sábado, 11 de março de 2006

História da Igreja Matriz de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza


O primeiro templo católico a ser construído na região que hoje é a cidade de Ipueiras foi erguido no início do século XVIII.
Tudo começou em 1722, quando deu-se o encontro do frei carmelita José da Madre de Deus com o então Capitão-mor José de Araújo Chaves. O religioso chegou na região com ordem para escolher o local do novo templo, o Capitão-mor José de Araújo Chaves era potentado daquela região e proprietário de vastas sesmarias da Boa Vista, na Serra dos Cocos, e da Ipueira Grande no sertão.
Com muito entusiasmo e sendo um homem devoto o Capitão propôs ao frei a construção de duas capelas, sendo uma sobre a serra e outra no sertão, para tal finalidade doou os terrenos e coube ao próprio escolher os oragos (padroeiros) : São Gonçalo e Nossa Senhora da Conceição.
São Gonçalo na Serra dos Cocos seria uma homenagem ao Conselho de Amarante, vila portuguesa de onde provinham os Martins Chaves e no sertão Nossa Senhora da Conceição em homenagem a Portugal, que a tinha como padroeira.
A capela de Ipueiras foi concluída em 1745, precisamente em 4 de julho do ano citado. A benção foi dada pelo Pe. Pedro da Costa que batizou no mesmo dia Manoel Martins Chaves, filho do construtor da capela.
Com o falecimento do Capitão-mor José de Araújo Chaves em 1787 Ipueiras permaneceu como uma fazenda possuidora de capela. Somente em 1883 através da Lei Provincial no. 2.037 é que foi instituída a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, tendo por limite o Distrito de Paz de Ipueiras e o de São Gonçalo, com isto era extinto a antiga Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, reduzida a simples capela da paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
Canonicamente a paróquia foi instituída em 21 de abril de 1884 por provisão do segundo Bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira. Logo em 16 de maio do mesmo ano foi nomeado como primeiro vigário o Pe. João Dantas Ferreira Lima que tomou posse no dia 16 de julho do ano citado.
Guardava a paróquia uma antiga estátua de madeira da Virgem da Conceição em estilo barroco que estava posta no altar desde o século XVIII, sendo esta a imagem levada na procissão que se realizava e realiza ainda hoje no dia 8 de dezembro, porém antes que findasse o século XIX de forma misteriosa a imagem sumiu.
Tal perda levou os paroquianos encomendarem da Alemanha nos primeiros anos do século XX uma estátua de Nossa Senhora da Conceição porém ocorreu um erro na remessa pois Nova Russas, que na época era um pequeno distrito de Ipueiras e tinha como padroeira Nossa Senhora das Graças fora também beneficiada neste mesmo pedido com uma estátua menor para sua capela, os encarregados na Alemanha não distinguindo qual das cidades era a mais importante, enviaram para Nova Russas uma grande estátua de Nossa Senhora das Graça e uma pequena estátua de Nossa Senhora da Conceição para Ipueiras.

A estátua que recebeu Nova Russas veio para Ipueiras e por ser a maior da Matriz ocupou o altar que por regra deveria estar a estátua de Nossa Senhora da Conceição, esta é a razão de ainda hoje estar esta imagem no plano maior da Nave de Ipueiras, porém nas procissões é sempre o pequeno ícone de Nossa Senhora da Conceição que é levado.
Entrando no século XX a igreja matriz de Ipueiras era pequena, em termos mais realistas guardava ela o tamanho de uma simples capela, só então que no final dos anos 30 é que foi construída uma torre de estilo gótico fugindo um pouco das características barrocas originais de sua planta, para o alto da torre foi transferido o sino.


Entre os anos de 1956 e 1957 começou a construção na parte detrás da Igreja de um plano maior que abrigaria o novo altar, este foi concluído em 1958 e é onde hoje se situa o altar da Igreja.
A Igreja Matriz de Ipueiras foi portanto no século XX alterada três vezes, na primeira acrescentou-se uma torre (final da década de 30), no fim da década de 50 foi feita na parte detrás um alargamento cuja altura superou a da torre e finalmente em meados da década de 70 transferiu-se o altar para a parte mais nova e alta da Nave. *PC*


Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

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