quarta-feira, 31 de maio de 2006

O lendário Zeca Frosino - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Junho se aproxima e eu não poderia deixar de prestar minha homenagem a José Batista dos Santos, que, mais tarde, popularizava-se, como "Zeca Frosino" - o inventor do forró nas terras das Ipueiras.

Nascido, em 09 de março de 1926, no Curupati, atualmente Abílio Martins, criado no Arroz, fixou moradia na Floresta. Daí, seu nome ganhou chão, na boca do sertanejo festeiro. Hoje ele é sinônimo de festa, alegria e tradição, realizando seu forró das antigas, o forró de matuto, na quadra do Corte Branco.

Foi Zeca o pioneiro na organização de forrós nos arredores de Ipueiras. Foi quem descobriu esta mina de ouro, atualmente explorada por muitos com fins lucrativos. Enquanto ele, que começou à luz de lamparina e da lua, continua promovendo seu Chitão, por puro prazer de reunir o povão e celebrar a vida em ritmo de forró.

Lendas sobre Zeca são muitas. A mais comentada é de um tronco de árvore onde era amarrado aquele que abusava da bebida e da valentia. Na realidade, Zeca é um agricultor, e por muito tempo viveu também feito cigano, comprando, vendendo, trocando animais e objetos para sobreviver, nos tempos ruins. Até hoje não vive sem escambo.

Há 51 anos, Ipueiras assiste, dele participando, a este espetáculo popular, onde se faz visível a confraternização do povo do interior com as gentes da cidade.

Zeca, em nome da tradição, não dispensa uma lua cheia, um bom sanfoneiro, um forrozinho pé-de-serra, o caldo servido por dona Maria, as bancas de churrasco, de cachaça e cafezeiras, nos arredores do terreiro.

E é nesse ritmo que ele consegue desenhar, no rosto do nordestino sofrido, um sorriso de felicidade. *PC*

Texto publicado originalmente no blog do grupo Ipueiras.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Frase do dia
"O PSDB representa a mão direita dos banqueiros e o PT, a mão esquerda, mas, a persistir este quadro, voto em Geraldo Alckmin".

Roberto Jefferson

segunda-feira, 29 de maio de 2006

O Craque Arimatéia - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Há cinqüenta anos Ipueiras perdia aquele que seria sem nenhuma dúvida a maior revelação de seu futebol, Arimatéia Catunda.
Em 1956 tinha então o citado personagem 21 anos e num acidente simples que transformou radicalmente sua vida, tornou-se paraplégico.
Antes integrando apesar da pouca idade a seleção local de futebol, veio a defender a camisa oito do selecionado ipueirense contra partidas das principais seleções da zona norte do Estado, inclusive no Piauí jogando contra a seleção da cidade de Pedro II.
Arimatéia encantava as platéias quando a bola chegava aos seus pés. Fosse como atacante, com as características jogadas de efeito ou voltando rápido como no futebol atual, sempre para ajudar a defesa.
Com rapidez saía dos seus marcadores e para delírio da torcida ipueirense concluía quase sempre o gol.
Não foi sem razão que cedo passou a chamar-se "Mestre Ziza", lembrando o grande meia da seleção brasileira de 1950, recebendo convites para jogar nos dois principais times do Estado, Fortaleza e Ceará.
Arimatéia nunca teve marcador, passava pela defesa adversária com habilidade e rapidez muitas vezes fazendo o famoso "gol de placa".
"Ele sozinho valia por um time", é comum o comentário, haja vista as vitórias que deu à seleção local nas vezes em que defendeu as cores rubro-negras, cores estas da camisa do selecionado ipueirense na época.
O futebol de Ipueiras portanto, se divide em duas fases distintas : antes e depois do que se pode chamar "o fenômeno Arimatéia".
O grande jogador do passado é hoje um homem que tendo participado de forma ativa do esporte ipueirense, não consegue desligar-se do que foi e ainda é o seu esporte de coração. Passou a narrar jogos locais e da seleção local em outras cidades e comanda desde a década de sessenta uma rádio amplificadora que transmite para a cidade notícias e música.
O ano de 2005 foi para este grande ipueirense uma festiva data, ao completar 70 anos reafirmou com suas ações e seu contínuo participar a eterna disponibilidade que no passado teve como craque e hoje como locutor e incentivador dos futuros talentos da já centenária Ipueiras. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Charge da semana


Sinfrônio - Diário do Nordeste (CE)

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Frase do dia
"Nosso candidato(Geraldo Alckmin) vai precisar se esforçar mais para que suas propostas possam chegar às pessoas. A luz amarela está acesa há muito tempo".

