sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

JK, o mito que sobrevive - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza


Humberto - A Charge Online


JK! "Por que o mito sobrevive?" É a inquietação da consciência coletiva nacional, hoje em novelas, revistas e demais veículos de comunicação. Qual o segredo dos propalados "cinqüenta anos em cinco", quando, como nunca, o Brasil teria crescido: construção de Brasília, indústria automobilística, rodovias? E tudo, a despeito de "um legado de dívidas e inflação".

Em entrevista na Isto É, Sérgio Machado, condecorado no Rio como o "novo Barão de Mauá", atribui, à ação de sua Transpetro, um "segundo grito de independência". E, em justa autocrítica até aos atuais políticos, define a questão: "A eleição começou, mas fulanizada. Ninguém fala em temas". Em outros termos, de projeto, outrora sobra nos sorrisos-crença de JK!

No Brasil, perdemo-nos, faz algum tempo, na improdutiva discussão entre o monetarismo - a buscar moeda estável e nos solver dívidas externas - e a caricata esmola dos "fomes-zero", ao lado das episódicas operações tapa-buracos, em nossas estradas e vidas. No mais, o apego aos dados estatísticos, meros "dedos" a indicar um chão perdido dos horizontes: o sustentável desenvolvimento e a real inclusão social.

No Ceará, pautamo-nos, desde os anos 80, um projeto para acabar, entre nós, a miséria. Hoje, porém, perdemo-nos sob o diapasão no País. E isso se percebe até na sutil crítica que nos faz Cid Gomes, sob a metáfora de carro com marcha engatada, mas velocidade perdida. Nisso, omitida qualquer alusão a rumo e destino.

É hora de retomarmos bússola e projeto. E é nesse tom que me ocorre a frase de Wordsworth, "a criança é o pai do homem". Ela me chega por trás da provocação "Vô, para onde nós vamos?", toda vez que ele me adentra o carro. Ele é Pedro, primeiro ... neto meu, como se já a nos cobrar, imperial e brasileiro e em seus dois aninhos, amanhã mais promissor!*PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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