quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Acerca do divórcio - Por Beto Costa / Rio de Janeiro

Há algum tempo não tem sido os altos juros ou a curiosidade de saber o destino do CPMF ou do ICMA cobrados nas contas de luz e telefone que têm me perturbado. Hoje, a minha insônia é pelo meu casamento de cinco anos. Já somam dois meses que convivo com uma recente estranha sobre o mesmo teto. É essa a sensação que herdo pela falta de carinho, diálogo e respeito.Todo relacionamento requer muito jogo de cintura. Muitas vezes somente agradar não é o suficiente. É preciso sentir a reciprocidade. Mas o que fazer quando a cara metade começa a querer andar sozinha? "Se você não quiser ir, eu vou", esbravejou a minha doce Madalena. O mais intrigante é que a minha autoridade de marido, não sei como, perdeu a liderança. Assim, não adianta dizer não, pois quando o desejo já está no coração não há o que fazer. Não há saída! Se disser não, a minha esposa diz que depois do casamento não pôde fazer mais nada. E com o passar do tempo isso vai minando o relacionamento. Contudo, se digo que sim sou eu quem me sinto amputado.Nunca imaginei que a diferença de 15 anos entre nós pudesse acarretar tantos problemas. Não tenho mais prazer de ir a discotecas, aliás, nunca tive. Sempre preferi prazeres mais culturais. Adoro cinemas, teatros, restaurantes, viagens... E o que dizer de um bom papo num barzinho e violão com a família e os amigos?. Entretanto, não me importo nenhum pouco de freqüentar lugares mais jovens para agradá-la. Mas em plena quinta-feira ir ao forró depois de 10 horas de trabalho. Não dá! Então, o casal começa a se dividir. Não tem nada a ver. É a resposta que todos dão. Hipocrisia! Pois a base começa a se desestruturar nos pequenos detalhes e a mágoa floresce e se solidifica rapidamente. Por várias vezes perguntei o que estaria acontecendo. Embora eu não perceba, é certo que também tenho culpa. Todavia, ser transparente requer maturidade para absolver as críticas. Talvez por esse motivo o silêncio e o fingimento de que nada mudou continuem sendo a resposta que paira pela casa. Sempre trouxe comigo a certeza de que a vida de solteiro não coexiste com a de casado. Por isso, até então nunca havia procurado relacionamentos duradouros. Evidente que não há donos da verdade. Porém o que peço é discernimento de que as responsabilidades mudaram.A constatação de que as coisas não iam bem me obrigou a abrir a bíblia. Fitei os olhos sobre o livro dos salmos e uma frase me chamou atenção "(...) amareis a vaidade e buscareis a mentira". Em fração de segundos involuntariamente fui jogado às memórias que ainda me fazem feliz. Alguns pensamentos atordoaram a minha cabeça. A enxaqueca teimou e perpetuou por toda a noite, e eu sozinho na cama que escolhemos juntos. Ah, como foi divertida a compra! Deitamos e até pulamos com o pretexto de testá-la. Entretanto, o sorriso incontido se cerra à constante idéia de divórcio. Seria justo manter um casamento somente por causa dos filhos? Não era essa a minha idéia quando jurei honrá-la até que a morte nos separasse.Uma vez um amigo de infância me falou que a nossa missão aqui na Terra é sermos felizes. Esse pensamento me presenteia com a sensação de que tudo é válido, que as pessoas nunca erram, que tudo é simples, que basta querer e dane-se o mundo. Talvez ele tenha esse pensamento pela pregação corriqueira das novelas. Talvez seja culpa dos jornais que tanto evidenciam as "marias-chuteiras". Aliás, quem é a ilustre desconhecida capa da Playboy desse mês? Ou talvez a culpa seja dos programas de fofocas líderes do IBOPE no rádio. Somos influenciados pelo meio em que vivemos. Viver imerso na tentação, além de prazeroso, é muito mais fácil do que dizer não. Porém, uma coisa ninguém me rouba: o meu livre-arbítrio. Por isso, irei dar mais uma chance ao meu laço de família. *PC*

Beto é jornalista
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