Paudemey Avelino(PFL-AM), deputado.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Reféns do crime organizado - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

Sinovaldo - Jornal NH(RS)


Violência e segurança! Temas a abrigar preconceitos históricos, em nossa vida social. E aí, a segurança, alicerce a lastrear-nos os direitos humanos, obstada pela violência, a resvalar no brejo... Minha geração, que amargou os anos 70, ainda se queixa dos militares. No afã de nos garantir segurança, teriam eles toldado de repressão o conceito de "ordem". Mas, sobre radicais de esquerda (alguns ligados a igrejas), acusa-se o equívoco de confundirem luta armada com estratégias de inclusão social das legiões de oprimidos e deserdados. Nessa briga, cresce a noção de segurança como piso manco de nossos direitos. E a violência ganha, entre nós, campos, cidades, ruas, igrejas, lares, vida social, a nos fazer inertes reféns. Entre os políticos, o tema é tabu. Os do marketing querem, dos candidatos, a imagem de "estadistas". Não de prosaicos e caricatos "xerifes". E quando, como em Fortaleza, nas últimas eleições, a questão se aguça, recorre-se ao jogo ultra-romântico da luta entre "o amor e o temor". Mãos dadas, os eleitores preferem a construção de nossa urbs - envolta num belo, embora vago, em meio a formas crescentes de violência urbana. Hoje, são nítidos nossos equívocos históricos. A cena do assalto ao Banco Central em Fortaleza não pode ser tomada como o afluir ali de flagelados ao tempo da seca. Tecnologia, capital e globalidade se uniram, ultrapassando fronteiras de uma limitada federação. Os episódios recentes em todo o estado de São Paulo foram além. Mostraram-nos sociedade e estado, reféns do crime organizado. E assim, "Não dá mais pra segurar" - diz a canção. O País explodirá. É o recado, em tom de "caos produtivo". Um alerta para que o "deitado eternamente em berço esplêndido" acorde, afinal, o País, para versão mais atual do lema de nossa bandeira: "ordem e progresso". *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 23 de maio de 2006

Frase do dia
"Quanto mais evoluídas intelectualmente, mais demora a lealdade para chegar".

CláudioLembo(PFL), governador de São Paulo.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Preconceito e Homofobia - Eu tenho medo! - Por Paulo Felipe / Rio de Janeiro


Tenho sim. Eu tenho medo do medo que os outros têm. Eu tenho medo do preconceito estampado nas conversas e diálogos que tive e nas leituras que tenho feito nos últimos dias.
Algo acelera meu coração e chego até a me questionar:
Vale a pena mesmo sair do tal armário?
Mostrando a um amigo um local que é considerado o point gay mais antigo do Brasil, tive o despropósito de ouvir:
- Entrar aí é receber o crachá de "veado", posso até entrar, mas, com uma garota do lado (ele se diz bissexual).
Era a última que me faltava ouvir.
Fora as gracinhas absurdas que acabei de ouvir em uma encenação na peça de teatro que assisti.
Lembro da capa de um jornal destinado ao mundo GLS que diz: "SÓ NOS RESTA VIVER"
E o medo de novo bate a minha porta.
Aonde iremos parar... até quando seremos rotulados como embalagens de supermercados e muitas vezes como frutas estragadas.
Só me resta viver sim! Mas, com dignidade e com muito orgulho de ser o que sou.
E o medo?
Medo da HOMOFOBIA, medo dos que têm medo de assumirem a sua sexualidade de forma sadia, sem precisar colocar o tal crachá (risos) nem tão pouco se deixar rotular.
Falando para um amigo que havia encontrado uma pessoa muito especial. É, encontrei alguém muito especial, estou amando. Ele indagou-me:
- Ele é gay?
Respondi de imediato:
- É um homem como eu sou!
Até quando iremos nos deixar rotular, até quando teremos medo de colocarmos nossa cara a tapa?
Eu acredito que enquanto existirem os ditos "bissexuais" como medo de usar o "crachá de veado" e "homofobicos", pessoas que não conseguem se realizarem sexualmente e nem deixar que o outro seja feliz da sua maneira, teremos medo.
Esse ano, não tenho dúvidas em minha camiseta no dia do orgulho gay estamparei: "EU SÓ QUERO É SER FELIZ! SEM MEDO DE AMAR..."
Mesmo sentindo medo. Continuaremos a ter esperança que um dia não seremos rotulados e nem pensaremos que usamos o tal crachá de veado.
Não poderia deixar de citar uma colocação de um transformista da noite carioca:
"Não temos chifres e nem corremos no mato, portanto, não somos veados."
Vejamos o que significa a palavra VEADO em um Superdicionário da Língua Portuguesa:
VEADO, s.m. (zool.) Quadrúpede ruminante da família dos cervídeos, de cornos ramificados, muito ligeiro e tímido; suaçu ; (pop.) bancar o veado ou jogar no veado: fugir, correr. ...VEADO, s. m. (bot.) (bras.) Espécie de mandioca de talo vermelho e raiz curta e grossa.
Não querendo ser debochado, mas sendo, adorei o Veado da Botânica Brasileira, com certeza procurarmos nunca ser o popular, pois fugir ou correr não combina bem com quem luta constantemente por dignidade e respeito como maioria dos milhões de homossexuais que conheço.
Continuo acreditando, mesmo com medo, que no dia em que cada um resolver assumir da sua maneira de forma sadia a sua sexualidade, os rótulos e o MEDO serão bem menores.
No dia em que pararmos de mascarar nossos sentimentos e reprimirmos nossos desejos, o mundo com certeza viverá a sua verdadeira diversidade.
Somos ÚNICOS e não precisamos ter medo de sermos diferentes.
Mas, eu tenho medo: DO PRECONCEITO E DA HOMOFOBIA. *PC*

Paulo Felipe é Advogado Trabalhista(Bacharel em Direito pela Universidade Veiga de Almeida/RJ e Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho pela ESA-OAB/RJ).

sexta-feira, 19 de maio de 2006

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Frase do dia
"Não há precedentes na história de São Paulo de uma barbárie tão grave quanto inaceitável. Seguramente, isso terá um peso no futuro político do Estado."

Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Tempos do caos produtivo - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Observo a vida política a meu redor. E, como a maioria, fico enojado. Desligo a televisão e abro os livros. E, neles, desperto para o olhar mais avançado da ciência de agora: o "pensamento complexo", a nos despertar para mais otimismo. Hoje, os cientistas pautam-se por três olhares. De início, o da desordem e do acaso. Depois, o da ordem. Por fim, a descoberta de que o mundo se organiza ... desintegrando-se. Assim, os astros, a natureza, a vida social, a arte, a política até. Estrelas nascendo, morrendo, desintegrando-se. Nada a se perder e tudo a se transformar. Aí, as revoluções, os terremotos, os conflito. No País, persegue-nos a visão estreita do "udenismo". De tamancos, quando estamos por baixo; de salto alto, quando no poder, como nos lembrava Brizola. Isso sem que percebamos, quando no chão, o apelo da lama. Ou os horizontes, ao pisar os tapetes do poder. Em nossa bandeira, lá deixamos o lema "ordem e progresso", sem atentar para o perigo de uma ordem como estagnação ou falta de liberdade. E, cegos, esquecemo-nos, quase sempre, de que a desordem pode ser inquietação e clamor por inclusão social dos muitos. Nos anos 80, o País e particularmente o Ceará, celebramos um amplo pacto, que hoje requer seja revisto. Mas não a solitária revisão do "rearmamento moral" da reeditada "UDN" de outrora. Hoje, é tempo do diálogo e do abraço entre as feições produtivas da ordem e da desordem. Ordem não como "estagnação". E o olhar da desordem como tsunamis a portar avisos. Chegamos ao fim de um ciclo e à necessidade de novo pacto. Em fragmentos, a sociedade nos dá um recado: o de que a "torre de Babel" pode se converter em cena pentecostal, onde as dissonâncias se orquestrem em harmonia, na reedição do "caos produtivo" da mitologia antiga e, hoje, do "pensamento complexo". *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 16 de maio de 2006

Frase do dia
"Nada deu errado".

Cláudio Lembo, governado de S.Paulo

segunda-feira, 15 de maio de 2006

O Papagaio Garapa - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Garapa era o papagaio oficial do temível Barba Negra, pirata que antes de morrer enterrou todo o seu tesouro em uma das muitas ilhas do Caribe.Somente o seu papagaio sabia qual fora a ilha escolhida. Nisso estava a importância da ave. Garapa, porém, era reservado e pouco falava a não ser quando tinha fome ou sede.Quem procurava o sabido papagaio trazia sempre uma garrafa de garapa, pois era a bebida que ele mais gostava. Depois de beber, a ave ficava fácil de dizer o que sabia, mas Garapa era esperto e logo disfarçava o que tinha dito. Só mesmo alguém muito mais esperto que ele poderia descobrir seus segredos.Este alguém era um menino chamado Pedro, garoto que tratava animais e que sempre observava o pássaro quando ia ao armazém do velho marujo que o havia abrigado. Garapa sempre se fazia de desentendido quando o assunto era o tesouro de Barba Negra.Pedro não desistia. Um dia levou para o papagaio um mapa grande para que este mostrasse a ele as ilhas que conhecia. Garapa ficou observando-o de seu poleiro e depois deu um vôo e aterrissou perto do mapa. Devagar passou a caminhar sobre ilha e ilha, parecia conhecer todas as ilhas daquele mapa. Como bom observador Pedro notou que Garapa sempre evitava uma pequena ilha próxima ao continente conhecida como a Maçã do Corvo.Um dia o velho Garapa ficou doente e Pedro foi chamado para tratá-lo, pois era sua profissão. Sem que Garapa percebesse viu embaixo da asa doente tatuado na pele um mapa estranho, enquanto medicava a ave procurou guardar a imagem e refazer em casa o desenho visto. Isso se repetiu umas três vezes até que o papagaio ficou curado e Pedro já não tinha dúvida quanto aos detalhes do mapa que havia copiado em uma folha de papel.Numa noite lembrou-se da ilha da Maçã do Corvo, a única ilha que Garapa disfarçou não conhecer. Correu para o mapa que havia feito e descobriu que tinha não só o formato da ilha como a posição em detalhes do esconderijo do tesouro. Não perdeu tempo, logo que conseguiu recursos foi até a ilha e encontrou o maior tesouro já enterrado por um pirata. Ficou muito rico e levou para sua casa o papagaio que sem perceber acordou nele um dos maiores tesouros que um homem pode ter, a curiosidade. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

domingo, 14 de maio de 2006

Mãe Maria - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Maio mês de Maria.
Maria mãe do Senhor.
Maio de tantas Maria,
Que a vida nos ofertou.


A uma especial,
Dedico o meu amor.
É uma Maria tão simples.
Nascida no interior.


Como sabe ser gentil,
Com os que têm no coração.
Sua palavra singela,
Até parece oração.


Ela é mãe, ela é amiga,
É protetora também.
É uma pessoa divina,
Que aprendi a querer bem *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Frase do dia
"Não sei se o que eu falei é verdadeiro ou não é."

Silvio Land Rover Pereira, ex-secretário-geral do PT.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Imprensa e imagem turística - Por Ivonildo Lavor - Fortaleza

Passado o impacto das reportagens sobre turismo sexual no Jornal da Globo, onde Fortaleza e Natal (mais Fortaleza) tiveram forte exposição na mídia nacional, o assunto merece ainda alguma reflexão.
Após a divulgação, nenhuma ação objetiva foi tomada pelos poderes públicos para tentar amenizar os fatos reais e tristes mostrados. Tudo voltou "a normalmente", tanto na Praia de Iracema como nas barracas de paria da Beira Mar. Parece até que nada aconteceu.
Confesso que esperava que a prefeita Luizianne Lins, que na época de deputada estadual combateu o turismo sexual, apresentasse alguma iniciativa contundente para amenizar o problema. Faltou também do governo do Estado novas medidas para encarar a situação.
O turismo tem na imprensa um forte parceiro. No entanto, a cobertura do dia-a-dia das mazelas brasileiras incomoda empresários do turismo e representantes governamentais da área. Tenho ouvido muitas reclamações nesse sentido.
Uma celeuma recente entre a Rede Globo e o prefeito César Maia, do Rio de Janeiro, sobre as gravações de uma cena de arrastão na Praia do Leblon, a ser exibida na novela "Páginas da vida" - que sucederá "Belíssima", causou polemica. Maia disse que as imagens causariam estrago no turismo do Rio. Alguns ajustes foram feitos e a prefeitura do Rio liberou as gravações. O autor Manoel Carlos disse ao jornal O Globo que as cenas vão ao ar no primeiro capítulo, em 10 de julho.
Pode até existir exageros na forma da divulgação, afetando diretamente destinos, como no caso da série de reportagens do Jornal da Globo, onde foi apresentado o turismo sexual e infantil apenas em Fortaleza e Natal.
No entanto, exagerada é a reação de parte de setores do turismo e de governantes brasileiros, segundo a qual a veiculação dessas notícias causa "estragos irreparáveis" de imagem. Não é tanto assim. O certo é que só ações planejadas e um policiamento eficaz e permanente resolve o problema, afastando o perigo e permitindo a volta do turismo sadio. Tentar encobrir as nossas mazelas só vai favorecer a contravenção e premiar a omissão dos órgãos públicos no combate à criminalidade. *PC*

Ivonildo Lavor é presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet-Ce) e colunista de O Povo.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Frase do dia
"Entre Cid Gomes e Lúcio Alcântara não sei quem vai ganhar . Só sei quem vai perder..."

Neno Cavalcante, jornalista

segunda-feira, 8 de maio de 2006

O carro de bois na poesia cearense - Por Jeremias Catunda / Ipueiras


Uma das figuras que muito honra a magistratura do Ceará, o nobre e culto amigo, doutor Antônio Nirson Monteiro, diz no início do seu erudito trabalho literário "Achega sentimental para sua memória" : "O carro de bois, veículo rústico de tração animal de antigo uso nas mais diversas civilizações, foi o primeiro grande contributo para a economia brasileira lado a lado com o braço escravo. Esteve presente nos quatro pontos cardeais do Brasil, desde a mais remota data colonial até os dias de hoje".
No vigor dos nossos 12-14 anos, década de 1930, Ipueiras, como as demais pequenas cidades do interior, era sulcada o dia inteiro pelas possantes rodas de madeira dos "chorosos" carros de bois, veículo rústico que atendia os reclamos do comércio e até servia para transportar pessoas nos dias de festas, casamentos, para os sítios da periferia ou para a zona rural. Carros com mesas feitas de grossas tábuas de angico, o cambão da mesma madeira, uns longos para duas juntas de bois, outros menores para uma junta ; as rodas eram especialmente feitas de pau-d'arco, para maior resistência e bem oleadas com extrato de mamona para o gemido característico que fazia vez de buzina e levava também muita saudade aos que na época iam virar o mundo, deixando o interior.
Nas noites enluaradas, o carro de bois ao longe, distante quilômetros até já era ouvido nos ermos das estradas do sertão, gemendo aos gritos dos carreiros, quando não entoando cantigas nativas, loas como : Vai vai "Mandingueiro" / Vai vai Azulão / Vai meu carro ligeiro / Vai rei do sertão ...
O serviço do carro de boi em nossa terra foi de muita utilidade em anos remotos, se levarmos em conta que hoje está praticamente "aposentado", pois muito raramente ainda se vê um trabalhando. Para a estação ferroviária (agora desativada) por onde no passado era transportada a produção do município, milho, feijão, mamona, algodão, oiticica, e de onde se traziam as mercadorias para a cidade, distava do Centro quase um quilometro a mais e havia um alto que exigia muito sacrifício das juntas de bois puxando os enormes pranchões ladeira acima.
Recordamo-nos ainda dos carros do Cesário Capeta, Vicente Lúcio (Carnaúbas), Inácio Rufino (Vamos-Ver), Raimundo Alexandre (Estação), Raimundo Victor e Zé Galdino. Quando rodavam só dentro das ruas era uma festa para a meninada, principalmente no fim das aulas. E se por azar se pegasse um carreiro zangado, quase sempre "queimado" da branquinha, o chiqueirador cantava bonito e vez por outra éramos alcançados pela ponta do relho. Tempo bom de muita saudade ... *PC*


Texto publicado originalmente em 2001 no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

sábado, 6 de maio de 2006

O Cancão da Floresta - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Venha cá dona Maria,
venha logo me contar,
a história do cancão,
que vive a lhe aperrear.
Come os ovos das galinhas,
De raiva quer lhe matar.

Minha filha esse bicho,
parece pintura do cão.
Só deixa no meu terreiro,
Ovo furado no chão.
Eu falto é morrer de raiva,
com esse maldito cancão.

Era assim que eu ouvia,
as queixas de dona Maria,
e sonhava em conhecer,
o cancão que os ovos comia,
mas o bicho era esperto,
se via gente sumia.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Frase do dia
"De cada R$1 que o governo arrecada de impostos no comércio de cigarros, R$2 são gastos com o diagnóstico e o tratamento das doenças provocadas pelo tabagismo".

