quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Grêmio Cultural e Diversional Ipueirense - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


O prédio da prefeitura municipal de Ipueiras, durante muito tempo foi palco das tradicionais festas do calendário ipuierense. Eu ainda “menina do buchão”, ficava apenas brechando do lado de fora o que se passava lá dentro.

Para alegria e bem-estar da sociedade local, mais tarde foi criado o GCDI nosso único e saudoso clube. Ali, sim, eu já mocinha enxerida, participei das grandes festas, onde as mesas eram poucas, diante da grande participação de sócios e convidados a lotarem o salão nos animados bailes da época.

Dois grandes bailes eram sucesso garantido em Ipueiras. No primeiro sábado de julho, acontecia o Chitão, festa tradicional e os estudantes que moravam em Fortaleza, aproveitando o período de férias compareciam em massa. As cidades vizinhas como, Ipu e Nova-Russas eram presenças garantidas nessa festa popular onde era obrigatório o traje estampado.

No final do ano tínhamos a festa de término de cursos. Paletós, ternos e vestidos chiques desfilavam magicamente apresentando o requinte exigido.
Outros bailes menos cotados aconteciam no decorrer do ano, assim como as tertúlias, bingos dançantes, que reuniam a juventude no salutar esporte da dança.


Grandes figuras fizeram história no nosso Clube.
Seu Camaral Moreira, grande folião, acompanhou gerações e gerações puxando cordão nos animados bailes de carnaval.
Simãozinho era outro folião, inventor da dança da cobra e não perdia os bailes de carnaval.
Delmiro Catunda um dos mais severos presidentes cansou de tirar pelas aberturas os que não dançavam conforme os padrões.

Destaco como exímios dançarinos: Zé Hélio, esse mestre no bolero brecado. Cazuzinha, Assis do Zé Vinuto, Bateia, Pantico entre tantos outros.

Inesquecível o costume da época. Cada família levava para seu deleite o próprio tira-gosto: paçoca, pastéis canudinhos entre outras guloseimas.

Bom, por que estou falando de tudo isso? Saudades? Não. As gerações e as histórias passam dando lugar a novas histórias. Pressupõe-se que com o passar do tempo tudo tende a evoluir e consequentemente a melhorar.
Porém, não foi isso que aconteceu com o Grêmio Cultural e Diversional Ipueirnse que não cumpre seu papel nem na cultura nem na diversão.


Muitas foram as tentativas em organizar uma diretoria que infelizmente quase sempre deu em nada. Eu diria que o clube hoje é uma batata quente que ninguém quer segurar. MAS, é um patrimônio da sociedade de Ipueiras de pessoas com título de sócio proprietário que tem o direito legitimo sobre esse patrimônio e também o dever de cuidar desse bem que tanto serviu e orgulhou nossa cidade no passado.

Eu sei que hoje, as grandes quadras, os parques de vaquejada, os forrós, esses espaços mais democráticos tomaram o lugar dos tradicionais clubes. Mas também sei que cabeças pensantes podem constituir uma nova e séria diretoria, promover eventos onde os lucros possam manter e melhorar o clube, patrimônio de muitos, a beneficiar poucos.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

domingo, 17 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Frase do dia
"Agora se faz acordo para instalar CPI. Melhor não fazer CPI nenhuma a fazer uma CPI do Amém."

Roberto Magalhães, deputado (DEM-PE)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Educação, fracassos e sonhos - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Os janeiros evocam-nos o duplo olhar à frente e atrás do mitológico Jano. E a mim, em nossa educação, diria, num balanço entre fracassos e sonhos, com Mário de Andrade, em "O poeta come amendoim" (1924): "progredir, progredimos um tiquinho, que o progresso é uma fatalidade".

Avanços, na universalização. Mas, nosso dedo pouco a apontar para a qualidade. Pior, morrendo na praia, não alcançado o porto: o mundo do trabalho (o profissional), a prática social (o cidadão) e o ser transcendente (a pessoa). Seus agentes (escola, família e sociedade) a se atropelarem nos infantis "monólogos coletivos" (de Piaget), sem astros a nos pautar valores na caminhada.

