domingo, 30 de novembro de 2008

Marcondes Rosa , um ipueirense de coração - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Na linha que seguimos em destacar as grandes e nobres personalidades literárias e intelectuais de nossa Ipueiras, chega-me então a vez de prestar a grande figura de Marcondes Rosa uma homenagem.

Primeiro citá-lo como um homem de notória sensibilidade no que toca a educação seja a nível regional e nacional.

A figura de Marcondes Rosa se destaca como um profundo educador, um professor versado na arte de levantar a bandeira do conhecimento ao defender com seus artigos e atos uma realidade educacional mais dinâmica e verdadeira para o nosso povo.

Gostaria de citar as brilhantes contribuições que seus artigos trazem no jornal O Povo, publicados quinzenalmente. Neles são tratados temas educacionais, políticos e questões de atual importância que o Estado e o País enfrentam.

Pedi ao distinto Mestre há pouco tempo uma coletânea de seus trabalhos, o que generosamente e de pronto me enviou, no entanto escolher um só para dar-lhe um devido merecimento seria empobrecê-lo por demais. Digo pois suas obras se estendem além dos artigos.

É-nos uma sorte profunda termos atuante sua figura a sempre nos brindar e nortear com seu estilo habilidoso, trabalhado e único os temas que aborda.

Lembrar Ipueiras e seu povo ele o faz com um sentimento que toca-nos como se vizinho fosse daquele de quem tece o elogio, digo-o assim pois a cada figura que cita traz sempre a tona o lado bom e positivo do mesmo.

Sua generosidade estende-se ao divulgar como gestor do blog Grupos, trabalhos dos filhos da terra e sempre buscar no equilíbrio do bom senso a forma exata e econômica ao expor ou tratar os temas.

Outro interesse que chama-me a atenção é a sua vontade de unir os ipueirenses na idéia de construir um ícone ou encontrá-lo para Ipueiras.

Talvez na sua humildade esquece que sua própria figura, pelo grande destaque que granjeou, graças a sua capacidade e luta pode ser apontado como um verdadeiro ícone a nos direcionar todos os que querem destacar e valorizar Ipueiras.

O texto tem então a função de prestar tributo a este grande educador, simples diante de suas grandes capacidade, mas que como os grandes, não cria nada que esteja abaixo do adjetivo que antes lhe vestimos.

Ipueiras mais ainda enriquecida agradece de coração a Marcondes Rosa por sua obra educativa, seu zelo para com sua terra e por enriquecer o grupo que luta em mais e mais divulgá-la de forma rica, elegante e humilde.

Um muito obrigado ao mestre Marcondes Rosa.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PSDB em novo ciclo - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Hotel Oásis, Av. Beira Mar, 3 da tarde. Lá estou, a convite de Carlos Matos Lima, Presidente da Executiva Estadual do PSDB. Auditório lotado. Num painel ao fundo, a temática do encontro: "Novos desafios do Ceará e as perspectivas para a nova década".

Muitos ali, jovens. Entre eles, herdeiras da serpente e de Eva, a dosar as discussões e nossa política com inesperados tons da intuição feminina. O auditório com múltiplos olhares a soltar oprimidas vozes em catarse. Queixas entre o "ser ou não ser", no Estado, governo ou oposição. Pentecostais línguas-de-fogo a denunciar o "rolo compressor": o governo a massacrar o partido, como nas eleições recentes.

A despeito disso, 54 prefeitos eleitos pela sigla no Ceará. Outros, embora não eleitos, conquistando boa votação. Somados aos atuais 14 deputados estaduais (um terço), o recado das urnas: o aval ao Projeto das Mudanças, expresso em significativa votação.
No auditório, clamor geral em prol de um projeto político já de 22 anos, Tasso Jereissati seu líder maior. Passo agora a conquistar, o da Associação de Prefeitos do Ceará (a APRECE). Afinal, é no município que moramos, o chão concreto de nossa federação (Franco Montoro). Importante, porém, ter presente a caducidade dos ciclos, a se esgotarem, entre nós, já dizia Celso Furtado, entre 15 e 18 anos. E, agora, é todo o planeta, as nações, a vida urbs et orbis, em novo ciclo...

