segunda-feira, 15 de maio de 2006

O Papagaio Garapa - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Garapa era o papagaio oficial do temível Barba Negra, pirata que antes de morrer enterrou todo o seu tesouro em uma das muitas ilhas do Caribe.Somente o seu papagaio sabia qual fora a ilha escolhida. Nisso estava a importância da ave. Garapa, porém, era reservado e pouco falava a não ser quando tinha fome ou sede.Quem procurava o sabido papagaio trazia sempre uma garrafa de garapa, pois era a bebida que ele mais gostava. Depois de beber, a ave ficava fácil de dizer o que sabia, mas Garapa era esperto e logo disfarçava o que tinha dito. Só mesmo alguém muito mais esperto que ele poderia descobrir seus segredos.Este alguém era um menino chamado Pedro, garoto que tratava animais e que sempre observava o pássaro quando ia ao armazém do velho marujo que o havia abrigado. Garapa sempre se fazia de desentendido quando o assunto era o tesouro de Barba Negra.Pedro não desistia. Um dia levou para o papagaio um mapa grande para que este mostrasse a ele as ilhas que conhecia. Garapa ficou observando-o de seu poleiro e depois deu um vôo e aterrissou perto do mapa. Devagar passou a caminhar sobre ilha e ilha, parecia conhecer todas as ilhas daquele mapa. Como bom observador Pedro notou que Garapa sempre evitava uma pequena ilha próxima ao continente conhecida como a Maçã do Corvo.Um dia o velho Garapa ficou doente e Pedro foi chamado para tratá-lo, pois era sua profissão. Sem que Garapa percebesse viu embaixo da asa doente tatuado na pele um mapa estranho, enquanto medicava a ave procurou guardar a imagem e refazer em casa o desenho visto. Isso se repetiu umas três vezes até que o papagaio ficou curado e Pedro já não tinha dúvida quanto aos detalhes do mapa que havia copiado em uma folha de papel.Numa noite lembrou-se da ilha da Maçã do Corvo, a única ilha que Garapa disfarçou não conhecer. Correu para o mapa que havia feito e descobriu que tinha não só o formato da ilha como a posição em detalhes do esconderijo do tesouro. Não perdeu tempo, logo que conseguiu recursos foi até a ilha e encontrou o maior tesouro já enterrado por um pirata. Ficou muito rico e levou para sua casa o papagaio que sem perceber acordou nele um dos maiores tesouros que um homem pode ter, a curiosidade. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.
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