segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Frase do dia
"O amor perfeito às vêzes não vem até que chegue o primeiro neto."

Provérbio galês

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Casarão da Otacilândia - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Situado ainda numa região de mata semi-virgem, cercada de oitizeiros, oiticicas e jatobás, guarda o casarão da Otacilândia uma ostentosa porém rústica arquitetura.

Embora não esteja em um morro, a parte detrás da construção termina numa íngreme descida de pedras, grandes árvores e mata fechada que se cuidadosamente percorrida, chega-se ao sinuoso rio do Engenho, ainda recebendo água das grotas para mais adiante juntar-se a outro, e formar novo rio.

Outrora conhecido como Engenho dos Padres, a construção remonta a primeira metade do século XIX, passando ainda no mesmo século para a família de um potentoso coronel da região.

Assim descreveu de forma detalhada sua impressão sobre o casarão o Pe. Francisco Correia em obra publicada : Próximo a Ipueiras há um lugarejo chamado Engenho, de propriedade do conhecido político Otacílio Mota. O Coronel Otacílio faleceu em 1948, e esse lugar passou a se chamar "Otacilândia".

É um bom sítio, distinguindo-se sobretudo pelo seu casarão de 260 portas e janelas, com o aspecto de uma verdadeira Babilônia, tão grande é esta casa. No seu conjunto possui também uma capela privada.

Outro fato faz do casarão da Otacilândia um ponto de importância histórica para a política de Ipueiras e de toda zona norte da região do Estado. Foi lá que nasceu e cresceu até vir a residir em Fortaleza o destacado político Aquiles Peres Mota.

Com o passar dos anos o casarão sofreu poucas reformas. Permanecendo quase inalterado, sendo ainda habitado, é um marco na história que delimita e descreve as grandes moradias pertencentes aos antigos coronéis, há muito assentadas e pouco preservadas aos pés da azulada Ibiapaba.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Frase do dia
"A democracia pode acabar. O povo cansa diante da corrupção e da falta de atendimento de suas necessidades."

Cristovam Buarque, senador (PDT-DF), citado, hoje, pela coluna Panorama Político, de O Globo

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Fé e razão em abraço - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Natal! Machado, o de Assis, me cai, com saudades da "velha noite amiga, noite cristã, berço do Nazareno" (Séc. XIX), a lembrar, desde São Francisco , o de Assis (1223), os hoje raros presépios. Em nossa volta, o marketing a espraiar sede nos lucros, e a distorcer ceias, Papai Noel, presentes, canções natalinas... E a nos ficar, a chave-de-ouro do famoso Soneto de Natal: "Mudaria o natal ou mudei eu?"

Nesse quadro, uma luz: a de Bento XVI, a pautar aos cristãos, vida futura a não se perder no vazio e no chão. Salva-nos a esperança, a nos dar sentido à vida cá na terra e à ressurrecta após. Míopes, se não aliadas à fé e a caridade, em nossa política, os esforços em prol da tríade "liberdade, igualdade e fraternidade". Também, ideais como o marxista, se restritos à pura "ordem e distribuição econômica". E até a ciência, se, solitária e cega, não se pautar por esse horizonte.

Só a cáritas - o amor a irmanar-nos como obra e filhos de Deus - poderá redimir-nos. Possível, a "amizade entre a inteligência e a fé" a nos trazer "maturidade científica e espiritual" (diz o papa a universitários). Voltar àquela "noite cristã, berço do Nazareno" impõe-nos repensar-nos a jornada na terra: fé, esperança e caridade, mãos dadas a nos rever passado, presente e futuro. Assim, as hoje múltiplas inteligências. A da fé (a transcendente), no consórcio com as várias outras, a nos repensar ética e vida política, na construção de nosso amanhã. E, urgente, a de nossa educação (escolar e social), hoje, nesta terra de Santa Cruz, vista entre as piores do mundo, para que forme mulheres e homens na integrada feição de profissional (o construtor), cidadão (o ente social e político) e pessoa (em sua dimensão transcendente maior).

