segunda-feira, 10 de abril de 2006

O Sapo apaixonado - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Há muito tempo, numa pequena lagoa nas encostas de um monte vivia um sapo.Mas não era um sapo comum, era especial e enquanto os outros sapos cantavam procurando acasalar-se, ele virava os olhos para o céu e contemplava apaixonado a lua.Não havia um dia em que o sapo não pensasse como poderia ser feliz ao lado daquela bolinha de luz que dançava todas as noites entre as nuvens, prateando a floresta, inclusive a sua pequenina lagoa.Quando escurecia, ele virava os olhos para cima procurando o astro.Olhava para um lado, depois para o outro e quando se certificava que estava só, começava a dizer as mais belas poesias que sabia. É claro que quem as ouvisse não entenderia, pois era na língua dos sapos que ele falava. Os outros animais ouviam somente uns sons de coaxar esquisitos.Era tão apaixonado e repetia com tanta freqüência as suas declarações de amor que um dia a lua notou.Primeiro aquele olhar amoroso e depois as belas poesias, pois só a lua era capaz de entender a língua de todos os animais. Então aconteceu que de uma forma que só o sapo soube - ela passou a lhe corresponder.Os outros sapos riam dele, e em toda lagoa ele era motivo de chacota.Queria ficar juntinho dela, mas ele não tinha asas como os pássaros, nem sequer sabia andar, pois sapo só sabe pular.A conselho de um jacaré, passou a pular mais alto do que todos os outros sapos, na esperança de num dos pulos chegar junto da lua.Mas tudo era em vão e ele acabava cansado e cada vez mais desanimado.Um dia, começou uma forte ventania como nunca tinha ocorrido. O vento era tão forte que obrigou todos os animais a se abrigarem em lugares seguros.O vento se transformou num grande tufão, e foi aí que o sapo teve a idéia de se jogar na forte ventania. Talvez assim conseguisse chegar na sua amada lua.No meio do tufão, o sapo rodopiou e foi subindo, subindo, até sumir por completo.Da floresta, então, o sapo desapareceu.Na primeira lua cheia, seus companheiros, cheios de inveja, viram na lua o pequeno sapo a pular alegremente no seio de sua amada. Esta foi a sua recompensa por acreditar que para quem ama nada é impossível. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

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