sábado, 30 de agosto de 2008

Frase do dia
"Não há mais como descer na escala da degradação institucional. Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do Supremo Tribunal Federal é coisa de regime totalitário. É deplorável. É ofensivo. É indigno."

Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Obstinação de Ariosto  - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


"Quem tem medo do pequeno?" Com a frase, provocava-nos, aos da UFC, e pró-reitores de extensão pelo País, Ariosto Holanda. Depois, ouviria, no governo do Estado, o ciúme a ele ... "secretário-de-fundo-de-quintal". Com o tempo, o tropel do "todos pela educação (...) para todos" a atropelar-nos o "sem porto e qualidade". No Conselho de Educação do Ceará, daria eu dribles ao cartorial, à espera da LDB, credenciando CVTs e Centecs, a contar com a solidariedade de Ulisses Panisset, presidente do CNE: "gesto ousado que assinamos embaixo".

Guardiões do erário público não compreendiam os sonhados "laboratórios do 1º mundo" para os pobres."É que sou Joãozinho Trinta da educação. Pobres gostam de laboratórios dos ricos", dizia ele. E, cá p'ra nós, foi intuição de filha e esposa de industriais, Renata Jereissati, que viu a importância deles para crianças literais pés-de-chinelo, num Centec...

Em Minas, Aécio Neves conferiu a Ariosto, que ali "prestou assessoria técnica e motivação política" para os previstos 122 CVTs (47 inaugurados), a Medalha da Inconfidência. E, em Brasília, outorgaram-lhe a Medalha do Conhecimento, o Ministério do Desenvolvimento Econômico, o Sebrae e a CNI.

Em artigo de O POVO (27.12.2000), registrávamos, em Limoeiro do Norte, ao referir-se ao credenciamento de tais unidades, pelo CEC, o "engasgo-quase-choro" de Ariosto, ao recordar, criança, a lição de Dom Aureliano Mattos, com seus liceus de artes e ofício de outrora: "sem arte e ofício, não somos filhos de Deus ou cidadãos".

Hoje, a educação brasileira patina entre as últimas do planeta. Tempo, pois, de tributos à obstinação histórica de Ariosto Holanda. E, a mim, de confesso orgulho pela cumplicidade revelada na expressão "gesto ousado" de Ulisses Panisset, presidente do CNE, em solidariedade a gesto do CEC!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Frase do dia
"Não acredito que o futuro presidente possa ser escolhido sem a participação e o apoio do presidente Lula;"

Senador José Sarney (PMDB-AP)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Seu Sol e Dona Lua - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro



Seu sol e dona lua,
Começaram a namorar
Depois de pouco tempo
Resolveram se casar.

Mas ficava bem difícil
Para os dois a situação.
Quando o sol se recolhia
Vinha a lua e seu clarão.

Ele lhe dava: boa noite!
E logo no céu sumia
No outro dia bem cedo
Ela lhe dava: bom-dia!

Assim por muito tempo,
Viveram nessa agonia
Enquanto um chegava,
O outro triste sumia.

Seu sol mui enamorado,
Por dona lua se derretia.
E ela tristonha chorava
Quando seu astro partia.

Dona lua foi minguando
Diante de tanta tristeza.
O toque de raios solares
Devolvia-lhe a beleza.

Júpiter sensibilizado
Com tal amor proibido
Criou um grande eclipse
E tudo ficou resolvido.

Toda vez que o céu escurece
Dá-se a verdade mais crua.
Seu sol cheio de amor
Vem cruzar com dona lua.

Depois de certo tempo,
Bela e cheia ela aparece.
E Seu Sol agradecido
Entre raios resplandece.


Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Frase do dia
"Nossa medalha é amarela, mas é de ouro, não de amarelar."

José Roberto Guimarães, técnico da seleção Brasileira de vôlei feminino.

domingo, 24 de agosto de 2008

Tributo a Isa Catunda - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Morre, em Ipueiras, onde vivi minha infância, a professora Isa Catunda. Dela, a mim e a gerações muitas, que por ela passamos, ficaram-nos as pacientes lições de caligrafia e as atraentes estórias que nos contava. Isa abria-nos a cadeia dos que marcavam a educação em Ipueiras (lembro-me de Ester Mourão, Mundita Mattos, Dario Catunda) que de lá sairiam para as "Oropa, França e Bahia". De mim, a base para que, nas brumas da Serra dos Órgãos, em Petrópolis, e em Campinas (SP), abrisse a mente para um mundo mais largo. Assim, foi para muitos: políticos, empresários, clérigos, artistas, poetas...

Em nós alunos, traço comum nos ficou. Ali, nas Ipueiras das "águas retiradas", berço da fratricida luta entre "mellos e mourões", a se metamorfosear nos embates de então entre os velhos PSD e UDN, quem nos educava, infundia, em nós, a lição da pacificação.

De Ipueiras, saíra impulsionado por Dona Ester, sua mãe, Gerardo Melo Mourão, que, na expressão de Carlos Drummond de Andrade, é o "nosso Dante", poeta maior. Mas, por ironia, nem mesmo esse "poeta maior" alça-se a "ícone", em sua terra, onde bustos, placas de ruas, praças e monumentos outros cultuam os feitos dos "coronéis" de outrora... E, nesse tom, é a própria vida política que reedita, de surda forma, os fratricidas conflitos entre "melos e mourões".

Hoje, quando vemos mais claro o papel de "indústria sem chaminé" a gerar "capital humano", sob a atmosfera da "responsabilidade social", é hora de revermos a "galeria dos ícones" nas "retiradas águas". E, de mim, "escrevente compromissado" do cartório ali de meu pai, aponho, com vibração, a minha rubrica: "Dou fé e assino". O tributo, pois, a Isa Catunda! Que ela abra tal galeria para quantos, pelas vias do educar, vêm construindo a convivência social em Ipueiras!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sábado, 23 de agosto de 2008

Frase do dia
"Eu só vejo que eu 'tô' numa boa, porque eu tenho meu presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] inteirinho comigo."

Marta Suplicy

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Frase do dia
"Estamos vivendo um momento tão especial que ele não tem dono (…) Eu acho que tenho muita sorte e sou um abençoado de Deus, porque, certamente, tantos outros presidentes gostariam de ter vivido um momento que eu estou vivendo."

Lula

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A Balada de uma Guerreira - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Fotograma do filme O Cangaceiro de Lima Barreto, 1953


“Uma homenagem à gente humilde de Ipueiras”

Já se vão muitos anos que tal fato se deu. Foi no tempo do cangaço, tempo de luta e medo.

Num pálido amanhecer, correu por Sarieupi a alarmante notícia.

O bando de João Breguelo, cangaceiro temido, estava a trote rápido em direção à cidade. Seria saque na certa, tinha fama de carniceiro.

Desprotegido o povo, logo em pânico entrou.

A lua estava cheia naquele dia fatídico.

Os loucos corriam às praças pelo astro movidos.

Um chamado Abraão gritava a plenos pulmões a profecia final.

Outra cega e insana que atendia por Boré, gritava alto impropérios, não certos para mulher.

Havia também Carolina, mendiga de pernas finas que só fazia escutar.

Zacarias outro louco, dentro desta confusão perdia-se em gargalhar, enquanto o médico

Melquíades a todos com grande esforço procurava ajudar.

Vicente, um bom padeiro, que a Virgem devolveu-lhe o falar, balbuciava no Arco a graça de se salvar.

Antônio Simão matemático, homem bom calculador, fazia rabiscos num mapa, intentava descobrir, por qual entrada da vila o homem ia surgir.

O farmacêutico Idálio atendia sem parar na botica São José gente a se contar.

Era mulher pra parir com nervosismo aumentado, era homem que as calças não paravam de molhar.

Lá pras bandas da Estação, Lili fazia sua renda, mulher de fibra e coragem, cearense de prenda.

Quando soube da notícia nada se alarmou, deixou de lado os bilros e pra cidade rumou.

