sexta-feira, 30 de junho de 2006

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Filho de Ipueiras ganha prêmio Alberto Nepomuceno - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Prefeito Nenem do Cazuza e o músico Arquimedes

Com apenas cinco anos de participação na Banda de Música Municipal Joaquim Catunda Sobrinho, José Arquimedes Ribeiro da Silva, 19 anos, foi o grande ganhador do Prêmio Alberto Nepomuceno, categoria Composição para Bandas de Música. Arquimedes foi consagrado o melhor músico do Ceará com a composição Ipueirense.
O Prêmio Alberto Nepomuceno tem como meta estimular a criação de composições que valorizem os ritmos brasileiros, assim como prestigiar e lembrar os feitos desse ilustre cearense que tanto contribuiu para o desenvolvimento da música no Brasil.
Alberto Nepomuceno, maestro maior do país, nasceu no dia 6 de julho de 1864 em Fortaleza. Após brilhante trajetória, faleceu em 1920 no Rio de Janeiro.
Recebida a premiação de três mil reais, o jovem talento ipueirense retornou a sua terra natal e foi festejado por todos os seus conterrâneos. No paço municipal, uma multidão se aglomerou para ver e ouvir a Banda de Música Municipal, que tem a sua frente um dos melhores maestros do Ceará, Jorge Nobre, ganhador do Prêmio Alberto Nepomuceno em 2005.
Na ocasião, o prefeito de Ipueiras, Raimundo Melo Sampaio (Nenem do Cazuza), entregou o Certificado Alberto Nepomuceno ao jovem músico da cidade. O objetivo do governo municipal é promover políticas públicas voltadas para os jovens talentos e trabalhar arduamente por sua inclusão social e cultural. *PC*

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Frase do dia
"Em 12 anos do real, o PIB do Ceará cresceu 30,7%. Quanto à distribuição de renda, que é o que de fato importa, nós continuamos passando vergonha..."

Neno Cavalcante, jornalista

terça-feira, 27 de junho de 2006

Saudades de Ipueiras - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Ipueiras dos meus tempos,
Como posso não lembrar.
Do Cristo de braços abertos,
Dos banhos de Jatobá

Dos passeios na avenida,
Dos namoros ao luar.
Da bandinha anunciando,
Os festejos do lugar.

Das mensagens que eu ouvia,
Na rádio vale do Jatobá.
Quase sempre oferecida,
Por quem dizia me amar.

Das quermesses, das novenas,
Como posso me esquecer.
Do toque da alvorada,
Embalando o amanhecer.

A procissão que passava,
Levando a Santa no andor.
E o povo compenetrado,
Cantando em seu louvor.

Ecoa em meus ouvidos,
Saudoso àquele grito.
Do menino que passava,
Com tábua de pirulito.

Olha o pirulito! Gritava,
Com sua tábua na mão,
E assim adoçava a infância,
Daqueles tempos de então.

Cadê o seu Zeca Bento,
Com sua calçada cheia?
Cuspindo num latinha,
Toda forrada de areia.

Era a roda mais famosa,
Que existia em nossa aldeia.
Debatia-se qualquer assunto,
De política a vida alheia.

E seu Idálio? Era tido
Como doutor do lugar.
Remédio para corpo e a alma,
Só ele sabia passar.

Figura saudosa e marcante,
Era o velho Camaral.
Mestre em puxar cordões,
Nos bailes de carnaval.

O carnaval de Ipueiras,
Tinha a sua tradição.
De dia, brincavam na rua,
De noite era no salão.

O testamento do Judas.
As fogueiras de São João.
São saudades permanentes,
Juntamente com o chitão.

Quem não chorou ou sorriu,
Na praça da Estação.
Esperando o trem que passava,
Levando e trazendo paixão.

Os banhos de açude!
Meu Deus! Que animação.
Às vezes no Pai Mane,
Outras no Lamarão.

Ah! Tempos maravilhosos.
Oh! Doces recordações.
Tempos seresteiros,
De donzelas, de canções

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Frase do dia
"A esperança que esse governo levantou foi corroída como cupim pelo desmazelo, pela corrupção, os escândalos, o desrespeito à democracia e por um tipo de governo do eu, eu, eu.
Vão ver o que vai acontecer com esse eu, eu, eu nas urnas".

