sexta-feira, 31 de março de 2006

quinta-feira, 30 de março de 2006

Frase do dia
"Certas palavras são como granadas. Usadas com imperícia, explodem na boca."

Graham Greence (1904 - 1991), escritor Inglês.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Charles Miller: duas bolas de futebol e um sonho na mala - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Quando aportou em 1894 no Brasil, com duas bolas de futebol embaixo do braço, aquele jovem de nome inglês, mas nascido em São Paulo, não poderia imaginar o quanto influenciaria um país inteiro ao trazer um esporte que passou a ser, alguns anos depois, uma questão de vida ou morte para os seus habitantes.
Aos 20 anos, Charles Miller, filho de um escocês com uma inglesa, retornava da Inglaterra onde havia estudado e aprendido também a ser um exímio centroavante, com passagem pelo Southampton Football Club. Apaixonado pelo esporte, além das bolas oficiais trouxe também uma bomba para enchê-las, um livro de regras e dois jogos de uniformes. Com isso, acabou personificando a figura do introdutor do futebol do Brasil.
Charles Miller faleceu no dia 30 de junho de 1953, há 52 anos, mas seu legado ainda impressiona pela dimensão que o esporte atingiu no Brasil.
Nascido em um país e educado no outro, ele nunca pertenceu a nenhum dos dois.
O que muitos desconhecem é que Charles Miller também foi um grande jogador. Aliás, ele estava presente na primeira partida de futebol realizada no Brasil, em 1895, na Várzea do Carmo em São Paulo, entre São Paulo Railway e Companhia de Gás, vencida pelo primeiro time por 4 a 2.
Charles Miller foi um excelente jogador, e certamente teria se tornado um jogador profissional. Entretanto, ele acreditava apaixonadamente que o profissionalismo iria destruir o futebol.
Charles não gostava de um sistema em que as pessoas fossem pagas para jogar, e tinha a crença que você deveria atuar por amor e não por dinheiro.
A maior parte das pessoas na Inglaterra não sabe nada a respeito de Charles Miller, e não têm idéia da sua ligação com o futebol no Brasil. Para um país pentacampeão mundial de futebol, não é fácil imaginar o que aconteceria se aquele jovem de 20 anos não tivesse retornado ao Brasil. Hoje, mais de 100 anos e cinco estrelas no peito depois, nossa trajetória não permite pensar em uma história diferente. *PC*

segunda-feira, 27 de março de 2006

A porquinha de estimação - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Naquele dia lá pras bandas das Barreiras o céu amanhecera cinzento.
Para seu Chico, a coisa estava preta.
Morador do seu Expedito, homem de confiança, há muitos anos morando naquelas terras.
E agora ?
Sempre deu conta do recado, mas por essa não esperava. O jeito era contar para o patrão o sucedido.
Encheu-se de coragem.
Montou seu cavalo e partiu para a cidade. Lá chegando tratou de relatar o que lhe afligia :
Patrão, o caso é o seguinte, não vá se aperrear. Sua porca de estimação, sumiu sem rastro deixar. Já fazem três noites e três dias que eu procuro sem achar.
Seu Expedito ficou chateado, com aquela situação.
Muitas vezes aquela porquinha salvava a situação, quando vendia suas crias, tinha dinheiro na mão.
Andou um tempo aborrecido, e sem voltar as Barreiras. Depois pensando bem, achou que aquilo era besteira.
Conformado com a situação, pegou seu patuá, espingarda, cartucheira e rumou pras suas terras.
Tava tudo tão verde, tão bonito ... e ele ficou por um instante parado admirando a paisagem.
De repente, uma grande mancha amarela chamou sua atenção.
Chegou mais perto, e parecia um jerimum gigante. Mas não podia ser pois um imenso buraco negro tomava conta de um dos lados do suposto jerimum.
Por via das dúvidas, chegou mais perto.
Era um jerimum gigante, sim.
E o buraco negro ?
Não foi tão corajoso. O buraco parecia se mexer.
Achou por bem ir a casa de seu Chico e pedir ajuda.
Voltou ele, seu Chico, carregando uma vara grande de bambu.
De longe cutucaram o buraco, e pasmem ! De lá saiu a porquinha e, onze porquinhos, que desfilavam graciosamente atrás da mãe.
Não preciso falar, do tamanho da alegria do seu Chico e do seu Expedito. Diante do achado inusitado.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