Hora, pois, de revermos nosso projeto político (nacional e local), olhos voltados para o "longo amanhecer", do qual, já nos anos 80, era norte ao "Pró-mudanças", nos falava, no Auditório Castelo Branco (UFC), Celso Furtado: "Quando o projeto social dá prioridade à efetiva me­lhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvi­mento".

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Festa de Nossa Senhora da Conceição em Ipueiras - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


A festa da padroeira se aproxima e em Ipueiras, já é grande o movimento em torno dos festejos que desde sempre envolveu com paixão o povo ipueirense, que em sua grande maioria é católico.
As barracas das quermesses já começaram a ser montadas, as rádios locais já divulga em seus jornais a programação da festa que trás como tema: “QUEREMOS COM MARIA DEFENDER A VIDA, A PARTIR DOS EXCLUÍDOS, EM NOSSO SEMI-ÁRIDO ”

A festa terá seu início no dia 28 de novembro com uma carreata levando a imagem de Nossa Senhora, saindo do Bairro das Carnaúbas. Os festejos se estenderão até o dia 08 de dezembro dia dedicado a nossa Senhora da Conceição, padroeira de Ipueiras. Uma grande procissão luminosa marcará o encerramento da festa.

Senti o cheiro da festa, porém não pude ficar. Mas estou feliz em saber que as pessoas ainda oferecem suas prendas, os velhos leilões resistem bravamente às mudanças dos novos tempos. Bom verificar também que enquanto a política divide famílias e amigos, a igreja os abriga num mesmo teto.

Pesquisando no:
http://www.uniafro.com.br/ns_conceicao.htm
sobre a história de Nossa Senhora da Conceição, que retirada das águas, transforma-se em Nossa Senhora Aparecida achei curioso e bem interessante este trecho histórico que repasso fechando minha crônica.

“A primeira imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou ao Brasil em uma das naus de Pedro Álvares Cabral. José de Anchieta foi o apóstolo da doutrina da Imaculada Conceição no Brasil, que desde o início de sua colonização dedicou a este mistério inúmeras igrejas, inclusive 35 catedrais. Ela foi a protetora de nosso país no período colonial e foi proclamada Padroeira do Império Brasileiro por Dom Pedro I. Já no despontar do século XX, com o advento da República, o título cedeu lugar a Nossa Senhora Aparecida, que é uma antiga imagem da Imaculada Conceição encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul.”

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ipueiras ganha mais três secretarias - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Na última Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores do muncipio de Ipueiras foi aprovado o projeto para criar mais três secretarias, a Secretaria de Esporte, Cultura e Juventude, Secretaria de Transportes e Comunicação e a Secretaria de Finanças. Foram criadas por unanimidade de votos ontem, segunda-feira (24). Oposição e situação concordaram que Ipueiras precisava de mais secretarias.

Com a aprovação do projeto de lei, o prefeito Nenem do Cazuza sai mais uma vez vitorioso na Câmara Municipal. Segundo o vereador Antonio Soares Mourão Neto, "o prefeito fez uma readequação nos gastos para criar as secretarias, a partir do mês de janeiro haverá um controle mais rígido nas contas do município". A economia, de acordo com o vereador, ocorrerá gradativamente.

Secretarias da Prefeitura Municipal de Ipueiras:

Secretaria de Desenvolvimento Agrário
Secretaria de Educação
Secretaria de Saúde
Secretaria de Esporte, Cultura e Juventude
Secretaria da Ação Social e Trabalho
Secretaria de Obras e Recursos Hídricos
Secretaria de Transportes e Comunicação
Secretaria de Infra-Estrutura e Meio Ambiente
Secretaria de Administração
Secretaria de Finanças

Vereadores da Câmara Municipal de Ipueiras:

Francisco Clairton Catunda Oliveira - Presidente (PSDB)
Antonio Soares Mourão Neto - Vice-Presidente (PSB)
Frutuoso Amâncio de Freitas - 1º Secretário (PPS)
Raimundo Nonato B. Moreira - 2º Secretário (PSDB)
Antonio Carlos de Carvalho - Vereador (PSB)
Antonio Lisboa Lima - Suplente (PSDB)
Francisco Alves Pereira - Vereador (PDT)
José Cláudio Catunda Esmeraldo - Vereador (PP)
Maria Oneide Araújo e Aragão - Suplente (PP)
Marcos Bezerra de Farias - Vereador (PSDB)
Tereza Ferreira de Jesus Morais - Vereadora (PSDB)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Frase do dia
"Quando falamos na tortura sistemática praticada no regime militar do Brasil a partir da década de 60, é claro que ela pode ser considerada um crime contra a humanidade."

