segunda-feira, 31 de julho de 2006

Fiel amigo - Por Beto Costa / Rio de Janeiro


Não agüento mais! É muita pressão! De repente tudo ficou fora do meu domínio! Bastou o meu sócio fugir com a minha grana para a janela do meu quarto não abrir mais. Meus amigos se afastaram. A minha casa foi penhorada. Não tenho mais o respeito da minha família. Abri falência. Tá difícil continuar...
Prender-me ao passado apazigua o coração. Os olhos vermelhos pesam, obrigando-me a dormir. Não tenho mais a relatividade de outrora. Perdi a fé! A mentira passou a ser a minha maior verdade. Errei por acreditar demais. As pessoas sempre nos decepcionam. Isso é real! Não existe homem perfeito. O nosso progenitor, Adão, foi passível de erro.
Contudo, sempre que vejo o Rex penso que amigo igual não há. Não me abandona por nada. Protege a casa e sempre perdoa a minha rispidez. Será que se não estivesse alheio a tudo ele permaneceria assim? Eu creio que sim, pois a índole desse meu Pitbull é incorruptível. Uma vez ouvi: "-Só quem te agüenta é esse cachorro".
Fazendo carinho na cabeça dele, comecei a imaginar como seria se o ser humano fosse como os cães. Com certeza haveria mais segurança. A distração para as crianças estaria garantida! Assim como a companhia para as corridas matinais. Diferente dos felinos, os cães não são interesseiros, então, não haveria Delúbio Soares, João Mário, Ângela do PT, valérioduto e mensalões. Arrisco-me até a dizer que não existiria pizza. É engraçado imaginar o Pitbull como presidente. Autoconfiante como ele só, duvido que se curvaria à Bolívia. Resistente, não assinaria mais nada ao FMI. Extremamente entusiasta, os EUA seriam apenas um parceiro comercial e não colonizadores. Por ser considerada uma raça de alto grau de inteligência e com muita vontade de trabalhar, aposto que personalidade de ser brasileiro não faltaria. Não faltaria amor e orgulho à Mãe Gentil. Será que foi por isso que inventaram a Lei da Fucinheira? Esse devaneio me fez pensar numa seleção brasileira de Pitbull...
Ah, amigo! Que vontade de ser como você! Mesmo sabendo que na época do cio é cada um por si.
Olhar através dos seus olhos amendoados, não sei por quê, me faz lembrar de um ícone na minha vida. Talvez seja a cor castanha que me transporte a essa saudade. Um marinheiro altivo de valores sólidos, ao qual a palavra bastava. Um homem fiel à esposa e à família, mas que após ter sido culpado de um crime que não cometera decidiu escrever uma carta de despedida. A vergonha de ser julgado e condenado pelos próprios amigos, que freqüentavam a sua casa sempre que voltavam de alto mar, foi demais pra ele. Quinze anos depois da sua morte, ficou provada a inocência do meu pai. A culpa era do melhor amigo, que, por inveja, armou tudo.
Fala pra mim, meu amigo. Os cães têm inveja? O meu suspiro deixa escapar o "eu acho que não"... Sabe, Rex, o que mais me dói é que eu tive o exemplo dentro de casa e mesmo assim cometi o mesmo pecado. Errei por acreditar demais.
Continuo olhando no fundo dos olhos, o abraço calorosamente e não recebo um latido sequer. Você me entende com os olhos. Hoje eu gostaria de cumprimentar quem falou que o cão é o melhor amigo do homem. Somente agora eu entendo essa essência.Rex, é certo que ainda falarei muitas bobagens, muitos sonhos não farão mais sentido, e continuarei cometendo erros, mas quer saber? Se eu o tiver do meu lado, as coisas ficarão sempre mais fáceis, meu fiel amigo.*PC*

Beto Costa é jornalista

sábado, 29 de julho de 2006

Frase do dia
"É muito bom chegar à minha idade desfrutando do conceito ético e moral no trato da coisa pública."

Itamar Franco em resposta a Lula que o chamou de velho

sexta-feira, 28 de julho de 2006

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Valeu Pai - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Sua passada ligeira,
Por certo não vejo agora.
Sentado numa cadeira,
Me conta velhas estórias.
Me encanto com seu contar.
Me encanta sua memória.

