímpicas, que não atingiram os objetivos desejados. O Presidente Bill Clinton foi apresentado ao projeto e ficou encantado como é praxe a todos que o conhece.

O projeto, antes voltado apenas para crianças e adolescentes, foi ampliado e hoje habitantes de todas as idades freqüentam os projetos. O CIEP Nação Mangueirense educa cidadãos e atletas que participam das maiores e mais importantes acontecimentos esportivos do país. Nas Olimpíadas Pan-americanas quase duas dezenas de atletas representaram o Brasil e ganharam medalhas.

A cada dois anos a mangueira realiza as "Olimpíadas" da Igualdade destinada a promover a inclusão social de portadores de necessidades especiais e em novembro de 2007 realizou a VIII versão coma presença dos campeões paraolímpicos Clodoaldo Silva, (7 medalhas de ouro e 1 de bronze) Mauro Vilarinho, Felipe e Sandro, todos medalhistas do Para Pan e ainda do Presidente do COB Carlos Arthur Nuzman que teve a participação de 27 instituições e 3000 atletas.

Ainda, no final do ano que passou o Projeto CAMP Mangueira que mantém cursos profissionalizantes para a comunidade formou 1200 jovens aptos para ingressarem no mercado de trabalho, o que repete anualmente há 18 anos.

Esses fatos de relevância social inquestionáveis, porém, não foram noticiados na grande mídia. Limitaram-se alguns profissionais da mídia a dar eco a surfistas da noticia que na busca de algum espaço nos jornais não pouparam sua imaginação para tentar apagar o brilho que a natureza criou no belo cenário da Mangueira. Primeiro foi uma autoridade militar que em busca de notoriedade eleitoreira inventou uma história de favorecimento aos comerciantes de drogas quando o objetivo da reivindicação da comunidade era que as ações policiais continuassem a matar inocentes e impedissem que crianças freqüentassem os projetos sociais e as escolas. Essa campanha gerou um forte desgaste nas lideranças do bem que procuram investir na comunidade para evitar que a ausência do poder público permita o domínio do poder dos criminosos.

Mais recentemente, outra vez uma autoridade policial, que tem o dever de primeiro investigar sigilosamente os fatos para entregar ao Ministério Público. E este sim, diante das provas de existência de crimes, e ainda sem o alarde habitual, levar ao Judiciário para que diante do princípio ao devido processo legal, sejam apuradas as responsabilidades e punidos os agentes criminosos.

Contudo o que fez o responsável pelas investigações? Subiu nessa árvore frondosa e que, como diz a Presidente Chininha, "verga mais não quebra" e para ter seus 15 segundos de fama espalhou noticias tentando envolver pessoas sérias e íntegras da comunidade, mais uma vez na tentativa de desestabilizar o trabalho sério e cidadão que de forma exemplar se produz na Mangueira.

Mangueira, como toda árvore, produz os melhores frutos de alegria, de cultura, de gente humilde e valorosa, poesias de Cartola, força da voz de Jamelão, cidadania de Tia Alice e Delegado, exemplos de Chiquinho e Alcione e fãs de peso como Chico Buarque, Braguinha, Caetano, Gal e Gil, também pode ter frutos podres que logo são extirpados e nem por isso contaminam o tronco.

Por isso Mangueira, "teu cenário continua sendo uma beleza que a natureza criou". E hoje não és mais reconhecida apenas "pelos sons e de seus tambores e rufar de seus tamborins", és acima de tudo exemplo de pomar de cidadania e respeito. Só quem conhece o sabor de teus frutos e a garra dessa gente sabe que ainda serás reconhecida como a verdadeira árvore frondosa que alimenta a cultura popular brasileira com os mais brilhantes acordes que saem de seus instrumentos mais, sobretudo do suor e da grandeza de teu povo".