Manfred Nowak, relator das Nações Unidas para Tortura

sábado, 22 de novembro de 2008

Viagem de Bicicleta - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Naquele ano, ainda na década de 70, o inverno estava rigoroso, e a lembrança do grande inverno de 1974 não deixava de nos assustar.

No ano citado, por pouco o rio Jatobá não levou parte da ponte que ligava Ipueiras ao Ipu.

Dos dois lados, enquanto a chuva caía, caminhões traziam pedras e mais pedras reforçando as duas asas opostas daquela pioneira construção, que por fim resistiu.

O tempo passou, vieram invernos fracos, outros amenos então o inverno tornou a ser forte novamente.

Havia dias de chuva e dias nublados, e foi num destes que sabendo que a Bica do Ipu estava a toda largura, assim dizíamos, que resolvi secretamente num domingo, com a minha pequena, porém resistente bicicleta caloi, ir ao Ipu, munido de minha mais recente aquisição uma máquina Kodak, de segunda mão.

A viagem ida e volta demorou mais de três horas, já em estrada asfaltada, parava e descansava, isso se repetindo. Por fim cheguei até a bica, ao balneário e me preparei para tirar as fotos.

O grande volume d’água que caia, fazia surgir com os raios do sol vários arco-íris, coisa que não sabia até aquela data ser possível.

Depois para minha tristeza, descobri que as fotografias por mim tiradas, não haviam registrado o tal fenômeno. Talvez porque o filme preto-e-branco não fosse capaz, mas o importante foi o que vi, a beleza indescritível naquela tarde ensolada no Ipu.

A cachoeira descia rápido, e era muito bonito ver o vento abrir as águas que desciam do riacho Ipuçaba, formando o véu de noiva e caindo estrondosamente de uma altura de 130 metros lá da Serra da Ibiapaba.

O tempo corria e já se aproximava das quatro horas, tirei o que me restava de fotos e pedi a uma turista que me fotografasse na bicicleta tendo ao fundo a bica, depois arrisquei uma descida sem freios pelo sinuoso caminho em direção a cidade.Cruzei-a, vi o belo monumento à Iracema, na época idêntico ao que há na praia em Fortaleza, numa bela praça lá.

Daí subi em direção à Ipueiras.

Cheguei cansado, mas gratificado, tinha visto a bica cair cheia, coisa inédita para mim, também me mostrei capaz, pois só de ida pedalei 25 km.

Hoje quem escuta esta estória duvida, mas quem pensa que a lógica tem presença constante na mente de uma criança, erra muito mais.Tal aventura não repetiria jamais, mesmo que por teste.

Quando volto à Ipueiras, vejo antes no caminho ao chegar, passarem por mim várias motos, algumas em direção ao Ipu e lembro rindo, dizendo pra mim mesmo --- De moto é fácil, tente uma bicicleta.

Quanto a minha Caloi, minha primeira bicicleta e a única a provar a veracidade de minha estória, foi dada a um outro garoto, que espero ter dela feito tão bom uso quanto fiz.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O Poeta me contou - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Nas noites enluaradas
Carro de bois nas estradas
Gemiam pelo sertão.
Naquela melancolia
O caboclo valente seguia
Atrás de ganhar seu pão.

Na certa, mal dividido
Cabendo como é sabido
A maior parte ao patrão.
Enquanto o carro corria,
Me contava Jeremias
Um poeta do sertão,

Que os carreiros aos gritos,
Tocavam a condução.
Às vezes embalavam os bois,
Naqueles tempos de então
Entoando cantigas nativas,
E velhas loas como:

“Vai, vai mandingueiro!
Vai, vai azulão!
Vaaai meu carro ligeiro!
Vai rei do sertão!”
Esta eu guardei na memória,
E não esqueço mais não.

