quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Senado, o espelho - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Lápis e borracha à mão, vinha eu propondo limpar o País, na busca de novo "era uma vez". Mas os últimos episódios no Senado abalaram-me o otimismo.

Na TV e na mídia, busco entender o surreal ali visto. As pistas, aos poucos, soldando-se.Artur Virgílio, de um lado, liberando o voto de companheiro alagoano, mas, de outro, lendo a reunião como "terapia de grupo". O jornalista Noblat, pintando Renan, ao ameaçar os colegas, com o "eu sou vocês amanhã". E isso me trouxe, de volta, à febre dos grupos terápicos nos anos 70, a nos mergulhar em infantis "fossas" até sua gradual limpeza em maduro mundo. O Senado viveria tal "fossa" por todos nós. E Cristovam Buarque, ao pedir o registro da reunião, talvez a visse espelho de toda a nação.

Os jornais falam de nossa aposta no oscilante jogo das efêmeras bolsas, no mercado e na vida social. Em lua de mel com o agora, tripudiamos sobre o passado com o "nunca neste País" e cegos quanto a sustentabilidades no amanhã. Nos jornais, o alerta: "Apesar de seu indiscutível propósito social, o Bolsa-Família não conseguiu atingir seu objetivo primordial: a redução da pobreza. Estudo elaborado por professores da pós-graduação em economia da Universidade Federal (Caen/UFC) aponta que o carro-chefe do governo Lula, assim como os demais programas de transferência de renda existentes no País, não têm efeitos significativos no combate à pobreza. Pior: poderiam, no futuro, criar um circulo vicioso".

Não é só nossa Câmara Alta que está em jogo, num intentado golpe contra a bicameralidade do Congresso Nacional. Não só os políticos, mas toda a vida nacional, hoje à procura de novo amanhã, onde os sociais direitos precedam os políticos e a escola nos leve ao trabalho e à participação social. Pois, aos sãos, a esmola e a mera aposta só viciam o cidadão!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Charge da semana

Sinfrônio - Diário do Nordeste (CE)

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Frase do dia
"Não quero tirar a responsabilidade de qualquer membro do governo ou do PT que se envolveu em esquemas criminosos, mas agora está provado que o DNA do mensalão é tucano."

Do deputado petista Paulo Pimenta (RS)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Meu Pai -  Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Pai,

O tempo está voando,
Noventa são os seus anos,
Mas sua alegria é 10.
Essa sua energia,
Certamente é a magia,
A movimentar os seus pés.

Agradeço ao criador
Essa dádiva divina.
Tenho um pai especial,
E por ele muita estima,
Ainda peço-lhe a benção,
Como fazia em menina.

Aquelas surras que um dia,
Por merecer eu levei,
Não "se avexe",
pai querido,
esse caso eu abafei,
mas p'ra falar a verdade?
Naquele tempo doeu.

Hoje eu vivo distante,
e tenho muitas saudades,
mas sempre que posso volto,
a nossa velha cidade,
para abraçar o meu pai,
que é minha felicidade.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Frase do dia
"Não concebo o funcionamento de qualquer Parlamento, de qualquer casa legislativa, de forma secreta, como se estivesse a lidar com coisas ligadas a seita, e não com algo que interessa sobremaneira aos cidadãos em geral."

Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Histórias de Tia Isa - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Hoje dia nacional do livro infantil bateu forte em meu peito, as saudades, do interior, das calçadas, dos alpendres, e da maior contadora de história, patrimônio cultural, da cidade de Ipueiras, minha tia: Isa Catunda de PinhoNascida e criada na Cidade de Ipueiras, em 13 de maio de 1911, carrega hoje, uma imensa bagagem, de quem nas páginas dos livros viajou o mundo inteiro.

Essa viagem cultural, era pouco para ela, queria muito mais, e feito uma fada com seus pozinhos mágicos ela conseguia repassar esse mundo encantado, das lendas, dos contos de fadas, a meninada, que hipnotizada com as mágicas palavras, faziam rodas e mais rodas para escutarem as fantásticas histórias da Tia Isa.

