quarta-feira, 3 de maio de 2006

Um ano sem o Papa de Fátima - Por José Luís / Fortaleza


No dia 2 de março, a grande imprensa de todo o mundo noticiava que líderes da ex-União Soviética ordenaram o assassinato do Papa João Paulo II, aclamado o Papa de Fátima, exatamente um mês antes do primeiro ano de seu falecimento. Por sua devoção a Nossa Senhora e ligação direta com o terceiro segredo de Maria Santíssima naquela aparição, tal assertiva por parte da comissão parlamentar italiana possibilita-nos um breve questionamento.
Karol Wojtyla, o futuro papa, nasceu numa região dominada pelo comunismo (Wadowice, Malopolskie, Polônia), viveu os dias da 2ª Guerra Mundial e teve sua vida pastoral, tanto no sacerdócio quanto no episcopado, marcada por duras perseguições por parte do governo comunista que comandava seu País natal. Chegou a ser espionado até mesmo no confessionário, onde, conforme um de seus biógrafos havia escuta e as conversas que diziam respeito a política (que não eram presentes em suas confissões), seriam encaminhadas aos comandantes do regime polonês.
A grande mensagem de Fátima foi o apelo à conversão, fundamentada na devoção à Virgem Maria. Podemos dizer que os três segredos revelados por Nossa Senhora aos videntes, Jacinta, Francisco e Lúcia, possuíam ligação direta com a figura santa de João Paulo II, senão vejamos.
O primeiro segredo diz respeito ao fim da 1ª Guerra, na qual, o pai de João Paulo II, tenente do exército, de quem herdou o nome, Karol Wojtyla, foi combatente. O papa nasceu dois anos depois da Guerra, no dia 18 de maio de 1920 e viveu a 2ª Guerra, revelada por Maria. O segundo segredo atentava para o triunfo do Coração de Maria sobre o regime político vigente então na Rússia.
Comentando um pouco esses dois segredos, chegamos claramente ao terceiro. Se não foi vítima diretamente da 1ª Guerra, a família do Papa sofreu as conseqüências danosas daquele período. Ao ser eleito para o trono de Pedro, em 1978, João Paulo II, se empenhou pessoalmente para o sucesso do movimento democrático Solidariedade na Polônia, o que se constituiu um tormento para a União Soviética, contribuindo para o enfraquecimento do regime, derrubado por Mikhail Gorbachov, recebido pelo Santo Padre e contando com o apoio indireto do pontífice nessa ação.
João Paulo II, portanto, teve participação nos dois segredos e, em 13 de maio de 2000, houve a revelação do terceiro segredo, o atentado contra sua vida, ocorrido no dia 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, em Roma.
Essa notícia em relação aos líderes da ex-União Soviética (Rússia) tornou o Santo Padre, com processo de beatificação em curso no Vaticano, cada vez mais ligado a Nossa Senhora de Fátima, cuja coroa da imagem que existe no Santuário de Fátima, é relicário da bala que o atingiu. Ele foi o papa mais mariano e carismático da história eclesiástica recente e, ainda, figura mais importante do século de Fátima (1917 - 2017), que muito ainda será lembrado.
Seu funeral, o maior da História da humanidade, fez a Cidade Eterna, voltar, pelo menos naqueles dias, a ser o centro do mundo. A águia romana novamente voou alto, e, desta vez, não foi através do exército de César ou de qualquer outro general. Foi através de um santo e a única arma que ele empunhava era o rosário da Virgem Maria - a Mãe de Deus.
O Papa de Nossa Senhora de Fátima percorreu grande parte do mundo e foi quase que onipresente em todos os recantos entre 1978 e 2005. Há um ano, o homem deu lugar ao mito e seu sepultamento reuniu todos os povos: de líderes religiosos (judeus, ortodoxos, mulçumanos, enfim, de quase todos os credos), a chefes de Estado e de Governo, diplomatas, ao povo de Deus que ele tantas vezes abençoou e que, em sua despedida, o aclamou "santo súbito!".

José Luís é Professor da UVA, Presidente da Academia Brasileira de Hagi
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