quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Em tom de provocação - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

Reforma universitária! No País, este o clima. No Ceará, a indagação: o que fazer de nossas instituições de educação superior, ora em atropelo: cinco universidades e faculdades (particulares, a maioria, em meio ao Centec/CVT, estadual)? O ex-reitor da UFC, Paulo Elpídio, provocativo, aponta duas vias: a) federalizar Urca e UVA (do estado); b) construir "sistema" integrativo, "com rigor e seriedade".
Pego a deixa. Vou mais fundo. Federalizar, sim! Mas o termo, sob a acepção etimológica, de "aliança", resgatada no novo milênio e já em nossa Carta Maior: as populações em "negociação social", a povoar governos do "regime de colaboração" (isto é, do trabalho em conjunto). Por isso, rever eventual "culpa nostra", na UFC, historicamente presa ao Pólo Cultural do Benfica, à exceção da extensão e pesquisa. Rever galhofas aos sonhos "folclóricos" de Fernando Leite pela "universidade do sertão". Rever preconceitos contra ações tachadas de "anárquicas" ou "pouco ortodoxas" a ensaios sob tal diapasão pelas universidades estaduais, hoje a povoar sertões, bairros periféricos e regiões do País e da África até. Buscar, enfim, sobretudo em Sobral e no Cariri, formas inesperadas do "regime de colaboração"!
Federalizar, na acepção atual de "juntar forças", o passo inicial. A vida em pedaços a reconstituir-se, e não o inverso. Sob esse tom, o "sistema", a voltar-se para a noção atual de "rede" e "teia ecológica".
É que estamos perdidos, sem horizonte e projeto: as cabeças (o saber), o tato (a força política) e a gestão (sociedade e governo, mãos dadas), ilhados em autêntico autismo psicossocial! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.