segunda-feira, 29 de maio de 2006

O Craque Arimatéia - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Há cinqüenta anos Ipueiras perdia aquele que seria sem nenhuma dúvida a maior revelação de seu futebol, Arimatéia Catunda.
Em 1956 tinha então o citado personagem 21 anos e num acidente simples que transformou radicalmente sua vida, tornou-se paraplégico.
Antes integrando apesar da pouca idade a seleção local de futebol, veio a defender a camisa oito do selecionado ipueirense contra partidas das principais seleções da zona norte do Estado, inclusive no Piauí jogando contra a seleção da cidade de Pedro II.
Arimatéia encantava as platéias quando a bola chegava aos seus pés. Fosse como atacante, com as características jogadas de efeito ou voltando rápido como no futebol atual, sempre para ajudar a defesa.
Com rapidez saía dos seus marcadores e para delírio da torcida ipueirense concluía quase sempre o gol.
Não foi sem razão que cedo passou a chamar-se "Mestre Ziza", lembrando o grande meia da seleção brasileira de 1950, recebendo convites para jogar nos dois principais times do Estado, Fortaleza e Ceará.
Arimatéia nunca teve marcador, passava pela defesa adversária com habilidade e rapidez muitas vezes fazendo o famoso "gol de placa".
"Ele sozinho valia por um time", é comum o comentário, haja vista as vitórias que deu à seleção local nas vezes em que defendeu as cores rubro-negras, cores estas da camisa do selecionado ipueirense na época.
O futebol de Ipueiras portanto, se divide em duas fases distintas : antes e depois do que se pode chamar "o fenômeno Arimatéia".
O grande jogador do passado é hoje um homem que tendo participado de forma ativa do esporte ipueirense, não consegue desligar-se do que foi e ainda é o seu esporte de coração. Passou a narrar jogos locais e da seleção local em outras cidades e comanda desde a década de sessenta uma rádio amplificadora que transmite para a cidade notícias e música.
O ano de 2005 foi para este grande ipueirense uma festiva data, ao completar 70 anos reafirmou com suas ações e seu contínuo participar a eterna disponibilidade que no passado teve como craque e hoje como locutor e incentivador dos futuros talentos da já centenária Ipueiras. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.
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