terça-feira, 3 de outubro de 2006

Seu Abílio - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Heron Domingues

Uma das que costumava contar "Seu Wencery", meu pai:
Anos 40, o mundo entrando na 2ª. Grande Guerra Mundial. Em Ipueiras, em torno do rádio, sintonizado em ondas curtas, na Rádio Nacional, em busca das últimas. De repente, a característica musical do famoso "Repórter Esso" e a voz de Heron Domingues: "... e atenção, o Repórter Esso em edição extraordinária!" Todos atentos: "O Brasil acaba de declarar guerra ao Eixo..."
Silêncio. Todos pasmos. Ninguém sabia ou ousava algo dizer. De repente, alguém quebra o incômodo silêncio: "Sei não! A coisa está preta. Mas vou dizer uma coisa. Se a Bahia entrar nessa guerra..."
"Seu Abílio" não agüentou. Levantou-se e foi se retirando: "Não agüento tanta ignorância. Caboclo bucho, deixa de tanta asneira!" E se foi, a roda inteira, com a cena, aliviada um pouco do impacto da notícia.
Hoje, associada à folclórica expressão "Oropa, França e Bahia", incorporei, entre meus ditos, em alusão à cena de "Seu Abílio", o refrão: "Sei não, mas se a Bahia entrar nessa guerra..." (Marcondes do "Seu Wencery")

"Caboclo Bucho"

Você retratou bem o Seu Abílio com a expressão "caboclo bucho" - sua marca registrada. Quanto o alguém que disse sobre a Bahia entrar na guerra vai ser motivo para nossas fofocas em julho próximo na casa da Dalinha e vamos descobrir quem foi (Tadeu Fontenele). *PC*

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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