sábado, 19 de novembro de 2005

José Arimatéa Catunda - Por Carlson Frota Catunda

Filho do comerciante Luiz Malaquias Alves e de Maria Catunda Malaquias, neto do Tenente Coronel da Guarda Nacional Malaquias Alves, de quem herdou o fenótipo atlético, José Arimatéa Catunda nasceu em Ipueiras, interior do Ceará, em 19 de novembro de 1935.

Estudou no Educandário Nossa Senhora da Conceição, sob as orientações pedagógicas do Professor Contador Sebastião Matos Sobrinho, destacando-se, segundo este, nas matérias da área de Exatas. Em seguida iniciou o Segundo Grau na então Escola Normal Rural de Ipueiras, atual Colégio Estadual Otacílio mota, concluindo em 1955 o primeiro ano.

José Arimatéa Catunda notabilizou-se mormente pela disposição física. Excepcional dono de uma rara inteligência cinestésica, destacava-se em todos os esportes: no vôlei, saltava a altura incomensurável e dada a potência de sua explosão muscular cortava com ambas as mãos; no futebol, colocava-se muito bem, detinha completa ciência dos espaços demarcados pelas quatro linhas do gramado, chutava com as duas pernas e foram poucas as partidas que jogou pela Seleção de Ipueiras nas quais não marcou gols. Após jogar em Santa Quitéria, tendo destacado-se, foi comparado pelo então presidente do Ceará Sport Clube de Fortaleza, José Maria, ao jogador Zizinho (Mestre Ziza, ator da Copa de 1950), fato que lhe valeu convite para exame no Clube do Ceará, rejeitado pelo bairrista atleta que não deixava Ipueiras por "nada no mundo", segundo as suas própria palavras.

Em 1956, no Sete de Setembro, enquanto cursava o segundo ano da Escola Normal, um acidente trágico interrompe a sua capacidade motora, deixando-o paraplégico, indo, por orientação do Dr. Rocha Aguiar, tratar-se em Fortaleza no Pronto Socorro Particular, atendido pelo Dr. Roberto Bruno e conduzido para a Clínica dos Acidentados sob os cuidados do traumatologista Jorge Romcy. Visitado por seu primo médico ortopedista Dr. Chico Catunda, foi por este aconselhado a tratar-se no Rio de Janeiro, onde a medicina desta área era supostamente mais desenvolvida no Hospital Garfre do Rio de Janeiro. Em 29 de Julho de 1957 receberia no Hospital Souza Aguiar a notícia de que não voltaria a andar.


Voltou à sua terra natal em 1957 com a disposição de viver, demonstrando uma reação impressionante. O apoio dado pelos amigos e amigas e o carinho das antigas namoradas ajudaram na recuperação fantástica que teve diante do seu grave problema. As conjecturas e prognósticos médicos davam a idéia de que não viveria muito tempo, mas a disposição física e o fato de nunca ter bebido ou cometido outras extravagâncias contrariaram as expectativas médicas e o atleta José Arimatéa venceu mais esta difícil partida.

Em 1958, após concluir por correspondência o curso de eletrônica técnica, montou um transmissor intercalado com serviço de som e em 1963, em homenagem ao rio que banha seu município, fundou a Rádio Vale do Jatobá e a pôs no ar. Esta tornou-se sua maior diversão e da cidade, com uma programação diversificada. A VJ, como passou a ser chamada, informava, prestava serviço e divertia. Em 1966, a partir de denúncias de políticos, o Dentel, então órgão regulador das comunicações no Brasil, fechou a principiante VJ, que passou então a operar com alto-falante. Mas este golpe não pôs fim a sua disposição de alegrar as noites de Ipueiras. O serviço de alto-falante da VJ passou a ser referência de horário e a proporcionar alegria todas as noites.


Na sua trajetória de vida vale registrar que durante a administração do prefeito Antonio Luciano Bonfim ocupou, mesmo preso à cadeira de rodas, o cargo de tesoureiro e na administração do prefeito Gonçalo Erasmo de Medeiros esteve à frente do Serviço de Relações Públicas.

José Arimatéa Catunda, após ter assisitido resignadamente ao tempo passar, recebeu no ano de 1989 do então prefeito de Ipueiras a maior homenagem da sua vida: no dia 30 de abril foi inaugurado o Ginásio Coberto Arimatéa Catunda, justa homenagem que o prefeito Manuel Cavalcante Dias fez a um dos maiores atletas da região. O Ginásio Coberto, um dos mais completos do Estado, é hoje lugar de várias práticas esportivas, dotado de arquibancadas, vestuários, etc.


A VJ e o Ginásio galardoaram este atleta que venceu os prognósticos mais pessimistas e que tem como lema: "Nunca perder a fé em Deus!"

sábado, 12 de novembro de 2005

Chapeuzinho de Palha - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Numa casinha de taipa, no meio de um lindo carnaubal, morava Chapeuzinho de Palha. Lá, viviam também seu pai, sua mãe e um irmãozinho.

O pai era um simples agricultor. A mãe, para ajudar nas despesas de casa, dedicava-se ao artesanato. As carnaubeiras, que cantarolavam ao vento abrigando passarinhos, eram as mesmas que lhe forneciam palha para a confecção do artesanato.

Dava gosto de se ver, pendurado num alpendre, construídos com troncos de carnaúbas, o artesanato que ali ficava exposto. Encantava os passantes, que vez por outra, paravam para adquirir alguma peça como: abanos, vassouras, peneiras, cestas, chapéus, entre outros objetos que compunham o cenário.

