domingo, 2 de novembro de 2008

Parabéns Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Sábado, 25 de outubro de 2008. De longe sinto a alegria de minha terra aniversariante, lá distante no sertão cearense, aos pés da Ibiapaba azul que parece sempre que lá esteve e nunca nasceu nem há de um dia sumir.

De longe imagino o rio seco a cortar a cidade que amo e que espero um dia vê-lo perenizado a fertilizar de verde aquela terra abençoada e de esperança vestir o seu povo.

Durante anos em artigos e crônicas falei de ti Ipueiras, como algo distante, mas hoje te sei presente no meu ser.

Escrevi sobre as tuas vistosas carnaúbas que hoje estão mais escassas e quão belo era o espetáculo quando a cidade ainda nas suas primeiras décadas arborizava-se pelas árvores que são de quase tudo provedoras ao povo forte do sertão.

Escrevi sobre as andorinhas que revoavam no teu céu, sobre as tanajuras que caíam antecipando os invernos, sobre as cheias do rio Jatobá

Reportei a inauguração do teu belo Arco de Fátima, da construção do teu maior monumento, o Cristo Redentor e finalmente em pesquisa risquei a história de tua sublime e bela matriz.

Contei sobre as festas juninas, descrevi os desfiles de sete de setembro, falei sobre os parques e circos que por ti passaram, e descrevi as férias que proporcionavas aos teus habitantes.

Não esqueci tua estação ferroviária e de teus açudes que foram sumindo em face ao progresso constante.

Lembrei teus antigos carnavais e teu cinema maior, o Azteca.

Então cheguei à noite de 25 de outubro de 1983, quando do teu centenário e pensei no teu futuro, já naquela época. O céu estava repleto de estrelas e ouvia os discursos que teus filhos faziam em tua homenagem.

Silenciei-me.

Passaram-se 25 anos, e és hoje uma grande e bela cidade, muito mudou, tuas construções e teus habitantes, mas penso que se fitar o céu numa noite qualquer no mesmo ponto de onde no passado contemplei as estrelas, estarão elas a brilhar no mesmo lugar.

São elas Ipueiras que piscam em festejar-te, feito velas eternas a contemplar de distâncias mil a tua história.

Feliz Aniversário terra redentora, que os vindouros anos te tragam mais progresso, e que o eco dos teus escritores e poetas já idos sejam o sangue forjador de uma nova safra que não nega a renovar-se..

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

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