quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Frase do dia
"Já que Mercadante está tão disposto a abrir uma CPI em São Paulo, poderia ajudar a criar a CPI dos Aloprados, em Brasília, para que o Brasil saiba como se deu a compra do dossiê."

Do deputado Roberto Freire (PPS-PE)

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

O Famoso Capitão - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Muito cedo descobri que na terra de "coroné" se comia Capitão.Eu das Ipueiras, terra de coroné Zé Bento e tantos outros, confesso que muitas vezes participei desse ritual que muito me agradava.

Alguns falam que aquilo era coisa de escravos, já outros afirmam ser uma herança dos portugueses colonizadores. O que sei, é que, o que eu julguei ser uma exclusividade minha e de meus irmãos, era na realidade, um costume antigo, comum, no interior do Ceará e em tantos outros estados do Brasil.

Conversando com Lou, uma amiga nordestina, das bandas da Serra Grande, ela me falou que os capitães da avó dela eram imbatíveis. E eu, retruquei:- É que você não conheceu os da minha tia Isa. Quando eles chegavam a mesa as crianças entravam em prontidão a espera do tão esperado e solene momento.

O certo, é que por trás de cada capitão, havia o comando de uma mão mágica e dedicada a nos enfiar goela abaixo aquela distinta autoridade do mais alto escalão. Eram nossas mães, avós e tias que se esmeravam na confecção daquela apetitosa iguaria com o intuito de agradar o paladar dos seus entes queridos.

Pois, na verdade, o inesquecível e famoso capitão, meu, de Lou e de tantas outras crianças, nada mais era que um simples bolinho de feijão amassado com farinha, bem modelado e servido por mãos especiais com carinho e com afeto, o que o transformava simplesmente num manjar dos Deuses.

Era assim que nosso feijão de cada dia passava de um simples soldado raso ao mais famoso capitão. E eu, que sou agarrada às lembranças, fico feliz em fazer parte deste passado, onde batalhões de crianças faziam continência a seu amado capitão.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Frase do dia
"Se temos hoje um Brasil desigual e injusto, o Judiciário tem que assumir sua responsabilidade. Nós temos de fazer a nossa parte. Por isso, na minha gestão, vamos aprofundar o diálogo, assumir as nossas próprias culpas nessa sensação de ineficiência e de impunidade, nessa sensação de que somente pobre vai para a cadeia."

Cezar Britto, novo presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)

sábado, 27 de janeiro de 2007

Abra a boca e feche os olhos - Por Jean Kleber Mattos / Brasília
Para mim é uma cena encantadora. O momento em que uma criança de dois anos mais ou menos é apresentada à primeira "balinha" de sua vida. Ainda sem a coordenação e a habilidade suficientes para desembrulhar a guloseima, morde-a com papel e tudo. Logo surgem os adultos dizendo-lhe, entre risos, "não é assim que se come". Isso tudo ante o olhar estupefato do infante. Delícia!

Creio que lembro de minha primeira balinha. Foi em Ipueiras, no Ceará, aos dois anos de idade, anos 40. Chamava-se "Caramelo". Era pequena, amarela, quase cilíndrica. Recheada, um fio de doce marrom avermelhado surgia à primeira mordida. Figurou durante muito tempo nos mostruários. O papel envolvente não era celofane. Era branco, com ilustração de frutas nas cores azul e amarelo. Eu chamava tudo aquilo de bombom. Aprendi com alguém. Mais tarde soube que o nome certo é "bala". Em Pernambuco, "confeito". O bombom é de chocolate.

Também lembro da primeira vez em que bombons com papel colorido encheram meus olhos. Eurípedes Matos, filho do prefeito Sebastião Matos e recém chegado da América do Norte onde se formara, presenteou meu pai, Neném Matos, com uma caixa. Que felicidade! Bonitos e saborosos! O incrível gosto do chocolate!

Mas o regalo da fome de doces tinha na culinária local um elenco valioso de opções: doce de buriti, doce de leite, pirulitos, rapadura, tijolo de coco e cocada. Meu Deus, as cocadas! Manjar dos deuses. Engolir ou não o bagaço? Eis a questão...

Os doces sempre foram prendas bem disputadas nos leilões das festas da paróquia de Ipueiras. As frutas locais eram matéria prima de uma grande quantidade de delícias. Doces de caju, goiaba, jaca, mamão e laranja da terra (da casca). Doce de manga não figurava entre os destaques. Banana, sim. Nas duas formas principais: massa e compota. O mel de abelhas era sempre, para mim, o de jandaíra (Melipona subnitida Ducke). Meu pai mantinha um pequeno apiário tipo caixote. Cera preta. Favo do tipo panela. Abelha sem ferrão.

Impossível esquecer os produtos do engenho de cana. Mel ou melado. Uma delícia. Com farinha então... E com banana fatiada? Hum! A rapadura e batida. Esta mais mole e envolta num invólucro de palha de bananeira. A palha de bananeira também embalava a mariola, um doce de banana vendido em tabletes. A palha e a folha da bananeira notabilizaram-se entre nós, nordestinos, como invólucros multiuso. Ainda sobre os produtos do mel de cana, não esqueçamos o alfenim ou "puxa-puxa".

Doces de leite tinha de dois tipos: um deles amarelo claro, de ponto meio cristalizado. O outro, "talhado", era grumoso e mais moreno. Minha preferência recaía sobre o primeiro. Era geralmente servido no bar de seu Guarani. E o "colchão de noiva"? A iguaria em forma de cocada. Em Ipueiras não tinha. Bastava, porém, pegar o trem e rumar à Sobral. Em poucas horas servíamo-nos. Ainda morno. Sobre o caju, a indústria de doces sofisticou-se com o passar do tempo. Assim, doces da fruta existem na forma de "ameixa" onde o próprio fruto, inteiro, é o doce. Ou como cristalizado, este mais seco, envolto numa camada de açúcar, às vezes com a amêndoa assada do fruto habilmente implantada. Papel celofane o recobre. No ambiente caseiro, era o doce em massa e a compota, ou a castanha assada cristalizada feita ao fogo, no tacho, com mel de açúcar cristal, até dar ponto.

Os doces sempre foram um ingrediente notável nas cenas de ternura. Desde a "hollywoodiana" caixa de bombons com a qual se adula a amada, até àquela conhecida brincadeira de por um doce na boca de alguém com a frase: "abra a boca e feche os olhos". Às vezes é farelo de rapadura... Tem coisa melhor?

Os médicos nos advertem sobre a perigosa combinação do consumo de doces e a vida sedentária. Risco de diabetes. Para mim, apenas um risco consigo reconhecer quanto ao consumo dessas delícias.

Comer demais. Oh! Bicho bom ! *PC*

Texto publicado originalmente no blog GRUPO IPUEIRAS

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Frase do dia
"A medida do governo em relação aos juros é absolutamente contraditória com as intenções de promover um maior crescimento da economia. Reduz muito o significado do PAC."

José Serra, governador de São Paulo

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

A Festa da Padroeira - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Nossa Senhora da Conceição foi escolhida como padroeira do povoado pelo Capitão-mor José de Araújo Chaves, potentado da região que construiu em 1745 a primeira capela.

Durante o século XIX, com o crescimento da vila a devoção à Santa só aumentou, e casos marcantes de grande prova de fé são relatados desde que se criou a festa, mesmo antes de Ipueiras ter se tornado município em 1883.

Fato notório é uma foto que já documenta uma rica e numerosa procissão da padroeira datada de 1930, podendo-se notar ao fundo a igreja ainda pequena sem as torres de estilo gótico que seriam colocadas em fins da década citada.

São atualmente dez os distritos do município, cada qual com seus oragos, mas na festa da padroeira da sede, a cidade fica repleta de pessoas não só oriundas destas localidades como também de várias cidades vizinhas.

O município organiza bailes, leilões, prepara barracas de venda para diversos produtos da terra e é tomado por parques de diversões, sendo que o principal, as procissões e as missas atraem a todos que para lá se dirigem.

A devoção a esta festa dedicada à Virgem da Conceição já é conhecida em toda a zona norte do Estado, e a cada ano com mais esmero tem sido realizada graças ao apoio das sucessivas administrações do município bem como da fiel dedicação de sua população, cuja devoção se espelha nas mais puras e belas manifestações da fé católica.

A festa da padroeira de Ipueiras é festejada por seus habitantes com muita devoção entre os dias 29 de novembro a 8 de dezembro. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Frase do dia
"O mercado está esperando uma redução da Selic, viu Meirelles?"

Guido Mantega, ministro da Fazenda

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Migrante - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Sou das águas retiradas.
Sou do sertão nordestino.
Das caatingas desertei,
Lamentando meu destino.
Pois deixar o meu torrão,
Machucava-me o coração
Causando-me desatino.

Meu dialeto sagrado,
Era motivo de riso.
Era uma rês desgarrada,
Mas seguir era preciso.
Pedi a Deus proteção,
E virgem Conceição,
Para me dar mais juízo.

Não reneguei minha terra,
E jamais renegarei.
De ser filha do Nordeste,
Sempre me orgulharei.
Lamento até ter perdido,
Aquele sotaque antigo,
Que de lá eu carreguei.

Na minha casa nova,
Onde hoje brilha o chão,
Num canto especial,
Avista-se um pilão,
Em outro canto uma rede
Onde embalo com sede,
As saudades do sertão.

Tapioca com manteiga,
Não deixo de comer não.
Numa panela de ferro,
Faço um gostoso baião.
Cabeça de galo e mal-assada,
São iguarias apreciadas,
Com gosto de tradição.

Rezo pra são Francisco,
E padre Cícero Romão.
Pra proteger Ipueiras,
Meu pequenino rincão
Pois é lá minha ribeira,
Onde a linda carnaubeira,
Ao vento lança canções.

Eu vim sem querer vir
Fiquei sem querer ficar,
Mas um dia ainda volto,
A morar no meu Ceará.
Longe da terra amada,
Serei sempre ave arribada
Voando tentando voltar. *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Frase do dia
"Você sabe da relação que eu tenho com o Aldo, da relação com o Arlindo, e eu trato os dois como filhos. Eu nunca vou a favor de um filho. Vou sempre tentar criar conciliação."

Lula, sobre a eleição do presidente da Câmara dos Deputados

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Sinos de minha infância - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Uma cena me intrigava, em criança. Se, na Matriz de Ipueiras , dobravam dolentes os sinos, alguém "passava desta para a melhor"; se repicavam alegres, "um anjinho subia aos céus". Canções nos falavam de "léguas tiranas, "paus-de-arara", "estrada do Canindé", "Padirn Ciço", "missões de Frei Damião". Na escola, aprendíamos que, por aqui, somos todos "Moacir, o filho da dor". E, predestinação de uma raça, lá me fui eu em busca dos verdes e do eldorado do centro-sul.

Lá, era o dito, "São Paulo exporta café; e o Ceará, o talento" - válido este, só se exportado. Um dia voltei e, cedo, abracei o verbo "mudar", trocando o "contra as secas" pelo "em favor das águas". E hoje sou dos que pensam que o acúmulo e os caminhos das águas, sem uma mudança cultural, a pouco nos levará. Hypérides Macedo garante que já teríamos água suficiente e que, para o verde das plantas, "basta um tiquinho". E, ante os aquiescentes olhares dos secretários Pedro Sisnando e Carlos Matos, depõe-nos: "Em Israel, todo cidadão tem um jardim na cabeça".

Em nossas cabeças, ao invés, habitamos ilusórias "Twin Towers" e os Beach Parks de nosso alienado lazer. E alimentamos vãos sonhos de que, "se der o carneiro", arrancamo-nos daqui "pro Rio de Janeiro".

Tempo, pois, de chamar religiosos, artistas, educadores, políticos, a sociedade enfim, para um novo "contrato social" a se assentar na revisão de suas cláusulas pétreas: do projeto de Deus aos nascidos aqui; do pacto histórico celebrado por nós, de Moacir a Tasso Jereissati; da convivência social e humana, afinal. Se, como antes, os sinos celebrarão ou não a mortalidade infantil. Se o sol e o vento, desperdício energético, ainda nos queimarão e açoitarão. Se o semi-árido será ou não a terra da expiação, do "penitencial turismo".

Questão, pois, aberta aos que, na escola e na sociedade, são responsáveis por este "tema transversal", em nossa vida e cultura! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Frase do dia
"O partido tinha uma relação subserviente com o governo no primeiro mandato. A nova maioria partidária quer autonomia. Vai defender o governo, mas terá proposta própria que pode coincidir ou não com o que o governo quer."

Joaquim Soriano, secretário-geral do PT

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Plantando na Água - Por Beto Costa / Rio de Janeiro


Esse cantinho aqui do sítio é o lugar em que eu mais gosto de ficar. Aqui nessa varanda debruço-me sobre o pequeno parapeito e perco o olhar no infinito horizonte. Às vezes, penso em muitas coisas. Convenço-me de algumas decisões. Outras vezes o nada preenche o meu pensamento. Há também momentos como esse agora, em que olho para toda a minha terra. Sensação de papel cumprido.

Orgulhoso, oro para que a minha prole dê continuidade a essas maravilhosas plantações.Oh, terra abençoada! Tudo que se planta dá, já dizia Pêro Vaz de Caminha. Mas será que ele um dia imaginaria que as plantações substituiriam a terra pela água? Acho difícil. No começo até eu relutei contra essa idéia, que me parecia no mínimo descabida.

Quem me livrou do preconceito e me convenceu que era possível produzir um produto final de superior qualidade foi o Marquinho, o mais velho dos cinco filhos que tenho.Aliás, esse é um menino de ouro. Tem amor à terra e ao trabalho! Sempre tem idéias novas. Lembra muito a mim quando jovem. Quem me dera que o João e o Pedro fossem assim. Esses só querem gastar o dinheiro que a hidroponia nos proporciona. Vivem lá na cidade grande. O mais próximo que eles chegam daqui é através do telefone.

Já a Marina, depois que chega da escola, sempre me ajuda a proteger e a limpar as estufas. É preciso que fiquem livres das variações do clima, dos insetos, animais e outros parasitas que normalmente tanto prejudicam as plantações feitas no solo.

A Eduarda se forma no fim do ano em veterinária não vai dormir antes de balancear os nutrientes conforme a necessidade do cultivo. Ela é a responsável por que as plantas recebam durante todo seu ciclo de crescimento as quantidades ideais de nutrientes.Esse sistema de cultivo, dentro de estufas sem uso do solo, de certa forma, uniu mais a família. Antes as meninas alegavam não se integrarem mais ao trabalho na roça por não gostarem de pisar e de manejar a terra. Além disso, vira e mexe sempre havia reclamações de ter algum inseto preso à roupa ou ao cabelo.

Ah, mulheres! Sempre vaidosas.É impressionante, mas ficar aqui olhando o passado e contemplando o futuro me faz constatar que a letra do hino é verdadeira, "o nosso céu tem mais estrelas, nossos bosques têm mais flores". Somos realmente gigantes pela própria natureza. Mas há quem não perceba.

Eu, por exemplo! Não entrava na minha cabeça como os nutrientes que a planta precisa para desenvolvimento e produção pudessem ser fornecidos somente por água potável acrescida de nitrogênio, potássio, fósforo e magnésio em forma de sais.Hoje em dia é difícil esconder o sorriso ao abrir as estufas e ver os cultivos de alface, melão, morango, feijão-vagem, arroz, tomate, pimentão, berinjela, agrião, brócolis, couve, repolho, salsa e pepino. Todos super saudáveis. Não há ataques de pragas e doenças, tão comuns há tempos atrás.

Não sei se ainda verei esse Cruzeiro do Sul por muito tempo, mas de uma coisa eu tenho certeza: o maior erro que alguém pode cometer é ter medo de plantar. E como ainda não consegui descobrir o que somos sem a natureza e o que nos restaria, continuo aqui plantando e escrevendo minhas memórias. *PC*

Beto Costa é jornalista

sábado, 13 de janeiro de 2007

Frase do Dia
"Esse acordo do PSDB e PT constitui um escândalo político pelo inusitado da decisão adotada, por não guardar coerência na relação desses partidos nos últimos quatro anos."

Aldo Rebelo, presidente da Câmara e candidato à reeleição

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Os 90 Anos de Dona Ineizita - Por Tadeu Fontenele / Fortaleza


O longo itinerário se iniciou no Barro Vermelho, atual bairro de Antonio Bezerra, em Fortaleza, onde nasceu em 07 de janeiro de 1917. No ano de 1935, após 18 anos de convivência na família Ribeiro Bessa, em que se destacava como primogênita do casal Francisco Ribeiro e Maria de Jesus Bessa, nossa Inês Ribeiro Bessa, a Ineizita, saía de casa para cumprir a nobre missão de professora de ensino público. Deixava com os pais os irmãos: Paulo, Laís, Clarisse, Luís, Lourdite, Marilu, Bessinha, Lídia e Tetê.

A distante e então desconhecida cidade de Ipueiras, a mais de 300 km de distância da capital, foi a cidade que a acolheu. Chegara ali para implantar o ensino público, acompanhada de mais quatro colegas. O árduo trabalho, a dedicação, a competência das professoras logo foram reconhecidos pela população ipueirense, além da estima e admiração pela beleza e jovialidade das mesmas. Foi aí que aflorou mais uma das missões reservada a Ineizita, o casamento.

Embora com um compromisso de noivado que deixara na Capital, a jovem, bonita, instruída e educada professora não resistiu aos galanteios de Zeca Bento, filho caçula do Coronel José Bento de Oliveira Fontenele e de Inocência Catunda Fontenele.

O enlance ocorreu em dezembro de 1936. Iniciou-se, logo no ano seguinte, a prole do casal com o nascimento de Maria Helena (Leninha), um ano depois nasceu Marinês. Assim, no entra-ano-saia-ano a família foi crescendo e vieram, na seqüência, Marilac, José Bento, Raimundo Catunda, Inocência, Maria de Lourdes (Lourdite), Fernando Antonio, Elizabete (Beta), Francisco Tadeu, Armando Paulo, Clarisse Maria e Lígia Maria. Hoje os herdeiros de Zeca Bento e Ineizita somam 11 filhos, pois Beta e Raimundo Catunda já habitam outro plano espiritual, 26 netos e 19 bisnetos.


A longevidade de nossa Ineizita, que hoje completa 90 anos, nos faz referir também aos que já se foram, como seus pais, seus irmãos Paulo, Clarisse, Luís, Lourdite e Lídia, seu marido Zeca e seu genro Lisboa Mourão, sua nora Vânia e todos os parentes e amigos que com ela conviveram e de outro estágio espiritual participam da comemoração deste aniversário.

E que esta longa vida perdure por anos e mais anos, para a alegria em ter nossa Ineizita sempre bem próxima e para ensejar a oportunidades de muitos congraçamentos. A professora Ineizita Ribeiro Fontenele se dedicou ao ensino público em Ipueiras desde sua chegada na nossa terra, em 1935, até sua aposentadoria no anos 60, tendo ministrado aulas a várias gerações de ipueirenses no Grupo Escolar Padre Angelim, do qual foi Diretora por vários anos.

Com as mãos na Felicidade 2007.

Francisco Tadeu Fontenele, um dos filhos da homenageada.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Frase do dia
"A decisão é dele, eu não tenho nada a ver com isso. Quem entrou com a ação foi o Tato, prefiro não julgar."

Daniela Cicarelli, jogando a culpa no namorado por causa da confusão com o You Tube

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Aos Amantes da Fruta - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro



É difícil falar em Jatobá sem que o pensamento faminto e cheio de saudades não me transporte imediatamente até o Ceará, e conseqüentemente a Ipueiras.

Cidade pequena, pacata, de povo acolhedor.Cenário mágico de minha infância e juventude, onde o velho Jatobá feito cobra gigante majestosamente serpenteia a cidade.

Jatobá na língua guarani significa "folha dura" ou "árvore de fruto duro".

E hoje, esqueço um pouco o velho Jatobá para falar dessa frutinha gostosa, diferente, que também fez parte da minha meninice.

Nasci e me criei, ouvindo falar em jatobá, desfrutei do rio e comi da fruta.

Na dormência da memória, morava o jatobá que provocado eclodiu em boas lembranças.

Parece que foi ontem... eu menina, de pedra na mão, quebrando a tal fruta para comer a massa de gosto incomparável, de cor deslumbrante, amarelo fosforescente, a qual abrigava o jatobá dentro de sua casca dura e marrom.

Após sujar a cara com o pozinho do jatobá, não sem antes ter me entalado por diversas vezes, era hora de brincar com os caroços que eram tão bonitos quanto as cascas e quanto a massa.

