quinta-feira, 31 de maio de 2007

Tô vendo tudo - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Repisei artigos, feitos bordões, em prol dos sofridos docentes. Mas desses, só: "tô vendo tudo (...), mas fico calado, faz de conta que estou mudo"; "apreço ao diretor"; "tempos de murici: cada um cuide de si".

Nisso, a Anpae, em seus 25 anos, aqui sedia encontro nacional em busca de "pedagogia da convivência", entre os agentes sociais de nossa educação: famílias, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, manifestações culturais (LDB). E elege-nos amigos - ícones em abraço na cadeia histórica em busca de horizonte mais largo em tal convivência, dando voz, por nós, mais franca e jovial (77 anos), a Adísia Sá.

Artigo de Walter Garcia, "Enfim, temos Fundeb", daria o tom de tal busca. Nem tanto a "euforia governamental e de alguns educadores ao feito maior destes 20 últimos anos", nem o desânimo pela "situação extremamente desconfortável": o País "abaixo do 60º lugar", em qualidade. O artigo, pelo apelo ao táctil das cifras e a contenção de grotescos just in times, mostra-nos um alcançável amanhã, na contra-mão dos ora fabulados à sombra da(o)s mangabeiras, para um futuro "quando todos estivermos mortos" (Keynes).

Ao abrir o encontro, Maria Luíza Leite Barbosa envolve-nos nessa "pedagogia da convivência", ao repensar escolas e necessidades sociais de agora. Escolas que, por si sós, não fecham prisões, já que hoje abrigam gangues (nas periferias) e tribos (entre as elites) até.

Na saída, sondam-me sobre o affaire "ronda de quarteirão e uso dos símbolos" (farda e veículos). Falo do poder do simbólico para o imaginário do povo. Sim, dar um banho estético, em nossas indignas e feias escolas. Salários dignos a retirar, desse imaginário, o velho fusca com o "hei de vencer, mesmo professor", no pára-choque. E esperar que se irrigue de crédito a oca retórica dos governantes.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Frase do dia
"Se não houver investigação séria, a imagem do Senado vai para o ralo. Simplesmente arquivar a representação será um desastre."

Do senador Jefferson Péres (PDT-AM) sobre o pedido do PSOL para que o Conselho de Ética do Senado investigue Renan Calheiros (PMDB-AL)

terça-feira, 29 de maio de 2007

A Matriz de São Gonçalo - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Celebra-se em 2007, os 250 anos de fundação da freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, atual Matriz de São Gonçalo, distrito de Ipueiras.

Possuindo uma história rica e mais antiga que a da sede do município, foi uma das quatro primeiras freguesias a serem criadas no Ceará.

Sua fundação data de 30 de agosto de 1757, por provisão do bispo de Pernambuco, Dom Francisco Xavier Aranha e durante 126 anos foi o maior centro da religiosidade na região.

Enquanto freguesia recebeu quatorze vigários, alguns dos quais permaneceram por mais de trinta anos. Devido a sua importância religiosa, jesuítas perseguidos nela se refugiaram, e intentaram construir um convento próximo, ficando porém só nos alicerces, ainda hoje vistos.

A extinção da freguesia deu-se em 27 de outubro de 1883, ano em que Ipueiras tornou-se município.

A história e o patrimônio deste renomado distrito, representado pela bela capela de estilo barroco tardio, de grossas paredes e altar singular, obra do século XVIII, são a prova física e palpável do esmero com que ainda hoje são conservados, festejados e mantidos os ritos de devoção e fé ao venerado padroeiro.

A Matriz de São Gonçalo situa-se na região oeste do município, sobre a serra da Ibiapaba, e dista 18 km da sede, sendo dos distritos de Ipueiras, um dos mais bem assistidos e o mais visitado.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Frase do dia
"Lula fez como são Francisco de Assis, que ficou célebre na história ao beijar os hansenianos. Ele [Lula] fez o que Jesus Cristo também faria, amar um irmão mais desamparado."

Dom Cláudio Hummes

sexta-feira, 25 de maio de 2007

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A extensão da minha personalidade - Por Beto Costa / Rio de Janeiro


Há algum tempo venho imaginando algo que transmita uma onda de sentimentos, pensamentos e sensações que as palavras não conseguem emitir. Digo isso por experiência própria. Já conto três meses sempre acordando no meio da noite. Impaciente, o papel e a caneta se mostram avessos a minha necessidade. Admito ter havido momentos em que me assustei com o imprevisível de algumas frases. Contudo, não era o bastante.

Quem leria o pensamento de mais um da multidão?