Tudo sob o olhar "assim na terra como no céu". São meus votos. Que assim seja!

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Natal e a esperança - Por José Costa Matos / Fortaleza


Naquela mesma velha noite amiga, noite cristã, berço do Nazareno´, um homem busca repetir, no soneto de Machado de Assis, a beleza espiritual que todos buscamos repetir agora. Sobra-lhe confusão na pergunta:
Mudaria o Natal, ou mudei eu?

Porque estamos sem saber o que é Natal e o que somos, na passagem do aniversário do filho de Maria de Nazaré.

A propaganda consumista impõe enganos desse entendimento: arquiteta presépios, arruma jogos de luzes para o deslumbramento dos compradores. Mas desestimula as perguntas sobre os extravios humanos, em tantas encruzilhadas mal sinalizadas.

Os magos procuraram rumo nas estrelas para o encontro do Natal. Trouxeram ouro, incenso e mirra para o Menino, nascido na manjedoura porque os pais não conseguiram lugar nas hospedarias de Belém. E nós não precisamos de rumos? Uma busca orientada exige que pensemos. E tudo nos induz a não pensar. Consumismo é isto.

A ilusão de evitar a angústia é afundar no aturdimento. Para isso, as prateleiras das lojas estão repletas de uísques e champanhe vencedores das barreiras alfandegárias. Porque vêm do trabalho distante de outros povos, dão prestígios aos bebedores, além dos desejados desmontes da reflexão. E dirão: Jesus Cristo gostava também de festas, também bebia o seu vinho... Sim. Ele assumiu a natureza humana, exceto o pecado. Participava de festas. Aceitou o banquete oferecido por Zaqueu, o cobrador de impostos. Agradeceu as comidas especiais que lhe preparavam em amizade as irmãs Marta e Maria de Betânia. No entanto, não deixava de ir ao deserto, para as meditações que resgatam a verdade humana, em dias como estes, quando se adensa fumaceiro dos noticiários e há o risco de que as esperanças também anoiteçam. Ele não ficou insensível aos dramas dos pobres. As multidões o seguiam, sem comer por três dias. E lá estão, nos Evangelhos de Mateus e de Marcos, estas palavras da segunda multiplicação dos pães: Eu tenho pena dessa gente. E ordenou que se multiplicassem os sete pães e alguns peixinhos.
Comeram quatro mil, sem contar as mulheres e as crianças... Mudaria o Natal, ou mudei eu?

As filosofias dos últimos séculos mudaram a humanidade. Centraram as formas de vida na substituição de Deus por muitos deuses. E hoje são deuses a conta bancária; o apartamento de cobertura; o automóvel de luxo; o computador que desemprega operários; o prestígio da imagem na televisão... O esquecimento de Deus amesquinhou o significado do Natal. O vazio de

Deus nas almas se povoou de medos. Medos, muitos pavores.
Séculos antes de Cristo, Isaías falava dos direitos humanos à alegria, com o futuro nascimento do Nazareno. Um retorno à leitura do Profeta do Advento renova o entendimento do Natal como festa do espírito. Porque o Natal vivido apenas com uísque e champanhe e presentes não orienta a viagem da raça humana no tempo.

Mas é possível mudar a direção da mídia. Mudar o pensamento criativo. Mudar a luz negra pavorosamente fixa nas imaginações. Leão Magno, papa de 440 a 461, falou da teofania de Jesus Cristo: Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o temor da morte.

Natal, cristãos. Aleluia.

* da Academia Cearense de Letras


segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Assim era Ipueiras nas noites de Natal - Por Bérgson Frota / Fortaleza


A praça central era a mais iluminada.
Muitas luzes amarelas em espaços próximos faziam dela uma verdadeira fonte de luz que se destacava na cidade inteira.