O olho atrás de Jano a nos levar, de volta, aos anos 80. Celso Furtado, aqui, a prever "longo amanhecer" do País e da Região, rumo ao "crescimento econômico a se metamorfosear em sustentável desenvolvimento". Clima em dueto com o Simpósio "Para onde vai a universidade brasileira", aqui trazidos os nacionais olhares "de dentro" e "de fora" rumo ao "mudar", a se tornarem bandeira de projeto social e político a partir do Ceará.

Nesse projeto, cabeças (em suas inteligências múltiplas), mãos (as da gestão estatal e social) e tato (do mundo político) foram-se, gradualmente, abraçando-se, olhos postos no amanhã. Em tal caminhada, as instituições de ensino superior (públicas e privadas), vistas em sua função de moldar o capital humano – as "indústrias do conhecimento", termo de Clark Kerr, no livro "Os usos da universidade" (Edições UFC). E, como tal, com assento (embora simbólico) na FIEC, onde "indústrias das chaminés" já se enxergavam caducas.

Desde então, demo-nos conta de que o pensamento, não mais positivista, sob o lema "ordem e progresso", mas sob a ótica agora complexa, o caos a ter função produtiva. E, nesse contexto, inteligências, hoje múltiplas – da verbal à transcendente – dão-se as mãos, a se constituir em "cláusulas pétreas" nos valores de amplo contrato social, na diacronia de Moisés e Rousseau aos dias de agora, de Maquiavel, Sun Tsu e ... Zé Dirceus!
Nesse clima, há, sim, de mudar o ilusório e atrasado marketing dos primeiros lugares de nossas escolas. Surpresas como a do Instituto Dom Barreto, em Teresina, a nos fazer cair do cavalo. E hoje são os próprios pais que aí estão a reclamar out doors outros a lhes mostrar onde estariam os primeiros lugares de outrora e, ao mesmo tempo, onde estudaram os hoje bem sucedidos na vida.

Na vida de hoje, não bastam os valores da democracia e pedagogia desde os gregos. Ou mesmo dos ideais da Revolução Francesa, em sua perseguida tríade "liberdade, igualdade e fraternidade", nem a divisão do pão, tão só, do marxismo. Bento XVI tem razão a nos recobrar "fé, esperança e caridade (a cáritas na dimensão do amor, não da esmola). Isso, com vistas a um "amanhã" a nos transcender o aqui e agora, em vida eterna, num abraço entre fé e razão – míopes ideais e valores de nossa democracia liberal, como do marxismo (nós irmãos apenas no pão) ou dos limites de uma ciência sem valores, despida de um transcendente para quê...
Nestes janeiros, samurais nesse ardor entre nós levantados, como Sérgio Machado, olhos permanentes nos sonhos (hoje o de Barão de Mauá), incitam-nos ao voltarmos os olhos para o amanhã, que, como os tigres asiáticos (o mesmo, nos diz Antônio Gomes Pereira), sem nos bater à porta, feito Irene, de Bandeira, "sem nos pedir licença" aí está a nos acordar. Ou, como um dia, cá entre nós, o embaixador Jadiel de Oliveira, em sua experiência nos quatro cantos do mundo, a nos falar dos pragmáticos rumos do Oriente. Indago-lhe se modelo para o Brasil. E ele: "Sim, desde que se a partir do Ceará". "Por quê?" – indaguei-me. E ele: "É que, aqui, como no Oriente, o sol libertário sempre nasce mais cedo".Entre nós, o clima na superfície é a das três forças – intelectuais, gestores e políticos – em dispersão, sob a cláusula de infantil "monólogo coletivo" de Piaget. Intelectuais, em seus fossos medievais. Gestores, a cuidar do efêmero aqui e agora das bolsas – as do mercado e as da esmola, sem atentar para o "viciar ou matar de vergonha o cidadão", alerta de Zé Dantas e Gonzagão. Políticos, sem ética e à sombra dos muricis, cada qual a cuidar de si...

Onda a irromper, a de nossos vulcões, nestes janeiros, a volta do duplo olhar de Jano. O passado, a nos recobrar o sonho à frente, do amanhecer. Tal como, na previsão de Jadiel de Oliveira, o sol, aqui, a nascer mais cedo. E isso, com medo, de, como em nosso passado, levar bruta vaia do irreverente "Ceará Moleque", a surpreendê-lo, em plena Praça do Ferreira, em Fortaleza, por seu preguiçoso retardo.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008