Em nome dessa álacre lembrança, munida de saudades, acessei a "wikipédia" e fiz uma pequena pesquisa que muito me agradou e certamente agradará os amantes da fruta.

Eis o obtido em relação ao Jatobá:

"Como planta medicinal, diferentes partes são usadas por indígenas do Brasil, Guianas e Peru contra diarréia, tosse, bronquite problemas de estômago e fungo nos pés."

"Entre seringueiros e moradores de regiões próximas das florestas onde se encontram, é comum utilizarem a casca da árvore para fazer um chá, também chamado de vinhos de jatobá. Acreditam que este chá é um poderoso estimulante e fortificante".

Pois é, amigos, Ipueiras em sua singularidade bebeu do Jatobá e, comeu o Jatobá. *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Frase do dia
"Um homem nunca está liquidado até ser enforcado."

Willian Shakespeare

sábado, 6 de janeiro de 2007

Macambira - Por Bérgson Frota / Fortaleza
"Era quase sempre sábado em Macambira" completará em 2007 vinte anos de seu lançamento. Durante estas duas crescentes décadas, o livro foi se tornando aos poucos uma obra prima da literatura memorialista interiorana cearense.

Seu tema não são as experiências, mas a ânsia de contá-las. Narradas por um jovem que está aprendendo e ao mesmo tempo internizando a vida complexa e rica de seu torrão natal.

Frota Neto enfrenta suas próprias memórias de juventude e escreve um romance de recriação, mudando de alguns o nome, doutros a região. Até a cidade quando então Ipueiras, lê-se agora Macambira.

Não deixa de ser um livro autobiográfico lançado na maturidade. Os acontecimentos na vida do autor, ultrapassam o interesse comum e ganham o interesse geral.

É um romance de formação, informação e recordação, onde não há um só episódio narrado com particular elegância e relevância para o leitor.

Recriar e criar a Ipueiras de uma época é a preocupação do autor, e como toda recriação, renova-a com outro nome. Construindo lá o que na arte de contar histórias dá liberdade e traz riquezas à narrativa, detalhes e novos traços.

O leitor vê-se ao ler esta obra, inserido dentro de um universo interiorano com seus tipos marcantes, e apesar da semelhança dos tipos físicos e urbanos,o lugar é Macambira, e lá quase sempre era sábado *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Rádio Universitária - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Quarto de século atrás. Paulo Elpídio, em seminário geral da UFC, retoma planejamento participativo de Martins Filho, na busca de vínculos mais sólidos entre o mundo acadêmico e o povo. Aí, nasce Rádio Universitária.

Fraco sinal, ducha de água fria joga-nos o Dentel. Baixo astral, a nos invadir, os Peros Vaz de Caminhas da idéia. Clóvis Catunda e Rodger Rogério propõem filme científico a nos distrair. O filme era a história de sofisticada pnte a ruir por causas inesperadas. Laudo dos cientistas: derrubara-a o simples soprar de brisa, na mesma freqüência dela. Liberal de Castro adentra-nos a sala, revoltado com críticas à UFC, no caso de reforma da Praça do Ferreira: "Ouvimos a sociedade. Os intelectuais queriam busto do Boticário Ferreira; o povão, uma fonte". "Eureka", bradei, "a água pode ser essa brisa". Aí, ocorre-me: "Iracema saiu do banho, o aljôfar da água ainda a roreja..."

Na Rádio, a água jogada em poemas, letras de música, em tudo. Ao final, o bordão: "Rádio Universitária, valorizando e repensando o Nordeste". Celso Furtado, o trouxemos, para nos falar do Nordeste, um quarto de século atrás e a nos apontar secas, limitações e potencialidades nossas. Empresário de olhar avançado nos diz que, mais importante que o gás, descobrira a água; criara, não formado, até "fábrica de doutores" (uma universidade); e batizara o principal jornal do Grupo como um "Diário do Nordeste".

Neste quarto de século último, o Ceará, o riscamos de caminhos das águas, à espera do Velho Chico, transposto a nos redimir. "Reinaugurações" (escreve-nos o criador da Rádio, o então reitor Paulo Elpídio) são necessárias, sob a conotação do "repensar". Mas sem a arrogância dos que acreditam "passar a limpo" o País, de Cabral até hoje. Esperamos que o húmus da humildade paute os nossos caminhos. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Frase do dia
"Sou oposição ao governo porque nós perdemos as eleições, mas eu jamais serei oposição ao Brasil. E jamais deixarei de acreditar naquilo que acreditava porque nós perdemos as eleições."