Cada pau-d’arco abatido,
Cada Angico caído,
Doía no coração.
Talvez por isso o motivo,
Do carro entristecido
Chorando pelo sertão.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Piso: sal, sol, amanhã! Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Chão, dizem os dicionários, é o lugar onde pisamos. Na expressão "piso salarial', é o sal básico a nos garantir o caminhar e a vida. Apesar disso, 'piso salarial' é sintagma que, aos professores das instituições de educação superior do estado, tolda-se de conotações afetivas infelizmente não positivas para as relações entre o mundo acadêmico, o governo e a sociedade.

"Piso salarial" foi conquista do mundo acadêmico no estado, quando Gonzaga Motta, ele professor da UFC e governador, o implantou após reclamado. Tasso Jereissati, logo a seguir, quando o estado vivia drama com suas apertadas finanças, impetra, em juízo, a suspensão do benefício. Sentença final do Supremo Tribunal Federal, 22 anos depois, dá ganho de causa aos docentes. O governo estadual, em recursos na fase da execução de sentença, tenta bloqueios a ela, buscando esperadas negociações...

Professor titular da UECe, dou testemunho. Tasso, governador, imaginava que as finanças do estado, à época curtas, tornariam tal piso "impagável". Daí, não aceitar, dos que ocupávamos "cargo de confiança", que sequer mediássemos a questão. E assim, se passaram... 22 anos sem negociações!

Agora, escuto de colegas docentes aposentados, queixas em crescendo a evocar Keynes: "O governo joga a questão para quando todos estivermos mortos". Ao governador, em evento no hall da FIEC, tento passar o clima de arranhões entre os docentes. E ele, após confessar tentativas suas de abertura e diálogo, replica-me: "Quem, no caso, tem razões para estar arranhado sou eu!..."

A hora é de esfriarmos a cabeça, sanar arranhões e mirar ambicionado amanhã. Para isso, con/versarmos - governo, mundo acadêmico, sociedade. E, nessa con/versa, vermos o 'piso salarial' a compor-se do sal e do chão a nos condimentar o ansiado amanhã!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Frase do dia
"Só vou dialogar com a imprensa após a condenação do bandido, do banqueiro bandido, disfarçado de investidor financista, Daniel Dantas."

Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal

domingo, 16 de novembro de 2008

O Nordeste Hoje - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Foi num misto de emoção e surpresa que, em 31 de outubro, recebi de Rosa Furtado, Presidente Cultural do Centro Internacional Celso Furtado, e de Robert Smith, Presidente do BNB, convite para o Seminário “O Pensamento de Celso Furtado e o Nordeste Hoje”.

Cedo, lá cheguei, reencontrando rostos muitos, a evocar lutas e sonhos, desde Celso entre nós, no Auditório Castelo Branco (UFC), a nos pautar, nos anos 80, a redemocratização e o desenvolvimento. Ali, falara-nos das potencialidades e limites da região.

De caminhada a ter, passo primeiro, o repensar da nação, no contexto global/regional. Caminhos, a reforma agrária, num clima de resistência às estiagens. A indústria e o mercado regional, as vias mais rápidas para a inclusão social. Eo horizonte a atingir-nos: ”O que caracteriza o desenvolvimento é o projeto so­cial subjacente. O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, funda-se na preservação dos privilégios das elites, que satisfazem seu afã de modernização. Quando o projeto social dá prioridade à efetiva me­lhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvi­mento”.

No seminário, queixas explícitas muitas: um Brasil esmaecido em seu papel de “foedus” (aliança), a “região” reclamando-se “ente federativo”. “Inclusão social”, a transpor a caricata dimensão das “bolsas” a se esgotar na esmola a viciar os cidadãos, sob a luz do “sem arte e ofício, não somos filhos de Deus” (Dom Aureliano a Ariosto Holanda)...

Na voz e no rosto de muitos, o sentimento de novo ciclo, no País e no Mundo. “Um longo amanhecer”, depoimento otimista deixado por Celso Furtado onde a CNBB “não vê atitude de desesperanças”, mas “a metáfora de um país que ainda não encontrou o caminho de um desenvolvimento sustentado”.