Procuro algo que desafie qualquer tipo de lógica. Sei lá! Talvez, um recorte espaço temporal através de uma fascinante narração interpretativa de quem a vê. De certa forma as minhas idéias começam a ter forma.

De frente ao espelho vejo o que todo mundo vê. Um cara que adora viver e que ainda acredita muito nas pessoas. Contudo, eu quero mais! No piscar dos olhos nasce a idéia. Claro! Como não pensei nisso antes? A minha pele branca pode ser um mágico fragmento da realidade. Por que não ousar? Eu quero poder provocar. Mas será que consigo elucidar o factual que não envelhece?

Pobreza, injustiça social, cultura, sonho... A minha cabeça pesa! As idéias embaralhadas me deixam tonto. Respiro fundo. Deparo-me com o meu desejo. Olhos nos olhos, sinto o seu anseio. Conquisto a certeza de personificar a minha voz.

Tomo coragem. Ao entardecer irei me tatuar. O próximo passo é escolher o que fazer. Seja lá o que for, tem que ser algo cujo significado não seja mutável com o tempo. Eu quero que o analfabeto ao meu idioma me entenda.

Não encontro nada! Não quero um desenho de dragão. Nada contra. Sei que simboliza sabedoria. Mas não tem nada a ver comigo. O desenho não pode me trazer arrependimento, e sim ser motivo de orgulho. Quero exibi-lo sem nenhum constrangimento.

A hora de ter uma estigma na minha pele se aproxima e ainda não encontrei o que tatuar. Nossa! A decisão do que escolher está sendo mais difícil do que responder sim ao padre no dia do meu fatídico casamento.

Historicamente, acredita-se que a tatuagem significava coragem ao guerreiro.
Ela também era usada para marcar os momentos da vida, tais como o nascimento e a adolescência. Além de evocar uma proteção ao sobrenatural. A ansiedade me apressa. Mas não quero me entregar a nenhuma ilusão momentânea. A escolha do desenho é muito importante!

Pronto! Já sei. Pego o telefone e pergunto ao amigo de futebol onde ele fez a sua tatuagem. Fazendo questão de me alertar quanto à escolha do estúdio, disse que esse deveria adotar medidas de proteção sanitária contra a propagação de doenças infecto-contagiosas, toxicidade aguda e crônica de pigmentos, dentre outros cuidados.Endereço anotado, pego o primeiro ônibus em direção ao centro da cidade. Pra ser sincero, até hoje não entendi o por quê de tanta pressa.

Talvez fosse por saber que ontem é história. O amanhã é um mistério. E hoje é uma dádiva.Cheguei com o desenho na mão. Assustei-me com o preço. Mas tudo bem! Tudo pela arte... Voltei para casa satisfeito. Algo em mim havia mudado. Parecia que eu estava mais forte.

Eu desconhecia aquele tipo de prazer.Sei que muitos não entendem a rosa deitada no meio do tabuleiro de xadrez desenhada nas minhas costas. Mas lembra-se? Eu queria apenas provocar. Instigar a imaginação, já que muitas vezes o corre-corre dos dias de irreflexão nos faz fechar os olhos.E, antes que você me pergunte se me arrependi, digo-lhe que nunca me arrependi por ter ousado falar ao mundo que todos os meus dias serão dias felizes.

Beto Costa é jornalista

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Parte Pedro Aragão - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Ipueiras acordou mais triste...

Depois de uma queda, e alguns dias de hospital, morre Pedro Aragão. E assim, Ipueiras vai ficando órfã dos filhos que ajudaram a construir a cidade e marcaram sua história.

O povo de Ipueiras por muito tempo se lembrará, daquele homem elegante, de panos passado, com a carteira embaixo do braço, passando todo santo dia, para seu comércio, mesmo quando o comércio já não mais existia.

Quem pensa que ele não viveu, por não ter feito grandes viagens, se engana. Ele viveu, sim, do seu jeito. Era um dançador de primeira, junto com os sobrinhos freqüentavas festas e forrós, no interior da cidade e vizinhanças fazendo o ele gostava.

Meu olhar de criança, sempre se encantou com o castelo do seu Pedro. A casa de altos e baixos, denunciava a riqueza comentada. Sempre se ouvia: Pedro Aragão é o homem mais rico de Ipueiras. E era sim, rico em simpatia, elegância sem o pedantismo de muitos, e logicamente em dinheiro. Seu nome sempre foi sinônimo de riqueza.

A casa era, antigamente, cercada de uma amurada baixinha. Hoje um muro alto esconde um pouco da beleza do casarão. Ali era o lugar predileto dos namorados. Quem do passado não levou uns amassos na "muradinha" do Pedro Aragão?

