quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O povo a vaiar o sol - Por Marcondes Rosa / Fortaleza
De início, a irreverência incontida dos cariocas, na abertura dos Jogos Panamericanos, a vaiar o presidente Lula, em seu repisado narcisismo do "nunca na história deste País"... Depois, a tragédia do air bus da Tam, em Congonhas, a nos pôr abaixo o narcisismo do apagão aéreo como "prosperidade", decantada sob o lema do "goze e relaxe"...

Súbito, o crescente "não dá mais p'ra segurar", em seu ingênuo "lirismo (...) com manifestação de apreço" aos tempos de agora, a explodir, entre o povo, na reação do "estamos cansados" e do "saco cheio", do Oiapoque ao Chuí...

Cá entre nós, ao sul do equador - onde crescimento econômico, desde Celso Furtado, tentava se metamorfosear em sustentável desenvolvimento, pelas laboriosas vias da agricultura e da indústria -, nem mesmo a decantada segurança das bolsas nos calaria. Por trás da digna intenção, de franciscana raiz da ecclesia lascatorum, deixava escapar sinais do clientelismo governamental e dos grupos econômicos a "viciar o cidadão", em meio ao crime e à prostituição até.

Na terra de santa cruz, o "mau desenvolvimento" terminou por acentuar o crime, que, no Ceará, aguarda "ronda chic" a reprimi-lo. Isso, justo onde o governo, cobrado, decai em sã humildade, auto-reprovando-se com nota baixa...

Felizes esses irônicos tempos de vaias, arrogâncias e narcisismos ao chão! Infantes com lápis e borracha à mão, em aulas de caligrafia, refazemos afinal os borrões de nossa histórica vida política, tentando passar a limpo "este País". Que seja assim, do Planalto Central, ao Nordeste e Fortaleza. Sobretudo desta, que, narcísea, proclama-se "bela". É bom não esquecermos que nosso povo, como outrora, pode repetir cena histórica: vaiar, em plena Praça do Ferreira, o astro-rei, que, na dita "terra do sol", um dia, tardou pelo esperado amanhecer...

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Frase da semana
"O precedente de mudar a regra do jogo para ficar mais tempo no poder é da atual oposição. Tomara que agora PSDB e DEM parem de ver fantasmas no fato de Lula ser popular."

Do líder da bancada do PT na Câmara, Luiz Sérgio, sobre Lula ter dito que não disputará um terceiro mandato

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Do barro do chão - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
"Cansei". Esses, os "braços cruzados" de crítica a se alastrar pelo país a nossos políticos, no piquenique de seus pessoais interesses, sob a sombra dos pés de murici. Partidos, a se repensar. E, com tal intuito, convite para a abertura de vias novas à "social-democracia brasileira".

Volto a 1984, a ouvir, retornado ao País, Celso Furtado , a nos falar de sustentável desenvolvimento para o Nordeste e o País, a unir toda uma geração num "projeto de mudanças", passos da social democracia brasileira, aqui a nascer "do barro do chão".

Novo século e milênio! Lembro-me do embaixador Jadiel de Oliveira, na Fiec, a nos falar do "socialismo do Séc. XXI", a brotar no oriente, onde, pragmáticos, os direitos sociais precediam os políticos. Modelo para o Brasil, possível se a partir do Ceará, "onde o sol libertário sempre nasce mais cedo"...

O Brasil vive agora o fugaz pregão das bolsas - a do mercado e a do bolsa-família, desatento à história e amanhã seus. Em nossa democracia, julgamos, críticos, nossa política, o bode-expiatório de nosso fracasso histórico. Tempo de mudar tal quadro. Ver a democracia como o multicultural diálogo de uma sociedade em seus direitos, sob a feição do verbo pelos intelectuais, a ação pelos gestores e o tato pelos políticos.

Oásis, o sugestivo nome do hotel onde transporemos a aridez de nosso deserto político, neste 27 de agosto. A calhar, se, de volta, trouxermos o otimismo de Celso Furtado , em sua cinebiografia "O longo amanhecer", por entre os ciclos políticos e a dialética de riquezas e limitações, rumo ao sustentável desenvolvimento, a se embasar no trabalho.

E a humildade que, a nós, então "nova geração", nos deixava ele em 1984: "que ela aprenda, com nossos erros, a restabelecer a fé no futuro deste País, que, aparentemente, se desgastou muito".