sábado, 25 de março de 2006

A pracinha do interior - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Um dos monumentos públicos mais marcante e menos incomum no final da década de 60 e início da década de 70 era o televisor público, construído geralmente ao lado de uma praça ou mesmo no centro desta.

Prefeitos apressavam-se para trazer à sua cidade essa novidade tecnológica.

Em Ipueiras, no ano de 1969, foi inaugurado com grande festa o televisor público Idálio Frota. No caso não foi preciso construir uma praça para o monumento, aproveitou-se uma já existente diante da matriz da cidade e ao lado construíram bancos de cimento sobre degraus, além da pracinha, numa construção adequada para o tamanho foi posto o televisor.

No morro do Cristo instalaram uma antena que captava e distribuía o sinal da TV Ceará que transmitia a programação da Rede Tupi para a sede do município e arredores.

Naquela época a televisão era uma raridade e logo foi preciso a intervenção da guarda municipal para conter a multidão que se aglomerava para admirar aquela caixa brilhante na qual se podiam ver pessoas falando e se movendo.


Este foi o primeiro evento televisivo em massa ocorrido na cidade somente superado em número no ano seguinte quando da transmissão da Copa do Mundo no México.

O tempo passou e com uma rapidez nunca imaginada chegamos à época das antenas parabólicas, no entanto muita coisa pareceu não mudar.

O que mais impressiona hoje é que com a acessibilidade deste meio de comunicação às classes menos favorecidas e toda uma tecnologia já posta a disposição graças as antenas parabólicas municipais e particulares ainda se pode encontrar em pequenas cidades do interior o televisor público em pleno funcionamento.

No que tange aos grandes municípios na sua totalidade nada restou do antigo monumento tão festejado em tempos pretéritos.

Atualmente em Ipueiras ainda se pode ver o local aonde ficava o televisor público que como outras obras inauguradas nas últimas décadas do século XX encontra-se abandonado como se esperando silenciosamente a sentença do tempo.*PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 24 de março de 2006

quinta-feira, 23 de março de 2006

Frase do dia
"O que o PSDB e o PFL tentam é repetir a campanha de 2002 e colocar o medo e o terror na população. Eles não podem fazer isso de novo. Estão apelando para uma última cartada e nós decidimos que vamos reagir à altura."

Henrique Fontana (RS), líder do PT na Câmara

quarta-feira, 22 de março de 2006

Esperança de nova fase - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Educação superior, entre nós, guarda viés de origem: o da cidadela medieval, insulada por fossos do social, a cultuar "saber desinteressado". Com o tempo, teve avanços até os dias de agora ao buscar integração de saberes e diálogo em dupla-mão. Em minha história, seduziu-me mão dupla. Docente, tentei tomar o "ler" e o "escrever", sob a dimensão ampla e semiológica a ter a vida por "texto," justo em meio ao "estéril turbilhão da rua" (de Bilac). Educador, ousei impregnar os currículos, dos dramas, parceiras e sonhos do social. Administrator, parti para a semântica e a prática da "derrubada dos murros", da universidade nas "periferias urbanas e no meio rural" (no Acre elogiada por Chico Mendes), em ampla presença cultural, engajada nos movimentos "valorizando e repensando o Nordeste" de encontros culturais e Rádio Universitária como "canais de mão-dupla". No Ceará, batalhamos pelo planejamento governamental permeado do olhar acadêmico. E, por último, pela participação desse olhar, em rede, a trabalhar na costura de amplo "pacto social", no Estado. Aí me veio a crítica de governo e empresários, sob a acusação de "visão corporativa" e pouco "cooperativa." De outra feita: "elogiável a inserção nossa no planejamento de instituição superior nascente. Mas quando, na gestão e na avaliação?" Um dia, confessei: "Trinta anos, pus-me no limiar entre a universidade e o social. Hoje. lamento a relação de amor fracassada." No fundo, o viés corporativo a toldar o social. Tempos novos os de agora: de "teia" e "responsabilidade social". Aí, o convite da Face (a Faculdade Evolutivo): eu a integrar "comissão própria de avaliação (...) representando a sociedade civil organizada". Uma honra decerto. Mais que isso, um desafio que aceito. E a esperança de nova "face" na educação superior cearense. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa
é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 21 de março de 2006

A Lenda de São Gonçalo da serra dos cocos - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Uma família estava fugindo da seca e passou na serra dos cocos.
Traz um filho pequeno. A fome era tanta que para não ver o filho morrer seguiu viagem, deixando-o debaixo de uma palmeira.
Uma mulher foi catar cocos e encontrou o menino. De inicio, pensou que ele estava morto. Furou-lhe o braço com um espinho e saiu sangue.
Viu que ele estava vivo e que era um santo. Chamou-o São Gonçalinho e levou-o para casa e guardou num quarto.
Quando o marido chegou, à noitinha, a mulher foi mostrar lhe o santo mas não o encontrou. No dia seguinte, foram ao local, onde fora encontrado e lá estava. Levaram-no para casa, de novo. Trancaram num baú. Mesmo assim ele saiu e voltou para o seu lugar. Isto se deu por varias vezes.
Então, o pessoal resolveu fazer uma capela pra ele. Depois de pronta colocou-o no altar. Mas ele não ficou, voltou para as palmeiras. Decidiram, enfim, botar duas palmeirinhas, de um lado e do outro do altar, aí ele ficou. O pessoal ficou chamando São Gonçalinho da serra dos cocos. *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

domingo, 19 de março de 2006

Frase do dia
"Bons tempos em que o Brasil era a casa da Mãe Joana. Sob o governo do PT, o país virou a casa da Mãe Jeanne".

Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

sábado, 18 de março de 2006

Dona Guidinha do Poço - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Dona Guidinha do Poço se inscreve entre os romances mais marcantes e cultos da safra literária cearense do século XIX. Conseguiu o autor ao mesmo tempo narrar uma estória envolvente como também denunciar o crime que na época consternou a toda sociedade cearense. A obra de Manoel de Oliveira Paiva baseou-se no caso de Marica Lessa, fazendeira poderosa de Quixeramobim que em meados do século XIX se envolveu como mandante em um crime passional resultando na morte do esposo. Marica Lessa veio cumprir pena na cadeia pública de Fortaleza, depois de anos sofrendo na prisão, foi solta e passou a perambular nas ruas da capital como indigente até a morte. A sina trágica desta história levou o escritor a inserir na trama não só o amor proibido de uma mulher casada por seu sobrinho levando-a ao assassinato do esposo, como também a sofrível realidade das secas como palco maior. Margarida ou Guidinha como chama o autor, detém uma sutileza psicológica e é apontada por muitos estudiosos como uma das maiores personagens femininas da ficção brasileira do século XIX. Ela é a poderosa senhora do Poço da Moita, para onde se dirigem sofridos retirantes. Coube ao estudioso Flávio Loureiro Chaves uma definição mais concisa da personagem: "Ela é ao mesmo tempo boa e má, forte mas duvida de si mesma, é feminina em seu amor e terrível em seu componente de sertaneja barbarizada." Na obra há um resgate da linguagem regionalista do centro sul cearense, o linguajar sertanejo é apresentado em suas várias faces: vaqueiros, agregados e trabalhadores rurais. Guida do Poço tem um fim trágico como a personagem que a inspirou. Delatada pelo criminoso como a mandante do assassinato, ela é confinada na prisão, de lá, abandonada por todos que antes a veneravam, contempla pela janela gradeada as raras nuvens que o vento quente e árido do sertão impede juntar-se, talvez uma tênue metáfora da não concretização de seus intentos. Manoel de Oliveira Paiva, nasceu em Fortaleza em 12 de julho de 1861, estudou no Rio e regressou a capital cearense onde participou de vários movimentos literários, como o da fundação do Clube Literário em 1886, considerado o marco do realismo cearense. Faleceu em 29 de setembro de 1892 com pouco mais de 30 anos, vítima de tuberculose. Deixou como romance "A Afilhada", publicada em folhetins no jornal "O Libertador" e "Dona Guidinha do Poço", cujos originais passaram das mãos da viúva do escritor para Antônio Sales que os levou a Américo Facó, repassando este décadas depois a Lúcia Miguel Pereira que finalmente os publicou em 1952. Da morte do autor à publicação haviam se passado sessenta anos. O romance apesar de vir a público somente no século XX é considerado uma obra modelar precursora do modernismo e realismo brasileiros, é dele o mérito de iniciar as narrativas que iriam culminar nos romances de secas que tiveram seu auge na década de 30 do século passado.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 17 de março de 2006

quinta-feira, 16 de março de 2006

Frase do dia
"Nós vamos levar luz até 2008 para a casa de todos os brasileiros"

Lula
, presidente da República.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Sistema de Educação Superior - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Humberto - Commercio(PE)

Por instantes, desligo-me da "crise política". E, em grupo cooperativo, palpito vias para a educação superior cearense. Ocorre-me então cenário do Fórum da Modernidade (1996), onde se reuniram intelectuais, políticos, empresários e lideranças sociais sob o tema "A responsabilidade das universidades para com o desenvolvimento sustentável". Animador era o clima: a) passos maduros na política cearense dos anos 80; b) novo porto (o do Pecém) e aeroporto de Fortaleza, a abrirem vias para o turismo e o comércio exterior; c) o Castanhão, a alargar o caminho das águas; c) indústrias a se plantar no semi-árido. Em tudo, a constatação: o homem - fonte de capital social e humano - e fim último de um sustentável desenvolvimento. No grupo, Hélio Barros, o secretário, mostra-se otimista. "Infra-estrutura" é campo hoje a acolher "educação". E a própria "educação básica", sem a superior, não é suficiente campo da "inclusão social". Do passado, recobro a meta do "sistema de educação superior cearense" - União, estado e municípios a se darem as mãos no "regime de colaboração" em busca da "negociação social", a ampliar o território do público... Sem isso, pouco avançamos até aqui, resvalados em pedaços pela solidão em atropelos e situações caricatas até. Em meio pobre, o financiamento não-solidário tornou a educação superior utopia para muitos. Cercamo-nos em autismos. A academia, em cega autonomia. A vida socioeconômica como se fonte única do saber. Quem na escola, "fora de mercado", a perder tempo. E, nas escolas, o marketing enviesado: os alunos de outrora, na universidade; jamais nos empregos e na vida... Pensar, pois, em conjunto. Olhar para os fins, a incluir todos. Só assim, será o desenvolvimento sustentável. Se desenhado e tocado em solidariedade por todos. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

terça-feira, 14 de março de 2006

Frase do dia
"Esses bens comuns, que somente neste malfadado século 21 começamos a acreitar que são nossos, mesmos sabendo que a praia é da Marinha, o ar da Aeronáutica, subsolo da Petrobrás, as ruas das prefeituras, a moeda do Ministério da Fazenda e o Brasil do presidente da República..."

Roberto Damatta, antropólogo.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Apostando na vida - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Às vezes eu me aborreço,
às vezes me entristeço.
Noutras tantas sou infeliz,
porém vou tocando a vida,
curtindo a ânsia atrevida,
de apostar no porvir.

