quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

A árvore orgulhosa - Por Bérgson Frota / Fortaleza



Era uma árvore frondosa, bonita, alta e verde, que vivia cercada de tímidos bambus e de um rio borbulhante.
Mas, na sua altivez, ela tinha um problema, bastava um pássaro pousar para fazer ninho que ela vinha balançar-se, jogando fora a avezinha. Se por ventura algum animal quisesse desfrutar da sua sombra, ela se espalhava deixando o sol forte bater.
Mesmo assim, quem passava por perto não deixava de admirar o verde vivo e a beleza da árvore mantidos até em períodos de seca.
Frutas nem pensar, não queria alimentar ninguém, nem mesmo na época em que a natureza determinava, ela nada produzia.
Numa noite, depois de um vento seco durante o dia, começou uma ventania anunciando uma forte tempestade. As aves, temerosas, evitavam abrigar-se nos seus galhos, pois elas já sabiam que esta as repelia.
Portanto, procuraram outro lugar seguro.
Os bambus, tristes se lamentavam, pois não eram fortes como a árvore para suportarem ilesos a grande tempestade que se aproximava.
Durante toda a noite, com fortes ventos e chuva, eles se curvaram de um lado para o outro em busca de sobrevivência, conseguindo com isso não serem arrancados do solo.
A árvore gemia, sendo balançada fortemente.
Ao amanhecer, desenhou-se uma cena triste que a todos comoveu.
No chão, com as raízes expostas, jazia a árvore, antes tão gigante e orgulhosa. Os pequenos e finos bambus estavam todos em pé, lamentando o triste fim daquela que não soube se curvar, nem sequer para sobreviver. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.
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