segunda-feira, 27 de março de 2006

A porquinha de estimação - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Naquele dia lá pras bandas das Barreiras o céu amanhecera cinzento.
Para seu Chico, a coisa estava preta.
Morador do seu Expedito, homem de confiança, há muitos anos morando naquelas terras.
E agora ?
Sempre deu conta do recado, mas por essa não esperava. O jeito era contar para o patrão o sucedido.
Encheu-se de coragem.
Montou seu cavalo e partiu para a cidade. Lá chegando tratou de relatar o que lhe afligia :
Patrão, o caso é o seguinte, não vá se aperrear. Sua porca de estimação, sumiu sem rastro deixar. Já fazem três noites e três dias que eu procuro sem achar.
Seu Expedito ficou chateado, com aquela situação.
Muitas vezes aquela porquinha salvava a situação, quando vendia suas crias, tinha dinheiro na mão.
Andou um tempo aborrecido, e sem voltar as Barreiras. Depois pensando bem, achou que aquilo era besteira.
Conformado com a situação, pegou seu patuá, espingarda, cartucheira e rumou pras suas terras.
Tava tudo tão verde, tão bonito ... e ele ficou por um instante parado admirando a paisagem.
De repente, uma grande mancha amarela chamou sua atenção.
Chegou mais perto, e parecia um jerimum gigante. Mas não podia ser pois um imenso buraco negro tomava conta de um dos lados do suposto jerimum.
Por via das dúvidas, chegou mais perto.
Era um jerimum gigante, sim.
E o buraco negro ?
Não foi tão corajoso. O buraco parecia se mexer.
Achou por bem ir a casa de seu Chico e pedir ajuda.
Voltou ele, seu Chico, carregando uma vara grande de bambu.
De longe cutucaram o buraco, e pasmem ! De lá saiu a porquinha e, onze porquinhos, que desfilavam graciosamente atrás da mãe.
Não preciso falar, do tamanho da alegria do seu Chico e do seu Expedito. Diante do achado inusitado.*PC*

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
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