sábado, 25 de março de 2006

A pracinha do interior - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Um dos monumentos públicos mais marcante e menos incomum no final da década de 60 e início da década de 70 era o televisor público, construído geralmente ao lado de uma praça ou mesmo no centro desta.

Prefeitos apressavam-se para trazer à sua cidade essa novidade tecnológica.

Em Ipueiras, no ano de 1969, foi inaugurado com grande festa o televisor público Idálio Frota. No caso não foi preciso construir uma praça para o monumento, aproveitou-se uma já existente diante da matriz da cidade e ao lado construíram bancos de cimento sobre degraus, além da pracinha, numa construção adequada para o tamanho foi posto o televisor.

No morro do Cristo instalaram uma antena que captava e distribuía o sinal da TV Ceará que transmitia a programação da Rede Tupi para a sede do município e arredores.

Naquela época a televisão era uma raridade e logo foi preciso a intervenção da guarda municipal para conter a multidão que se aglomerava para admirar aquela caixa brilhante na qual se podiam ver pessoas falando e se movendo.


Este foi o primeiro evento televisivo em massa ocorrido na cidade somente superado em número no ano seguinte quando da transmissão da Copa do Mundo no México.

O tempo passou e com uma rapidez nunca imaginada chegamos à época das antenas parabólicas, no entanto muita coisa pareceu não mudar.

O que mais impressiona hoje é que com a acessibilidade deste meio de comunicação às classes menos favorecidas e toda uma tecnologia já posta a disposição graças as antenas parabólicas municipais e particulares ainda se pode encontrar em pequenas cidades do interior o televisor público em pleno funcionamento.

No que tange aos grandes municípios na sua totalidade nada restou do antigo monumento tão festejado em tempos pretéritos.

Atualmente em Ipueiras ainda se pode ver o local aonde ficava o televisor público que como outras obras inauguradas nas últimas décadas do século XX encontra-se abandonado como se esperando silenciosamente a sentença do tempo.*PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

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