sábado, 29 de abril de 2006

Entre o chão e o horizonte - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Como andaria hoje o Ceará, em sua educação superior? Essa, a questão que, em "conferência estadual", colhe a Secretaria dessa área, em todo o Estado, a partir de suas regiões, entre líderes sociais e o mundo acadêmico. Conclusa a fase primeira, agora a proposta é a de um grande pacto social, em todo o Estado. Reflexivo "Pero Vaz de Caminha", acompanho tais discussões, nas regiões sob o desenho do Iplance, onde um caleidoscópico Ceará surge por entre as tintas do real e dos sonhos (sociais, econômicos e culturais). Nele, dados, sim, dizem-nos algo. Mas, sós, são meros "dedos" a nos apontar um chão real. Mais alto só dirão se mirarem o horizonte mais amplo do desenvolvimento sustentável e da inclusão social. De tal discussão, a etapa primeira está concluída. Agora, o Ceará, esfacelado em suas regiões, aí está a reclamar "contrato social", por meio do qual sociedade e mundo acadêmico, em rede e em teia, insiram-nos a educação superior na pauta do "onde estamos" e do estratégico "para onde vamos". Soltos, tais dados já nos apontam preocupações: 27º lugar em termos de acesso, cursos (os mesmos a se repetirem sem a oferta de novos, vitais ao Estado) concentrados na Capital. Daí, a tradicional migração de talentos, a importação de outros aqui não forjados, o desemprego à vista. Agora, somos todos chamados ao pacto. Na pauta, os desafios: o onde estamos e o para onde vamos. O estatal e a iniciativa social, braços dados. Acima de tudo, a discussão em plano mais alto, para além dos estreitos e caducos limites do estatal e privado, na questão do financiamento até!. Tudo sob o olhar mais alto do "estadístico", por sobre eventuais governos e disputas eleitorais. Executivo e legislativo estaduais, sob o olhar social, dizem aceitar a opção pelo estratégico: o hoje visto degrau para o amanhã. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

sexta-feira, 28 de abril de 2006

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Frase do dia
"Política é coisa de quem gosta de gente".

Geraldo Alckmin, candidato a Presidência da República pelo PSDB.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Minha Canção do Exílio - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Minha terra é Ipueiras,
Onde corre o Jatobá.
Fica ao pé da Ibiapaba,
Ao norte do Ceará.

Nossa gente tem histórias,
Gostosas de se escutar.
Não permita Deus que acabem,
Com as tradições do lugar.
Lendas de bala e botijas,
Ouvi os antigos contar.
História de Iara, mãe-d'água,
Feliz ainda hei de escutar.

Minha terra tem palmeiras,
Das lendas de Alencar.
É a nossa carnaubeira,
carnaíba, carandá.
No farfalhar do seu leque,
Ouvi o vento cantar.

Tomara Deus que eu não fique,
Ausente sempre de lá.
Ao sopro de um Aracati,
Desejo me refrescar.
E ouvir cantar a graúna,
Ao invés de um sabiá *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Frase do dia
"Acho muito pouco provável que eles sejam estúpidos de fazer isso. Acho até mesmo que os dois ou três países que se opõem a nós são inteligentes o suficiente para não cometerem um erro como esse. Aqueles que estão falando em sanções sofreriam mais danos".

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Biografia de Aquiles Peres Mota - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Filho de Otacílo Mota e Antônia Peres Mota, Aquiles Peres Mota nasceu em 09 de agosto de 1924 em Ipueiras. Teve como irmãos : Arquimedes, Otacílio, Vicente Possidônio e Antônio Manuel.
Como irmãs : Zuíla, Zélia, Zilda, Zenaide, Zuleide, Zilmar, Maria Estela e Maria de Lourdes.
Desde cedo a política corria de forma clara no seu sangue. Filho de um líder partidário local, Aquiles logo aprendeu as duas faces do poder, e desse aprendizado fez uso na sua vida de forma coerente, honesta e brilhante.
Em Fortaleza, a atuação política de Aquiles Peres Mota, inicia-se na década de 40. Entre os anos de 1945 e 1946 foi líder estudantil, integrando de forma atuante a direção da Casa do Estudante Secundarista (Centro Estudantil Cearense) e em 1950, como filiado da União Democrática Nacional (UDN), foi candidato a deputado estadual pela primeira vez, não sendo eleito, ficou na suplência da bancada da UDN na Assembléia.
Casou-se com Lia Sabóia Peres Mota que lhe deu duas filhas : Zuíla Sabóia Peres Mota e Liliane Sabóia Peres Mota.
Formou-se em advocacia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em l952. Foi Promotor Público em Guaraciaba do Norte, São Benedito e Ipueiras. Deputado Estadual com oito mandatos consecutivos passando pela UDN e a Aliança Renovadora Nacional (Arena), com o fim do bipartidarismo, filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). Foi Primeiro Secretário da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará e seu Presidente no biênio 1983-84 e em 1986-1987.
Enfrentou uma única vez uma disputa majoritária, sendo candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo então vice-governador Adauto Bezerra(PFL). Adauto foi derrotado pelo empresário Tasso Jereissati (PMDB).
Em 1990, Aquiles Peres Mota enfrentou sua última disputa política ao se candidatar como Deputado Estadual, obtendo 12.045 votos, ficando na suplência do PDS na Assembléia.
Sua história como político aqui se encerra, vale lembrar porém a importância política que teve nos antigos governos de Virgílio Távora e Adauto Bezerra, antes e durante o período revolucionário de 1964, onde como político e colaborador soube usar da moderação e influência aos que foram perseguidos.
Como expressão de seu grande caráter e respeito pela política e aos que a ela se dedicam narro o seguinte fato :
Foi o último orador a ocupar a tribuna do Paço Senador Alencar, na antiga sede do Poder Legislativo Estadual. Num gesto de amor e respeito, e de forma simbólica, representando todos quantos tiveram passagem pelo centenário prédio instalado em 1871, comovidamente na despedida beijou a Tribuna, deixando transparecer a emoção em lágrimas.
O ex-senador peemedebista Cid Sabóia de Carvalho considera que Aquiles Peres mota foi "provavelmente o melhor presidente da Assembléia Legislativa do Ceará," destacando com um orgulho incontido que teve a honra de ser seu amigo cuja uma das características marcantes deste grande político ipueirense foi a lealdade.
Aquiles Peres Mota faleceu num domingo às 14:00 vítima de parada cardíaca em Fortaleza. Era 19 de março de 2000. Seu corpo foi velado durante toda a tarde e noite num dos salões da Assembléia Legislativa e sepultado no dia seguinte no cemitério Parque da Paz.. *PC*

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

domingo, 23 de abril de 2006

Frase do dia
"Errar é humano. Botar a culpa nos outros, também".

Millôr Fernandes, escritor.

sábado, 22 de abril de 2006

O Jumento do Maurício / Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Maurício você que gosta,
Tanto de prosear,
Vou contar uma história,
Não sei se vai gostar.
Foi o nego de Maria,
Que contou pra eu escutar.

Só sei que esse episódio,
Num instante se espalhou.
Do dono envergonhado,
E do jumento vingador.
Eu só estou relatando,
O que o nego me contou.

Este caso que eu conto,
Em Ipueiras se deu.
Lá pras banda da floresta,
A tragédia aconteceu.
Com o jumento de Maurício,
Velho conhecido meu.

Maurício andava aperreado,
Com as andanças do seu jumento.
Foi quando lhe veio a cabeça,
Um maldito pensamento.
Só capando este animal,
Vai ter fim o meu tormento.

Os vizinhos reclamavam,
Daquele jumento vadio.
Que quebrava todas as cercas,
Ao ver uma fêmea no cio.
Vender, Maurício não queria.
Seu bicho, não negocia.

Seu Juarez e Cristiano,
Fizeram reclamação,
Do bicho lá no roçado,
Comendo milho e feijão.
O jumento era uma peste,
Era o capeta, era cão.

Dona Maria Prevenida,
Arranjou uma baladeira.
Quando via o bicho viçando,
Sua pedrada era certeira.
Ele encolhia o que esticou.
E desembestava na carreira.

Manoel Ota certo dia,
Chegou a passar mal,
Quando viu o tal jegue,
Rondando o seu curral
Pra proteger suas vacas,
Tangeu o tarado com um pau.

O jumento continuava
em sua peregrinação,
atrás das bestas nos matos,
nas andanças pelo sertão.
Nem um dia de serviço,
Dava mais ao seu patrão.

O jegue endoideceu,
Perdeu de vez o respeito.
Pegou a égua de Zeca,
Sem pena passou nos peito.
A coitada escambichada,
Anda agora com defeito.

Esse bicho não tem jeito,
Isto é caso de polícia.
Ou capo esse jumento,
Ou vou acabar na justiça.
Quem chama isso de jegue,
Não sabe o que é mundiça.

Com o pensamento na cabeça,
danou-se a matutar:
_capo hoje ou amanhã,
ele não vai me escapar,
e o que eu tirar do seu saco,
pros cachorros vou jogar.

Maurício pegou a estrada,
Cheio de indignação
Foi laçar seu animal,
Perto do bar do Carlão,
Aproveitou e tomou uma,
Pra aturar seu garanhão.

O jegue voltou triste,
Sabendo o que lhe esperava.
Não demorou meia hora,
Mauricio o bicho capava.
Com dor no pissuidos
O jumento relinchava.

Só sei que o bicho sarou.
Mas, sempre jurando vingança.
Engordou ficou vistoso,
Criou peito,criou pança,
Quando anda se requebra,
Até parece que dança.

A revolta do capado,
Cada dia ficava maior.
Sua tristeza era grande,
Dava pena, dava dó.
E a situação de Mauricio,
Não sei se ficou melhor.

Pra vergonha de Mauricio,
Que era feliz outrora,
O jumento que era macho,
De repente virou boiola,
E é na porta de casa,
Que ele dá, relincha e chora.

O bicho perdeu os bagos,
Mas não perdeu o tesão.
Vive a castigar seu dono,
Depois da judiação,
O terreiro de Maurício,
Virou uma esculhambação.

Dizem que dona Toinha.
Depois da infelicidade.
Vive com as portas trancadas,
E pensa em mudar pra cidade.
Se Maurício não der um jeito
Ela muda de verdade.

Aninha pegou o beco,
Nino correu atrás.
Dizendo que aquele jegue,
Tinha parte com o satanás.
Com aquela sem-vergonhice
Ali não voltava mais.

Mas, parece que Maurício
Acostumou-se com a situação.
Há quem diga que ele gosta,
Daquela esculhambação.
E pretende cobrar ingresso,
Por cada exibição.

Maurício eu lhe dedico
A história que contei.
Sou sua amiga Dalinha.
Das suas graças eu sei.
Perdão se nesses versos,
Eu fui um tanto sem lei. *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Frase do dia
"O PT cacareja à esquerda e põe ovo à direita".

Darcy Ribeiro

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Tecendo novo amanhã - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


O poder da caneta! A expressão se repisa na imprensa, na boca de nossos políticos. Mas com o sabor nostálgico dos tempos clientelistas, quando a caneta era arma a distribuir favores como moeda na conquista e sedução de votos. Junto à intelectualidade, a expressão tem outra conotação: a do poder, inerente ao "ofício do escrever", capaz de expressar não-ditos incontidos no sentimento do povo. Decorrente do "poder da caneta", está o "poder de resina" - a capacidade de juntar dispersas hegemonias em cacos: a caneta, enfim, com seu sintático poder de enfrasar insulados poços e poças, recobrando a força e a beleza da "grandiloqüência das cheias" de nossos rios. Os fatos recentes chocaram-nos. Mas, no fundo, são meros vômitos do não mais contido, sinal de notório fim de ciclo, com o rever necessário da história, repondo cacos já rotos. Impetuosidades e descortesias, para alguns. Para outros, imitação de Cristo quando do templo, expulsou vendilhões.... No Ceará, a história nos mostra ganhos em momentos assim. Assim, na União pelo Ceará, que nos legou Virgílio. E nos anos 80, tendo Celso Furtado por ícone, a rejuntar todos num projeto para mudar o Ceará: dos empresários do CIC aos mais à esquerda, com o apoio do próprio VT. Tempo hoje de revisão histórica, de novo pacto, em novo ciclo. Sinto-me cobrado em meu "ofício do escrever". E, nisso, agarro-me aos versos de João Cabral de Melo Neto: "Um galo sozinho não tece uma manhã (...)/ muitos galos que se cruzem (...) para que a manhã, desde uma teia tênue/ vá se tecendo, entre outros galos". De um amigo, chega-me a propósito, a oportuna conclusão, em bem-humorado lapsus linguae: "Precisamos, no Ceará, dessa manhã" "Mas um galego (digo, um galo) não a tece sozinho!" Por um Ceará sob as tintas de um amplo e novo caleidoscópio social! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 18 de abril de 2006

Frase do dia
"O Supremo Tribunal Federal não tem estrutura para instruir processo. Não tem vocação para julgar esse tipo de ação."

Joaquim Barbosa, ministro do STF.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

O Astronauta João - Por Bérgson Frota / Fortaleza


João era um garoto de oito anos que morava no Interior do Ceará.Morando com os pais num pequeno terreno, ele ajudava a família levando no seu burrinho Mascote lenha para vender na pequena cidade de Esperança, assim ele conseguia trazer para casa mais alimentos.Mas João era um garoto esperto, gostava de estudar, e não perdia as aulas que assistia perto de sua casa. Foi lá que ele primeiro ouviu a palavra foguete. Era um carro que levava as pessoas para as estrelas, explicou a professora.João desde então não cansava de olhar o céu estrelado, a lua cheia a iluminar todo o sertão. Meu Deus, pensava o garoto, como seria bom se eu pudesse ter um carro-foguete para viajar pelas estrelas.E assim o tempo foi passando, e João nunca esqueceu o seu maior desejo que era o de ser um motorista de carro-foguete, um astronauta.Um dia já rapaz recebeu um convite para trabalhar numa fábrica de motores, pois João sem saber tinha uma grande facilidade de consertar e melhorar a potência destes aparelhos. Logo seu trabalho chamou a atenção de seus superiores e João foi promovido.Passaram poucos anos e a fábrica de motores agora produzia aviões, e por que não foguetes ? Pensou João que nunca havia desistido do sonho.Apresentou ao chefe um modelo nunca visto, criado da vontade aliada a sua imaginação de subir às estrelas.Por mais que parecesse impossível tudo no papel fazia sentido, aquela máquina voaria até a Lua se João quisesse lá ir, e foi assim que num dia de muito sol e céu limpo partiu o primeiro foguete brasileiro rumo ao espaço sideral. Em homenagem a sua cidade João o batizou de Esperança I, porque nunca havia desistido de concretizar o maior de todos os seus desejos.O foguete subiu rápido ao céu, deu várias voltas em torno da Terra e se dirigiu à Lua. João viu pela janela as crateras lunares e olhou a Terra que de lá parecia uma bola azulada. Depois de dar várias voltas em torno da Lua ele começou a descer numa pequena cápsula que caiu no mar.Desde então João ficou famoso, era chamado de João, o astronauta. Ele fez depois mais viagens no seu foguete e para todos que lhe perguntavam como havia conseguido ser astronauta repetia a mesma coisa: Nunca desisti de acreditar em meu maior sonho ! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

O Arco da Velha - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Foi num passeio no sítio Lago Encantado, que a menina Marilu viu pela primeira vez um arco-íris. Ficou tão impressionada com aquela aparição deslumbrante, que parecia enfeitiçada.
O grande arco em listas coloridas aparecia refletido no lago onde patos, gansos e marrecos nadavam ao entardecer.
Não demorou muito tempo e o sol se escondia atrás da serra carregando com ele o arco colorido e o clarão do dia. Mas, o acontecimento singular não saía da cabecinha de Marilu, que não se cansava de fazer perguntas.
- Mãe, o arco-íris é a entrada do céu ?
- Não minha filha é apenas um fenômeno.
- Quêêê !?
- O arco-íris é um fenômeno atmosférico luminoso que tem a configuração de um arco apresentando as sete cores do espectro solar.
A explicação colhida de um dicionário não agradou Marilu. Ela tinha certeza que por trás daquele arco tão colorido e bonito um mundo mágico se escondia.
Recorreu ao avô, seu contador preferido de histórias. Se ele já havia contado tantas outras histórias: de fadas, de bruxas, animais, certamente saberia algo sobre o arco-íris.
E não é que o avô sabia mesmo.
Naquela mesma noite, sentada no colo do avô que por sua vez sentara numa cadeira de balanço Marilu era embalada ao som de histórias do arco-da-velha.
E assim começou o bom velhinho a repetir para sua neta as histórias e lendas que ouvira há tempos atrás e continuam passando de geração a geração.
- Pequena Marilu, o arco-íris também é chamado de arco-da-velha, por ter o formato de uma corcunda. Tem sete cores: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta.
Conta uma das lendas que o arco-íris engolia todas as crianças que andavam na beira do rio. Marilu assustou-se.
- Não tema é apenas uma lenda. Acalmou o avô - já em outra, reza que o sertanejo não gosta do arco-íris, pois o mesmo é considerado um ladrão de águas. Ele se alimenta das águas dos rios, lagoas, fontes e ainda por cima rouba as águas das nuvens. Só escapa a água do mar por ser salgada.
Dizem ainda que quem passar por debaixo do arco-íris muda de sexo. Se for menino, vira menina e vice-versa. Para desfazer o encanto, é só fazer o caminho de volta.
Há ainda quem diga que o arco-íris é uma grande serpente colorida que vive no firmamento.
Enquanto o velho buscava na memória mais e mais histórias de arco-íris, nem se apercebeu que Marilu já havia adormecido e agora sonhava com um lindo arco-íris que lhe hipnotizava roubando seu coração.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Frase do dia
"Lula nasceu virado pra lua - e com GPS".

Luis Eduardo Greenhalg (PT-SP), deputado.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

O Sapo apaixonado - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Há muito tempo, numa pequena lagoa nas encostas de um monte vivia um sapo.Mas não era um sapo comum, era especial e enquanto os outros sapos cantavam procurando acasalar-se, ele virava os olhos para o céu e contemplava apaixonado a lua.Não havia um dia em que o sapo não pensasse como poderia ser feliz ao lado daquela bolinha de luz que dançava todas as noites entre as nuvens, prateando a floresta, inclusive a sua pequenina lagoa.Quando escurecia, ele virava os olhos para cima procurando o astro.Olhava para um lado, depois para o outro e quando se certificava que estava só, começava a dizer as mais belas poesias que sabia. É claro que quem as ouvisse não entenderia, pois era na língua dos sapos que ele falava. Os outros animais ouviam somente uns sons de coaxar esquisitos.Era tão apaixonado e repetia com tanta freqüência as suas declarações de amor que um dia a lua notou.Primeiro aquele olhar amoroso e depois as belas poesias, pois só a lua era capaz de entender a língua de todos os animais. Então aconteceu que de uma forma que só o sapo soube - ela passou a lhe corresponder.Os outros sapos riam dele, e em toda lagoa ele era motivo de chacota.Queria ficar juntinho dela, mas ele não tinha asas como os pássaros, nem sequer sabia andar, pois sapo só sabe pular.A conselho de um jacaré, passou a pular mais alto do que todos os outros sapos, na esperança de num dos pulos chegar junto da lua.Mas tudo era em vão e ele acabava cansado e cada vez mais desanimado.Um dia, começou uma forte ventania como nunca tinha ocorrido. O vento era tão forte que obrigou todos os animais a se abrigarem em lugares seguros.O vento se transformou num grande tufão, e foi aí que o sapo teve a idéia de se jogar na forte ventania. Talvez assim conseguisse chegar na sua amada lua.No meio do tufão, o sapo rodopiou e foi subindo, subindo, até sumir por completo.Da floresta, então, o sapo desapareceu.Na primeira lua cheia, seus companheiros, cheios de inveja, viram na lua o pequeno sapo a pular alegremente no seio de sua amada. Esta foi a sua recompensa por acreditar que para quem ama nada é impossível. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Frase do dia
"Ao ser acusado de ter duas caras, o governador Lúcio Alcântara devia se inspirar em Quintino Cunha que certa vez, durante o julgamento, disse ao oponente que lhe fizera idêntica desfeita: "O senhor acha que se eu tivesse duas caras usaria esta"? "

Neno Cavalcante, jornalista

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Sol indolente abúlico - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Volta-me a cena de anos atrás. Adentro, a convite, sala de Ciro, recém-eleito governador. Na porta, um susto. " que foi?"- indaga-me ele. "Aquela foto... Cheira-me a queda de braços entre Tasso e você".Ao longo do tempo, ele me nega a "queda de braços". E me constrói a metáfora do João Batista a preparar, com Tasso, os caminhos do messias na redenção nacional. Na verdade, são explícitas as relações de pacto entre os dois. No alto clero, já que, no baixo, criaram-se os nítidos "neologismos" de disputa entre "ciristas" e "tassistas".Hoje, não sei onde intrigante foto andaria. A última vez, eu a vi por trás do birô de Beni Veras, quando vice-governador. E os dois personagens da foto aí estão, a espargir sinais de real pacto entre eles. Tasso, nas eleições presidenciais, apoiou Ciro. E hoje, por ironia, administra ímpetos do "paulistério" sobre a Nação, enquanto o olhar de Ciro recai sobre a integração e a valorização das meso-regiões.Apesar disso, o Ceará fragmenta-se na babel das "notas de rodapé", a se arvorarem em texto principal e suposto projeto. O de outrora, que contou com amplas correntes e o aval de personalidades como Celso Furtado, agora se dilui na fragilidade das metáforas de "detran" a nos falar das "marchas e câmbio", do "acelerador", do "dobrar à esquerda" e miudezas assim.Nestes tempos de agora, símbolos nos dizem mais que fatos e coisas. Nesse contexto, a foto da "queda de braço" nos volta. E, desta vez, a confundir-se com a marca-símbolo do Governo Estadual, toldando-nos a visão de ambigüidades: rede armada, a nos convidar ao ócio. Nela espraiado, o belo sol - indolente e abúlico...Quem sabe é hora de reeditarmos o clima de pacto histórico do final dos anos 80, optando pela "água grande" a nos levar o Ceará, a Região e o País, a horizonte mais alto.*PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 4 de abril de 2006

Frase do dia
"Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho".

Mahatma Gandhi (1869 - 1948), pacifista.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Violão Misterioso - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Esta é a história de Deia e de Dalila, duas meninas que morriam de medo de assombração. Mas a velha tia, ao lhes ensinar o catecismo dizia que só quem costumava dormir sem rezar via coisas do outro mundo.
Por isso as duas sempre rezavam, erguendo juntas a mão direita para o alto. Em seguida pediam a benção dos pais e deitavam-se.
Certa noite, Deia e Dalila foram surpreendidas pelo som de um velho violão que ficava encostado num canto do quarto.
Acenderam a luz, e o som não se repetiu.
Vamos apagar a luz e dormir, titia diz que temos um anjo da guarda e ele sempre está nos vigiando.
- Disse Dalila.
- Mas mal apagaram a luz e o som estranho voltou.
- Mãããe o violão tá tocando sozinho ! Gritaram juntas.
Pedindo calma as crianças a mãe verificou e não achou nada estranho no quarto.
- É o medo que faz vocês ouvirem o que não existe, vão dormir que logo passa.
As duas imploravam
- Mãe não vá, não vá, fique com a gente !
Não vendo outra alternativa a mãe ficou no quarto até que elas sossegassem e dormissem. Quando isso aconteceu, a mãe preparando para sair ao apagar luz ouviu no violão o estranho barulho.
Com a gritaria das três, o pai correu rápido para o quarto e ficou sabendo do acontecido entre choros e gritos.
- Calma minhas filhas, deve haver explicação ! Assombração não existe, vamos ver o que está acontecendo.
Os quatro esperaram com olhos bem abertos e a luz acesa. O silêncio tomava conta do ambiente... então outra vez o barulho.
Rápido o pai correu para o violão chegando a ver um ratinho saindo de dentro do instrumento. Era este o fazedor do barulho causador de tanto medo.
Apenas um ratinho que levava na boca pedaços de jornal que ao riscarem nas cordas do instrumento o faziam vibrar.
As meninas então sossegadas foram dormir, conscientes de que era o medo que as fazia verem coisas que não existe.
De fato por causa deste medo muitas vezes costumamos criar nossos monstros.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sábado, 1 de abril de 2006

O Primeiro Prêmio Frota Neto de Literatura - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Há exatamente cinco anos atrás era realizado o I Prêmio Frota Neto de Literatura.
No livro publicado a escritora e poetisa Dalinha Catunda fez na apresentação as seguintes observações :
"É importante que se valorize a iniciativa de Frota Neto neste Prêmio pioneiro, que vigorará por tempo indeterminado, e que outros escritores com raízes na cidade de Ipueiras se encantem com a idéia criando assim outros concursos e competições de cunho cultural, pois enquanto houver pessoas interessadas em cultura, iniciativas como estas contribuem para a formação intelectual da Juventude ipueirense."
Na realidade Dalinha Catunda foi mais adiante, quando a Escola de Ensino Fundamental Creusa Melo, por ocasião do aniversário de Ipueiras em 25 de outubro do ano 2000, prestou uma bela homenagem a Frota Neto, surgiu o embrião para a criação do Prêmio, uma idéia um projeto que ela muito estimulou a concretizar no ano seguinte.
Ainda citando Dalinha Catunda na apresentação do primeiro livro destaca ela o pioneirismo de Frota Neto : "Amar Ipueiras só com palavras tal como já está nos seus livros, era pouco. Queria ir além. Logo o que era somente idéia transformava-se em ação."



Enfim, levando adiante o plano, pelo projeto de lei n.º 007/2001, Ipueiras/CE, em 03 de maio de 2001, o prefeito municipal de Ipueiras Sr. Francisco Souto Vasconcelos criava o Prêmio, cujo art. 6º explicita que os recursos financeiros correspondentes aos prêmios são de inteira responsabilidade de seu patrono Frota Neto, portanto do idealizador, e de seu espólio após o falecimento, conforme sua expressa vontade.
Nos cinco merecidos anos de êxito, Frota Neto, que considera o povo de Ipueiras mais como uma leal família, presenteou a terra mãe com o Instituto Frota Neto, tornando-se a partir deste ano a sede da outorga anual do Prêmio Literário.
Entre alguns nomes de destaque da primeira comissão julgadora citamos Mônica Souto Vasconcelos, Gonçala Maria Matos Moreira, Maria de Lourdes Fontenele Mourão e Ruth Frota Catunda, dentre outros.


Depois da entrega dos prêmios muitos ipueirenses que vieram prestigiar o evento dirigiram-se a Quinta das Flores, de propriedade de Dalinha Catunda onde foi servido um fausto coquetel. Um destaque especial para a figura do escritor de fama internacional Gerardo Mello Mourão, que brindou os ipueirenses com sua presença.
Há cinco anos atrás portanto Frota Neto criava em Ipueiras o Prêmio Literário que hoje referencia e dá status à Ipueiras entre as cidades cearenses que mais estimulam e divulgam a cultura no interior. *PC*

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.