quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

O Valete de Espadas - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Gerardo Mello Mourão consegue no livro "O Valete de Espadas" a superação literária que muitos buscam e poucos conseguem. O romance escrito durante a década de 40 na prisão, narra histórias que levam o leitor ao questionamento da própria lucidez. Entremeando realidade com fantasia, o protagonista conforma-se com as alterações que vão surgindo em sua vida para depois descobrir que é na incerteza que se encontra a natureza da própria vida. A primeira edição de "O Valete de Espadas" foi lançada em 1960. Mesmo antes de ser publicado o romance foi alvo de muitas críticas pois os manuscritos passaram pelas mãos de grandes escritores. Muitos condenaram a obra outros teceram grandes elogios. Depois de publicado não pararam de suceder-se edições seguidas da obra que para muitos detém uma enigmática mensagem de vida do autor. A saga de Gonçalo Falcão de Val-de-Cães é uma epopéia dos tempos modernos que o autor de forma intrigante consegue desenvolver em oito capítulos. Logo no primeiro, intitulado "O Navio", se tem a apresentação do protagonista e sua clara desorientação da realidade que ao invés de ser por ele aprendida e compreendida é uma prisão desorientadora de sua sã consciência. Indicado por uma universidade americana em 1979 para concorrer ao Nobel de Literatura, o romance deste cearense de Ipueiras marca as letras brasileiras como uma obra definidora de uma nova rota de narrativa. Franklin de Oliveira na sua apresentação do romance resumiu em uma frase o que era a obra tão criticada: "O Valete de Espadas integra a grande família centro-européia do romance expressionista criado, numa hora agônica de nossa civilização, para refletir a situação do homem contemporâneo sob o impacto do absurdo." Gerardo Mello Mourão foi também escolhido e consagrado no ano de 1994, como o "Poeta do Século XX" pela Guilda Órfica, uma sociedade poética criada na Europa no século XVI. Residindo no Rio há décadas, o poeta visita regularmente seu estado bem como sua cidade natal, mostrando na sua privilegiada intelectualidade a importância das raízes na vida e criação de um artista. Ao completar 45 anos de sua primeira publicação "O Valete de Espadas" ainda é um romance cheio de mistérios, de símbolos, de códigos que instiga ao leitor vários questionamentos, entre eles o mais importante, a natureza da existência humana como obra individual ou soma de um conjunto coletivo de fatos. Gerardo Mello Mourão foi também escolhido e consagrado no ano de 1994, como o "Poeta do Século XX". *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo
, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.