No País e no globo, a esperança!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sábado, 15 de novembro de 2008

A Chuva do Caju - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Início de outubro e de repente começa a chover.

Já se passou o inverno, mas cá no Ceará, o caju precisa de água e o céu derrama sem se atrasar.

Nas ruas da cidade o povo corre desprevenido, parece dia de inverno, o sol some e o claro azul se transforma no cinza azulado.

As ruas agora banhadas lembram ao povo do bom caju, cuja castanha nos dá um aperitivo maior ao sabor de várias comidas e também bebidas.

Aquela fruta vermelha clara ou escura, no mais comum amarelada veste os quintais ainda de muitas casas aqui em Fortaleza, e no campo onde o resistente pé cresce, leva fartura para o povo no lucro da venda e na boa e rica alimentação proporcionada.

O caju é a nossa maçã, a maçã do sertanejo, e há quem lembre sequer que a fruta é a castanha ?

Isso não importa, ambos são saborosos, marcas de gosto inesquecível de sabores que nos fazem desejar ainda mais um bom suco ou uma tostada castanha.

A chuva parte logo.

No chão molhado a natureza cumpriu sua promessa.

“Logo teremos caju” – Pensa alguém.

Sim muito em breve teremos o gosto saboroso desde presente dos deuses, e o sol agora volta a banhar a cidade secando o que a chuva molhou, depois de fecundada a terra que não tardará a brotar.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Rio Jatobá - Por Kiderino Flaviano Teixeira


A névoa esvoaçante a serra inteira enluva ...
Alta noite o trovão geme na serra inteira ...
--- “Serra de São Gonçalo”, o Santo da Palmeira ...
E o Jatobá soluça aos rigores da chuva.

Turvo, escuro-vermelho, indiferente zarpa
Da minha Ibiapaba a rolar entre os montes ...
Festeja o azul do céu refletindo horizontes,
E desce de roldão murmurando na escarpa.

Temeroso e violento, areias revolvendo,
A margem a solapar, estourando em remansos,
Retorce o oiticical, e escarva, e arranca os mansos
Morfumbais da beira os galhos retorcendo.

Lembrando-o assim, galã, alagando o sarçal,
Pomposo como um Rei nas terras de Ipueiras,
Revejo na memória, aos bandos, lavadeiras,
Roupas corando ao sol, dando à idéia um garçal.

Quantas vezes fiquei, naquelas tardes boas,
De estilingue nas mãos, encolhido, com frio,
Vendo em seu rebojar, convulsivo e sombrio,
Sumir o milharal maduro das crôas.

Tinha medo ao ouvir seus gemidos magoados,
--- Eu, que do povo ouvira, em minha meninice,
Que os gemidos do rio (efeito da crendice)
Eram a voz dos que ali morreram afogados.

Que recebas meu beijo e outro igual me mandes,
Rio do meu temor quando eu era menino;
Só hoje é que sei que és tão pobre e pequenino,
--- Miniatura infantil destes que vêm dos Andes !

Poesia do livro Mandacarus do poeta Kideniro Flaviano Teixeira, livro publicado em 1976 – Trabalho enviado por Bérgson Frota.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Frase do dia
"Que houve tortura, houve. Não se pode negar. Mas lei é lei, e se há anistia, há anistia. Só que isso não significa que não se deva avançar na investigação sobre os responsáveis."

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

domingo, 9 de novembro de 2008

Bendita sois vós entre as mulheres - Por Carlos Moreira / Ipueiras

Ana Carolina Moreno Moreira

Chegou! Chegou a casa, Ana Carolina Moreno Moreira, êbaaaa!!! Foi recebida com festa e muita alegria, eu, muito eufórico e ansioso, estou todo orgulhoso.
 

Nasceu dia 7 de novembro no Hospital e Maternidade São José em Guaraciaba do Norte. O parto foi realizado pelos médicos, Dr. Lucídio e Dr. Ademar, minha pequena nasceu com 3,600kg e 50 cm.
 

Bom, daqui a pouco falarei mais desse anjinho, pois tenho mais duas perolas para serem apresentadas: Carla Andrezza e Maria Clara.