O que era feito no meio da semana era levado para ser vendido na feira de sábado. Eles viviam com sacrifício. O que ganhavam não sobrava para brinquedos. As crianças tinham que se contentar com brinquedos improvisados.

Chapeuzinho de Palha tinha esse nome porque não tirava da cabeça o chapéu que ganhara de presente de sua mãe.

Já seu irmão passava o dia para cima e para baixo, montado num cavalo de pau, feito do talo da carnaúba - um mimo do pai, que se esmerou em fazer umas orelhas e colocar um cabresto de barbante.

Chapeuzinho vivia triste e emburrada pelos cantos, por não ter com o que brincar. Não queria brincadeira de menino. Com o chapéu não tinha graça brincar. Fazer o quê?

Chegou o sábado e a menina pediu à mãe para ir com ela à feira. Chegando ao mercado, Chapeuzinho ficou maravilhada com um cesto cheio de bonecas de pano com roupinhas coloridas. Pedia insistentemente à mãe que comprasse uma para ela.

Sem condições de satisfazer a vontade da filha, pois ainda não havia vendido uma peça sequer das que levara à feira, nada podia fazer. Além disso, precisava primeiramente comprar alimentos, mas a filha, em sua inocência, não entendia.

A vendedora de bonecas, vendo o pranto da criança, e a contrariedade estampada no rosto da mãe, num gesto de bondade, pegou uma bonequinha rechonchuda de pano e deu de presente à menina, que de imediato começou a sorrir, pegando a boneca no colo feito um bebê.

A mãe, comovida, escolheu a mais bela peça de palha e ofertou àquela que, numa atitude de nobreza, fez sua filha sorrir.

Muitas vezes, um pequeno gesto se torna grande quando feito com amor. *PC*

Publicado no caderno DN Infantil do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Ipueiras, 122 anos - A festa da gente na terra de todos nós! - Por Carlos Moreira / Ipueiras


Ipueiras foi palco de uma das maiores festas do Estado. Aconteceu nos dias 22, 23, 24 e 25 de outubro (Dia do Município) a IV Feira de Bovinos, Ovinos, Caprinos e Artesanato.

Ao completar 122 anos de emancipação política, a "Terra de Nossa Senhora da Conceição" recebeu um público de aproximadamente 15 mil pessoas, que superou todas as expectativas. Uma grande área foi construída na cidade para acomodar o Parque de Exposições.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Lisboa Lima, em sua quarta edição, a Feira foi uma das mais importantes e completas do Ceará, fortalecendo o comércio local e aquecendo a economia do município.

Foram negociadas cerca de 856 cabeças de bovinos, ovinos e caprinos e mais 27 reprodutores ovinos.

Ipueiras tem muito o que comemorar com a administração "Ipueiras de todos nós!" O prefeito Nenem do Cazuza está promovendo um salto de desenvolvimento em toda a cidade. Foram movimentados durante a Feira cerca de R$ 800 mil reais.

O evento foi realizado pela Prefeitura Municipal de Ipueiras e coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural, com apoio das Secretarias de Educação, Obras, Saúde, Infra-Estrutura e Ação Social, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipueiras, Banco do Brasil, BEC, Banco do Nordeste, Sebrae, Ematerce e ONG Cactus.

Na programação houve passeio ciclístico, corrida rústica, show folclórico e retreta de fim de tarde com a banda de música municipal Joaquim Catunda Sobrinho.


Um dos ápices da festa foi a tão esperada reinauguração do Estádio Francisco Bonfim Medeiros (Medeirão), todo gramado, arborizado e pintado. O público de 10 mil pessoas vibrou com a final do Campeonato Ipueirense, que teve como campeã invicta a equipe Ipueiras Futebol Clube. Antes, porém, houve uma apresentação dos times dos veteranos de Ipueiras.

Em parceria com o Ministério da Saúde, o governo local adquiriu 2 unidades móveis multimédicas zero km (reboques para atendimento médico, ginecológico e odontológico), destinadas às comunidades do interior do município.

O prefeito da cidade inaugurou no dia 24 de outubro a nova sede da Secretaria de Saúde, onde foi homenageado o saudoso médico Dr. Melquíades Costa.


Espaço Cultural de Ipueiras


No dia 25 de outubro foi inaugurada a Biblioteca Dario Catunda Fontenele, no ECIPS (Espaço Cultural de Ipueiras), idealizado pelo escritor e jornalista ipueirense Frota Neto. Na ocasião foi entregue o V Prêmio Frota Neto de literatura. Participaram da solenidade o prefeito de Ipueiras, Nenem do Cazuza, a primeira-dama do município, Ana Tereza, o reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, José Teodoro Soares, a embaixadora do Brasil, Stela Pompeu Frota (esposa de Frota Neto), secretários do município, jornalistas, escritores, radialistas, além da sociedade ipueirense.


Nenem do Cazuza, Frota Neto e José Teodoro Soares - Inauguração do ECIPS


O encerramento das festividades contou com a participação do prefeito Nenem do Cazuza, do deputado estadual Francini Guedes, do ex-prefeito de Sobral Cid Gomes, dos secretários municipais, de políticos e da população em geral. A animação ficou por conta das bandas Santana e Forrozão Tropykália.

É a festa da gente na terra de todos nós!

Parabéns, Ipueiras! *PC*

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