segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Frase do dia
"Vá plantar batatas. Vá à merda."

Ricardo Berzoini (PT-SP), a uma pessoa que lhe perguntou na rua sobre o dossiê

sábado, 17 de fevereiro de 2007

O drama da Égua da Secretária - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Sou nordestina. Cearense, lá das Ipueiras. Moro no Rio de Janeiro há bastante tempo. Confesso que nunca chegou a me incomodar a diferença de cultura. Mas, de uns tempos para cá, o bicho pegou feio.

Imaginem! Tinha eu um telefone bem simples, que funcionava às mil maravilhas. Nunca me deu aporrinhações, a não ser uns poucos trotes, que respondi à altura.

Inventei de comprar um telefone moderno, com secretária, relógio, redial e tudo a que tinha direito. Tempos modernos... Render-me à tecnologia era o mínimo que eu poderia fazer.

Foi aí que começou o desatino. Empolgada, gravei logo duas mensagens, crente de que tava abafando. Quando me cansava de uma, substituía pela outra. Não sei qual das duas escutou mais desaforo.

Escute só o que minha própria família, sangue do meu sangue, teve coragem de fazer comigo.

Ligou-me mamãe... Não estando eu em casa, a secretária deu o ar da graça. O negócio foi feio. Não se entenderam mesmo, foi um tal de bater telefone, que só vendo.

Minha mãe, ofendidíssima, me liga em outro momento e, num misto de raiva e queixa, solta os bichos:

-Ooora Dalinha, eu liguei pra ti e uma cunhã sem-vergonha falou, falou, e depois bateu o telefone em minha cara. Onde já se viu?! E o pior é que eu acho que conheço aquela voz.

-Mãaaae, é a secretária!

Passou. Não demorou muito, nova encrenca, e tome desaforo. Meu irmão Tony... Achando-me depois de muitas tentativas.

-Dalinha, já liguei umas duzentas mil vezes e nunca te encontro. Eu tô pra mandar aquela tua secretária tomar no ...

-Ô Tony! Pelo amor de Deus, tenha dó!

Novas explicações! Diante de tanta incompreensão, resolvi dar férias a tal secretária, até que as coisas se acomodassem e a novidade fosse digerida.

Fim do descanso, retorno com a secretária.

Em pensamento, digo: Agora vai. Vai sim, no mesmo rumo... Dessa vez, papai... Queixa grande... E bote carão!

-Que diacho é isso, Dalinha? Ligo, ligo, ligo, toca, toca, toca e ninguém atende. Agora liguei e uma égua véia sem-vergonha me disse que tu não tava em casa. Onde é que nós estamos? Ainda por cima me deixa falando sozinho... Isso é um desrespeito.

-Ô papai, essa "égua véia" sou eu. Sou eu, pai!... Com Tony e papai me esmerando nas explicações, contornei a situação.E mamãe? Mulher sentida e de brios...

A história até hoje rende.

Ela diz que tem quase certeza que de que aquela voz era a minha, que nunca vai engolir essa desfeita e jura de pé junto, em tom de queixa, para os outros irmãos que lhe bati o telefone na cara. Durma, com um barulho desses!

Eu, pobre mortal, além de aturar os insultos da família, que mora no Nordeste, tenho que aturar também a gozação de filhos e marido carioca. Pense! *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

O Jipe Voador - Por Jean Kleber Mattos / Brasília
Estava com dezesseis anos quando, em 1962, retornei a Ipueiras. Oito anos haviam decorrido desde a partida em janeiro de 1953. Viajei de trem com minha mãe, D. Mundita, e a prima dela, Carlinda, professora de piano. Curta permanência. Apenas alguns dias. Hospedamo-nos na casa de meu padrinho, Costa Matos.

Lá, fui apresentado a um sobrinho da Alderí também adolescente e hóspede em férias. Bom companheiro. Em moda na TV da época, os espetáculos marciais: "Tele Catch". À tarde, para diversão das crianças, o Lalú e o Carlito, filhos do Costa Matos, simulávamos uma luta de boxe como na TV. Encarapitados nos berços e redes, os meninos divertiam-se com o "show". Volta e meia um golpe mais duro escapava. Pedidos de desculpas. Não lembro hoje o real nome do colega, pois Costa Matos, exímio em colocar apelidos, o chamava de “Galante”. Uma óbvia referência ao perfil de paquerador, com capricho no vestir e pentear que lhe compunham a figura. Localizei recentemente o Carlito, engenheiro de pesca Carlos Maria Moreira Costa Matos, Chefe de Gabinete do Ibama-Ceará. Lalú formou-se em medicina. É o Dr. José Cláver Moreira Costa Matos, famoso médico com destacada atuação em Fortaleza, no tratamento de vítimas de incêndio.