E para lá principalmente que corria toda a garotada, fascinados pela luminosidade e alegria contagiante que só o natal nos fazia sentir.

As casas eram enfeitadas com adornos brilhantes e pisca-piscas, e poucas deixavam de ter uma árvore de natal recheada de bolas de vidro coloridas postas quase sempre à vista de quem por fora olhasse com fácil curiosidade.

Logo que a noite mais se adiantava, casais maduros e jovens passavam em direção à igreja matriz. Caminhavam numa harmonia respeitosa e lenta para esperar na nave do templo ou no amplo patamar em frente, o início da missa do galo.

Como criança olhava aquele ritual religioso mais como uma extensão da festa sem pensar ainda na profunda importância daquela celebração.

A noite corria e as luzes que brilhavam iam aos poucos se apagando, a constelação que para mim parecia pregada naquela cidade cercada de morros, misteriosamente sumia e o sono me tomava.

Pela manhã os presentes.

E o fascínio em procurar e abri-los, fazendo de conta que o bom velhinho e não meus pais, era quem os trouxera.

E foi nessa alegria que os natais naquela pequena cidade me marcaram.

O tempo passou, mas a magia daquelas noites em Ipueiras ficaram gravadas.

E sempre quando chega o natal, eu já adulto e já distante, caminho nas lembranças daquelas ruas, que minha memória trabalha e as reconstrói, onde o tempo parecia eterno e nunca passava, onde a cidade plena de alegria plasmava uma atmosfera de paz e luz que emanava fantasia.

Assim eram as noites iluminadas de natal em Ipueiras, assim foram às noites iluminadas de natal em Ipueiras, e lá estava eu, longe do tempo onde sobre elas um dia haveria de escrever.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Frase do dia
"De vez em quando, as pessoas acham que o presidente ficou nervoso porque foi derrotado. Nem eu fiquei nervoso nem eu fui derrotado."

Lula

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Árvore de Natal de Garrancho - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


O que relato agora não foi exclusividade, apenas, de minha família. Era comum no interior do Ceará, e certamente de todo Nordeste.

Com a chegada do mês de dezembro começava o movimento para montar a Árvore de Natal. Movimento esse, que reunia toda a toda família em torno do mesmo tema.

Antigamente não tínhamos dinheiro nem produtos disponíveis para montar uma árvore, como as que víamos nas revistas. Porém, o que nos faltava em dinheiro e produtos especiais, sobrava-nos em criatividade.

E assim, começava o reboliço, era chegada a hora de montar a Árvore de Natal. O primeiro passo era procurar nos arredores da cidade um garrancho com muitos galhos. Tarefa quase sempre atribuída aos meninos, que em bandos traziam mais de um galho,para que pudéssemos escolher o melhor.

Enquanto isso, meninas já estavam forrando com papel de presente uma lata de vinte, onde cheia de areia seria plantado o galho seco.

Outra turma, cortava papel celofane e crepom, verde, em tiras, faziam bastantes franjas, para recobrir o projeto de árvore, que aos poucos ia ganhando forma. Arvore coberta de verde, era hora de colocar sobre os galhos os brancos cordões de algodão, noutro canto meninas cobriam caixas de fósforo com papel prateado retirado das cédulas de cigarro, e com papel de presente. Caixa de vários tamanhos , além das de fósforo, também eram cobertas, fingiam ser presentes, e serviam como enfeites a serem dependurados na árvore.

Depois desse passo-a-passo a árvore estava quase no ponto, garrancho ,conseguido e recoberto de verde, enfiado na lata recoberta, já colorida pelo papel de presente, caixinhas feito enfeites penduradas, outras maiores ao pé da arvore fingindo presente.

Agora faltava colocar o menino Jesus em meio às palhinhas junto a árvore, o que era feito com carinho, e confeccionar a estrela para colocar no alto da Árvore.

Papelão na mão, tesoura, lápis, num instante, a mais habilidosa, desenhava e recortava uma linda estrela com grande cauda. Agora era só fazer um grude de goma, lambuzar a estrela, jogar areia prateada em cima e em seguida coloca-la no lugar de destaque. Assim criávamos nossa árvore.

Esse, acredito, era o verdadeiro espírito de Natal, onde famílias juntas numa perfeita confraternização se reuniam em torno do sagrado momento natalino.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Frase do dia
"A oposição está dominando o cenário."

Valdir Raupp, líder do PMDB no Senado

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Ícones culturais - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Ipueiras. Distrito de São Gonçalo da Serra dos Cocos. O País dos Mourões, na voz de Gerardo, "nosso Dante" disse Drumond de Andrade , e a celebrar 250 anos de sua Matriz. Palco das "fratricidas brigas", expressas em ruínas. Isso, a par de tentativas como as de reforma agrária por Dom Fragoso.

Ali perto, experiências ensaiadas de agricultura familiar. Até, nascente indústria de polpa de frutas. Olhar, aí, para a frente, a flecha do arco da paz a quebrar-se. Como o Cristo da Caatinga, que, embora arranhado por incômodas torres a seu redor, mira, em reta, a Bica do Ipu, sob a pauta dos sonhos de Nagib, prosaico mourão a sonhar com a "grande metrópole entre as duas cidades". No imaginário das pessoas, pingas, fartos em toda a região, a se somarem a estações ferroviárias, igrejas e a Casa da Otacilândia, com suas 120 portas, a de senhar o progresso. Tudo isso, num tempo em que o patrimônio histórico e cultural pode tomar, como o fez, o próprio samba como um dos monumentos de nossa cultura. Escola é preciso. Mas, aí, a lição que confessou ter aprendido Ariosto Holanda, de D. Aureliano Mattos: "sem arte e sem ofício, não somos filhos de Deus ou cidadãos". Centecs e CVTs se impõem.

Observo o grau de saber de populares a ler "ícones" a lhes pautar o amanhã. E, em Fortaleza , tento levar tais traduções do sentimento coletivo ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que se dispõe ao estudo de tais sentimentos, onde o cultural traduz sentimento do povo e aponta soluções concretas para seu de senvolvimento. E a mim, aco de a sensibilida de para o concreto que invadiu ao industrial Edson Queiroz quando lançamos a Rádio Universitária e divulgávamos as "águas": "Vocês me chamaram a atenção para algo mais importante. Não queimam e todos precisam". Nasceu-nos indústria da água mineral!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Zezé Mota canta e encanta - Por Beto Costa / Rio de Janeiro


A homenagem começa no título. Divina Saudade é o nome do show e do cd da cantora e atriz Zezé Motta, que há três anos homenageia a inesquecível Elizeth Cardoso.

Interpretando Baden Powell, Haroldo Barbosa, Noel Rosa, Pixinguinha, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, dentre outros gigantes da música popular, Zezé revive músicas que tiveram importância marcante na vida de Elizeth, tais como: Chega de Saudade, Estrada Branca, Lamento e Nossos Momentos."Um dia acordei e vi na minha estante o livro Elizeth, A Diva, de Sérgio Cabral, que eu já havia lido há um ano atrás. Me lembrei da emoção que foi encontrar com ela num show dirigido por Hermínio Bello de Carvalho, em homenagem a Herivelton Martins.

Durante o ensaio conversamos e senti uma total afinidade. Assim, homenagear essa diva acabou virando um grande projeto em minha vida", afirmou Zezé Motta.Apresentando-se como crooner nas casas noturnas Balacobaco e Telecoteco, em 1971, na cidade de São Paulo, iniciava a carreira de cantora. O primeiro disco é lançado em 1978 com o nome de Zezé Motta. Em seqüência vieram Negritude, Dengo, Frágil Força e Chave dos Segredos. Com Djalma Corrêa, Jorge Degas e Paulo Moura, lançou Quarteto Negro, em 1998. Neste ano, Zezé grava o cd Invisíveis Cores com músicas do cantor e compositor Luiz Melodia, uma homenagem ao amigo.