Viu de perto o medo, mas não se acovardou.

Reuniu o povo em torno, clamou uma reação.

Chamou a coragem dos homens, que a terra forte pariu.

Mas bastou ouvir um tiro, e a praça se esvaziou.

Ficando só o Telógo, que mudo não escutou.

Do tiro foi um instante, e o bando se fez entrar.

A cidade servilmente rendeu-se sem batalhar.

Lili encarou João Breguelo, e pôs-se diante do homem.

Foi amor de só olhar.

O cangaceiro estacou, o bando seguiu o gesto.

Desceu rápido a montaria, puxando pelo cabelo a mulher que lhe rendia.

Tentou-lhe roubar um beijo, ela rápido escapou, devolvendo em bofetada o ato de atrevimento.

Era morte na certa pensava quem assistiu.

Mas contava com a sorte, a brava Lili presentia.
O cangaceiro apaixonado, pela mulher se dobrou.

Da mesma forma atraída, Lili dele se encantou.

Depois de parlamentar, o cangaceiro aquietou-se.

Montou Lili no cavalo depois nele montou-se.

Saíram sem nada tocar, poupando o povo e lugar.

Mas o caso ficou registrado pra este contista narrar.

A história de uma rendeira que um cangaceiro dobrou, e com coragem e ternura, a sua terra salvou.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cidade Satélite - Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Açude da Cadeia

Parece grande dama
Trajando modernidade
Vejo e até me espanta
Minha querida cidade.

Olho tanto e custo crer,
Que minha interiorana.
De repente ficou chique,
Com ares de Copacabana.

Encanta os visitantes
Seu precioso calçadão.
A noite fica mais belo
Diante da iluminação

O que era só um açude
Transformou-se ligeiro,
Numa Rodrigo de Freitas,
Lagoa do Rio de Janeiro.

Um novo cartão postal
Há nessa terra altaneira.
A bela Cidade Satélite,
Que enriquece Ipueiras

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Notícia de jornal - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Na letra do samba "Notícia de Jornal" e na voz de Chico Buarque, diz-nos a dupla Luiz Reis e Haroldo Barbosa: "a dor da gente não sai no jornal". Mas tantos os ataques dos ditos serviços de proteção ao crédito a desprezar o cidadão, feito reles pronome indefinido, que aqui ouso expressar minha dor.

Mais de um ano faz. Meu nome a figurar em lista negra de tais órgãos, sem qualquer cobrança ou notificação prévia a mim. Empresas e lojas, sem jeito, a me esconderem as razões da restrição ao crédito. Só a custo, o gerente de uma delas me mostra, na tela do computador, a empresa: Globo Cabo/net São Paulo Ltda. Débitos a variar ora de 30 mil ora de 300 reais. E, recente, novo ataque. Aí, resolvo, ante o estelionato sofrido, ir à Justiça, em ação por danos morais.

Longo ritual. Na polícia, boletins de ocorrência. Nos órgãos de proteção ao crédito e direitos do consumidor, informações e surpresas. A empresa, sem registro e sequer endereço. Em São Paulo, a confissão de não registro na Junta Comercial. Dois telefones inexistentes... Nos cartórios, ausência de títulos protestados, em meu nome, e das instituições que dirigi. E a ética e lisura transparentes em minha história de vida, em títulos e documentos.

Em tudo isso, confesso. Cidadão, "cansei".Vendedores de seguros, dois anos atrás, apondo-me, direto no alto escalão de Brasília, na folha de pagamento da UFC, seguros inválidos ou benefícios de fictícias empresas. Dois meses atrás, supostos "débitos autorizados" (sic) em minha conta bancária por fictícia entidade no Maranhão, eu é que tendo de provar a não autorização do estelionato...

Perdoem-me, pois, Chico Buarque e a dupla. A dor da gente, sim, há que sair e ser notícia no jornal, a denunciar estelionatos e em defesa do cidadão, destino e razão da democracia!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

domingo, 17 de agosto de 2008