No roteiro de visitas, inevitável, os miraculados. A imagem milagrosa da Virgem de Fátima estivera em Ipueiras em 1953 e dois amigos nossos, o Vicente que era mudo e a mãe da Isa Catunda, antes quase cega pela catarata, haviam sido recompensados por sua fé e devoção. Incrível ver o Vicente falar. Emocionante ver a mãe da Isa enxergar. Visitamos também Tia Catarina que havia morado no Videl, e D. Augusta, professora, amiga de minha mãe.

De início, o social pareceu prejudicado por minha condição momentânea de esportista. Sócio atleta de natação do Clube dos Diários, eu somente permaneceria na equipe se atingisse a marca olímpica do clube nas provas que estavam por vir. Cuidava para não consumir álcool e dormir cedo, além de ser não fumante. Eu já percebera que a cerveja era por certo a grande atração da rapaziada naquela idade.

À noite íamos à praça principal encontrar as moças. Também comparecíamos às festas. Lá, encontraria meus primos Francisco e Manuelito. Lembro-me que o Carlito, observava uma das festas à janela do Paço da Prefeitura. Em dado momento, comunicou-me que estava indo para casa, dormir. Preparei-me para acompanhá-lo, pois tratava-se de uma criança. Ele recusou dizendo que andava a vontade em Ipueiras, a qualquer hora do dia ou da noite. Percebi então que a vivência em Fortaleza me fizera esquecer quão segura era a velha Ipueiras.

Algo me encantava de modo especial. A delicada beleza das moças. Hoje, passadas décadas, a memória alcança dois ou três nomes, se muito. Talvez porque a identificação se dava com mais ênfase no "filho de quem", que propriamente no nome de batismo. Assim, fazem eco em minha mente apenas os sobrenomes: Pinho, Catunda, Aragão, Mourão, Souza .... Enfim, os nomes das tradicionais famílias ipueirenses.

Em duas tardes, o ponto de encontro foi o Arco do Triunfo de N. S. de Fátima. Grupo misto. As moças comentavam sobre o ganho de indulgência a quem rezasse sob o arco. Lembraram-me de assumir uma atitude respeitosa no local. Padre Belarmino tinha especial zelo por aquele ambiente. Aviso desnecessário. Eu ainda estava impactado pelo encontro com os miraculados.

Numa tarde, alguns amigos convidaram-me para dar uma volta de jipe pela cidade. Findamos na pista de pouso, perto da estação de trem. O veículo era dirigido por Vavá, filho do Tim Mourão, ex-prefeito da cidade. Alguém falou que íamos levantar vôo. Fiquei curioso. De fato, o veículo partiu da cabeceira da pista. O motorista com o "pé embaixo". O ponteiro do velocímetro tremulava na marca dos cem. Os passageiros transpiravam adrenalina. Faziam sucesso na época os "pegas" automobilísticos dos filme "Juventude Transviada" protagonizado pelo "enfant terrible" James Dean. Eu estava ali vivenciando a versão Ipueirense. Genial!

Na volta de trem para Fortaleza, dois ou três colegas estavam junto. Iam à capital. Lembro-me que Manuelito integrava a comitiva. Demos preferência a viajar no vagão restaurante. Os amigos haviam mandado "baixar" algumas cervejas.
Grande sucesso na época com o intérprete Miltinho, os versos da canção:
"Saudade !
Criatura impertinente
Entra no peito da gente
E dói como não sei o que..."
Nós cantávamos e batucávamos na mesa. Eu pensava na beleza singela de uma das moças de Ipueiras. Não conseguia esquecê-la. Percebia agora que a flecha de Cupido traspassara-me o coração. Havíamos prometido trocar cartas. Romântico. Hoje os jovens comunicam-se pela Internet. Mensagens ultra-rápidas e coloridas. No início dos anos sessenta dominavam as cartas, postadas no correio. Demoravam a chegar, mas traziam o cheiro e a vibração da musa. Cartas eram cheiradas, beijadas e abraçadas. Por certo ainda o são, mesmo neste mundo "wébico" e globalizado.
Resolvi por alguns momentos esquecer a "performance" atlética e acompanhar os amigos na cervejada. Afinal, ninguém é de ferro! *PC*

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Frase do dia
"Só cobrando o povo consegue mudar. É um direito do cidadão. Se pagamos impostos, temos direito de cobrar. Temos que nos unir. A violência está na porta de cada um."