Fernando Henrique Cardoso.

sábado, 24 de junho de 2006

O Craque Romaldo - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Quando Romaldo nasceu jamais poderia imaginar que seria um grande jogador de futebol. Mas seu nome já lhe marcava uma carreira de glórias neste esporte.
Foi seu pai, que para homenagear os jogadores Romário e o também campeão Ronaldo, quem inventou o nome.Só depois de explicado, o padre concordou em batizar.Desde cedo, Romaldo mostrou-se muito íntimo da bola.
Sabia dar várias embaixadinhas por horas sem se cansar.
Gol de placa era fácil e de bicicleta nem contava mais, pois já havia perdido as contas. Os únicos que ainda contava eram os gols olímpicos.Durante seu tempo de folga, pois trabalhava na padaria com o pai, Romaldo via e revia em filmes os gols de Pelé, Garrincha, Jairzinho, Zico, Sócrates, Falcão, Romário, Ronaldo e Ronaldinho. Procurando sempre imitar e fazer melhor, se conseguisse.Não demorou ser descoberto e foi convidado para jogar numa escolinha de um grande time.Com seus dribles e gols de placa, gols de bicicleta e até de cobrança de faltas, o garoto foi crescendo dentro da escolinha e veio então o esperado convite para o time principal.Seu talento só cresceu, e o "menino fenômeno" como era conhecido na escolinha passou a ser o grande ídolo de seu time.
Quando saiu a lista para a seleção, Romaldo estava entre os convocados.
Era mais uma etapa vencida.Na Copa, só dava Romaldo, e o povo delirava quando o garoto recebia a bola driblava um, dois, três e com força chutava para o gol.Assim foi em cada jogo até a grande final quando foi campeão, ele e a sua seleção.Mais uma estrela na camisa canarinho.Depois desta Copa ninguém mais desconhecia o "menino fenômeno".
Romaldo virou uma lenda no futebol, e além de divulgar e afamar mundo afora o futebol brasileiro, confirmou o velho ditado de que todo sonhador que luta sem desistir encontra sempre no caminho a porta que o leva à concretização do que busca. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Voando com Frota Neto - Por Jean Kleber Mattos / Brasília


Certo dia eu embarquei no aeroporto de Brasília com destino à Fortaleza, para gozo de férias. Meus pais já moravam comigo em Brasília, mas eu não dispensava aquela pequena temporada anual na terrinha. Nossa casa em Fortaleza estava sob os cuidados de minha tia,D.Francisquinha, irmã de meu pai, que lá morava com o marido Francisco Fontes e a filha Salete.Uma alegre e numerosa comitiva havia embarcado antes de mim. Quando entrei no avião ouvi alguém me chamar pelo meu nome "ipueirense" de infância:- Klebinho!Era Frota Neto, então porta-voz de Saney, que estava indo à Fortaleza para o casamento da filha. Grande alegria! Muitos anos haviam se passado desde nosso ultimo encontro em Fortaleza, quando eu ainda estava no Cursinho Pré-Vestibular. Naquela ocasião, ele, recém-chegadode Cuba, havia me instruído sobre os programas sociais da ilha, pelos quais se entusiasmara.Meu assento no avião tinha número baixo, logo no início. O dele ficava mais ao fundo. O vôo aguardava passageiros de conexão de forma que, por alguns minutos, Frota Neto, com admirável simplicidade, sentado no braço da poltrona, colocou a conversa em dia. Perguntou por "seu" Mattos, por D.Mundita, deu notícias de amigos de Ipueiras eapresentou-me a alguns colegas jornalistas que o acompanhavam ao grande evento. Embarcados os passageiros da conexão, a comissária pediu quenos acomodássemos para a partida. Foi quando tive a idéia de documentar aquele encontro histórico. Consegui um pedaço de papel e tão logo o vôo estabilizou fui até onde estava o Frota. Pedi-lhe que escrevesse uma mensagem para meu pai, seu professor na escola primária.Com entusiasmo, escreveu a mensagem, enquanto comentava alegremente com seus colegas sobre Ipueiras e nossa infância.De repente era como se o tempo não tivesse passado. Ali estávamos,meninos de Ipueiras, Kleber e Antônio do Idálio, fazendo nossa pândega. No Bhagavad-gita li, certa vez, uma singela lição sobre a atemporalidade do espírito. Havia um convite a que a experimentássemos.Só o corpo envelhece. Em essência, o nosso pensar, o nosso gostar e o nosso querer permanecem os mesmos. Einstein descreveu a relatividade do"passar do tempo" em função da velocidade. Mas o fato incrível naquele momento, é que a Ipueiras encantada de nossa infância estava nos rejuvenescendo!De volta para minha poltrona algumas pessoas que eu nunca vira antes,cumprimentaram-me sorridentes. Retribuí satisfeito e acomodei-me no assento. Endorfinas em alta, de repente comecei a me sentir importante.E porque não? Afinal eu era amigo do "ôme"!Foi aí que "caiu a ficha"...

