quarta-feira, 1 de julho de 2009

A História do Palacete do Plácido - Por Bérgson Frota / Fortaleza


No início do século XX, Plácido de Carvalho era um bem sucedido comerciante e industrial em Fortaleza, isso nas duas primeiras décadas do século até a metade da década de trinta.

Em 1916, viajando pela Europa veio a conhecer em Paris, Maria Pierina Rossi, uma italiana de Milão, que apesar de apaixonada recusava-se a vir morar no Brasil. Ele porém, também muito apaixonado, prometeu construir para ela em Fortaleza, uma cópia de um belo palácio que ambos viram em Veneza. Com a promessa, ela concordou, chegando a Fortaleza no ano seguinte.

Logo começaram os preparativos para a obra.

Para construção o bairro escolhido foi o Outeiro, já conhecido como Aldeota. Quanto ao construtor, há dúvidas, muitos apontam o feito ao irmão de Pierina, Natali Rossi, este sim foi o arquiteto do Excelsior Hotel. Mas o Palácio do Plácido foi certamente obra do Sr. João Sabóia Barbosa, artista plástico e excelente engenheiro eletricista diplomado em Liverpool, Inglaterra.

O palácio foi erguido entre as ruas Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno, tendo como cruzamento das duas a Av. Santos Dumont. Foram usados mármores e vitrais importados, bem como raras madeiras brasileiras. Exibindo estilo rico e eclético, a decoração encantava e chamava atenção. Era cercado de jardins com roseiras e plantas nativas, e possuía duas bem trabalhadas fontes.

Depois de dois anos de meticulosos esforços a obra finalmente foi inaugurada em 1921.
Em torno do Palácio do Plácido como passou a chamar-se ou para os mais excêntricos Palacete Plácido de Carvalho, foram construídos pequenos chalés, a servirem de moradia aos serviçais da imponente construção.

Após a morte do esposo, em 1934, Pierina que já morava desde 1933 no Excelsior Hotel, casou-se com o arquiteto húngaro Emílio Hinko, amigo de Plácido, que a pedido dela desenhou e construiu em 1938, em torno do palácio seis palacetes, para que servissem de aluguel. Todos ainda existentes.

O palácio então foi alugado, e lá passou a funcionar o Serviço de Malária, departamento federal que equivale a Sucam.

Em 1957 morre Maria Pierina, e na década seguinte Zaíra, filha e única herdeira, vende o palácio a um grupo comercial local, que no início dos anos 70 faz a demolição do mesmo para a construção de um supermercado, no entanto o terreno ficou abandonado. Em decorrência de dívidas para com o Poder Público, fez-se a quitação da mesma passando o terreno para o Governo do Estado que lá construiu e hoje está o Centro de Artesanato Luíza Távora.

Quanto ao Palácio do Plácido, este ficou no passado, num velho postal e em gasta e antigas fotos, também na lembrança dos que um dia o viram ou nele entraram, contemplando a beleza de sua torre, de suas janelas e belas escadas a quase dobrar-se, dos seus jardins e suas fontes. Um pedaço do passado agora transferido para livros ou fotos raras. A cumprida promessa de um homem apaixonado que o tempo impiedosamente levou.

Publicado no jornal O Povo, de Fortaleza em 27.06.2009

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

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9 comentários:

  1. "... era uma vez meu castelo entre mangueiras e jasmins florados..." Este é um trecho da música Longarinas, do cantor e compositor cearense Ednardo, na qual ele exalta as belezas de Fortaleza e destaca este crime cometido contra o patrimônio histórico do Brasil. Tive oportunidade de ainda ver o castelo imponente e de pé. Fico revoltado toda vez que passo a caminho do trabalho pela Rua Costa Barros (fundos) de onde é agora o Centro de Artesanato que poderia estar funcionando hoje em dia dentro do Castelo! Absurdo! Vejam esta homenagem que eu e minha esposa fizemos, utilizando a música Longarinas de Ednardo, no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=Qsk2hV01HNQ
    Parabéns pela bela foto!

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  2. Quando menina ainda, tive a oportunidade de entrar no palácio. Pena que já estava muito deteriorado. Mas mesmo assim me encantou e não esqueço esse dia. Entramos pelo porão escondido do vigia. Ainda se podia ver a beleza dos mármores no banheiro, os vitrais, o piso de madeira com seus enfeites bisotado !! As portas, tudo muito lindo!! Até hoje , não me conformo com a demolição do palácio. Por ganância, não temos a construção mais bonita e que poderia ter sido ícone em nossa cidade.

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  3. É lamentável a demolição desse palácio pois, com certeza, seria um patrimônio histórico da cidade d Fortaleza e onde poderia funcionar, hoje, o centro d artesanato Luiza Távora. Muito mais turístico e bonito.

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  4. Historia interessante de um amor concretizado. E com o passar do tempo,apagado. Lindo Castelo. Que pena que o tempo nao comprou passagem de volta. Pena mesmo!

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  5. História Fascinate, e o Castelo devia ser Lindo,já vi em fotografias

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  6. Uma Maravilha relembrar a história, eu particularmente, quando criança eu morava vizinho e brinquei muito nesse Palácio, lamentável a sua demolição.

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  7. A demolição do palácio do Placido foi um crime imperdoável . Fruto da ignorância e do descaso do Estado com a nossa história.

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  8. Quando garoto com meus nove anos brincava de bicicleta nos jardins do palácio ja abandonado. Cheguei a entrar no palácio com amigos por uma porta quebrada,realmente era muito bonito.

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  9. Conheci o Palacete do Plácido na década de 50, já desocupado e o mato tomando os seus arredores. Contudo, era um belíssimo prédio num quarteirão de alto valor imobiliário do bairro da Aldeota. Foi demolido, criminosamente, às escondidas. Deveria ter sido tombado pelas autoridades competentes para ficar como exemplo de um grande amor.

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