Maria Clara L. Moreira

Minha segunda filha, Maria Clara L. Moreira, nasceu véspera do dia das mães, 8 de maio de 2004, no Hospital e Maternidade Otacílio Mota em Ipueiras.
 

Clara é uma criança meiga, cheia de vida, cheia de sonhos . . . Como costumo dizer, “minha pequena grande mulher”!
 

Menina sapeca adora animais, sem falar que não desgruda do seu fiel escudeiro, o cachorro sorriso, se deixasse, passaria o dia todo grudado no danado. É adorável, fofa e será com certeza uma vencedora!

Carla Andrezza Moreno Moreira

A primogênita Carla Andrezza Moreno Moreira, nasceu véspera do dia dos Pais, 9 de agosto de 1997 no “hospital velho” em Ipueiras. Pra mim tudo era muito novo, marinheiro de primeira viagem tinha receio até de coloca - lá nos braços.
 
Hoje com 11 anos, Carlinha não é mais criança, segundo ela. . . “Pai sou pré-adolescente”. Como dizia meu saudoso avô Joel Rodrigues Moreira, “essa menina nasceu com sangue azul”. A Carla tem um olhar penetrante, fixo, não é de levar desaforo pra casa, é sensível, amável e valente! Mulher guerreira! 

Uma das qualidades que aprecio na minha Carlinha é a determinação, com certeza será uma grande mulher, uma maravilhosa esposa, uma mãe dedicada, porque é uma filha exemplar !

Sou abençoado por Deus! Desde que nasci, vivo em volta de mulheres maravilhosas, ao começar pela minha adorável mãe, Gonçala Maria, um exemplo de superação, minha madrinha, minhas tias, minha avó, . . . E por fim, minhas filhas, não é pra menos, fui contemplado até ao nascer, vim ao mundo dia 8 de março, dia internacional das mulheres, obrigado meu Deus! ! !

O sol hoje está irradiante, espetáculo! Ana Carolina, uma bênção de Deus em nossas vidas. Agora meus amigos, é curtir, curtir e curtir a minha alma gêmea.

sábado, 8 de novembro de 2008

Nasceu Ana Carolina - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Ana Carolina Moreno Moreira




Carla Andrezza Moreno Moreira - 11 anos
(Minha primeira filha)


Nasceu ontem, dia 7 de novembro, Ana Carolina Moreno Moreira, pesando 3,600kg e 50cm.

Estou muito feliz ! ! !

"Bons filhos conhecem o prefácio da história dos seus pais, filhos brilhantes conhecem os capítulos mais importantes das suas vidas." (Augusto Cury)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Televizinha seu Mundico e a Lagartixa - Por Dalinha Catunda / Rio de janeiro


Ipueiras além de abrigar seus filhos, sempre foi uma cidade bem hospitaleira recebendo com cordialidade os filhos de outras terras que por lá fixavam residência por algum motivo.

Durante certo tempo morou na pequena Ipueiras, seu Mundico, um senhor simpático, casado com dona Abigail, uma senhora gorda de sorriso largo.

Não sei de onde veio o simpático cidadão, mas sei que ele veio para ocupar uma vaga nos correios.

O que fez por um bom tempo.

Ipueiras era um típico interior sem grandes distrações que se pudesse desfrutar no dia-a-dia.

As conversas nas calçadas ainda predominavam.

E era até muito bonito ver as calçadas cheias.

Enquanto os adultos conversavam, a criançada corria alegre pelas calçadas.

Eram as ditas “tardes fagueiras que tanto me encantavam no interior.

Quando seu Mundico chegou a Ipueiras lá pelo final dos anos sessenta, suponho eu, uma novidade tomava conta da cidade.

A televisão! Não se falava em outra coisa.

Contava-se nos dedos a casa dos poucos privilegiados que possuía esse luxo, a novidade do momento! Com isso surgiu outra novidade: “A TELEVIZINHA.”

Ou seja, ver televisão na casa da vizinha.