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Frase do dia
"Poucos vêem o lado bom, Bussunda morreu no auge. E quando um humorista se vai, o mundo fica mais sem graça, como já deve ter sido dito".

Neno Cavalcante, jornalista.

terça-feira, 20 de junho de 2006

A imagem de escola hoje - Por Solange Rosa / Fortaleza



A escola é uma instituição social que se caracteriza como um local de trabalho coletivo voltado para a formação das jovens gerações, diferente de outras tantas instituições sociais.
Nela, realizam-se dois importantes movimentos, aparentemente contrários, mas que se completam no papel social da instituição escolar:

a) o movimento de conservação, graças ao qual se assegura às jovens gerações o acesso ao saber historicamente construído como legado da humanidade a ser incorporado e ressignificado:

b) o movimento de transformação, que impulsiona à mudança, por via de um fazer pedagógico, que se associa a uma prática social mais ampla, confluindo na vertente de uma autêntica "práxis".
A escola, ao longo dos anos (é verdade), tem-se orientado mais pelo movimento de conservação, pouco se dando ao trabalho de incluir,em sua ação, os necessários elementos críticos a desaguar num processo de "ressignificação". Em outros termos, a releitura do saber transmitido historicamente acumulado. Dessa forma, vem ela, a escola, quase sempre, assumindo, postura e prática tradicionais.
Nesse contexto, que imagem nos está passando hoje a escola? Qual, dentre seus modelos vários, elegemos nós para a educação de nossos filhos?
Que práticas desenvolve ela, em seu quotidiano, e sob que forma elas nos chegam? Como pais, que preocupações temos tido nós, em relação à escola onde estudam nossos filhos?
Tais questões trazem as preocupações daqueles pais que detêm o privilégio de escolher a escola de seus filhos. Mas não (sabemos nós) da grande maioria, que não dispõe dessa opção. É o caso da escola pública, que, via de regra, não apresenta diferencial entre suas unidades. Todas as unidades escolares, indistintamente, parecem ter o mesmo rosto, os mesmos problemas. A essa grande maioria, resta-lhe a sorte de garantir, pelo menos, o direito ao acesso pelas crianças, adolescentes e jovens - o que, a uma população cronicamente desassistida, já parece uma grandeconquista...
Mas isso, no entanto, não é tudo. Faz-se necessário que alcancemos dois outros patamares: a garantia da qualidade e o sentido, inerente ao "direito à educação".
Não existe um modelo ideal de escola. No entanto, podemos falar de alguns indicadores de qualidade que possibilitam a escolha de tal ou qual escola, pelo tipo de educação que nela se processa. Diríamos que escola com qualidade seria: "aquela que reúne em seu projeto - valores; respeito às diferenças; mantém critérios de igualdade a todos; apresenta ambiente esteticamente belo, acolhedor e limpo; é organizada, competente no que faz e orienta; acima de tudo, favorece a convivência; fortalece os vínculos de afetividade e de solidariedade" ( ROSA, 2004,p.18).
Para muitos, a escola é espaço de convivência ainda negado, a uma legião de crianças, adolescentes e jovens, em suas famílias, onde lhes faltam o carinho e a amizade cultivada no lar - quer pelas circunstâncias de vida de seus familiares, quer, por vezes, pela própria ausência dos pais. O núcleo familiar de onde provêm a maioria é cada vez mais restrito e nele se deixam de cultivar valores e atitudes importantes para a vida, cabendo, por isso, à escola, suprir parte dessas carências fundamentais à formação do educando.
