segunda-feira, 22 de maio de 2006

Preconceito e Homofobia - Eu tenho medo! - Por Paulo Felipe / Rio de Janeiro


Tenho sim. Eu tenho medo do medo que os outros têm. Eu tenho medo do preconceito estampado nas conversas e diálogos que tive e nas leituras que tenho feito nos últimos dias.
Algo acelera meu coração e chego até a me questionar:
Vale a pena mesmo sair do tal armário?
Mostrando a um amigo um local que é considerado o point gay mais antigo do Brasil, tive o despropósito de ouvir:
- Entrar aí é receber o crachá de "veado", posso até entrar, mas, com uma garota do lado (ele se diz bissexual).
Era a última que me faltava ouvir.
Fora as gracinhas absurdas que acabei de ouvir em uma encenação na peça de teatro que assisti.
Lembro da capa de um jornal destinado ao mundo GLS que diz: "SÓ NOS RESTA VIVER"
E o medo de novo bate a minha porta.
Aonde iremos parar... até quando seremos rotulados como embalagens de supermercados e muitas vezes como frutas estragadas.
Só me resta viver sim! Mas, com dignidade e com muito orgulho de ser o que sou.
E o medo?
Medo da HOMOFOBIA, medo dos que têm medo de assumirem a sua sexualidade de forma sadia, sem precisar colocar o tal crachá (risos) nem tão pouco se deixar rotular.
Falando para um amigo que havia encontrado uma pessoa muito especial. É, encontrei alguém muito especial, estou amando. Ele indagou-me:
- Ele é gay?
Respondi de imediato:
- É um homem como eu sou!
Até quando iremos nos deixar rotular, até quando teremos medo de colocarmos nossa cara a tapa?
Eu acredito que enquanto existirem os ditos "bissexuais" como medo de usar o "crachá de veado" e "homofobicos", pessoas que não conseguem se realizarem sexualmente e nem deixar que o outro seja feliz da sua maneira, teremos medo.
Esse ano, não tenho dúvidas em minha camiseta no dia do orgulho gay estamparei: "EU SÓ QUERO É SER FELIZ! SEM MEDO DE AMAR..."
Mesmo sentindo medo. Continuaremos a ter esperança que um dia não seremos rotulados e nem pensaremos que usamos o tal crachá de veado.
Não poderia deixar de citar uma colocação de um transformista da noite carioca:
"Não temos chifres e nem corremos no mato, portanto, não somos veados."
Vejamos o que significa a palavra VEADO em um Superdicionário da Língua Portuguesa:
VEADO, s.m. (zool.) Quadrúpede ruminante da família dos cervídeos, de cornos ramificados, muito ligeiro e tímido; suaçu ; (pop.) bancar o veado ou jogar no veado: fugir, correr. ...VEADO, s. m. (bot.) (bras.) Espécie de mandioca de talo vermelho e raiz curta e grossa.
Não querendo ser debochado, mas sendo, adorei o Veado da Botânica Brasileira, com certeza procurarmos nunca ser o popular, pois fugir ou correr não combina bem com quem luta constantemente por dignidade e respeito como maioria dos milhões de homossexuais que conheço.
Continuo acreditando, mesmo com medo, que no dia em que cada um resolver assumir da sua maneira de forma sadia a sua sexualidade, os rótulos e o MEDO serão bem menores.
No dia em que pararmos de mascarar nossos sentimentos e reprimirmos nossos desejos, o mundo com certeza viverá a sua verdadeira diversidade.
Somos ÚNICOS e não precisamos ter medo de sermos diferentes.
Mas, eu tenho medo: DO PRECONCEITO E DA HOMOFOBIA. *PC*

Paulo Felipe é Advogado Trabalhista(Bacharel em Direito pela Universidade Veiga de Almeida/RJ e Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho pela ESA-OAB/RJ).
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