Seu cabelo prateado,
Ilumina a pele morena.
Seus carinhos e carões,
Sempre valeram a pena.
Quando me abraça apertado
Volto a ser sua pequena.

Agradeço ao pai eterno,
Pelo pai que ele me deu.
Pelos momentos felizes ,
Que ele nos concedeu.
Pelo o presente e o passado,
O pai que tenho valeu.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará


quarta-feira, 26 de julho de 2006

Frase do dia
"Melhor do que isso só se fosse verdade."

Geraldo Alckmin ao saber, ontem, dos resultados da mais recente pesquisa do IBOPE

terça-feira, 25 de julho de 2006

O Poeta e os Passarinhos - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Havia nas redondezas de uma pequena cidade cercada de morros e cortada por um fino rio, um bosque verde por causa de um grande açude que existia no centro dele.Lá, garotos brincavam no banho refrescante e além de colher frutas da época caçavam também diversos passarinhos, muitos deles raros, que só ali eram encontrados.Jeremias era um dos garotos.Levantava-se cedo nos fins de semana e levava várias arapucas e um saco de melão São Caetano, fruta que muito atraía as aves.Queria muito um canarinho belga, já havia capturado pardais, sabiás e gola-estrelas, só faltava para sua coleção esta rara ave.Quando num domingo, já ao meio-dia, percebeu ter capturado o pássaro tão desejado, voltou para casa sem se conter de tanta alegria.Na casa tinha muitas gaiolas, todas cheias, e uma de cor prateada já há muito reservada ao pássaro que trazia.Mas as coisas não saíram como o esperado.Depois de engaiolado, o pássaro emudeceu, e para espanto de Jeremias fez calar os outros pássaros como ele também aprisionados.Foi-se uma semana e mais duas seguintes de um silêncio total.Então, Jeremias tomou a decisão de soltar o canarinho, mas aberta a portinhola a ave recusava a sair. Tinha água e comida e ali ficava pulando de um poleiro ao outro silenciosa.Jeremias resolveu desmontar a gaiola, então o pássaro finalmente voou, mas o silêncio permaneceu com os pássaros que ficaram. Aos poucos o garoto foi perdendo o gosto daquela "coleção" e um dia soltou todas as aves que voaram até sumir no azul do céu.Numa manhã, tempos depois, as antes engaioladas aves começaram a voltar ao seu quintal, e ciscando na terra ou voando entre as árvores, cantavam os mais lindos sons que Jeremias jamais havia ouvido.O canto era tão bonito e encantador que Jeremias não demorou a criar poesias, e isso se repetiu durante anos e anos até que ele já homem feito veio a ser reconhecido na sua terra como um grande poeta, que teve como fonte de inspiração o mavioso canto dos pássaros que quando criança por compaixão tinha dado a liberdade. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Frase do dia
"Alguns que citam meu nome deveria antes lavar a boca. Alguns que me acusavam deveriam contar até dez, e eles sabem porque conhecem a minha vida, a da minha família, e o que eu faço no dia a dia deste país".

Lula

sábado, 22 de julho de 2006

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Frase do dia
"Sou deputado. Mas juro que sou inocente."

Do deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), ao responder a uma comissária de bordo que lhe perguntou se era deputado.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Ordem e progresso - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


De início, a Copa. País do futebol, acalentamos o sonho-certeza do "hexa". O sonho frustrou-se e, logo, pautou-nos a vida política de um novo sonho: o das eleições como etapa importante na construção de nossa democracia, em histórica nação de desigualdades. Tudo, numa tradição a ser rompida de partidos literalmente fragmentados em cacos, em meio à cultura do "tudo é lícito": caixas dois, dólares na cueca, mensalões, valeriodutos...

Nisso, algo inédito. O crime se organiza (poder econômico, os membros em forte teia, em academia até) a nos fazer reféns: sociedade, governos, cidadãos. E isso, em traumática linguagem: a dos seqüestros, matança dos seguranças, ônibus em chamas.

Enquanto isso, nas ruas, rincões e favelas de nosso País, os miseráveis a nos implorar pelo pão. E, em nós, a brotar o sentimento-defesa do bíblico "Dai de comer a quem tem fome" e, ao mesmo tempo, do preceito do Gênese: "Comerás o pão com o suor do teu rosto" (mandamento e não castigo). Tudo como no baião de Luiz Gonzaga: "a esmola a viciar o cidadão".

Nossos partidos ouvem a opinião pública. E a violência já se vê alicerce ao direito de ir e vir. Nas ruas, as televisões nos mostram a população a clamar por emprego e trabalho. Nesse contexto, matar a fome dos precisados, sim. Mas isso sem viciar os sadios. O crime organizado nos dá o recado de uma "ordem e progresso", a conter a "desordem" como recado do novo. Seu líder, irônico, diz que a nós sobra apenas o inferno de Dante, sob o dístico (que cita em italiano) do "deixai toda esperança, vós que entrais".

Fique-nos, pois, a lição do crime organizado. No lema de nossa bandeira, a "ordem" há que se permear de pitadas da "desordem" produtiva. Só assim, as manhãs se tornarão graduais passos na direção de são amanhã, em nossa democracia social e política! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Frase do dia
"Não podemos, hipocritamente, exigir a moralidade e a honestidade sem praticá-las. Não pode haver outro caminho senão a expulsão de nossos quadros".

Senador Tarso Jereissati, presidente do PSDB, a respeito de deputados do partido citados na lista dos sanguessugas

terça-feira, 18 de julho de 2006

Primeiro de Maio - Por José Luís Lira / Fortaleza


Nenhum período da vida nos marca mais que a infância. E é a ela que recorro para falar do dia 1º de maio. Para nós, meninos, não havia nada de comemoração ao trabalho e seu dia. Era a abertura do Mês de Maria e tínhamos que acordar antes das seis horas para enfeitar as portas. Mês de Maio, Mês das Flores, Mês da Mãe de Deus. E ela passava as seis horas abençoando as casas de quem colocava flores nas portas em sua homenagem.
Adulto, lembro com saudades daquelas inocentes tradições. As estações do ano são irregulares no Ceará, mas, maio é como se a primavera tivesse chegado e, de repente, há mais perfumes no ar. O céu fica mais lindo, tudo para homenagear a Mãe de Deus.
Na noite de 1º de maio, tinha início ao novenário. Toda semana um colégio da cidade era responsável pela Liturgia da Missa e, o Patrono (Instituto Benjamin Soares), dirigido pelas Irmãs Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, era o que assumia a primeira semana.
Era extraordinário. Parecia até que a Missa tinha mais vida e, cantávamos, seguindo a cantora da Igreja, dona Dedite Gomes: "Oh! ditoso mês! Mês de alegrias!" Ah que saudades.... Hoje, posso ir à abertura e às novenas, mas, nada é igual, nem mesmo minha inocência.
Num mês de maio, dia 9, meu pai nasceu. É seu aniversário! Anos mais tarde, num 9 de maio (de 1990), perdíamos o nosso padre Mons. Antonino Soares, figura das mais santas que Guaraciaba conheceu. Num mês de maio, dia 12, criaram o município de Guaraciaba do Norte. Num 13 de maio, a Virgem Maria apareceu em Fátima (Portugal). No segundo domingo de maio, celebramos as mães, e no dia 18 de maio, Deus mandou ao mundo o santo João Paulo II.
Que mês santo, mês de alegrias... das maiores venturas e lembrando minha musa, Rachel de Queiroz, "No mês de maio as moitas de mofumbo se abrem todas em flores amarelas e enchem o ar com o seu cheiro doce de mimosas; em maio também devem estar em flor os aguapés na tona do açude".
Feliz dia 1º de maio! *PC*

José Luís Lira, advogado e presidente da Academia Brasileira de Hagiologia

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Frase do dia
"Você é a única que não se vendeu"

Do senador Pedro Simon(PMDB-RS) para a senadora Heloísa Helena(AL), candidata do PSOL à presidência da República.

sábado, 15 de julho de 2006

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Frase do dia
"Tenho jeito de ambulância, tenho?"

Senador Heráclito Fortes(PFL-PI), irritado por ter sido confundido pelo Jornal Nacional com o senador Ney Suassuna(PMDB-PA), suspeito de participação na compra superfaturada de ambulâncias.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

O caminho da santidade - Por Antonio Olinto / Fortaleza


O conceito de santidade ocupa um lugar definido no modo como são julgados os representantes da raça humana que hajam conseguido abandonar o natural egoísmo que nos cerca a todos os que da terra viemos e a ela voltaremos. E o sentimento geral de devoção que é a eles dedicado faz parte da história de cada recanto do mundo habitável. Os santos de cada região são lembrados, reverenciados, suas histórias são contadas e repetidas, de tal modo que uma estatística aponta, para São Francisco de Assis, por exemplo, um número considerável de milhões de livros, orações, lembranças, igrejas que, nas mais variadas partes da terra, lembram sua presença e sua poeticamente santa existência.O reconhecimento e a proclamação da santidade são as duas bases sobre as quais a Igreja Católica fundou seu apostolado no sentido de chamar a atenção para os que se dedicaram aos outros, em obras de amor e caridade. Por muito que uma sociedade se afaste da aceitação da santidade, foi, ao longo dos tempos, a presença dos que vieram a ser proclamados santos que mudou caminhos e abriu rumos.Santos foram pessoas em geral normais cujos atos levaram as autoridades da Igreja a abrirem processos especiais que definissem, num processo gradativo, o Venerável, o Beato e o Santo.De vez em quando se comenta, não só nos círculos católicos brasileiros, mas também em avaliações fora da Igreja, o fato de o Brasil, sendo um país de catolicidade confirmada, não ter ainda um único santo. Há, na realidade 54 processos envolvendo vários candidatos à beatificação no Brasil, além dos Beatos José de Anchieta e Frei Antônio Galvão, este nascido no Brasil e único brasileiro nato a ser beatificado. E temos uma santa nascida na Itália, mas de atividade brasileira. Foi Madre Paulina (Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus) que concentrou sua atividade religiosa num convento da cidade de Nova Trento, Santa Catarina. Foi Madre Paulina beatificada pelo próprio Papa João Paulo II em Florianópolis a 18 de outubro de 1991.Num levantamento completo do assunto enumera José Luís Lira, em seu livro Candidatos ao Altar, os nomes que se acham na lista de sessenta processos brasileiros de Beatificação-Canonização do Vaticano. Entre eles, vale a pena mencionar Madre Maria José de Jesus, filha de Capistrano de Abreu, o grande historiador. Madre Maria José de Jesus, cujo nome era Honorina de Abreu, foi criada e viveu na alta sociedade do Rio de Janeiro, até que, durante um baile, aos 29 anos, resolveu deixar tudo e enclausurar-se na qualidade de monja carmelita no Carmelo de Santa Teresa do Rio. O pai que dera novos rumos à historiografia brasileira, não professava religião alguma e nunca aprovou a decisão da filha, mas não a impediu de seguir sua vocação, com ela tendo mantido correspondência a vida inteira. Madre Maria José de Jesus viveu em oração e dedicação até morrer. Durante nove mandatos ocupou ela o cargo de Priora do convento. Tendo tido formação literária das melhores, deixou uma obra poética e escreveu livros. Falava fluentemente sete idiomas e traduziu, do latim para o português, a Imitação de Cristo. O nome de Madre Maria José de Jesus consta do Protocolo 1691, com Nihil Obstat datado de 26 de outubro de 1989, do Vaticano, como candidata a Beatificação.Entre os candidatos registrados em Roma acha-se um japonês brasileiro, Domingos Choachi Nakamura, nascido em Nagasaki, onde se ordenou sacerdote católico. Veio para o Brasil em 1923 e aqui desenvolveu trabalho missionário entre grande número de descendentes de japoneses, tendo participado da fundação e foi um missionário itinerante tanto no Estado de São Paulo como em outros lugares do Brasil.Os candidatos mais antigos da relação de possíveis beatificados são os 40 mártires, mortos no primeiro século de nossa história. Eram todos jesuítas: o Padre Inácio de Azevedo e 39 jovens que, de viagem para o Brasil, foram martirizados por calvinistas e protestantes. Em grande maioria, os jovens mártires tinham entre 16 e 18 anos.O importante, no livro de José Luís Lira, é a precisão das informações e o espírito religioso com que foi feito. A história do Brasil depois que os portugueses aqui chegaram, esteve sempre ligada a problemas religiosos na Europa. A cisão provocada por Lutero e Calvino implantou-se em pleno Rio de Janeiro, cuja fundação se deveu mesmo a essa luta européia, e se manteve conosco, de uma ou de outra maneira, desde então.A José Luís Lira ficamos devendo essa informação completa sobre aqueles e aquelas que, mais próximos de nós, também se acham próximos da santidade. O que, para um país de formação católica e religiosa como o Brasil, significa muito.Candidatos ao Altar sai sob a égide das Edições Abrhagi, da Academia Brasileira de Hagiologia, de Fortaleza. Coordenação editorial de Maria Norma Maia Soares, digitação de Elisiane de Araújo Lira e capa de Rafael Benevides.
Antonio Olinto: "José Luís Lira lista em seu livro Candidatos ao Altar sessenta processos brasileiros de Beatificação-Canonização do Vaticano" *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste de Fortaleza

Antonio Olinto, jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Frase do dia
"Sempre que a seleção perde uma Copa se fala em renovação, mas é fundamental contar com gente mais experiente, mais rodada".

Cafu, que não perdeu a esperança de jogar a próxima Copa do Mundo

terça-feira, 11 de julho de 2006

A viagem encantada - Por Jean Kleber Mattos / Brasília


Saudade do trem de 1950 viajando para Fortaleza. Viagem de trem era viagem elegante. Primeiro foi a Maria Fumaça. Denominação inspiradíssima. Sempre achei aquela máquina muito doida. Uma complicação só. Depois veio a máquina a Diesel. Mais moderna. Para mim, a Maria Fumaça tinha mais estilo.
Houve tempo em que o trem que passava em Ipueiras tinha primeira classe. Poltronas cobertas e confortáveis. O que mais me impressionava no trem era o carro restaurante. Muito bacana almoçar junto à janela vendo o sertão passar. O desfile da natureza.
Deixando Ipueiras, nem bem tomávamos gosto na viagem, o trem parava. Era a estação Abílio Martins. Cidade pequena. Depois vinha o Ipu. Mais bacana. E aí, Cariré! A terra do arroz-doce. Na praça da estação, tabuleiros alinhados a céu aberto com os pratos cheios à mostra. Correria. O trem demorava pouco. Passageiros pulando da composição e correndo em direção à "iguaria". Comida apressada.
O trem soava um apito anunciando a partida. Correria de volta. Nunca experimentei aquele arroz. Minha mãe não aprovava. Apenas apreciava o espetáculo gastronômico. Tínhamos nosso "farnel" próprio. Farofa de frango. Deliciosa. Em Miraíma, a fartura do peixe. Açude. Lembro do coro dos vendedores de água portando uma quartinha e um copo de alumínio. O mesmo copo para todos. Indução de imunidade. A água mineral com gás era novidade para mim. Não matava a sede. Nota dez para a água da quartinha. Olhágua! Olhágua!
Numa estação ou outra, se muito, crianças do local atiravam areia no trem que passava. Às vezes pedras. O subdesenvolvimento gosta de marcar presença.
A composição chegava a Sobral. Cidade grande. Quitutes mais sofisticados. Havia o "Colchão de Noiva". Era uma cocada especial e deliciosa, hoje atração turística em Fortaleza. A vegetação natural do Vale do Acaraú, sempre me encantou. Árvores esparsas de copa horizontal. Como na África. Pude comparar no futuro.
Sentíamos Fortaleza mais próximo quando chegavam Itapipoca, a Pedra do Frade, e o vale do Curu. Daí, Caucaia. O holofote da Base Aérea varrendo os céus. A luz vermelha das torres. Agora sim, estávamos chegando. Sempre à noite. A grande estação. Deslumbramento! Os chapeados, carreteiros com chapéu típico, com placa metálica numerada e bem polida, nos esperavam. Os carros de aluguel, Citroen. A Pensão do Norte, de "seu" Hermógenes, na rua Barão do Rio Branco, lá estava. Éramos velhos fregueses. Recepção amiga.
No dia seguinte, a incursão à Loja de Variedades e à "Quatro e Quatrocentos". Lanchonetes! O cheiro de pastel. O molho do cachorro quente. Delicioso! Não há igual nos dias de hoje. Sorvetes enormes! Brinquedos de plástico. Carrinhos de corda. A frota de carros de aluguel. Um show para arregalar os olhos de qualquer criança. Só tive medo do chuveiro. Nunca tinha visto um. Visitas aos parentes. Visitas aos escritórios comerciais. Meu pai já preparava o êxodo.
O regresso a Ipueiras. Acordar cedo. Enjôo passageiro. A partida do trem. Caminho de volta. Tudo de novo, ao revés. Um caminho pontilhado de nomes indígenas. Alguns graciosos, outros engraçados. Itapipoca era meu favorito. Miraíma parece nome de gente. Chegada prevista para as três da tarde. O trecho Ipu-Ipueiras era espacialmente mágico. O trem sacudia levemente e marcava compasso: Tatá-tatá, tatá-tatá...Raios dourados do sol espreitavam por trás de pequenas nuvens. Um céu de Constantino do tipo "in hoc signo vinces" conforme minha avó me mostrara numa ilustração da História do Cristianismo.
Eu estava dando tratos à bola. O que me esperava afinal, em Ipueiras? Minha avó Luizinha? Os coleguinhas do Educandário? Os banhos de tina, de rio e de chuva na rua? O banco de "notas" feitas com carteiras de cigarro? As cerimônias de "Te Deum" ao entardecer? Eu me lembrava do deslumbramento de Fortaleza e sorria. Mais dia menos dia, viveria lá. Mas um aperto no coração me fazia lembrar que Ipueiras havia, definitivamente, me conquistado. O trem fez uma longa curva. Lá longe, um morro. No alto, a figura branca com os braços abertos. O Cristo de Ipueiras dando as boas vindas!
Puro encantamento!

