terça-feira, 31 de julho de 2007

Frase do dia
"O que eu posso fazer, meu filho? Tudo que entra, sai. Tudo que sobe, desce. É a lei da física."

Brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, às vésperas de ser demitido

segunda-feira, 30 de julho de 2007

É tempo de férias - Por Bérgson Frota / Fortaleza
As férias foram e ainda continuam a ser um tempo de alegria, diversão e descobertas para estudantes de todas as épocas e idades.

Quando criança, em Ipueiras, não era diferente.

O inverno havia deixado açudes cheios e a vegetação, mesmo já começando a tornar-se verde-cinza, dava ao ambiente uma sensação de estação atípica, como se temperada.

Tomávamos longos banhos no açude da Cadeia, o maior e mais central. Percorríamos várias trilhas pelo leito seco, arenoso e sinuante do rio Jatobá, até descer ao Lamarão, o lugarejo mais distante na época.

No caminho cacimbas e poços, de onde ainda até se podia pegar com tarrafas e landuás as famosas piabas e alguns peixes grandes que haviam ficado presos pela rápida queda que sempre se dava no nível do rio.

Do meio dia em diante estávamos na praça, brincando com o vento seco e forte que cercado pelos morros, voltava-se para a cidade, varrendo ruas, levantando ondas de poeira e desfolhando pés de castanholas, fazendo balançar a copa das ainda remanescentes carnaubeiras e no céu rodar nossos papagaios.

Nas Crôas, região fértil próxima ao leito do rio, mas já distante da ponte, havia vários pés de manga. Era o "oásis das mangueiras", lugar que costumávamos ir e arriscarmos-nos, subindo nos mais altos e finos galhos, porém os mais carregados, para tirar os cachos de manga, em sua maior parte, ainda verdes.

Não raro caía um, dois ou três, e lá íamos nós ajudar. Alguns passavam o restante do mês a se recuperar de uma perna ou braço fraturado, mas das tais quedas, nunca houve morte a se registrar.

Quando chegava à noite, tinha o parque, sempre a ocupar terrenos baldios, mas ainda dentro da cidade.

Desfrutávamos nós, garotos, da animação. Nos acercando de vendedores de pipoca, picolés, pirulitos, estes sempre a serem levados em pranchas de madeira, algodão-doce e a famosa garapa de cana, feita na hora.

Era muito a desejar e pouco pra se gastar.

Tínhamos rodas-gigantes, balançadores, carrosséis e canoas que faziam e ainda fazem hoje a alegria da garotada.

Assim as noites de férias seguiam, com músicas, brincadeiras, risos e gargalhadas. No fundo, o contínuo e mecânico som dos aparelhos de diversão em movimento.

Restos eternos de tempos livres e despreocupados, tempos estes que nos fazem lembrar e sempre saudar como um dia antes fizemos, os tempos de férias, todos os que vivemos, e os que ainda vamos nos permitir viver.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

quinta-feira, 26 de julho de 2007

O encontro dos atores Kiefer Sutherland, Narjara Turetta e Pimentha Júnior  - Por Ana Gomes / Rio de Janeiro



O galã do seriado 24 horas, Kiefer Sutherland, encontrou os atores brasileiros Narjara Turetta e Pimentha Júnior durante sua rápida passagem pela cidade maravilhosa.
O trio distribuiu sorrisos e encantou a todos que viram a cena. Nosso blog não poderia deixar de publicar esse momento. Arrasou!!!

Ana Gomes é jornalista

terça-feira, 24 de julho de 2007

Olhar de Cristiane - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Na Web, lanço "Aspectos socioeconômicos do Ceará", de Cláudio Ferreira. Lima, para o Fórum Ceará. E, dos Inhamuns (Ce), chegam-nos de Cristiane Feitosa, contrapontos.

Liberdades políticas, fundamentais a construir, com emprego e renda, o desenvolvimento. Cristiane tem outro olhar: "Vivendo e trabalhando no interior (...) percebe-se que tal liberdade não existe. É pura utopia. Não há liberdade do povo e nem desenvolvimento". Relevante, diz Cláudio, o papel da educação na construção da democracia participativa, muito chão, no Ceará, por andarmos: "Do total, 603.522 são analfabetos e 1.598.126 têm o lo. Grau incompleto. Apenas 90.373 possuem superior completo". Contraponto: "(...) um dos interesses - seja ele municipal, estadual ou federal - de não haver investimento sério com a educação é formar os 'currais eleitorais' (...) mais fácil controlar o voto numa sociedade sem informação, que nos vem com a educação".

