sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

As borboletas de Miranda - Por Bérgson Frota / Fortaleza


Miranda era uma garotinha triste que vivia num orfanato.
Para se alegrar, sempre que podia ia ao jardim ver as flores e admirar as cores e os cheiros que delas saíam.
Um dia, Miranda viu algo que lhe chamou muita atenção. Era uma borboleta de cor azul e vermelha em formato quadriculado. Imediatamente ela pôs-se a correr para capturar a pequena e bela criaturinha.
Mas a borboleta era ágil e logo sumiu num voar que parecia uma folha colorida a brilhar pelos raios do sol.
Miranda ficou triste por tê-la deixado fugir.
Em seu quarto, à noitinha, ela ficou chorando até quase amanhecer, pois sentia muito ter perdido a oportunidade de ficar com uma bela borboletinha ao seu lado.
Quando o dia amanheceu, ela correu logo para o jardim, e em vão procurou pela borboleta que havia visto no dia anterior.
Nada encontrou além de pequenos insetos.
Um dia, passeando sem interesse entre as flores, viu uma outra borboleta de cor violeta-verde. Achou que aquela era a mais linda que já tinha visto, e pôs-se a segui-la até que esta sumiu entre as rosas.
Miranda então parou e pensou que de nada adiantaria prender a criaturinha para tê-la somente para si, pois a sua beleza era a harmonia que fazia com a natureza.
Desde então passou a desenhá-las num rico caderno, observando cuidadosamente os detalhes, e capturando o que de mais belo nelas havia.
Mais tarde, ao ser adotada, transformou o seu caderno em um livro; desta forma ela dividiu com todas as crianças a grande lição que aprendeu no jardim do orfanato: a beleza das borboletas estava na sua liberdade.

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.
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