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Frase do dia
"Eu creio em Chávez. Sou chavista. E odeio tudo que venha dos Estados Unidos."

Maradona, em visita a Caracas

sábado, 18 de agosto de 2007

O Latente preconceito - Por Bérgson Frota / Fortaleza
No curso de Filosofia, precisamente no terceiro semestre, aconteceu um fato triste, não sei se desencadeado pelo meu nome somado a forma apaixonante do tema que escolhi e expus.

Como chefe de equipe, fiz então uma longa explanação sobre o nascimento e perseguição do povo hebreu, citando nomes de destaque nas ciências, política e literatura, e como um lapso, inconsciente, devo relatar só depois me dado conta, omiti a figura de Cristo, ao mesmo tempo em que falei do grande legislador Moisés.

O fato é que notei certa mudança no tratamento a mim reservado a partir de então pela mestra. Antes atenciosa passou a ser alguém distante a meus questionamentos, coisa que pouco me fazia entender o porquê da atitude.

Passaram-se várias semanas e um dia, ainda no pátio, antes de entrarmos em sala de aula, acerquei-me dela e fiz-lhe uma pergunta. Ela disparou quase me fuzilando com os olhos.

-Você é judeu ?

Fiquei sem ter chão para pisar.

-Não, sou católico, sou de uma família católica praticante.

Ela me olhou como se tivesse tirado uma tonelada de cima de si, e notei seu olhar mudado em minha direção.

-Então por que defende tanto os judeus?

Aquilo era demais, estava lá, latente o preconceito.

Perdi-me, falei que explanei meu ponto de vista e o da equipe, assim como defenderia se fosse a exploração do povo negro ou indígena.

Depois daquela pequena conversa tudo voltou ao "normal", para ela, quanto a mim, enchi-me de pena ao ver numa docente de universidade, a estreiteza do sentimento humano tão arraigado numa criatura.

Na UECE o curso de filosofia prosseguiu.

E muito tempo depois de formar-me, lembrei deste triste fato, que relato não para divulgar o papel de "vítima inocente" o qual passei, mas como uma denúncia ao mais nocivo preconceito que nos prende e rebaixa sempre que nos quedamos em estreitas definições de respeito ao ser humano. *PC*

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Charge da semana


Humberto - Jornal do Commercio (PE)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Frase do dia
"Antigamente quando os Estados Unidos davam um espirro a economia brasileira tinha uma pneumonia e agora eles podem espirrar que nada acontece."

Lula, em entrevista ao SBT em 2/8/2006

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O buraco da Bala - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Essa é mais uma das muitas histórias do folclore ipueirense.Afirmo e confirmo que muitas vezes a caminho das Barreiras, onde meu pai possuía terras, passei e parei para ver o tal buraco da bala junto aos meus irmãos. Buraco esse, que aguçava a minha curiosidade de menina e acompanhou-me até os dias de hoje.

O famoso buraco era a prova viva de um assassinato e de uma promessa de vingança cumprida e costumeira nos antigos sertões nordestinos.

Desde sempre tive interesse em esmiuçar essa história que virou lenda em Ipueiras, o buraco que resiste a ação do tempo, e permanece aberto para quem quiser confirmar a veracidade, ou não,da história.

Tudo começou quando mataram um membro da família Leite.O assassino foi preso, porém, depois de certo tempo ganhou permissão para passar os domingos em casa, voltando antes do anoitecer para dormir na cadeia.Os irmãos da vítima inconformados com o crime, juraram vingança e prepararam uma emboscada para pegar o assassino.

O cenário do acontecimento era o cemitério e redondezas, no dia da perseguição foi um corre-corre danado, bala de revolver para todos os lados, mas nenhuma acertava o criminoso que se esquivava entre túmulos e cruzes.

Também corria um boato que o criminoso tinha o corpo fechado e uma bala comum jamais alcançaria seu corpo. Sabendo disso, um sujeito da família dos Militão trouxe uma espingarda lazarina com uma bala de ouro e entregou um dos irmãos do finado para dar continuidade a perseguição, enquanto isso, o perseguido pulou o muro do cemitério e correu o mais que pode, em vão, pois logo foi atingido pela bala de ouro da lazarina que atravessou o seu corpo e pipocou no chão abrindo um buraco que jamais se fecharia denunciando para sempre o lugar do crime.

Dizem que o assassinado mesmo atingido chegou a correr alguns metros até tombar perto de uma grota onde até hoje existe uma cruz.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará