terça-feira, 28 de novembro de 2006

O Grilo Maestro - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Amadeus era um grilo pequeno e magro que vivia de lago em lago até que vinha a seca e então se mudava para outra região mais úmida.Tinha a voz fininha e por mais que se esforçasse pouco barulho fazia e quando à noite o coaxar dos sapos começava, fazendo toda a floresta parecer tão viva quanto o dia, ninguém mais o escutava.Mas os sons dos sapos não passavam de barulho sem ritmoAmadeus achava que aqueles sons podiam ser harmoniosos e queria ser o maestro desta nova melodia. Isso mesmo, queria ser maestro de canto de sapos e procurava gritar mais alto para ser notado.Um dia conheceu uma rã que lhe mostrou como fazer para emitir sons mais altos e ensinou-lhe a estranha língua universal dos sapos.Depois de muito treinar, Amadeus foi aprovado pela sábia rã e apresentou a ela suas composições.A rã ficou muito admirada e começou a divulgar o talento do grilo Amadeus pelas lagoas.Então, numa noite enluarada de céu repleto de estrelas piscando, acompanhado de dez sapos separados numa lagoa, Amadeus começou sua carreira como maestro, primeiro testando as notas, depois começaram a cantar o hino à lua.Todos os insetos aproximaram para olhar e admirar o talento daquele grilo chamado Amadeus.A rã estava orgulhosa e depois de muitas e muitas noites apresentando várias composições que fazia toda a lagoa aplaudir, o grilo Amadeus recebeu do mais velho sapo da região o título de maestro dos lagos.Amadeus agradeceu, mas sem esquecer a rã que o ajudou, fez dela sua assistente.E assim por muitos anos os sapos tiveram como maestro um grilo, que com suas composições fazia das noites na lagoa um lugar de muita alegria.E o tempo passou e passou e a obra do grilo Amadeus continuou na lembrança dos sapos que vieram quando ele se foi, assim, graças ao grilo compositor, os sons dos sapos ficaram mais belos e ricos. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

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