Cristiane é contra a "segurança protetora das bolsas": (...) leva à falta de mão-de-obra para trabalhos rurais (...) o trabalhador sabe que vai receber sem esforço algum... (...) "pai aposentado, mãe e cinco filhos maiores, ninguém trabalha mais (...) Vivem todos da aposentadoria do patriarca" (...) "Os filhos homens vivem na cachaça e partem para os assaltos (...) "A marginalidade, o alcoolismo e a prostituição estão aumentando". E conclui: "(...) base de tudo, a educação" (...) a levar o homem do campo a ficar no campo". Tudo, sob o lema do "não lhe dê um peixe, ensine-o a pescar".

Chegam-nos avais a Cristiane. Um deles, o da profa. Maria Adélia de Sousa (USP), a propor "novo discurso político para o País": "Não há como refletir sobre o mundo novo, especialmente numa região pobre como o Nordeste brasileiro com as teorias, conceitos e significados do século XX".

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Poeta, poeta é Gerardo Mello Mourão - Por José Luis Araújo Lira / Fortaleza
Numa das idas e vindas da Nigéria ao Rio, na década de 1960, o então adido cultural do Brasil em Lagos (África), Antonio Olinto, encontrou seu dileto amigo Manuel Bandeira. Abraçando-o, Olinto exclamou: "Poeta!", a resposta foi imediata: "Poeta, poeta é Dante!"

Talvez o sonho de todo poeta é ser comparado à genialidade de Dante, com sua "Divina Comédia", ou do autor de "Os Lusíadas", Luís de Camões. É voz corrente no meio literário que ambos alcançaram a perfeição poética.

Nos anos 1930, numa praça de Buenos Ayres, os jovens poetas Efraim Tomás Bó, Godofredo Iommi, Raul Young (argentinos), Abdias Nascimento e Gerardo Mello Mourão (brasileiros), fundaram a Santa Hermandad de la Orquídea. Amantes da musa e da aventura de descobrir o mundo, os poetas queimaram tudo o que haviam escrito até então e a irmandade tinha um único lema: "Ou Dante ou nada".

O tempo passou. Cada poeta seguiu seu caminho, mas, nunca esqueceram o pacto feito. Aclamado o grande poeta do Brasil, Carlos Drummond de Andrade afirmou, em certa ocasião, "algumas pessoas pensam que sou o grande poeta do Brasil... o grande poeta do Brasil é o Gerardo Mello Mourão. E digo 'o' Gerardo, como se diz 'o' Dante".

Não só Drummond, mas, a crítica especializada aclamou Mello Mourão e o aplaudiu, considerando-o novo Dante e novo Camões. Seu livro "Invenção do Mar", só tem um parente próximo: "Os Lusíadas", de Luís de Camões.

Das muitas frases que guardei do imortal Antonio Olinto, grande crítico literário e imortal da Academia Brasileira de Letras, por ocasião do lançamento de meu livro "A Saga de Gerardo: um Mello Mourão", em abril último em Fortaleza, biografia que depois foi lançada com sucesso no Senado Federal, em Brasília, uma ficou em minha memória, muitas outras ficaram no coração, em face do que o imortal disse a meu respeito e do trabalho que ousei apresentar.

Palestrando para os alunos do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, o imortal, parabenizando-nos por termos em Gerardo nosso ilustre conterrâneo, orientou-nos: quando vos disserem, poeta, respondam: poeta é Gerardo Mello Mourão, parafraseando o mestre Bandeira. Dia seguinte, ao chegarmos a Ipueiras, Olinto disse: "Ipueiras, aqui nasceu a poesia". É a prova de que Mello Mourão conseguiu o que pactuou com os colegas, se tornou Dante.

Matéria publicada originalmente no jornal Expresso do Norte, Sobral-Ce.

José Luís Lira, advogado e presidente da Academia Brasileira de Hagiologia

sexta-feira, 6 de julho de 2007