No teatro, sua carreira começou no curso de férias numa das mais famosas escolas do Rio de Janeiro, O Tablado, após ganhar bolsa de estudo por se mostrar muito dedicada ao grêmio recreativo do colégio Cruzada São Sebastião, onde passava os fins-de-semana ensaiando, decorando textos e montando alguns espetáculos.Profissionalizada em 1967, aos 21 anos de idade, Zezé estréia no fervoroso espetáculo, proibido pela ditadura militar, Roda Viva, de Chico Buarque e com direção de José Celso Martinez. Com a arte de representar cada vez mais latente, passou a participar de importantes peças teatrais, como o famoso Godspell, musical de grande sucesso na Broadway. Contudo, sua carreira atingiu o ápice no cinema, com o filme Xica da Silva, dirigido por Cacá Diegues.

Zezé Motta se torna conhecida mundialmente e ganha vários prêmios por sua interpretação. "Minha vida é dividida entre antes e depois de Xica da Silva. Antes eu era apenas uma atriz na batalha", lembra a atriz.O sucesso estrondoso do filme trouxe alguns problemas sérios a Zezé. Ninguém conseguia desvencilhar o personagem dela. Em certa ocasião teve que descer de um táxi em movimento, pois o taxista ao reconhecê-la começou a passar a mão na sua perna."Os parceiros que tive depois do filme sempre diziam não acreditar estar transando com a Xica da Silva. Parecia que o filme se tornava realidade - era o que dizia Glauber Rocha quando namoramos. Era tudo muito confuso para a minha cabeça. Os homens criavam uma fantasia tão grande com o mito da Xica da Silva, da sensualidade dela, que misturei isso na minha cabeça também. Eu tinha uma preocupação tão grande em não frustrar o parceiro que não tinha mais prazer, minha preocupação era dar um show. Tive que levar isso para a análise", revela.

Zezé também teve marcantes papéis na teledramaturgia brasileira. Atuou em Corpo a Corpo, Pacto de Sangue, A Próxima Vítima, Corpo Dourado, Cananga do Japão, Xica da Silva, Esplendor, Porto dos Milagres, O Beijo do Vampiro, Mãe de Santo e Memorial da Maria Moura.Aos 58 anos de idade, mãe de cinco filhas adotivas e com vitalidade e beleza que a fizeram símbolo sexual nos anos 70, Zezé Motta mostra-se audaz ao buscar patrocinador para o seu mais novo projeto. Gravar um cd com os clássicos do samba, o qual pretende chamar de Na Cadência do Samba.

Texto publicado no Jornal Faz & Acontece em janeiro de 2004.

Beto Costa é jornalista


Frase do dia
"Nem o PT, nos piores momentos do PT, fez uma coisa dessas."

José Dirceu, ao criticar a oposição por ter ajudado a derrotar a CPMF

sábado, 15 de dezembro de 2007

O Tempo das tanajuras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Quando era março chegava o inverno.
O céu escurecia de repente. Trovões, relâmpagos e grossos pingos d`água começavam a cair.
Adultos e crianças saíam pelas ruas, avenidas e diante do grande patamar em frente à igreja matriz, festejando a chegada da estação.

Subia do chão nas primeiras levas da chuva, um cheiro mormaço de terra quente, ferida e surpreendida pelos frios e grossos pingos que sem parar caíam. Parecia que o céu arrependido chorava pela longa secura da terra.

E logo nós, meninos, corríamos em direção à ponte velha, para de lá vermos o Jatobá, que recebia das cabeceiras da serra, água e mais água, barrenta, borbulhante e barulhenta. Fazendo redemoinhos e se espalhando pelo terreno antes seco, mas seu. Serpenteando na terra areienta e porosa.