Texto publicado originalmente no blog GRUPO IPUEIRAS

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Frase do dia
"Acabamos de inventar o vídeo assistente. O quarto árbitro viu o lance e só aí avisou. O juiz e o assistente não tinham visto. Nem nós vimos. Nunca existiu uma decisão assim."

Raymond Domenech, técnico da seleção da França, jogando a culpa da expulsão de Zidane no monitor instalado na mesa do árbitro assistente

sábado, 8 de julho de 2006

A Índia Iricema - Por Bérgson Frota / Fortaleza


No passado, o Ceará era uma terra dividida em várias nações indígenas. Algumas delas viviam em guerra com outras; poucas eram as que procuravam a união entre si.A falta de paz era tão grande que fazia a lua chorar e o sol se entristecer.Foi então que na nação dos Meriutabas, nasceu uma pequena princesa chamada Iricema. Era formosa desde de pequena, e sua beleza atraía para seu povo uma grande inveja.Um dia, um guerreiro poderoso chamado Trovão visitou a aldeia de Iricema e a pediu em casamento. Daria para os Meriutabas a paz e a fartura em troca.Trovão fez Iricema muito feliz e levou por muito tempo paz e abundância a toda a região, mas depois de sair um dia para caçada, Trovão não mais voltou.A região começou a fazer guerra e a terra voltou a ter secas atrás de secas. Iricema ficou triste.Viu seu povo sofrer e o povo das outras tribos também.O tempo passava e sem resposta, Iricema só chorava.De repente, os índios começaram a ver no céu, à noite, pequenas luzes a piscar.Eram as lágrimas de Iricema que a terra recusava receber e o céu as levava para si.Cada noite, havia mais estrelas e a lua já não estava mais só.Cansada de sofrer, Iricema saiu pelas matas procurando seu esposo, até que ouviu do vento que soprava pelas copas das carnaúbas que Trovão havia sido levado pelo grande rio e não mais voltaria.Iricema, então, não retornou mais à casa. Ficou sentada num alto rochedo até perder de si a consciência. A lua viu quando ela caiu em profundo sono e o sol também a viu quando esquentava o dia.Os dois grandes astros, com pena de Iricema, resolveram levá-la para junto de suas lágrimas e, numa noite de mágica, Iricema foi transformada numa grande lágrima piscante.Quando os índios viram aquela nova luz no céu, ficaram encantados e deixaram de lado suas guerras, começando uma paz duradoura na região.Iricema é o que hoje chamam de estrela d'alva; e as outras pequenas estrelas são as lágrimas que derramou pelo seu amado Trovão, enquanto na terra viveu. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Trânsito, direito de ir-e-vir - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Do Departamento de Trânsito do Ceará, recebo comunicação sobre a necessidade de renovar minha Carteira Nacional de Habilitação de motorista. Submeto-me de pronto às necessárias atualizações tocantes à saude e visão. Mas a intuição me leva a esquivar-me de um solitário exame e à procura de visão solidária, matriculando-me no Curso de Direção Defensiva e Primeiros Socorros, optando