sábado, 28 de outubro de 2006

Tempo de caju - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Num passeio de duas semanas, encontrei Ipueiras supercolorida e com um cheirinho especial de caju invadindo toda a cidade. Impossível não voltar aos velhos tempos e as boas recordações onde castanhas e meninos davam o tom às brincadeiras.A fartura das castanhas, assadas em pedaços de flandres furados, fazia a alegria da meninada, que participava de todas as etapas daquele ritual, sendo que a mais importante era a hora de saboreá-las.Ainda tenho presentes, em minha lembrança, os litros transparentes, cheios de cachaça, com um caju que boiava magicamente em meio ao liquido, deixando-me fascinada e, ao mesmo tempo, intrigada com o feito, por não entender, na época, exatamente, como a fruta entrara ali.Contudo, a melhor recordação, era o jogo de castanhas, que acontecia assim: uma dupla com seus saquinhos de castanhas. Um colocava um torno, (que era uma castanha grande) e o outro começava o jogo, que nada mais era que se atirarem castanhas alternadamente tentando acertar o torno. O primeiro que acertasse enchia a mão levando todas as castanhas atiradas.Se as recordações do passado ainda me encantam, o presente não deixa por menos. Cajueiros mais exibidos do que nunca apresentam hoje espetáculo maravilhoso que só mesmo a natureza seria capaz de produzir. Em pleno calor de outubro, o sertão com sua paisagem já amarelada passando a um marrom acinzentado, típico dos tempos secos, aparecem os verdes cajueiros a fazer contraste com a fartura de árvores ressequidas.Aos meus olhos que sempre se encantam com as coisas do sertão, o cajueiral em sua pujança mais parecia grandes árvores de natal, fora de época, com suas bolas multicores atraindo pássaros das mais variadas espécies dando um colorido fascinante ao show patrocinado unicamente pela natureza em sua peculiaridade.A feira também se encheu de cor, pelo chão, cajus, amarelos, vermelhos, alaranjados, pequenos, grandes compridos. O colorido, o cheiro e o preço baixo pela larga oferta eram um convite. Difícil não sair carregando sacolas e mais sacolas da fruta da época.Era comum chegar à casa de amigos e ser agraciada com latinhas de doce e refrescar a garganta com o suco do momento e até levar uma garrafa de cachaça com caju da safra passada. O nordestino, principalmente o do interior, é dado a essas gentilezas.Se o jogo de castanhas se perdeu no tempo, o doce de caju, o suco, a cajuína, a castanha assada, a cachaça com caju estão aí a nos dizer que sempre será tempo de caju em nosso querido Nordeste. *PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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