Rosa Cristina Vieites, mãe do menino João

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Escola e direito dos cidadãos - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Rubem Alves, em crônica recente, fala-nos do "aluno ideal", o "memorioso", computador a tudo decorar, em nossa escola. Orgulho dos pais, ídolo dos out doors, da mídia, nos espaços nobres e caros. Cobram-lhe, um dia, sentido. Ele se dá conta: algumas respostas encontram-se no coração, "onde mora a emoção".

Por anos, na UFC, coordenei o Ciclo Básico, corrigindo insuficiências anteriores de aprendizagem e embasando a formação profissional, a nos reclamar controle motor para dentistas e cirurgiões, o verbo para juristas, tato para os artistas. Pró-reitor de extensão, o estágio nas favelas, interior do estado e no Acre (com Chico Mendes), exigia-nos responsabilidade e tato sociais.

A presidir o Conselho de Educação do Ceará e o Fórum Nacional de tais órgãos, descobri que o "vestibular", em sua feição usual, era morto. Vida teria se com as "inteligências múltiplas" (da verbal à transcendente). Aprender é "troca", diálogo, percepção multiforme do todo, "semi-alheio" nos termos de Bakthin.

Mas, na prática, "tudo como dantes, na casa de Abrantes". Retórica, a clamar por "universalização, qualidade e sentido", como se escolas de samba, em passarela nacional. E nós, a morrer na praia, sem sentido: o "mundo do trabalho" e a "prática social" (LDB), a integrar "profissional, cidadão e pessoa" (CF).

Estou convicto. Os atores da CF, escola, família e sociedade, hão de submeter nossa educação a urgente reengenharia, hoje lesiva aos direitos dos consumidores e dos cidadãos. Discriminar os memoriosos em classes a, b, c, d, e, "na minha terra é crime", diz mãe carioca, a reclamar de escola católica, anos atrás elogiada por mim...

Novo pacto faz-se urgente, em nossa educação (básica e superior). E o Ministério Público é hoje, a meu ver, a única instância orquestradora a nos infundir confiança!... *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Frase do dia
"Quando vi que ele (João) foi arrastado, sabia que não tinha como tirá-lo da morte. Mas ainda rezei por milagre."

Rosa Cristina Fernandes, mãe do menino João, trucidado no Rio

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

A Ponte do Idálio - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Em 1951, no governo de Raul Barbosa, era concluída a primeira ponte de Ipueiras. Uma ponte fina de uma única mão que começou a ter suas bases postas em 1947.

Vinha sanar o problema de ligação da cidade com o bairro da estação ferroviária e fazer um caminho seguro dos ipueirenses para Fortaleza tanto por linha férrea como por estrada ainda na época carroçal.

Também acabar definitivamente com as travessias de barcaças que eram usadas no período em que o rio estava cheio não só para transportar bagagens como pessoas.

Esta construção resistiu 45 anos quando em 1996 uma forte enchente do rio Jatobá levou parte da obra deixando o bairro da Estação e o caminho que segue para a capital quase 130 km mais distante.

No mesmo ano, precisamente há dez anos começou a construção de uma nova ponte.A obra não demorou a ser concluída. Sendo porém mais larga, mais alta que a anterior, com duas mãos e uma ciclovia bem como passagem para pedestres em ambos os lados.

Foi inaugurada em 23 de maio de 1997.

Conhecida e batizada como Ponte do Idálio, homenageia a figura de um grande farmacêutico que muito fez pela cidade, Idálio Frota de Menezes, falecido em 1993.

A Ponte do Idálio tem três características que a destacam de outra ponte construída na década de 80 em Ipueiras. É a única que tem nome, substitui a primeira e única ponte que existiu durante muito tempo na cidade e finalmente difere da outra por está sobre o rio Jatobá, rio que nasce em Ipueiras, enquanto que a segunda é sobre o rio do Engenho.

A Ponte do Idálio é hoje uma das atrações da cidade não só pelos seus traços arrojados, segurança e beleza, como pela grande utilidade que presta ao comércio e ligação de Ipueiras e outras cidades à Capital. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Frase do dia
"Já entreguei a Deus."

Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, sobre a data em que deixará o governo

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Doce Descoberta - Por Beto Costa  / Rio de Janeiro
Não sou adepto a nenhuma religião. Aliás, ultimamente tenho transparecido uma imagem de ateu. Contudo, falta-me coragem para assumir essa postura.

Tenho alguns amigos religiosos que de vez em quando me ligam, mandam torpedos ou até e-mails me convidando para participar de cultos abençoados.
Prometem que a minha vida irá mudar.

Passarei a prestar mais atenção nas pessoas que estão ao meu redor e até arrumarei um verdadeiro amor, como nos contos de fadas.

Outros mais fervorosos dizem que sou uma boa pessoa e por isso preciso ouvir e seguir a palavra da salvação. Caso contrário, estarei traçando o meu ingresso à eterna perdição. Tudo bem!

Religião não se discute. Mesmo porque toda fé é cega. Admito que em algumas ocasiões visitei alguns salões e até orei como um adepto. É preciso conhecer tudo. Como jornalista não posso ter preconceitos.

Da umbanda ao cristianismo eu consigo ter a minha opinião formada. Por isso, lendo tanto o Alcorão como a Bíblia, percebi algumas semelhanças.

O que me chamou atenção foi que ambos fazem citações sobre um pequeno inseto que coleta pólen e constrói os ninhos com cera.

Além disso, essa criaturinha ainda é responsável, segundo as escrituras sagradas do cristianismo, pela primeira substância adoçante conhecida da Antiguidade, o mel. Considerado dádiva e até mesmo néctar dos deuses, esse produto, além de excelente alimento, tem sido fonte de inspiração no decorrer dos milênios.

No Antigo Egito, por exemplo, explicava-se a origem do mel como fruto das lágrimas vertidas pelo deus do sol Rá.

Já na mitologia grega, o bebê Zeus, deus soberano no Monte Olimpo, alimentava-se do mel que as abelhas punham sobre seus lábios.

Se não me falha a memória, foi no Alcorão que percebi como os corpos grandes chamam a atenção de qualquer um. E que os pequenos, porém, são praticamente desprezíveis. Isso só muda quando passamos a conhecer algo sobre.

Confesso que até então nunca havia pensado ou percebido a importância das abelhas. Pra mim não passavam de insetos como outro qualquer. Entretanto, a curiosidade, qualidade que me é peculiar, instigou-me a querer saber mais sobre a vida delas. Comecei a pesquisar mais e mais. Eu ficara fascinado.

A minha primeira descoberta foi que antigamente havia a crença de que sonhar com enxames era um presságio de prosperidade. E talvez por esse motivo, ainda hoje, utiliza-se em muitos países a expressão lua de mel.

Assim, me transformei num verdadeiro obcecado pelas criaturinhas "instintivamente sábias", como ressalta a Bíblia. Sempre que chegava em casa após o trabalho lia livros sobre criação de abelhas, fazia pesquisa na internet e até participava de fóruns virtuais promovidos por apicultores.

Cheguei a pensar em largar o jornalismo para investir no agro-negócio. Com certeza no fim do mês eu teria um retorno mais rentável de capital. Mas essa idéia foi logo dizimada. Eu não consigo largar essa minha profissão.

Isso não é uma carreira e sim um vício. Contudo, resolvi ter uma outra ocupação em paralelo. Com o dinheiro do FGTS, comprei um pequeno sítio e fui brincar de ser apicultor. Um hobbie que tentei conservar até pouco tempo atrás.A idéia de criar abelhas parecia fácil e simples. Eu já tinha muita informação sobre o assunto.

Conhecia a estrutura das colméias e a organização social desses adoráveis insetos. Eu sabia até quais produtos produzir através da apicultura. Além de algumas curiosidades, como, por exemplo, que as abelhas conseguem enxergar os raios ultravioleta, os únicos que penetram as nuvens.

Com isso, não importa se o tempo está encoberto, elas conseguem ver a luz que indica os locais onde possui alimento, não morrendo de fome quando o sol se esconde atrás das nuvens.Todavia, a minha primeira lição foi que se tornar um apicultor não é tão fácil quanto parece. Não era apenas conseguir algumas colméias com colônias de abelhas, colocá-las numa região nectarífera e voltar algum tempo mais tarde para colher o mel e seus derivados. Logo logo percebi que era necessário muita dedicação.