Era meio-dia e quando lá para as três da tarde a chuva passava, a cidade então se preparava para a fria noite, que adentrava a madrugada com o barulho incessante dos sapos despertados.

No segundo dia o rio ainda estava cheio, permanecendo assim enquanto chovesse. E acontecia que no final da tarde começava a revoada no céu, era o tempo das tanajuras.

Corríamos nós, crianças, levando na mão uma grande folha verde de castanhola e de forma quase mecânica, começávamos a capturar e seccionar ao meio as grandes formigas.

Naquela época havia bares que pagavam por uma substancial porção de "bundas" de tanajuras, e nós, espertos que éramos, ganhávamos com a venda. De trocado a trocado íamos juntando uma boa soma, que logo se esvaía em gibis, bilas e bombons.

Para nós, crianças de Ipueiras nos anos setenta, aquela era uma época feliz, pois não só tínhamos os banhos diários no rio, como a caça das tanajuras, que rápido passava, mas que nos lembrava um novo período a repetir-se no ano seguinte.

E assim em cada início de inverno, vinham os banhos de chuva, os banhos de rio e o tempo das tanajuras, até que de criança tornamo-nos adultos e as tanajuras foram esquecidas, ficando para nós a alegria maior do bom inverno, resumido na abençoada fartura por ele sempre trazida ao forte e bravo povo do sertão.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Frase do dia
"Quando ouço rádio, vejo . . . radialistas alegrando pessoas, apresentando quadros e músicas que ganham o coração de todos - são eles os verdadeiros difusores do otimismo necessário à luta cotidiana."

Heródoto Barbeiro, radialista

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Eu, o menino e o arco-íris - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Mora no meu passado um menino bom, doce e tímido, que conviveu comigo enquanto o destino deixou.Era um menino do interior. Assim como eu, não se encaixava nas regras impostas e hipócritas de uma pequena cidade.

Fomos crianças e adolescentes juntos. Quando íamos a bailes e tertúlias atraíamos a atenção de todos, pois apesar da timidez, no salão ele se soltava. Éramos um par perfeito em qualquer tipo de dança.

Muitos foram nossos passeios de bicicleta nos finais de tarde. Realmente não posso dizer que ele foi apenas um bom amigo, na realidade foi um parceiro sem igual. Nós crescíamos e a cidade cada dia ficava menor para ambos.

Eu cresci e multipliquei, e fui expulsa do paraíso. E ele, sonhava atravessar o arco-íris. Não cabíamos mais na cidade e partimos para outras paragens. Lá deixamos a magia de nossos pés dançantes e nossa história singular.
Com as asas de sonhadores voamos atrás de novos caminhos onde o clima fosse favorável à vida de predestinados.

Na minha caminhada vitoriosa ganhei status de poetisa e os aplausos da cidade. Ele poderia ter ido só até o final do arco-íris, pegar o pote de ouro para pagar seu resgate, caso fosse capturado. Mas não, maravilhado com o colorido do outro lado, com as luzes e o brilho que iluminavam sua alma, não teve dúvidas, atravessou o arco sem medo, assumindo de vez sua transformação e sem vontade de ser resgatado.
E foi entre luzes, purpurinas, véus e fumaça que freneticamente, sem se incomodar com o lado preto e branco que antecede o arco íris, que ele se entregou a sua vocação e a sua opção de vida.

O portal das circunstâncias nos separa, porém permanece a amizade,independente de qual dos lados do arco, ele possa se encontrar. E toda vez que vejo uma grande passeata, exibindo a imensa bandeira em forma de arco-íris, entusiasmadamente aplaudo meu amigo, e solto um solene, evoé !!!!!

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Frase do dia
"Quando o PT votou contra a CPMF foi porque era a favor dos sonegadores e contra os pobres?"