As histórias de Pedro Aragão, são muitas:

Contam que certa vez o marido de sua filha adotiva, que era agregado a casa, muito gordo, sentado à mesa na hora do almoço comentou:

- Não sei o que é que faço para emagrecer...seu Pedro no ato respondeu:

- É só comer as suas custas. E como essa são muitas.

Ele sofria de uma sinceridade crônica. Deixou tantas histórias que certa mente serão lembradas por muitas gerações.

Ipueiras inevitavelmente, hoje, fica mais pobre, pois perde um filho que ao longo dos anos enriqueceu sua história.

A dona Dolores, Carlos, Dolores Maria e demais familiares, meus mais sinceros sentimentos

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
Ipueiras está de luto, Pedro Aragão - A História de um vencedor - Por Carlos Moreira /Ipueiras


Pedro Martins Aragão

Morreu nesta manhã de quarta-feira, 23 de Maio, em Crateús, no Hospital São Lucas, Pedro Martins Aragão. Nascido aos 8 de Abril de 1917, foi nomeado, aos 28 anos, prefeito de Ipueiras, iniciando a partir de então sua carreira política.

Seu pai, Raimundo Ximenes Aragão, incentivou-o no ramo comercial, o que o fez comprar uma mercearia, em 1935. A partir de então, desenvolveu a atividade comercial, chegando a instalar duas filiais de sua loja, sendo uma em Ipu, outra em Hidrolândia.

Foi durante a sua primeira passagem pela chefia do Executivo municipal que Ipueiras teve suas principais ruas dotadas de calçamento e iluminadas a partir de um complexo gerador adquirido em 1948 e que alimentou a sede municipal com energia elétrica até o advento da energia de Paulo Afonso, introduzida no município em 1966 pelo então governador Virgílio Távora.

Em 1949, conseguiu recursos da ordem de Cr$ 5 mil para a construção da ponte que liga a sede municipal ao bairro da estação ferroviária, inaugurada em 1950 por Raimundo Mourão e Melo, presidente da Câmara e prefeito por um período de mais de seis meses, em função do seu afastamento em benefício da candidatura do sogro.

Era casado com d. Maria Dolores Aragão, dividia o tempo entre sua casa e o seu estabelecimento comercial, onde era encontrado todos os dias, sempre disposto a um bom papo sobre a memória política da cidade de que também fez parte. Seu filho, o médico Carlos Matos Aragão, deu-lhe filhos, netos e bisnetos.

Aqui fica publicada a homenagem do blog PRIMEIRA COLUNA a este filho ilustre. Pedro Martins Aragão.

Frase do dia
"Meu Deus do céu, não se faz psicotécnico para entrar no Senado?"

De Hugoagogo, leitor do blog, a respeito da idéia do senador Wellington Salgado (PMDB-MG) de reconstituir o acidente com o boeing da Gol

terça-feira, 22 de maio de 2007

Explode, coração! - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
"Chega de tentar, dissimular (...) "o que não dá mais p'ra ocultar". Nós, em educação, "entre os últimos do mundo"!

Bordões, antes ocos, ora se enchem de crédito. "Não basta!", diz Buarque, sobre os planos do MEC. "Chega de promessas vazias e discursos divorciados da ação" (ex-reitor Antônio Albuquerque, da UFC).

O professor, "vigilante em seu aperfeiçoamento", diz-nos Evani ldo Bechara, "apesar de toda sorte e desamparo", aí está a mostrar sinais de "inquietude e desilusão", fugindo para "ocupações de salários menos vis", ante soluções que tardam "mais do que é possível suportar".

Ao "poder da caneta", os docentes pedem tom mais "pão, pão; queijo, queijo", ao expressar suas dores: "palhaços de alunos", hoje, na escola privada; clientes a lhes exigir distorcido produto - o diploma, estelionatário cheque-sem-fundo. Professor, "jumento de verdureiro", porta a porta, por entre violências de tribos e gangues, em busca do suado pão nosso. Todos já fartos "do lirismo bem comportado" e "funcionário público" dos sindicatos, "com manifestação de apreço a seu diretor" ( Bandeira ).

No Piauí, eleito melhor escola no País, o discreto Dom Barreto , Por terra, o enganoso marketing dos primeiros lugares. Portos, postos ao chão: profissional, cidadão e pessoa (CF) ou os mundos do trabalho e da prática social (LDB), inerte o Ministério Público.

Volto a palestra, na FIEC , em 1997, do Embaixador do Brasil na Indonésia, trazido por Albuquerque (no Sebrae), a falar do novo, nos quatro cantos do mundo e a nascer, pragmático, com os direitos sociais a anteceder os políticos. Modelo para o Brasil? Sim, mas para lugares como o Ceará, onde o libertário sol sempre nasceu mais cedo!