Cabe também à escola, tornar-se um ambiente propício à educação dos limites, já que a família não favorece a base deste processo. "Os limites vão fazer com que a criança seja disciplinada. Ela aprenda a respeitar as pessoas, as regras sociais, além de ser respeitada. A disciplina, enquanto recurso formador de bons hábitos e atitudes, deveria começar desde o nascimento, com medidas simples, como por exemplo, a regularidade nos cuidados diários e nas rotinas do lar" (CONCEIÇÃO, 2005,p.10). Pois, a base para uma educação preventiva, contra a violência, está alicerçada na educação dos limites, desde a infância. O dizer "não" em certos momentos do processo educativo é um saber que deve estar associado à noção de liberdade; negar algo a uma criança em certos momentos, não indica rejeição ou agressão, mas demonstra uma crença na capacidade intelectual de quem está sendo educado.
Outro importante elemento da educação familiar e escolar é a afetividade, hoje tão difundida no campo da "inteligênciaemocional".
Educar para a afetividade faz aflorarem a sensibilidade, a criatividade e, sobretudo, o "aprender a ser", que indica "(...) o temor da desumanização do mundo relacionada com a evolução técnica" (DELORS, 2000, p.99) e a possibilidade de negação ao que nos adverte Frei Beto, em sua constatação:
"Educa-se hoje a razão sem educar o coração, originando pessoas intelectualmente adultas e sentimentalmente infantis, falsas e até agressivas".
A compreensão do papel a se desempenhar pelos profissionais da educação escolar é decorrência direta da própria missão e função social da escola. Em outros termos, da eleição dos fins educacionais, que se materializar e se concretizam na ação educativa por quantos fazem o conjunto da escola. Na verdade, os fins não têm sentido, se desvinculados da ação. E a ação, por si só e isolada dos fins, torna-se mero pragmatismo ou espontaneísmo. Em suma, os fins, hão de estar imersos e visíveis no próprio "projeto formativo da escola", pois, "se é verdade que cabe ao professor a tarefa primordial de realizar os fins da educação, também é verdade que a organização da escola tem uma grande responsabilidade. Uma vez que a escola pratica a educação como uma função coletiva e não individual, cabe perfeitamente uma definição dos fins da escola" (PAVIANI, 1988, p.36).
Educar é tarefa que envolve complexidade. E, nesta, impõe-se um olhar sobre a pluralidade do universo discente, com suas diferenças individuais como cidadãos habitantes de uma democracia, que se faz diversificada, complexa e plural. E é este horizonte o responsável pelos fins educacionais a serem buscados por todos nós, desenho de uma UTOPIA, para uma nova escola!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONCEIÇÃO, Kedna dos Reis. Educação dos limites na infância. Fortaleza: UVA, 2005 (monografia do Curso de Especialização em Educação Infantil).
DELORS, Jacques. Educação. Um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2000.
PAVIANI, Jayme. Problemas de filosofia da educação. Petrópolis,RJ: Vozes, 1988.
ROSA, Solange. A imagem dos pais frente à escola dos filhos. In: Revista Escola de Pais do Brasil. Fortaleza: Escola de Pais do Brasil/CE, 2004 ( p.18).

Solange Rosa é pedagoga, mestre em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professora aposentada da Universidade Estadual do Ceará, sócia e diretora da EPSILON Serviços Educacionais.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Frase do dia
"Eu me considero um abençoado por Deus. Ele me abençoa em tudo, principalmente nas minhas estréias. É um momento mágico".

Fred, que entrou em campo aos 43 minhutos do segundo tempo do jogo contra a Austrália e fez o segundo gol

sexta-feira, 16 de junho de 2006

quinta-feira, 15 de junho de 2006

O centenário do açude Cedro - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Há exatamente 100 anos era inaugurado o açude Cedro, obra prima da engenharia brasileira do final do século XIX. Este colossal açude retrata as esperanças do governo central na época para minimizar o sofrimento do nordestino, em especial o cearense que muito havia sofrido na grande seca de 1877 e que durou até 1879, custando ao Ceará, segundo o historiador Barão de Studart, 119 mil mortos e expatriados 5.500, bem como o desaparecimento total da indústria criadora
A obra foi encomendada pelo imperador Pedro II, monarca sensível ao sofrimento de seu povo e que conforme a lenda histórica, ao ouvir os relatos de vários retirantes teria dito que venderia "até o último brilhante da coroa" para que nunca mais os cearenses morressem de inanição.
Enviou ao Nordeste uma missão científica, especialmente ao Ceará, para estudar a questão da seca. Dela participaram os maiores expoentes da engenharia brasileira na época como o professor Raja Gabaglia, o Barão de Capanema e outros grandes nomes.
Determinada a construção do açude, escolheu-se a região semi-árida de Quixadá.
As obras da barragem foram iniciadas em 1881 (ou 1888, segundo outras fontes), foi quando começou o levantamento da monumental parede de pedra, engenho de arte e beleza, que veio em 1977 a ser tombada pelo Patrimônio Nacional.
A obra prosseguiu por quase 25 anos, e depois da abolição da escravatura teve como força o braço livre dos agricultores da região.
A conclusão do grande açude se deu já na República, em fevereiro de 1906, no governo de Afonso Pena.
O Cedro foi o primeiro açude público do Nordeste, símbolo maior da luta do nordestino pela sobrevivência contra as adversidades da seca. Possui um reservatório com a capacidade para 125.694.200 metros cúbicos, com uma profundidade máxima de 16 metros e uma bacia hidrográfica de 120 km quadrados.
Da parede do açude, feita artesanalmente de pedra, vê-se a bela formação rochosa que é o símbolo da cidade de Quixadá : a pedra da Galinha Choca.
A construção do Cedro foi um grande desafio, não só pelas difíceis condições da região na época mas também a prova de que o nordestino não se acomoda perante a maior das adversidades que tem enfrentado : a seca.
Ao finalizar, fica a frase concisa mas grandiosa que melhor define o grande açude dita pelo biólogo paranaense Fábio Angeoletto : "Pergaminho pétreo que nos conta a história evolutiva de um animal cujas armas não são garras ou mandíbulas poderosas, mas a capacidade de criar e disseminar cultura". *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Frase do dia
"Nossa campanha vai ser como a seleção do Brasil na Copa de 70. Na hora certa, o talento vai aflorar, vai aparecer".

Geraldo Alckmin

terça-feira, 13 de junho de 2006

Santo Casamenteiro - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Meu Santo Antônio querido,
Tenho por ti devoção.
Por isso, suplico e te imploro
Um pouco de compaixão.

Estou ficando passada,
Com a validade vencida
E um casamento agora
Seria uma boa pedida.

Não sou lá muito exigente,
O que quero é me casar.
Se for de segunda mão,
Mesmo assim vou aceitar.

O que não quero, meu santo,
É ficar para titia.
Me poupe desse vexame,
Me livre dessa agonia.

Seja até uma união,
Sem noivado e casamento.
A esta altura, meu santo,
Topo até ajuntamento...

Comprei velas e mais velas
E tenho um pressentimento:
Antes de que feche junho,
Vai me pintar casamento.

Lembrei-me agora, meu santo,
E isso não vou esquecer:
Assim que a graça alcançar,
Teu menino vou devolver!

Daquele pote com água,
Também vou te resgatar.
Flores e toalha rendada,
No oratório vão te aguardar. *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Frase do dia
"Na vida, algumas coisas são impossíveis de se alcançar".

Luís de Oliveira Gonçalves, técnico da seleção de Angola que perdeu ontem para Portugal por 1 x 0

sábado, 10 de junho de 2006

Ouvindo os professores - Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Ouço professores de todos os níveis. E fico a pensar no status por eles perdido, ao longo dos anos, desde quando, à porta dos consultórios, os profissionais quando também professores, preferiam como tal identificar-se. Guardo o júbilo de colega meu ao relatar, quando na Alemanha, o tratamento respeitoso ao "Herr Professor", que lhe davam os bancos. Na universidade, alcancei docentes no alto de suas cátedras. Tempos em que, no Ceará, os salários dos professores do velho Liceu equivaliam aos dos desembargadores.A esse tempo, ainda nos pautávamos na crença do mandamento divino mais forte: o "comerás o pão com o suor do teu rosto". A escola era o lócus apropriado para a formação do cidadão, do profissional e da pessoa. E corolário disso, a constatação de que "ela é o que são seus professores". Com o tempo, as cátedras foram se esfacelando em prosaicas "cadeiras" até se confundirem com as "carteiras" onde se sentam os alunos. Dedicado, por anos, à administração pública, decidi, para espanto de muitos, voltar à sala de aula. Movia-me a compulsiva "vocação de resina", na ânsia de rejuntar "cabeças, mãos e corações" (isto é, os intelectuais, os gestores e o tato político). Amigos reagiram, mas, obstinado, lá fui eu. Vi autismos a separar governo, sociedade e universidade. Na pública, queixas ante um retórico "público e gratuito", sem livros, laboratórios e condições. Tudo, pago por baixo dos panos. "Dia virá" - caricaturava-nos uma jovem docente - "em que teremos, até nós, que pagar para entrar aqui".Na particular, mais grave, as ondas de inadimplência a forjar crescentes burlas à CLT: "Aqui, quem manda é o cliente. Os professores são meros empregados. Cumpre-lhes entregar o produto (o diploma) a quem por ele pagou". Mesmo que "sem fundo"? Rever tal quadro faz-se urgente! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Charge da semana

Henrique - Tribuna da Imprensa (RJ)

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Orkut - Por Pricila Lino / Madrid


Polícia pede quebra de sigilo de 56 perfis do Orkut

A Polícia Civil do Paraná está investigando perfis do site de relacionamento do Orkut que seriam responsáveis por crimes contra a honra, ameaça, calúnia, injúria e apologia à pedofilia. Ontem, o delegado titular do Núcleo de Combate aos Ciber Crimes (Nuciber), Demétrius de Oliveira, entregou à Justiça pedido de quebra do sigilo dos cadastros de 56 perfis. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), o delegado também encaminhará requerimento de ajuda nas investigações aos escritórios do Google e do Orkut no Brasil e nos Estados Unidos. "Estes 56 perfis tentam denegrir imagens de pessoas com xingamentos e, até mesmo, pornografia. Há, inclusive, comunidades que incentivam maus-tratos contra animais ou ódio contra alguma pessoa", disse o delegado, por meio da assessoria de imprensa. De acordo com ele, a princípio, os perfis selecionados seriam de paranaenses. "É para ter certeza da origem e da identidade dos criminosos que pedimos a quebra de sigilo. Temos que combater esse tipo de crime com agilidade e rigor", afirmou. As investigações começaram há cerca de quatro meses, depois que algumas pessoas de Curitiba e do interior do Paraná prestaram queixas na delegacia. "Alguns perfis foram retirados do ar por seus donos, mas temos cópias das páginas o que não vai livrar que respondam pelos crimes que cometeram", disse. O pedido de quebra de sigilo foi enviado à Vara de Inquéritos Policiais, em Curitiba. Agora o delegado, aguarda a decisão judicial para dar continuidade às investigações. O Nuciber é uma unidade da Polícia Civil criada no ano passado especificamente para investigar crimes ocorridos na internet. O núcleo funciona na Rua José Loureiro, 376, no 1º andar, em Curitiba. *PC*

Pricila Lino, locutora de Rádio

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Frase do dia
"Quero todos presos"

Aldo Rebelo, presidente da Câmara dos Deputados, ao saber da invasão dos sem terra.

