quarta-feira, 17 de maio de 2006

Tempos do caos produtivo - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

Observo a vida política a meu redor. E, como a maioria, fico enojado. Desligo a televisão e abro os livros. E, neles, desperto para o olhar mais avançado da ciência de agora: o "pensamento complexo", a nos despertar para mais otimismo. Hoje, os cientistas pautam-se por três olhares. De início, o da desordem e do acaso. Depois, o da ordem. Por fim, a descoberta de que o mundo se organiza ... desintegrando-se. Assim, os astros, a natureza, a vida social, a arte, a política até. Estrelas nascendo, morrendo, desintegrando-se. Nada a se perder e tudo a se transformar. Aí, as revoluções, os terremotos, os conflito. No País, persegue-nos a visão estreita do "udenismo". De tamancos, quando estamos por baixo; de salto alto, quando no poder, como nos lembrava Brizola. Isso sem que percebamos, quando no chão, o apelo da lama. Ou os horizontes, ao pisar os tapetes do poder. Em nossa bandeira, lá deixamos o lema "ordem e progresso", sem atentar para o perigo de uma ordem como estagnação ou falta de liberdade. E, cegos, esquecemo-nos, quase sempre, de que a desordem pode ser inquietação e clamor por inclusão social dos muitos. Nos anos 80, o País e particularmente o Ceará, celebramos um amplo pacto, que hoje requer seja revisto. Mas não a solitária revisão do "rearmamento moral" da reeditada "UDN" de outrora. Hoje, é tempo do diálogo e do abraço entre as feições produtivas da ordem e da desordem. Ordem não como "estagnação". E o olhar da desordem como tsunamis a portar avisos. Chegamos ao fim de um ciclo e à necessidade de novo pacto. Em fragmentos, a sociedade nos dá um recado: o de que a "torre de Babel" pode se converter em cena pentecostal, onde as dissonâncias se orquestrem em harmonia, na reedição do "caos produtivo" da mitologia antiga e, hoje, do "pensamento complexo". *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.