Aécio Neves, governador de Minas Gerais

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Corriqueiras Observações - Por Beto Costa / Rio de Janeiro
Mais um dia de trabalho. É sempre a mesma coisa. Acordar cedo, escovar os dentes, tomar um banho correndo por causa dos dez minutinhos a mais que fiquei na cama, beber um copo de leite e dar um beijo de despedida na esposa. No elevador do prédio dou os últimos ajustes. Será que ainda aprenderei a acertar esta gravata? Ônibus até o Estácio e metrô lotado. Na fila pra comprar bilhete o barulho das roletas desperta o meu sonambulismo.

Na plataforma a única regra é não ultrapassar a faixa amarela. Mas cuidado, pois foi dada a largada! O abrir das portas de cada vagão lembra-me a narração do Jockey Club. O atropelamento é pela dança das cadeiras. Como nunca gostei de sentar no colo de ninguém, faço questão de ser o último a entrar. Encosto a cabeça no meu próprio braço apoiado ao teto e observo. Há pessoas bocejando; outras de óculos escuros; e outras que reclamam de tudo e vivem repetindo "(...) só no Brasil mesmo!".

Tem também os que tentam ler em pé mesmo! Há os que tentam puxar assunto com as moças mais bonitas ou até os que ficam apenas na troca de olhares. A cada estação há sempre algo de novo. Contudo, uma coisa não muda, o tocar dos celulares. De um tempo pra cá o que mais vale é a criatividade dos toques. Brasileirinho e Nona Sinfonia de Beethoven são alguns temas que embalam a viagem. Na estação da Cinelândia chego ao meu destino. Como reforço do meu café da manhã como um salgado e bebo um refresco por apenas um real.

Ao sair da estação é notória a diversidade do Centro da cidade. Cinema, comércio, teatro, arquitetura e pessoas de várias procedências ditam a velocidade do dia-a-dia.Em frente ao trabalho paro na banca de jornais que mais parece um bazar e decido qual periódico levar. Entretanto, antes de pegar as moedas do bolso para pagar o seu Giovane, indago-me sobre o que é incomum hoje em dia. Essa foi a pergunta que fiz quando ouvi a tranqüilidade do menino que deveria ter seus quinze anos comentando em voz alta que haviam morrido trinta pessoas numa chacina na baixada fluminense. Nada mais nos surpreende.

Tudo é normal! Liberações sexuais, roubos, violências, drogas, magia negra, ganância, falsidade, desrespeito, individualidade, guerras, mortes etc. A troca de valores é tão absurda que quando alguém devolve uma maleta cheia de dinheiro o julgamos como tolo e dizemos "achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado". O que aconteceu com o suor do nosso trabalho? De repente, sinto-me como um excluído por não querer participar desse Big Brother. Mas quanta gente não conserva o doce delírio infantil de ter instantaneamente tudo o que se sonha? Ao ver o meu colega de trabalho comprando algumas raspadinhas sem ao menos dizer bom-dia, me lembrei do meu antigo vício em jogos.

Eu precisava enriquecer. Vendado, eu não percebia que tinha tudo o que precisava pra sorrir. E somente com o bater da porta após uma briga com a minha esposa percebi que sorte não se compra. Na rua, as crianças correndo me trouxeram o arrependimento.É engraçado como travessuras, contradições, erros e desejos sempre farão parte do nosso cotidiano. Não adianta! Tem coisas que nunca mudam. Contudo, há muitas outras que só dependem de cada um de nós. Não quero que os princípios se transformem apenas em simples discurso narrativo da manipuladora Hipocrisia. Mas será que isso será apenas um permanente desejo egoísta? Foi quando finalmente entendi o ditado popular: "uma andorinha só não faz verão". Nossa! Tá na hora de subir ao trabalho. Já estou cinco minutos atrasado. *PC*

Beto Costa é jornalista

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novocochila e espera desde sempre. *PC*

Frase do dia
"Eu duvido, desde o dia que o Brasil foi descoberto, que alguém em um governo tenha cuidado mais dos pobres do que eu."

Lula