terça-feira, 6 de junho de 2006

O vocabulário do rio Jatobá - Por Jean Kleber Mattos / Brasília


Numa manhã, fomos ao banho, no rio Jatobá - eu, meu pai, o Zaca e o Assis.
Quero apresentar dois membros da comitiva.
O Zaca é Zacarias Pereira de Souza, filho de "seu" Gustavo, que morava próximo ao rio. Trabalhava lá em casa. No futuro, integraria o contingente da gloriosa Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro. Assis é Francisco de Assis Fernandes, filho de "seu" José Fernandes, que era um próspero sitiante na serra. Era estudante interno do Educandário. Assis viria a se ordenar padre em Roma, pela Ordem dos Paulinos, alguns anos depois. Hoje é jornalista prestigiado em São Paulo, especializado em televisão. É casado. Tem filhos e netos.
É admirável o número de palavras e conceitos que uma criança pode aprender num simples banho de rio. A criança aprende apenas o básico, e, no correr da vida, os sinônimos mais sofisticados vão se incorporando ao seu linguajar. Beira do rio. Margem. Água limpa. Límpida. Cristalina. Piaba. Peixinhos. Filhotes de peixe. Alevinos. Remanso. A curva do rio. Águas mansas. Plácidas. Poço. Profundidade. Perigo. Saber nadar. A coroa do rio. Os ribeirinhos pronunciam a "c'rôa" do rio. Banco de areia. Cacimba. Cavar a água. Lençol freático.
Aquele era um dia cheio de novidades. O banho transcorria à sombra de grandes árvores que margeavam o rio. Logo alguém viu um enorme "enxu" fixo em um galho de árvore. Enxú. Casa de marimbondo.Vespeiro. Mel. Cria-se que ao produzir-se fumaça os marimbondos fugiriam ou seriam inibidos de atacar. Havia apenas fósforos. Não havia papel. Enfim encontramos algo bem combustível. Esterco seco de vaca. Produzida a fumaça e afastados os insetos, sobreveio a captura do enxu. Decepção! Apenas formas encasuladas restavam dentro. Inúmeras. Nada de mel. Tamanho não é documento. Crime ecológico. Colméia em fase de reprodução. Marimbondos são aliados dos agrônomos contra as pragas da agricultura. Predam lagartas. Impossível para nós, naquele estágio, esse entendimento.
Uma porca e três ou quatro bacorinhos atravessaram o rio. Um espetáculo enternecedor. Nadam bem. Quase submersos, apenas o focinho emergia. Ninhada de porcos. Filhotes de porco. Mais tarde, aprendi que o coletivo é vara. Se perguntado naquele dia, "porcaria" seria a resposta. Se muito, eu teria uns sete anos naquela época.
Um dia, o rio jatobá transbordou. A cheia do rio. A correnteza. Flocos de espuma. Pouquíssimos, pois ainda não conjugávamos o verbo 'poluir'. Meu padrinho de crisma, José Costa Matos, levou-me para ver. Minha mãe nos acompanhava. O padrinho José foi o herói do dia. Entusiasmado com o espetáculo das águas, lançou-se ao rio, enfrentando a correnteza. Nadou nas águas perigosas. Parecia um peixe. Um dia inesquecível para mim. O nadador seria em futuro próximo o famoso Costa Matos, poeta e escritor reverenciado nos meios literários cearenses. Se bem me lembro, naquela época ele acabara de lançar o primeiro livro de poesias, "Pirilampos".
Hoje o vocabulário das crianças é mais rico, porém cheio de palavras horrendas. Poluição. Desmatamento. Assoreamento. Eutrofização. Esgoto a céu aberto. Este é o vocabulário dos rios brasileiros no século XXI. Não mais piabas, nem água limpa. Não mais o banho seguro. E porquinhos? Ainda atravessam o rio? Haja coragem...
Outras palavras, porém, começam a se incorporar com sabor de esperança. Educação. Saneamento básico. Consciência ecológica. Reflorestamento. Campanhas. Solidariedade. Pacto de não agressão. *PC*

domingo, 4 de junho de 2006

Frase do dia
"Ganhei uma chuteira do Ronaldo: é como uma luva que você põe no pé. Você corre e nem sente a chuteira".

Lula, em entrevista a Jorge Bastos Moreno, publicada hoje em O Globo

sexta-feira, 2 de junho de 2006

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Frase do dia
"A candidatura de Pedro Simon (a Presidente da República) é extemporânea, anacrônica e não tem vínculo com a realidade".

Romero Jucá (PMDB), novo lider do governo no Senado