Neno Cavalcante, jornalista.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Um ano sem o Papa de Fátima - Por José Luís / Fortaleza


No dia 2 de março, a grande imprensa de todo o mundo noticiava que líderes da ex-União Soviética ordenaram o assassinato do Papa João Paulo II, aclamado o Papa de Fátima, exatamente um mês antes do primeiro ano de seu falecimento. Por sua devoção a Nossa Senhora e ligação direta com o terceiro segredo de Maria Santíssima naquela aparição, tal assertiva por parte da comissão parlamentar italiana possibilita-nos um breve questionamento.
Karol Wojtyla, o futuro papa, nasceu numa região dominada pelo comunismo (Wadowice, Malopolskie, Polônia), viveu os dias da 2ª Guerra Mundial e teve sua vida pastoral, tanto no sacerdócio quanto no episcopado, marcada por duras perseguições por parte do governo comunista que comandava seu País natal. Chegou a ser espionado até mesmo no confessionário, onde, conforme um de seus biógrafos havia escuta e as conversas que diziam respeito a política (que não eram presentes em suas confissões), seriam encaminhadas aos comandantes do regime polonês.
A grande mensagem de Fátima foi o apelo à conversão, fundamentada na devoção à Virgem Maria. Podemos dizer que os três segredos revelados por Nossa Senhora aos videntes, Jacinta, Francisco e Lúcia, possuíam ligação direta com a figura santa de João Paulo II, senão vejamos.
O primeiro segredo diz respeito ao fim da 1ª Guerra, na qual, o pai de João Paulo II, tenente do exército, de quem herdou o nome, Karol Wojtyla, foi combatente. O papa nasceu dois anos depois da Guerra, no dia 18 de maio de 1920 e viveu a 2ª Guerra, revelada por Maria. O segundo segredo atentava para o triunfo do Coração de Maria sobre o regime político vigente então na Rússia.
Comentando um pouco esses dois segredos, chegamos claramente ao terceiro. Se não foi vítima diretamente da 1ª Guerra, a família do Papa sofreu as conseqüências danosas daquele período. Ao ser eleito para o trono de Pedro, em 1978, João Paulo II, se empenhou pessoalmente para o sucesso do movimento democrático Solidariedade na Polônia, o que se constituiu um tormento para a União Soviética, contribuindo para o enfraquecimento do regime, derrubado por Mikhail Gorbachov, recebido pelo Santo Padre e contando com o apoio indireto do pontífice nessa ação.
João Paulo II, portanto, teve participação nos dois segredos e, em 13 de maio de 2000, houve a revelação do terceiro segredo, o atentado contra sua vida, ocorrido no dia 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, em Roma.
Essa notícia em relação aos líderes da ex-União Soviética (Rússia) tornou o Santo Padre, com processo de beatificação em curso no Vaticano, cada vez mais ligado a Nossa Senhora de Fátima, cuja coroa da imagem que existe no Santuário de Fátima, é relicário da bala que o atingiu. Ele foi o papa mais mariano e carismático da história eclesiástica recente e, ainda, figura mais importante do século de Fátima (1917 - 2017), que muito ainda será lembrado.
Seu funeral, o maior da História da humanidade, fez a Cidade Eterna, voltar, pelo menos naqueles dias, a ser o centro do mundo. A águia romana novamente voou alto, e, desta vez, não foi através do exército de César ou de qualquer outro general. Foi através de um santo e a única arma que ele empunhava era o rosário da Virgem Maria - a Mãe de Deus.
O Papa de Nossa Senhora de Fátima percorreu grande parte do mundo e foi quase que onipresente em todos os recantos entre 1978 e 2005. Há um ano, o homem deu lugar ao mito e seu sepultamento reuniu todos os povos: de líderes religiosos (judeus, ortodoxos, mulçumanos, enfim, de quase todos os credos), a chefes de Estado e de Governo, diplomatas, ao povo de Deus que ele tantas vezes abençoou e que, em sua despedida, o aclamou "santo súbito!".

José Luís é Professor da UVA, Presidente da Academia Brasileira de Hagi
ologia

terça-feira, 2 de maio de 2006

Frase do dia
"Esta é em realidade uma medida de confisco, dada à ocupação física e militar dos prédios e instalações das empresas petrolíferas".

Raúl Prada, analista boliviano.