pelo da Cooperativa de Educação de Trânsito, em três produtivas tardes de 15 horas-aula. Fim da primeira tarde. De táxi, volto para casa. Com o motorista, comento as infrações ao nosso redor e falo do curso. E ele, irônico: "Jeito de tomar dinheiro da gente". Descrevo o clima de "Lei do Gerson" e de "levar vantagem em tudo", ao nosso redor. Topics, sem avisos, a se abaterem sobre nós. Pedestres fora de faixa, bicicletas e motos em inesperado jogar-se contra nós. E o comentário: aqui é necessário um "sinal", como sinônimo de um "semáforo". Falo de imaginários outros - Salvador e Brasília - onde os pedestres são respeitados, ao contrário daqui, até nos shoppings, onde carros se jogam contra os pedestres. No curso, "direção defensiva" abre espaços para nova lógica, direito de ir-e-vir crescente entre cidadãos - motoristas, pedestres, escola (da infantil à superior) e, sobretudo, nos meios de comunicação) Aos do Curso, levo tais preocupações. Sobretudo, a necessiade de rompermos com o imaginário popular cearense, montado sobre a lógica da confusão entre "sinal" e "semáforo", a nos tolher a liberdade e os direitos. Falar, sim, de multas, penalidades, tipologia das vias, de tempo de frenagem e dados técnicos outros. Mas, sobretudo, do fim último do trânsito, que está a serviço do cidadão e da liberdade. Tudo, numa cidade sob o desenho do "xadrez" e sua lógica, a nos congestionar o trânsito, o trabalho e a vida! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Frase do dia
"Lula deu aumento de mais de 16% para os da ativa e nega agora para os aposentados? Demagógica foi a promessa dele dobrar o salário-mínimo. Ele não cumpriu e agora quer punir os aposentados"?

José Agripino Maia, líder do PFL no Senado.

terça-feira, 4 de julho de 2006

SOS Jatobá - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Escritora aborda em poema situação do manancial

A escritora Dalinha Catunda é ipueirense, mas mora há muitos anos no Rio de Janeiro. Como os antigos moradores de lá, ela foi uma das que teve o privilégio de vivenciar as belezas do Jatobá no passado. Quando surgiram às ações de defesa do manancial, seus poemas se tornaram verdadeiros "hinos" das campanhas de revitalização do Rio Jatobá. Os textos falam da exuberância do passado e da urgência do presente. Abaixo, o poema retrata uma mistura do que foi e hoje é o Jatobá.

SOS JATOBÁ

Esta é uma lenda antiga
Que corre no meu lugar
Gira de boca em boca
Mas vale a pena lembrar

Quem nasce em Ipueiras
E bebe do Jatobá
Pode dar voltas no mundo
Mas sempre retornará ....

Tomar banho lá na volta.

Tudo isso é sonho distante
E eu peço à população
Não deixe que o Jatobá
Seja apenas recordação

Não matem nosso rio
Com tanta poluição
Não privem nossos filhos
De viver a mesma emoção *PC*

Texto publicado originalmente no caderno Regional do jornal Diário do Nordeste de Fortaleza

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Frase do dia
"A hora é de lamber as feridas e de enterrar o defunto com dignidade".

Parreira