Aprendi que eu deveria ser um pai e um médico para as pequenas voadoras. Eu precisava estar presente do verão ao rigoroso inverno. Era necessário que eu soubesse desenvolver a apicultura migratória. E era imprescindível que eu tivesse sensibilidade para perceber se estava tudo bem com a colônia, se estavam órfãs porque a rainha morrera; se estavam agitadas devido a algo desagradável dentre outras... Na verdade, eu nunca tive tempo e, admito, nem paciência para observar tantos detalhes.

Eu queria mesmo era o resultado final. Eu queria ganhar dinheiro com o mel, a própolis e a geléia real. Até que por algum tempo os tipos de méis, que variam de acordo com as flores visitadas pelas abelhas, me renderam uma boa renda extra no final do mês.Com o passar do tempo, meus dois irmãos mais meus quatro sobrinhos que acreditaram no projeto do apiário Néctar de Mel desde o começo foram tomando conta do investimento.

Tornei-me cada vez mais dispensável, embora a ultima palavra sempre fosse a minha. Passei então a me sentir mais um. Eu não tinha nem mais idéias pra ampliar os negócios. Na verdade, aquilo não passava de uma brincadeira, de uma forma de lazer. Todavia, os meus sócios não viam assim. Eles queriam crescer. Eu percebia a devoção e o orgulho deles em ser apicultores. Foi quando percebi que não estávamos mais na mesma sintonia, embora nunca tenhamos discutido. Mas não fazer mais parte da engrenagem me incomodava profundamente. Então as minhas pesquisas cessaram.

Eu não tinha mais vontade de escrever o livro sobre receitas culinárias mundiais com base no mel. Nesse momento resolvi vender a minha parte da sociedade.Hoje, sozinho aqui em casa, pego na instante a pasta onde ainda guardo vários assuntos sobre a apicultura.

Vejo textos, revistas, curiosidades... Rio sozinho com a foto em que apareço vestido com luvas amarelas, botas enormes, macacão branco de algodão todo folgado e com aquele chapéu de aba larga e com véu.

Eu parecia até Neil Armonstrong, ao pisar na Lua em 20 de julho de 1969. O mais cômico nesse dia foi que, enquanto eu fingia ser um astronauta simulando a órbita lunar, o meu irmão disse: "- É um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para a Humanidade".

Não teve quem não risse. É incrível como as lembranças proporcionam um gozar da vida pela segunda vez. Elas também nos fazem refletir, crescer... Dizem que tudo tem uma razão de ser e embora eu seja bem incrédulo a certas coisas esse episódio com as abelhas me obrigou a perceber que o importante na vida é a direção para a qual nos movemos. *PC*

Beto Costa é jornalista

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Frase do dia
"Não há porque tomar esse documento como a opinião da maioria."

Ricardo Berzoini, presidente do PT, sobre o documento produzido por Tarso Genro e cia com críticas à direção do partido

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Mobilização pelo planeta Terra - Por Margarete Sampaio / Fortaleza


No dia 1 º de fevereiro de 2007, em todo o mundo, haverá grande mobilização. Participe ! Cidadãos contra a mudança climática!

A Aliança pelo Planeta (grupo francês de associações ambientalistas) lança um apelo simples a todos os cidadãos de se dedicarem por cinco minutos à Terra.

Todo o mundo apagará por 5 minutos suas lâmpadas e aparelhos elétricos entre 19h55 e 20 h. Não se trata apenas de economizar eletricidade nesse dia, mas também chamar a atenção da mídia e daqueles que têm poder de decisão sobre o desperdício de energia e a urgência de agir! Cinco minutos de repouso para o Planeta Terra.

Não toma muito de seu tempo, não custa nada, e isso mostrará aos candidatos à presidência da França (e também a outros candidatos e atuais presidentes de outros países) que a mudança climática é uma questão que deve ser levada em conta em qualquer decisão política.

Por que dia 1º de fevereiro? Nesse dia será apresentado na França um relatório feito por um grupo de técnicos em climatologia da ONU. Os cidadãos não podem deixar escapar a ocasião para manifestarem sua opinião sobre a urgência com que deve ser tratada a mudança climática mundial.

Se todos participarem, essa ação poderá aparecer na mídia e ter peso político. Faça circular ao máximo esse apelo entre os seus amigos, colegas e parentes.

A diferença de fuso horário com relação à França não tem importância porque o Brasil se manifestará ainda no dia 1º de fevereiro (das 19:55 às 20H, de Brasília). *PC*

Texto de Laurent Rousserie, enviado por Margarete Sampaio