segunda-feira, 11 de setembro de 2006

O presente de Anita - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Anita era uma garotinha triste e insegura. Não brincava com as colegas e pouco sorria. Não saía com as amiguinhas e sentia pouca vontade de estudar. Nem no seu computador ela brincava.Um dia, não quis mais ir para a escola, nem mais sair do quarto.A avó, que gostava muito dela, começou a investigar os motivos do comportamento de Anita e descobriu que a garota se achava uma verdadeira verruga murcha.O que fazer para ajudar a neta - ela se perguntava.
Sabia que Anita tinha um cabelinho ruim e sardas no nariz, bem como usava um óculos de grau muito forte, mas tudo isso iria mudar quando ela fosse crescendo.Certa noite, conversando com ela, contou que quando pequena, ela se sentia a menina mais feia do mundo. Queria se trancar dentro de um baú e ser esquecida por todos. Porém, aconteceu uma coisa que ela jamais poderia esperar. Quando abriu um baú encontrou uma pequena caixa com um anel de metal. Na caixa estava escrito que o anel era mágico e transformava qualquer pessoa na mais bela e confiante criatura. Assim, ela colocou o anel no dedo, e daquele dia em diante foi ficando cada vez mais alegre e confiante, e se sentindo mais sabida e bela. Um dia, encontrou o rapaz mais bonito e bondoso da sua cidade que pediu-lhe em casamento e este veio a ser o avô dela.Anita ouvia interessada. A avó, percebendo que a tinha tocado, levantou-se da cadeira e tirou de dentro de um pequeno baú um anel de metal que havia mandado fazer sob medida para o dedo da neta.
- Tome, é seu ! Tenho certeza que fará por você o mesmo que fez por mim - disse a avó.
Anita não cabia em si de tanta alegria. Colocou o anel e já começou a se sentir melhor. Os dias foram passando e os anos também, e a garota, já moça, foi ficando cada vez mais bela e feliz, até que um dia perdeu o anel mágico dado pela avó. Mas ela não se abateu, pois já tinha ganhado autoconfiança e sua vida agora era somente de realizações.Quanto ao anel, este nunca foi mágico. Mágica foi a idéia que teve a avó, fruto do conhecimento que só a maturidade traz. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.