Aécio Neves, governador de Minas Gerais

domingo, 9 de dezembro de 2007

The Police no Rio - Por Carlos Moreira / Ipueiras


The Police


Eles não são mais jovens como em 1982, mas o The Police mostrou, no show deste sábado, no Maracanã, que continua levantando o público – e olha que, dessa vez, o trio tocou para mais de 70 mil brasileiros – com seus grandes hits.

Os fãs tupiniquins estavam ansiosos para assistir à apresentação de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland quando, por volta das 21h30, as luzes do palco foram diminuídas e os primeiros acordes começaram a soar nos amplificadores.

Message in a Bottle abriu o show, que prometia muito mais sucessos. Uma seqüência de músicas como Synchronicity e Walking on the Moon, levantaram a platéia.

Sting mostrou que fez a lição de casa e durante a apresentação arriscou umas palavras em português. "Aqui tem 70 mil pessoas, então são 140 mil mãos", disse o vocalista. O músico também apresentou seus companheiros no idioma.

O show, que começou com a abertura do Paralamas do Sucesso, fez parte da turnê mundial em comemorar os 30 anos do The Police. A banda deixa o Brasil e segue para Porto Rico, Nova Zelândia, Austrália até a última apresentação que está marcada para acontecer na Alemanha.

Carlos Moreira é radialista e pedagogo

Era uma vez . . . - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
O engenheiro João Virgílio Sales, leitor de O POVO, me dá o mote: "Era uma vez... E Ali-Babá?" Dizem os que defendem os 40: "Decisão política e não jurídica, a do STF".Geraldo Duarte:"O Brasil acordou menos triste". Uma professora: "Tudo porque, no STF, a presidente é mulher, e um negro, o relator".Do exterior:"Aqui o que rola é que não somos um país sério".

De volta, o "passar a limpo" de Darci Ribeiro. E, nessa linha, os ciclos (econômicos e políticos), de Celso Furtado, esgotáveis - 15 anos em média, a classe política despreparada para enfrentá-los. Dito em 1984, aqui, onde o sol libertário nasce mais cedo. De lá para cá, a democracia não mais se contém "império da maioria". É bossa nova a compor "dissonantes acordes" de respeito às minorias: intelectuais a lhes dar verbo; gestores (públicos e sociais) a torná-los ação; o tato político a captá-los. Isso, por ironia, justo quando o "capital humano", entre nós, é desperdiçado pelo "cansamos", a solidão, a fossa. Só na UFC, 254 docentes, em depressão. Mulheres (diz-me a ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenele), em maior número. Isso, na terra de Iracema, "a porção feminina da alma nacional".

Menos arrogantes, os partidos também se passam a limpo, buscando o olhar social até em atrito com o dito "discurso necessário" de antes. A educação, nau sem rumo a morrer na praia, descobre que, sem o porto da cidadania e do trabalho, é estelionato social. E professor, se "empregado de aluno" ou "jumento de verdureiro", é condutor sem remo. Miragem, o pregão das bolsas (a do mercado e as do tipo família), sem o horizonte do desenvolvimento (agrícola, industrial e dos serviços), a viciar o cidadão.

Passar a limpo o País com outro "era uma vez". O da cigarra e a formiga, trabalho e arte em dueto, a nos recobrar a ufania perdida!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sábado, 8 de dezembro de 2007

Comemorando noventa e cinco primaveras - Por Jean Kleber Mattos / Brasília
Meados dos anos 40. Precisamente 1946. Seu Mattos (Sebastião Mattos Sobrinho), retorna a Ipueiras onde vivera a infância e adolescência, após período de estudos em Fortaleza onde se formara em contabilidade na Academia de Comércio Padre Champagnat.

Recém retornado com a esposa e a sogra, também professoras, mais um filho de dois anos, alugou uma espaçosa casa na Praça da Matriz e começou a aceitar alunos para o ensino fundamental, à época denominado Curso Primário.