Como Gonzaguinha, "quero sentir a dor dessa manhã nascendo" (...) "Não dá mais p'ra segurar, explode coração"!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Frase do dia
"Apurou-se ainda que Silas Rondeau recebeu, por meio de Ivo Almeida Costa, a quantia de R$ 100 mil, entregue por Maria de Fátima, uma vez que teria destinado recursos oriundos do PAC para convênio que beneficiaria a construtora Gautama."

Relatório da Polícia Federal que envolve o ministro com a quadrilha da Gautama

sexta-feira, 18 de maio de 2007

quinta-feira, 17 de maio de 2007

O astuto cirurgião - Por Luiz Alpiano Viana / Brasilia
Leonel era um ipueirense que morava no Vamos Ver à margem da linha férrea, quase no Vídeo. Conheci-o ainda novo e casado. Tinha uma família de vários filhos adolescentes e adultos. Trabalhador e incansável lutador pelo pão nosso de cada dia, não era diferente dos demais donos de casa. Vivia de pequenos negócios, comprando e revendendo o que chegasse ao seu alcance: como relógio, espingarda, cavalo, jumento, cela de montaria, bicicleta e outros. Logo cedo, a fama de bom vendedor e comprador espalhou-se entre amigos e conhecidos de sua área de atuação. Por causa disso não demorou a ser procurado pelos ciganos que periodicamente acampavam nos arredores da cidade. O chefe da turma conheceu-o num sábado, dia consagrado à compra e à venda de mercadoria, principalmente alimentos vindos da zona rural. A amizade se enraizou tão bem que ele cedeu parte de sua pequena propriedade para acampamento dos nômades, conhecidos por todos como ciganos. Os ciganos tinham muito respeito por ele e o obedeciam como grande chefe e amigo.

Finalmente tornou-se rotina aquele vai-e-vem periódico de cigano no bairro do Vamos Ver. A maioria dos moradores não aprovava a permanência deles na cidade, por causa de pequenos roubos que lhes eram atribuídos.

Experiente em negócio das mais variadas espécies, preparou Leonel um presente de grego para seus hóspedes. Adquiriu ele, não se sabe onde, um cavalo com todas as características do gosto dos ciganos, mas era bicó. Passou meses tratando o cavalo, engordou-o, ficou uma beleza! O problema que lhe tirava o sono, e quase sem solução, estava no rabo do animal. Cigano não compra animal sem rabo. Ele conhecia isso muito bem, pois vivia no meio deles há muito tempo. Não era possível vender aquele cavalo aos ciganos.

Sabe-se mesmo que todo problema tem solução! Ao descobrir que o trem tinha pegado um cavalo para os lados do Vídeo, foi às pressas ao local e antes que os urubus chegassem, colheu a calda e a preparou para um pequeno implante. Depois de algum tempo cuidando do rabo do cavalo morto, o astuto cirurgião concluiu a operação. Implantou uma calda nova no cavalo suro e o manteve num estábulo especial, tratando-o com biscoito e água fria, à espera de um comprador.

Não demorou muito a turma de cigano acampa mais uma vez na propriedade de seu cicerone. Mais ou menos duzentas pessoas entre homens, mulheres, crianças, e muitos animais: cavalos, éguas, jumentos, cães e gatos. No dia seguinte, sábado, muito cedo, a ciganada dirige-se à feira, com o intuito de novos negócios, porque é disso que vivem e sempre com má fé. Leonel e sua peça rara chegaram mais cedo ao local feireiro. Aparentemente desinteressado ele desfila montado num majestoso cavalo que chama a atenção dos apaixonados por eqüino. Parecia até aqueles cavalos de biga. Logo os chefes da aldeia o cercam e o atubibam para negociá-lo. Ficam encantados; na troca oferecem relógios, revólveres, aparelhos de som e quantia certa em dinheiro, e até outro animal. O maquiavélico negociante reluta, dá um tempo, afasta-se um pouco dos ciganos e espera melhores propostas. Eles não desistem e o seguem. Finalmente aceita de última hora nova proposta e fecha negócio.

Sol a pino e sufocante, a feira começa a se esvaziar e todos tomam o caminho de volta para suas casas. Quem fez bons negócios, está feliz e quem fez mal, só lamenta. Os ciganos estão satisfeitos porque foram bem sucedidos e no meio de tantos negócios, compraram um lindo cavalo! Ao chegarem às barracas mostram-no aos companheiros. Cada um demonstra satisfação na compra. Montam-no, troteiam, puxam-no em círculo pelo cabresto. Arregaçam a boca do animal para ver os dentes, por fim usam todos os truques que conhecem para descobrirem defeito e não encontram nada.

Um ciganinho peralta, desnudo e sem maldade sai de uma das tendas, corre para montar a mais nova aquisição do pai. Eles, os pequenos ciganos, costumam montar, pisando no calcanhar do animal, e, apoiando-se na calda, dão um impulso e caem certeiros e estrategicamente na montaria, como fazem os índios guerreiros. Uma surpresa desagradabilíssima deixa-os atônitos. A calda, que levou horas numa meticulosa operação cirúrgica a Zerbini, descolou-se e o ciganinho foi ao chão. Todos correram para ver o que tinha realmente acontecido. Sem dúvida nenhuma Leonel os tinha enganado! Não acreditavam no que viam. Ele não pode ter feito isso, confabulou um dos comandantes em chefe. Vamos lá conversar com ele, disse outro. Seguiram-no, uns a pé e outros a cavalo, por um pequeno trecho de caminho que dava até a casa do mestre do engodo. Leonel ao avistá-los e sabendo o que tinha aprontado, arribou rápido numa égua que pastava no terreiro de casa. Assustado, ele cutucava de espora impiedosamente o vazio da besta. Em alta velocidade, olhava constantemente por sobre os ombros e batia forte, muito forte mesmo, o chicote. Os ciganos gritavam: Leonel... Leonel... Leonel... Nós não queremos desmanchar o negócio! Só queremos que nos ensine a botar rabo em cavalo!

Os ciganos ainda hoje comentam a forma como foram enganados. Leonel também não ensinou para ninguém o truque de como botar rabo em cavalo cotó!

Luiz Alpiano Viana, nascido e criado em Ipueiras, morou mais tarde em Crateús. Atualmente é funcionário aposentado do Banco do Brasil e mora da cidade de Sobradinho, no Distrito Federal.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Flor de Maio - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Flor de encanto e ternura,
Coragem da mãe de Jesus
Pelo bem de cada filho
Suporta o peso da cruz.

Flor que vira fera,
P'ra defender sua cria,
Muitas vezes desesperada,
Se apega a Virgem Maria.

Flor de palavras sábias,
Que minha vida conduz,
Do teu ventre abençoado
Vim ao mundo ver a luz.

Flor da qual eu sou fruto,
E que um dia me viu crescer,
Só depois de ter meus filhos,
Eu passei a lhe entender.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

terça-feira, 8 de maio de 2007

Frase do dia
"Neste país é pobre roubando pobre e pobre matando pobre. Isso é briga de vagabundo."

Antonio de Souza delegado titular do 46º DP responsável por apurar chacina em São Paulo

sexta-feira, 4 de maio de 2007

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Pan no Rio - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Desde 1997 o Comitê Olímpico Brasileiro cogitava entre grandes países realizar no Brasil O PAN 2007. Um evento de enorme força econômica e potencial competitivo como os Jogos Pan-Americanos. Aproximando-se do acontecimento, notamos a força que uma competição deste porte é capaz de ter em todas as camadas da sociedade quando vimos através a mídia, a enorme mobilização de crianças, jovens e adultos aclamando o Solzinho, mascote oficial do PAN 2007.

O que não percebemos é até onde foram as brigas de bastidores e a responsabilidade do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2007, envolvidos no esforço de acabar em dois anos as obras grandiosas em estádios e centro esportivos capacitados para receber os melhores atletas do mundo em suas modalidades.

O fato é que alguns brasileiros, entre eles, os próprios cariocas, da sociedade civil organizada aos políticos, constrangidos com o aumento da criminalidade, tentam calar a boca dos mais pessimistas provando que também têm estrutura e potencial urbano competitivo em contra-ponto àqueles que não quiseram apostar suas fichas na cidade maravilhosa.
Ao fim do evento, quando esperamos que tudo corra bem separa-se a vantagem política de alguns, o orgulho lavado no peito de outros e reservamos uma enorme imagem positiva de organização que abrirá portas maiores como as Olimpíadas.

Será uma excelente oportunidade de mostrar como somos educados, civilizados e campeões, além de mostrar a nossos filhos a importância do esporte na vida de um país que ainda briga para ter seu lugar reconhecido no mundo. Quanto maior nosso otimismo e participação maior será a percepção ao nosso redor quando o PAN, sair daqui para sua próxima estadia com uma cara mais verde e amarela do que nunca. *PC*

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Frase do dia
"Coisa de meio ambiente, vamos falar a verdade, até pouco tempo atrás era coisa de veado."

Do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho