quarta-feira, 31 de maio de 2006

O lendário Zeca Frosino - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Junho se aproxima e eu não poderia deixar de prestar minha homenagem a José Batista dos Santos, que, mais tarde, popularizava-se, como "Zeca Frosino" - o inventor do forró nas terras das Ipueiras.

Nascido, em 09 de março de 1926, no Curupati, atualmente Abílio Martins, criado no Arroz, fixou moradia na Floresta. Daí, seu nome ganhou chão, na boca do sertanejo festeiro. Hoje ele é sinônimo de festa, alegria e tradição, realizando seu forró das antigas, o forró de matuto, na quadra do Corte Branco.

Foi Zeca o pioneiro na organização de forrós nos arredores de Ipueiras. Foi quem descobriu esta mina de ouro, atualmente explorada por muitos com fins lucrativos. Enquanto ele, que começou à luz de lamparina e da lua, continua promovendo seu Chitão, por puro prazer de reunir o povão e celebrar a vida em ritmo de forró.

Lendas sobre Zeca são muitas. A mais comentada é de um tronco de árvore onde era amarrado aquele que abusava da bebida e da valentia. Na realidade, Zeca é um agricultor, e por muito tempo viveu também feito cigano, comprando, vendendo, trocando animais e objetos para sobreviver, nos tempos ruins. Até hoje não vive sem escambo.

Há 51 anos, Ipueiras assiste, dele participando, a este espetáculo popular, onde se faz visível a confraternização do povo do interior com as gentes da cidade.

Zeca, em nome da tradição, não dispensa uma lua cheia, um bom sanfoneiro, um forrozinho pé-de-serra, o caldo servido por dona Maria, as bancas de churrasco, de cachaça e cafezeiras, nos arredores do terreiro.

E é nesse ritmo que ele consegue desenhar, no rosto do nordestino sofrido, um sorriso de felicidade. *PC*

Texto publicado originalmente no blog do grupo Ipueiras.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

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