Estava fundado em sua primeira sede, o Educandário Nossa Senhora da Conceição que durante os oito anos seguintes prepararia dezenas de jovens ipueirenses para a admissão ao ginásio. Muitos daqueles meninos e meninas são hoje destacados juristas, empresários, professores, políticos, administradores e cientistas, mantendo em comum um sentimento de gratidão, quase nostálgico, por tudo o que aprenderam naquele período.

Onze de novembro de 2007. Reunidos no restaurante Sirigatto, no bairro Cidade dos Funcionários em Fortaleza, um grupo de familiares, amigos e ex-alunos do professor Mattos, a maioria originário da região de Ipueiras, comemorou os noventa e cinco anos do mestre. Presentes no evento: Jean Kleber, o filho, Francisca Matos, a irmã, os Rosa de Sousa professores Marcondes e Solange, ex-alunos, a jurista Socorro Matos, prima e ex-aluna, o compositor Carlito Matos afilhado de crisma, a professora Salete Matos, sobrinha, o empresário Tadeu Fontenele, amigo recente, a jornalista Carla Matos, filha de Carlito Matos acompanhada do noivo, Fátima Abreu, sobrinha, acompanhada do esposo e mais os sobrinhos Emanuel, Maria, Ednei, Valdirene e o pequeno Pedro Lucas, na primeira infância, sobrinho da novíssima geração.

Para mim este foi um momento mágico, difícil de descrever. Mesmo assim, tentaremos, ainda nesta semana, publicar em nossos espaços ipueirenses as fotos do evento acompanhadas da biografia atualizada.do homenageado.
De momento, quero apenas agradecer de coração aos que lá estiveram, prestigiando com suas queridas presenças a significativa data.

Valeu!

Jean Kleber Mattos é Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Doutor em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Professor Adjunto da Universidade de Brasília.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Frase do dia
"Na vida, quando evoluímos politicamente, vamos mudando de posição, o que vai melhorando as possibilidades de governar o país"

Lula

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ser criança - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Amanhece, um dia de sol e céu claro, cheio de nuvens correndo com o vento que sopra forte.

O menino levanta-se, toma rápido um banho e depois de um reforçado café, vai correndo despreocupado viver o dia.

Na mente a alegria das brincadeiras, o companheirismo dos amigos, todos da sua idade, uns magros outros gordos, morenos, brancos e negros. Despreocupado junto aos seus, todos de olhos grandes e risos fáceis, sonhadores a espantar-se de tudo.

Em casa, os brinquedos o esperam quando ele se cansar da rua, seja cedo ou tarde, silenciosos não hão de reclamar a demora, e sempre estão à disposição daquele pequeno ser, agora postos arrumados na estante, depois então espalhados pelo quarto.

O menino tem uma bola e também cão, em geral maior que ele, mas ele é o "mestre". O cão é amigo, mascote e um grande protetor.

Na hora de estudar, faz seus deveres concentrado, e se aparece um pássaro na janela cantando, ou se o papagaio grita nomes na cozinha, ele ri, e desconcentrado procura com esforço voltar aos deveres.

O dia demora, e ele sai logo depois.

Junta-se novamente à turma, mas na hora do desenho está sem falta diante da televisão, concentrado acompanhando os episódios de seus heróis.

A alma crescente da criança continua em gestação naquele pequeno corpo que não pára de ter medidas novas. Que sem parar vai crescendo nas alegrias e sonhos, nas fantasias, estas que finalmente um dia passarão.

Com os sonhos a concretizar, o menino vai crescer, tornar-se maduro e responsável. E as alegrias, brincadeiras e fantasias de hoje, lhe farão lembrar e entender um dia a infância, o sagrado e verdadeiro valor de ser criança.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.



domingo, 2 de dezembro de 2007

Frase do dia
"Vamos aceitar o resultado, seja ele qual for. Esta jornada eleitoral é um triunfo para a democracia venezuelana. Aqui se cumprirá a vontade popular."

Hugo Chávez sobre o referendo à nova Constituição