Não quero olhar a vida,
apenas por uma janela.
Não quero viver suspirando,
feito eternas donzelas.
Se viver é correr risco,
encaro sem medo a mazela.

Eu quero o gozo da vida,
quero abrir feridas.
Sangrar se preciso for,
quero o choro da partida,
de cada paixão colhida,
que ardeu e se apagou.

Só não quero viver a apatia,
de uma vida sem magia,
de quem se desencantou.
Atrás das cores da vida,
sou primavera florida,
que o tempo não desbotou.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
.

domingo, 12 de março de 2006

Frase do dia
"O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados perdeu a razão de existir".

Cézar Schirmer (PMDB-RS)

sábado, 11 de março de 2006

História da Igreja Matriz de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


O primeiro templo católico a ser construído na região que hoje é a cidade de Ipueiras foi erguido no início do século XVIII.
Tudo começou em 1722, quando deu-se o encontro do frei carmelita José da Madre de Deus com o então Capitão-mor José de Araújo Chaves. O religioso chegou na região com ordem para escolher o local do novo templo, o Capitão-mor José de Araújo Chaves era potentado daquela região e proprietário de vastas sesmarias da Boa Vista, na Serra dos Cocos, e da Ipueira Grande no sertão.
Com muito entusiasmo e sendo um homem devoto o Capitão propôs ao frei a construção de duas capelas, sendo uma sobre a serra e outra no sertão, para tal finalidade doou os terrenos e coube ao próprio escolher os oragos (padroeiros) : São Gonçalo e Nossa Senhora da Conceição.
São Gonçalo na Serra dos Cocos seria uma homenagem ao Conselho de Amarante, vila portuguesa de onde provinham os Martins Chaves e no sertão Nossa Senhora da Conceição em homenagem a Portugal, que a tinha como padroeira.
A capela de Ipueiras foi concluída em 1745, precisamente em 4 de julho do ano citado. A benção foi dada pelo Pe. Pedro da Costa que batizou no mesmo dia Manoel Martins Chaves, filho do construtor da capela.
Com o falecimento do Capitão-mor José de Araújo Chaves em 1787 Ipueiras permaneceu como uma fazenda possuidora de capela. Somente em 1883 através da Lei Provincial no. 2.037 é que foi instituída a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, tendo por limite o Distrito de Paz de Ipueiras e o de São Gonçalo, com isto era extinto a antiga Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, reduzida a simples capela da paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
Canonicamente a paróquia foi instituída em 21 de abril de 1884 por provisão do segundo Bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira. Logo em 16 de maio do mesmo ano foi nomeado como primeiro vigário o Pe. João Dantas Ferreira Lima que tomou posse no dia 16 de julho do ano citado.
Guardava a paróquia uma antiga estátua de madeira da Virgem da Conceição em estilo barroco que estava posta no altar desde o século XVIII, sendo esta a imagem levada na procissão que se realizava e realiza ainda hoje no dia 8 de dezembro, porém antes que findasse o século XIX de forma misteriosa a imagem sumiu.
Tal perda levou os paroquianos encomendarem da Alemanha nos primeiros anos do século XX uma estátua de Nossa Senhora da Conceição porém ocorreu um erro na remessa pois Nova Russas, que na época era um pequeno distrito de Ipueiras e tinha como padroeira Nossa Senhora das Graças fora também beneficiada neste mesmo pedido com uma estátua menor para sua capela, os encarregados na Alemanha não distinguindo qual das cidades era a mais importante, enviaram para Nova Russas uma grande estátua de Nossa Senhora das Graça e uma pequena estátua de Nossa Senhora da Conceição para Ipueiras.

A estátua que recebeu Nova Russas veio para Ipueiras e por ser a maior da Matriz ocupou o altar que por regra deveria estar a estátua de Nossa Senhora da Conceição, esta é a razão de ainda hoje estar esta imagem no plano maior da Nave de Ipueiras, porém nas procissões é sempre o pequeno ícone de Nossa Senhora da Conceição que é levado.
Entrando no século XX a igreja matriz de Ipueiras era pequena, em termos mais realistas guardava ela o tamanho de uma simples capela, só então que no final dos anos 30 é que foi construída uma torre de estilo gótico fugindo um pouco das características barrocas originais de sua planta, para o alto da torre foi transferido o sino.


Entre os anos de 1956 e 1957 começou a construção na parte detrás da Igreja de um plano maior que abrigaria o novo altar, este foi concluído em 1958 e é onde hoje se situa o altar da Igreja.
A Igreja Matriz de Ipueiras foi portanto no século XX alterada três vezes, na primeira acrescentou-se uma torre (final da década de 30), no fim da década de 50 foi feita na parte detrás um alargamento cuja altura superou a da torre e finalmente em meados da década de 70 transferiu-se o altar para a parte mais nova e alta da Nave. *PC*


Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

sexta-feira, 10 de março de 2006

quinta-feira, 9 de março de 2006

Frase do dia
"É nossa última chance. Está na hora de deixarmos de lado os pudores tucanos, entender que não estamos preparando teses acadêmicas e parar de poupar o Lula e o "Lulinha Telemar"."

Demóstenes Torres (PFL-GO), membro das CPIs dos Correios e dos Bingos.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Mulher - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Em todo Ceará, mulheres de diversas origens, classe, idade e identidade sexual organizam-se em torno do dia 08 de março. Em Crateús, elas promovem debates e fazem uma caminhada pelas ruas da cidade. No Crato, ocupam a Praça da Sé com manifestações culturais e discussões temáticas.
Em Fortaleza, sentam juntas para conversar com a comunidade na Barra do Ceará, Messejana, Conjunto Palmeira, Conjunto São Miguel.
A violência está na pauta da maioria dos eventos organizados para o Dia Internacional da Mulher. As estatísticas mostram o porquê. De acordo com a ONU, 25% das brasileiras são vítimas constantes de violência no lar e em apenas 2% dos casos, o agressor é punido.
No Ceará, 118 mulheres foram assassinadas em 2005, segundo dados do Fórum Cearense de Mulheres. Em algumas regiões, como no cariri, os índices de mulheres assassinadas e os relatos são alarmantes.
O governo do Estado se mantem omisso diante do quadro, não respeitando sequer a Constituição Federal no que diz respeito a construção de aparelhamento das delegacias de mulheres.
A questão da violência é grave é apenas um dos itens da luta. Ainda há muito o que conquistar. Melhor atenção, na categoria da saúde. Espaço nas esferas públicas de poder, na categoria política. Maior possibilidade de ascensão na carreira e salários iguais, na categoria mercado de trabalho.
O caminho é difícil, mas já começou a ser trilhado, e vem avançando. Isso também deve ser lembrado hoje, dia 08 de março.
A persistência e a crescente articulação do movimento de mulheres têm conquistado avanços em relação à igualdade de gênero.
Os avanços ainda não contemplam mulheres pobres, negras e índias, que continuam excluídas de seus direitos.
Precisamos acreditar que é possível construir um mundo onde mulheres e homens se articulem e interajam na diversidade, tendo a liberdade, a justiça, a paz e a solidariedade como valores humanos. *PC*

terça-feira, 7 de março de 2006

Frase do dia
"Lula avança 5 anos em 50".

José Serra, prefeito de São paulo.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Iracema: 140 anos - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Duas formas de ler a vida e o mundo opunham-se na antiguidade: o logos ("história real") e o mythos ("história imaginada"). Tais formas hoje se abraçam. Os mitos, elevados a símbolos, são prenúncios do logos (a ciência).
Em nossa "história real", a pecuária marcou-nos, de masculino, o chão cearense: Na amplidão da caatinga, a rês. Atrás dela, o vaqueiro. Entre os dois, apenas a mística e a solidão. Mas foi Alencar que nos legou a "história imaginada" dos subterrâneos de nosso inconsciente coletivo: Iracema, "a porção feminina da alma nacional", a nos abrir sinuosas e sedutoras sendas, nas pegadas da serpente e de Eva, rumo ao solidário. Iracema saída dos banhos: das sombras, dos ventos, do sol. O "aljôfar d'água" (das chuvas, lagoas, cascatas, rios e mares) a rorejar-lhe o corpo, salpicado de verde: o dos "mares bravios", da relva e da selva, da alma cearense.
História de amor, sim, entre Iracema e o guerreiro branco! Mais que isso, o decantar da hospitalidade alencarina. Autêntico tour por "onde canta a jandaia", as "alvas praias", serras, sertões, a rica toponímia, rituais, culinária e cultura, a ter por guia "o pé grácil e nu" de Iracema. Aí, a sugestão de novos conceitos, mapeamento e roteiro para o turismo, ora caído no vil dueto de "gringos e prostitutas"!
Iracema, 140 anos! Justo quando o Ceará se repensa em seus caminhos, de sintaxe e perenização do verde e das águas. Tudo para que "Moacir, o filho da dor" aqui finque morada. O romance conclui-se: "O primeiro cearense ainda no berço emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?" Persiste a reflexão! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa
é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

domingo, 5 de março de 2006

Frase do dia
"Bons tempos aqueles em que os piores erros do Lula eram os de português".

Raimundo Nonato.

sexta-feira, 3 de março de 2006

quinta-feira, 2 de março de 2006

O Carnaval de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Bloco Abababados - 1989


Ipueiras sempre se destacou entre as cidades da zona norte do Estado, ao pé da Ibiapaba, como uma cidade carnavalesca desde as décadas de 30 e 40 do século passado, e manteve esta tradição fortalecendo-se a medida que a cidade crescia chegando ao seu apogeu no século XX precisamente na década de 80.
Foram nos anos oitenta que se viu surgir pela primeira vez na sede do município blocos. Fenômeno que repetiu-se em diversos anos seguidos sempre no carnaval, criando uma rivalidade sadia e competindo animadamente entre si.
Entre os mais destacados estavam : Mama na Égua, Tosse Braba, Olha nós Aí, Abababados e o Sisigura.


Bloco Sisigura - 1997

Os cinco blocos citados já não mais existem, mas deixaram uma grata lembrança dos últimos carnavais do século passado em Ipueiras. Sendo que alguns dos que deles fizeram parte já se foram, e outros já não moram mais no município.
Competiam todos juntos em desfiles pelas ruas e à noite no clube da cidade.
O bloco Mama na Égua tinha como principal destaque o porta-bandeira já falecido Moacir Fontenele, figura que para os ipueirenses era a alma do carnaval da cidade, fazendo parte dele outro grande carnavalesco de muito valor José Gerardo, o Dadá.
As vestimentas eram de seda com cores diversas e bem desenhadas. Cada bloco tinha seus trajes típicos e concorriam no clube da cidade pelo troféu de bloco vencedor.
Com o passar dos tempos os blocos deram lugar ao carnaval de pequenos grupos e é este o que prevalece atualmente na cidade tendo como característica o rápido deslocamento que fazem de uma festa para outra. Já que o carnaval em Ipueiras não se realiza mais em um só salão.
Outra característica inovadora é que muitos ipueirenses se deslocam para o carnaval de cidades vizinhas não se restringindo somente ao do município.
O tempo passou mas o carnaval de Ipueiras continua sendo uma festa para seus habitantes, antes só restrito aos clubes e à cidade, agora não só na cidade mas levando grupos que animam e enriquecem o carnaval das cidades irmãs. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

quarta-feira, 1 de março de 2006

Frase do dia
"Nossas palavras são uma forma de complacência, porque fazem sentido, e o que temos à nossa volta não faz".

Samuel Beckett (1906 - 1989), dramaturgo irlandês.