segunda-feira, 25 de setembro de 2006

As esquecidas estações - Por Bérgson Frota / Fortaleza


No início do século vinte a estrada de ferro representava o progresso. Cidades e mais cidades interioranas disputavam a honra de serem cortadas pelos trilhos que deitados em fortes dormentes traziam o futuro mais rápido.
No Ceará a rede de transportes ferroviários passou por sua fase áurea e encontrou no descaso e surgimento de outros meios de tarnsporte o triste ocaso em que até hoje agoniza.
Infelizmente o transporte ferroviário foi relegado a segundo ou melhor dizendo, terceiro plano, se é que se pode este termo utilizar.
Na prática as estradas asfaltadas que se multiplicaram a partir da década de 70 foram em muito responsáveis para pôr-se de lado as viagens por linhas férreas. Vistas então como uma opção de ransporte ultrapassado.
A estação de Ipueiras que foi inaugurada em 01 de maio de 1910, apesar de necessitar de reparos, guarda exteriormente a clássica e simples arquitetura da época. Sofrendo portanto o mínimo que se poderia comparar ao prédio já em ruínas do distrito próximo, Eng. João Tomé (Charito).
Prédios belos e bem construídos sendo ruídos pelo descaso com o passado. Muitos figuram na lista de obras a serem demolidas pelas prefeituras. Há a possibilidade e realidade de transformá-los em escolas ou museus. Até mesmo das próprias cidades cearenses de um ou outro centro citado.
Nosso País é definido também como um país sem memória. A definição concretiza-se pelos fatos expostos diariamente diante da impassividade dos governantes ante a destruição e o desgaste dos prédios históricos tombados ou não pelo patrimônio nacional.
Outro fato que mostra o pouco caso feito aos monumentos históricos é a desvirtuação de seus espaços. Quando se fazem construções não vinculadas ao monumento mesmo com a defesa da tecnologia, se fere uma paisagem, correndo infelizmente o risco do monumento ser obliterado pela construção mais recente.
Vivemos num período de rápidas e grandes transformações, mas a história nos mostra que nenhum ganho trouxe a uma população a construção de obras sobre os escombros doutras de valor histórico inestimável, o oposto se mostrou mais positivo.
E neste caso pode-se aplicar muito bem o ato de conservação e nova utilização das já tão esquecidas estações ferroviárias.
O caminho para se chegar a um futuro onde as gerações possam de fato trocar contribuições e com isso se enriquecerem passa pela preservação de monumentos que são um verdadeiro elo ligando o passado ao presente para o forjamento de um futuro melhor. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

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