Se Hans Christian Andersen encantou o mundo com suas maravilhosas histórias como: "O Patinho Feio", "A Pequena Sereia" e "O Soldadinho de Chumbo", seguindo o mesmo exemplo, nos encantou Monteiro Lobato, criador da literatura infantil no Brasil com suas histórias genuinamente brasileiras, entre elas "O Pica-Pau Amarelo", "O Saci", "Reinações de Narizinho", "O Marquês de Rabicó", Minha tia Isa não deixou por menos, encantando gerações e mais gerações com a magia de suas histórias. Como: "O Gato De Botas", "Moura Torta", "Gata Borralheira" e tantas outrasNunca pude esquecer a história da madrasta que enterrou duas crianças vivas, num jardim. Tinha uma parte que era contada em versos e dizia assim: Jardineiro do meu pai/ não me corte meus cabelos/ minha mãe me penteou/ minha madrasta me enterrou/ pelo figo da figueira/ que o passarinho beliscou.

Hoje tia Isa tem seus 96 anos, de uma lucidez, invejável, ainda ler, e ainda conta velhas histórias. Adora ampliar seus conhecimentos lendo novas histórias. Seu presente preferido é um bom livro.

Sempre tive o sonho de ter uma biblioteca em Ipueiras, há anos guardo livros, e se um dia eu chegar a realizar esse sonho. A biblioteca receberá o nome De minha tia. Muito dos livros que tenho, são repassados por ela.Além de ter uma profunda admiração, por essa mulher, tenho uma imensa gratidão pois um bom leitor se faz em criança.

O professor por vocação, traz em sua bagagem o dom de encantar, mas esse encantamento é uma conquista de poucos, e minha tia não ocupou apenas uma cadeira, ocupa até hoje, o coração de seus alunos, que para ela não eram apenas um numero tinha nome e endereço.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Frase do dia
"Se a Polícia Federal tiver uma prova robusta, não tem pressão política que consiga debilitá-la. (...) Pressão política se rebate com rigor técnico e profissionalismo."

Luiz Fernando Corrêa, novo diretor-geral da Polícia Federal

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Meu pai amado - Por Beto Costa / Rio de Janeiro
Há três meses tenho acordado uma hora e meia antes do despertador para limpar a varanda. Tem sido assim desde que adquiri um cãozinho da raça beagle, conhecida por ser ativa, curiosa e muito arteira. Foi inspirado nesse canino que Charles M. Schulzé criou, em 1950, o famoso personagem Snoopy. Desde então, as tiras impressas desse divertido personagem foram ganhando espaço e hoje contam com 355 milhões de leitores por dia em 75 países, totalizando 2.600 jornais. Os desenhos animados são assistidos por 6,6 milhões de telespectadores apenas no canal pago, Nickelodeon, nos Estados Unidos. Isso sem mencionar os acessos ao site oficial, que recebe uma média de dois milhões de visitas diárias.

Com esse sucesso estrondoso, o nome do meu animal de estimação não poderia ser outro a não ser Snoppy. Além de brincalhão e muito carinhoso, uma outra carcterística me chama muita atenção: a sua devoção. Ele pode estar brincando com o pano que tanto gosta, mordendo e jogando de um lado a outro, que pára tudo ao me ver. Ele pode estar comendo, mas basta ouvir o barulho do portão que pára tudo e vem balançando o rabinho para me recepcionar, esquecendo até da fome.

E assim como na ficção, em que o cão é mais esperto do que o dono, o meu Snoopy, com infinito carinho, me ensinou uma coisa muito importante e que muitas vezes passa despercebido.

Naquela tarde, ao fazer carinho na cabeça dele, refleti sobre algumas situações para as quais por egoísmo não dou a merecida importância... Quantas vezes largo o trabalho que trago para casa para dar atenção aos meus filhos? Quantas vezes abandono o cansaço de um dia exaustivo para planejar com calma a viagem das férias? Quantas vezes deixo de lado a pelada de fim de semana para passear com a família? Quantas vezes desligo a televisão para ouvir como foi o dia da minha esposa? Quantas vezes reservo um tempo exclusivamente para agradecer a Deus por tudo?

Nesse domingo será comemorado o dia dos pais, então percebi que no auge dos meus 29 anos de idade não me lembro quando falei - se é que falei alguma vez - eu te amo ao meu coroa. O presente eu já havia comprado: um DVD de bang-bang do John Wayne e um CD de chorinho. Mas será que isso é o bastante? Foi quando decidi escrever uma mensagem. E talvez tenha sido a primeira vez que eu tenha sido verdadeiramente porta-voz do meu coração.

Beto Costa é jornalista