Enviado por Paulo Felipe

domingo, 11 de janeiro de 2009

Minhas bonecas de pano - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Nascida e criada no interior fui uma menina feliz vivendo na simplicidade que envolve as pequenas cidades. Na memória preservo as inesquecíveis e marcantes lembranças.

Nunca me rebelei contra os singelos brinquedos feitos artesanalmente com os quais eu brincava, até porque, não tinha como compará-los aos brinquedos mais sofisticados que só mais tarde cheguei a conhecer.

Éramos uma família de oito irmãos. Cinco homens e três mulheres. Nossos brinquedos não eram comprados em lojas, e sim, no meio da feira. Quando muito, em alguma bodega, outros eram feitos em casa mesmo.

Os brinquedos dos meninos eram: carrinhos feitos de madeira e lata de óleo. Ajudei muito meus irmãos a carregar os caminhões com caixas de fósforo. Cavalo de pau feito do talo de carnaúba, pião! Eu era fascinada por pião, até aprendi como soltar, mesmo sendo brincadeira de menino. Também gostava de soltar carrapeta, um brinquedinho improvisado que qualquer “menino do buchão” sabia fazer. E ainda me metia a soltar papagaio e nas peladas com bola de meia.

Nós meninas, tínhamos as panelinhas de barro, com elas brincávamos de fazer comidinhas, mas meu chamego maior era com as inesquecíveis bonecas de pano.

Até hoje tenho uma verdadeira paixão pelas bonecas de pano. E não esqueço, na feira que acontecia aos sábados em Ipueiras, Dona Delfina, uma senhora que vendia verduras em grandes cuias, trazia sempre uma cuia especial, era uma imensa cuia lotada de bonequinhas de pano. As bonecas com suas roupas coloridas deixavam-me encantada.

Guardo com muito carinho três bonecas, feitas pelas filhas de dona Delfina, que aprenderam o oficio com a mãe. Comigo elas estão a mais ou menos dez anos. Hoje resolvi tirá-las do armário, fotografá-las dividir com vocês o que para mim é relíquia.

Saí do meu interior, porém, jamais permiti que me interior saísse de mim. Gosto de exercitar os antigos costumes e sempre serei mais rural do que urbana.


Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Charge da semana


Humberto - Jornal do Commercio (PE)
Frase do dia
"Qual é o povo mais sábio? O que derruba o Rei ou o que lhe dá 80 de apoio?"

Millôr Fernandes

domingo, 4 de janeiro de 2009

Frase do dia
"A vossa entrada em Gaza não será um piquenique e Gaza será o vosso cemitério com a ajuda de Deus."

Ismail Radwan, porta-voz do Hamas, sobre a invasão da Faixa de Gaza por Israel

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano que entra - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Esse ano não me pergunte “com que roupa eu vou?”.Não obedecerei às cores sugeridas, não farei simpatias visando um ano melhor.Iemanjá que me perdoe, mas, flores não levarei. O banho de mar da sexta feira, sem medo esquecerei. Me entregarei ao acaso e nele apostarei.

Não quero entrar o ano, devedora de promessas que nunca cumprirei. Vou deixar a vida me guiar e nela navegarei. Quero entrar de peito aberto, pisando firme no chão, acatando o que me reserva os novos tempos que virão.

Se vier dor chorarei e com o pranto lavarei minha alma. Se vier alegrias sorrirei, gargalharei animada. Provarei com a mesma nobreza do mel e do fel, a mim destinado.

Eu quero as surpresas da vida, não castelos desenhados, que qualquer vento desfaz. Não quero a esperança que não morre, mas certamente caduca entristecendo nossas almas.

Não quero viver com o olhar perdido em sonhos que não se realizam jamais, quero viver realidades que pareçam sonhos vividos e muito mais satisfaz.

Na verdade não vislumbrarei o famoso Ano Novo, viverei o Ano Que Entra continuação do passado com suas alegrias suas tristezas e intensamente vivido, jamais imaginado.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.