Como poucos tinham acesso à televisão, criou-se o hábito de assistir televisão na casa dos vizinhos mais abastados, que compreensivamente viam suas salas lotarem como se fossem salas de cinema, com pessoas que queriam usufruir do inusitado

A reunião era sempre no final da tarde.

Adultos sentados em cadeiras e crianças sentadas no chão.

E todos de olhos arregalados e ouvidos bem abertos.

Muitas vezes, só víamos vultos e um chuvisco brilhoso, e todos ficavam felizes quando feito relâmpagos aparecia alguma imagem.

Pois bem, foi numa tarde dessas que seu Mundico e dona Abigail chegaram para a sessão da tarde na casa da Tia Odete.

Todos estavam sentados, compenetrados, assistindo a programação vespertina.

De repente seu Mundico tira a alpargata de couro, põe o dedo fura bolo na boca, e baixinho diz:__não se mexam!!!

E caminhando cuidadosamente, entre os espectadores vai até a parede e sapeca a alpargata em cima de uma lagartixa que se esfarela toda diante do riso da criançada, do olhar desconsolado da Tia Odete e da descoberta tardia do pobre Mundico que só veio saber, que o pequeno animal que ocupava inofensivamente a parede, nada mais era que um simples bibelô, uma peça de decoração que não resistindo às chineladas transformou-se em pequenos cacos esfarelando-se no chão.

Às vezes um espetáculo ao vivo e a cores tem muito mais graça do que o apresentado via televisão.

Este eu gravei na memória.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Frase do dia
"Lacerda é o puxa-saco de plantão. Ele parece não lembrar, mas foi pedir apoio ao DEM na reta final de sua campanha em Belo Horizonte."

Rodrigo Maia, presidente do DEM, sobre declaração de Márcio Lacerda que se disse eleito por uma aliança de "centro-esquerda", enquanto em São Paulo venceu a "centro-direita"

domingo, 2 de novembro de 2008

Parabéns Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Sábado, 25 de outubro de 2008. De longe sinto a alegria de minha terra aniversariante, lá distante no sertão cearense, aos pés da Ibiapaba azul que parece sempre que lá esteve e nunca nasceu nem há de um dia sumir.

De longe imagino o rio seco a cortar a cidade que amo e que espero um dia vê-lo perenizado a fertilizar de verde aquela terra abençoada e de esperança vestir o seu povo.

Durante anos em artigos e crônicas falei de ti Ipueiras, como algo distante, mas hoje te sei presente no meu ser.

Escrevi sobre as tuas vistosas carnaúbas que hoje estão mais escassas e quão belo era o espetáculo quando a cidade ainda nas suas primeiras décadas arborizava-se pelas árvores que são de quase tudo provedoras ao povo forte do sertão.

Escrevi sobre as andorinhas que revoavam no teu céu, sobre as tanajuras que caíam antecipando os invernos, sobre as cheias do rio Jatobá

Reportei a inauguração do teu belo Arco de Fátima, da construção do teu maior monumento, o Cristo Redentor e finalmente em pesquisa risquei a história de tua sublime e bela matriz.

Contei sobre as festas juninas, descrevi os desfiles de sete de setembro, falei sobre os parques e circos que por ti passaram, e descrevi as férias que proporcionavas aos teus habitantes.

Não esqueci tua estação ferroviária e de teus açudes que foram sumindo em face ao progresso constante.

Lembrei teus antigos carnavais e teu cinema maior, o Azteca.

Então cheguei à noite de 25 de outubro de 1983, quando do teu centenário e pensei no teu futuro, já naquela época. O céu estava repleto de estrelas e ouvia os discursos que teus filhos faziam em tua homenagem.

Silenciei-me.

Passaram-se 25 anos, e és hoje uma grande e bela cidade, muito mudou, tuas construções e teus habitantes, mas penso que se fitar o céu numa noite qualquer no mesmo ponto de onde no passado contemplei as estrelas, estarão elas a brilhar no mesmo lugar.

São elas Ipueiras que piscam em festejar-te, feito velas eternas a contemplar de distâncias mil a tua história.

Feliz Aniversário terra redentora, que os vindouros anos te tragam mais progresso, e que o eco dos teus escritores e poetas já idos sejam o sangue forjador de uma nova safra que não nega a renovar-se..

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha