segunda-feira, 20 de novembro de 2006

O cupido e a pombinha - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Contam que, certo dia, de noite escura e vento frio, apareceu no céu uma linda estrela de brilho intenso. Era tão reluzente, tão luminosa e piscava aceleradamente encantando admiradores, que, de boca aberta e olhos erguidos, presenciavam a chuva de gotas prateadas escorrendo a cada piscada, feito uma cascata bordando o infinito. Foi quando um senhor de idade avançada, ouvindo as indagações e a admiração diante de tanto encantamento, respondeu:
- Isto é um fenômeno que acontece de tempos em tempos nessa aldeia.
Reza a lenda que, há muitos e muitos anos que, aqui neste mesmo lugar, era apenas uma floresta. Onde árvores e pássaros de muitas espécies ainda existiam, aconteceu um caso inusitado, que comoveu seus habitantes.
Uma linda pombinha, branca como as nuvens lá do céu, apaixonou-se por um belo cupido de penas negras aveludadas. O casal atraía e encantava a todos com seu bailado no ar.
A família da pombinha não entendeu aquele amor e engaiolou a pobrezinha para o desespero do cupido. Triste na gaiola, a pombinha, deixou de comer e beber, e acabou por morrer. Não demorou muito tempo e o cupido teve o mesmo trágico fim.
Nunca mais se avistou no céu o vôo em preto e branco em promessa da miscigenação. Mas, no ar, permaneceu a história de um grande amor, marcado pelo racismo e pela incompreensão animal.
E foi assim que a mãe-da-mata duende, que preside aos destinos da fauna e da flora, uniu para sempre o casal. Transformou o cupido na noite negra. E a pombinha, em estrela brilhante, chorando em cascata no céu. Chorando de alegria, por ter de volta o seu amor. *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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