quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ipueiras, Pragas e Plantas - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Ipueiras durante muito tempo nos encantou com seus pés de fícus. Árvore frondosa de copa ampla que arborizavam ruas e praças dando um colorido especial a graciosa cidade.

Era debaixo dos fícus que a galera de tempos atrás se reunia para namorar, conversar, tocar violão, brincar de lado esquerdo e passar o anel, entre outras coisas. Antes e depois das missas e das festas era o "point" preferido da rapaziada para o comentário geral.

Eis que um dia apareceu para desgraça da árvore e a infelicidade de seus apreciadores o tal lacerdinha. A cidade literalmente chorou, pois o minúsculo inseto ao cair nos olhos dos incautos, ardia tanto quanto pimenta. Assim, o fícus antes tão amado passou a ser visto com maus olhos pela população agastada com a situação.

A peste do lacerdinha foi maior que a grandeza do fícus que tendo as folhas enroladas, perdendo sua graça e utilidade em conseqüência da praga, aos poucos foram sendo cortados, até saírem por completo de circulação. Não sei por que cargas d'água os pés de algarobas também se foram, sumiram do mapa, talvez queima de arquivo...

Hoje do fícus, só fotos e recordações, pois cortaram o mal pela raiz e o lacerdinha desalojado também sumiu no espaço.

Mas nem só de lacerdinha morre-se de raiva. Ipueiras de tempos em tempos, ela abriga uma praga que dá de dez a zero no lacerdinha, é o potó. Esse é cruel!

Não tenho bem certeza, mas acho que eles chegam com as chuvas. Era o terror das meninas. Pense! Dormir feliz e acordar mijada de potó, e muitas vezes véspera de festas... A consideração do inseto com o ser humano eram nenhuma, pois os lugares escolhidos para lhe servir de penico eram os piores possíveis:pescoço axilas, olhos, braços. E mais, sendo nas juntas, o lado afetado passava para o outro.

Só quem já foi "premiado" com a mijada do potó sabe exatamente o que é passar por isso. .Queimaduras que viram bolhas, depois uma mancha horrorosa escura e haaaja tempo para sumir de vez.

Só depois de algumas leituras vim saber que o potó ao ser esmagado contra o corpo, expele uma substância chamada pederina responsável pelo estrago feito por ele. Se afastado, com um sopro ou um peteleco nada acontece. Porém, nem sempre ele é visto por sua vítima, e na calada da noite, faz sua festa.

Entre as plantas que arborizavam Ipueiras eu tinha e tenho uma paixão especial pela carnaubeira, tanto tenho que preservo um carnaubal em meu sítio. Esta não foi atacada por nenhuma praga.

É uma árvore nativa, que suporta bem o nosso clima, porém, foi expulsa do centro da cidade pelo progresso que inevitavelmente chega, asfaltando os verdes sonhos que ficarão apenas na memória. Nos arredores da cidade ainda se vê a imponente palmeira, em grande numero, tirando belos acordes ao vento.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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