quinta-feira, 10 de julho de 2008

Parabéns Bela Fortaleza - Por Bérgson Frota - Fortaleza


Começar um artigo sobre o teu aniversário evocando o passado muitos já fizeram. Não, não quero falar do começo, quero falar do agora, do hoje. Sim, da Fortaleza atual que cresce e brilha, que se destaca em várias áreas orgulhando seu povo.

Um dia fostes uma pequena vila, e antes de se tornar capital olhavas para a poderosa Recife, cuja a história rica e a extensão da autoridade submetia as terras hoje a ti pertencentes, mas cresceu e soube impor-se no cenário regional e nacional.

Teu progresso se deu lento, mas firme, não ostentas palácios barrocos, e do período tens poucas igrejas, mas constrói os prédios que o século XXI germina.

Tuas praças trazem a complexa arquitetura atual, revestida de grandes avenidas, tu riscas na terra os caminhos que levam às faculdades, shopings e parques.

A natureza foi generosa contigo, encheu-te com um colar de praias, cada uma mais bela que a outra. Tuas dunas povoam o litoral e as que antes eram mutáveis são hoje mais estáveis e fonte de turismo.

Terra de Iracema, pátria alencarina, loura desposada ao sol, são nomes que teus filhos te deram e a ti em melancólica saudade se referem. Sim, pois o cearense vai longe, mais te carrega como coração do Estado dentro do peito.

E como Alencar, o escritor que cantou Iracema, parece ser lícito dizer que a saudade do teu povo é a maior, e a mais forte.

Tuas noites não roubam do céu o brilho das estrelas, até os arranha-céus, cada vez mais altos parecem sugerir antes um encontro a um confronto com elas.

A lua cheia, quando se reflete nas espumantes ondas que morrem na tua longa orla, retrata na imaginação o brilho de um cristal prateado quebando-se e dividindo-se ao sabor do vai-e-vem infinito das marés.

Do alto, quando vistas à noite, o brilho das luzes, espalhadas em teu campo povoado, deixa pasmo quem de lá vê, e se de dia se observar, parece um postal que bem decora ao brilho do sol, teu título de terra da luz.
Este é um pequeno texto que encerra uma grande homenagem, nada foi referido a datas e pouco se aludiu da tua fundação e história, mas muito se disse em poucas linhas do teu presente, refletindo nele um futuro maior.

Completou no dia 13 de abril, 282 anos, mas tua idade nunca foi contada, nem sequer cantada, pois vives num eterno e sempre presente, és sempre a eterna e bela terra onde Iracema deitou e acalentou até os últimos instantes a vida do teu primeiro habitante.

Parabéns pelo progresso, pelas belezas naturais e as que com ousadia em ti por teus filhos foram e continuam sendo erguidas. Não fostes uma metrópole criada, tornartes metrópole por si só.

És hoje cosmopolita, acolhendo pessoas de todo mundo. Segue pois teu destino, firma com força na história o grande e rico papel que o presente te exige e o futuro de ti espera.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Re/União pelo Ceará - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Virgílio Távora, 20 anos de morte! Data em branco quase, justo quando cobramos, de nossos dispersos políticos, um Ceará não mais perdido de seu projeto, como agora. VT, o histórico ícone de tal união, único político lembrado "cearense do século XX".

Infante em Ipueiras, tal qual o oscilar entre a grandiloqüência das cheias e a solidão das cacimbas no rio Jatobá, vi UDN e PSD em crônico litígio. Cena que me ficou: dois inimigos políticos, em luta na coxia em frente de onde morávamos, desarmados por meu pai, conciliador, que, por uma janela, atirou-me para dentro de casa... Nos anos 60, estudante universitário de esquerda, veria Virgílio postar-se ao lado de João Goulart e a costurar tendências em luta na "União pelo Ceará", sob o pacto do Plameg (Plano de Metas Governamentais), a lhe pautar horizontes: integrando-o pela BR-116 ao País, industrializando-o a partir da energia de Paulo Afonso, gerando trabalho e renda, a educação a se democratizar...

Anos 80, fim de ciclo. E, sobre essa época, a confissão que nos fariam os do Movimento Pró-Mudanças contra os "coronéis": "Quem mais nos deu apoio foi VT. Por ironia, um coronel!"

Novo ciclo, sem dúvida, agora. No País, cheias prenunciando grandezas. Mas nós, perdidos do horizonte de um novo amanhecer. Nossos políticos, em seus narcíseos arquipélagos, sob o falso deleite dos pés de murici, cada um a cuidar de si. E, infantes, todos nós a saborear o ilusório "sem porto" das bolsas... Nossa educação, entre as piores do mundo, morrendo na praia. Praia a não atingir, em sadio desenvolver-se, o cidadão (ser social), o profissional (o construtor pelo trabalho) e a pessoa (o ser transcendente).

Hora das cheias a sepultar solitárias cacimbas. E a nos enfrasar na esperança de janela em mim marcada desde a infância, rumo ao sustentável futuro!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).