quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Belas e Burras - Por Mario Serdan / Rio de Janeiro


Uma das generalizações mais enraizadas no inconsciente coletivo é a de que toda mulher bonita é burra. A gente sabe que isso é uma inverdade: está assim de mulher linda e inteligente conquistando o seu espaço por aí. Então por que o estigma perdura?

Porque tem fundamento. É uma verdade politicamente incorreta, mas ainda assim uma verdade: garotas muito bonitas, mas muuuuuuito bonitas, não precisam dar duro para terem o mundo a seus pés. Nossa sociedade valoriza demasiadamente a estética, o par de olhos verdes, o cabelo liso, o corpo de cinema. Sendo assim, uma garota que se encaixe nesse padrão de beleza acostuma-se desde cedo com os elogios, não precisa batalhar para ser notada. Sabe que vai ser tirada para dançar. Os caras fazem fila para namorá-la. Basta que jogue o cabelo para um lado, depois para o outro, e os príncipes caem na rede.

Já as que não se relacionam às mil maravilhas com o espelho namoram menos. É um namorado hoje, outro daqui a 2 anos. Com o tempo livre, fazem o quê? Estudam. Lêem. Vão ao cinema. Viajam pra esquecer. Quando dão por si, estão mais sabidas. Aprendem que beleza não precisa ser congênita, pode ser adquirida com o tempo. Descobrem que os melhores homens não são aqueles que ficam encostados em carros nos postos de gasolina sábado à noite, mas os que trabalham ao seu lado, no escritório. Sim, você tem um emprego, não é um assombro? E você tem um bom papo, deu um jeito no cabelo, fez uma boa terapia e não se queixa mais da vida. Já, já vão tirá-la para dançar.

Inteligência, assim com os músculos, precisa ser exercitada para aparecer. As bonitas nascem com o mesmo número de neurônios das feias, mas são menos exigidas pela sociedade, que se satisfaz com seu papel de bibelô. Cabe a elas mostrar que seu cérebro tem tanto prestígio quanto seu rosto de boneca.

Generalizações costumam ser injustas: Rita Camata, Vera Fischer, Bruna Lombardi, Cristiana Reali e Constanza Pascolato são mulheres tão belas quanto inteligentes. Em contrapartida, há feiosas que não cultivam nada acima do pescoço. O assunto aqui é esforço pessoal. Os cegos têm melhor olfato não por acaso, mas porque necessitam desenvolver um sentido que substitua a visão. Se Regina Casé fosse a cara da Sthephane de Mônaco, talvez a bajulação em torno de sua beleza desestimulasse sua batalha por crescimento profissional e teríamos menos uma mulher brilhante no planeta. Não devemos abandonar o batom e a academia de ginástica, mas é fundamental ler, estudar e trabalhar muito, mesmo que papai do céu tenha nos presenteado com o rostinho da Michelle Pfeifer. Que, aliás, estaria até hoje fazendo comercial de sabonete se não tivesse tutano. *PC*

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