terça-feira, 28 de junho de 2005

As Pontes de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Ponte do Idálio (sobre o rio Jatobá) - 2005


A primeira ponte de Ipueiras teve sua construção iniciada no ano de 1947 e inaugurada em 1951.

Sua construção e conclusão foram objeto de muita luta política, levando em conta os partidos que se alternavam no poder do governo do Estado e a não correspondência ao partido do prefeito eleito em Ipueiras.

Em decorrência do exposto a construção iniciada em 1947 (governo de Faustino Albuquerque - UDN) ficou muito tempo parada e só num governo favorável ao partido do prefeito de Ipueiras é que foi terminada, no ano de 1951 (governo de Raul Barbosa - PSD).

A necessidade da ponte que ligaria Ipueiras ao antigo bairro da Estação era grande. A construção da estação ferroviária, meio de transporte mais rápido e seguro para a capital e outras cidades do interior, bem como a passagem de forma decente de féretros para o cemitério, que no começo do século XX fora transferido das encostas da subida do que seria mais tarde o morro do Cristo para um campo distante da cidade na outra margem do Jatobá, faziam urgência à construção da obra.


Rio Jatobá: travessia feita a pé


Os transportes na época de inverno eram feitos de balsas, algumas frágeis, que levavam além de pessoas, bagagens e no caso de enterros, o caixão e em várias viagens todos que acompanhavam o sepultamento. Isso no caso de o rio estar muito cheio. Quando seco ia-se a pé.

A primeira ponte de Ipueiras veio portanto sanar vários problemas aos habitantes do município. Mesmo o forte inverno de 1974 que ameaçou derrubá-la foi vencido pela fortificação dos dois braços de cimento que eram a base de apoio nos dois lados da mesma.

Na segunda metade da década de 80 Ipueiras ganhou uma segunda ponte, esta mais alta e mais larga, ligando a cidade ao bairro do Vamos-Ver, a ponte diferente da primeira foi construída sobre o rio do Engenho antes deste encontrar-se com o rio Pai Mané para formar o Jatobá, esta ponte se mantém até hoje proporcionando um desenvolvimento mais rápido não só ao bairro como à região serrana pertencente ao município.

No final da década de 90 uma forte tromba d'água levou uma parte da já desgastada ponte inaugurada em 1951 e logo se iniciou a construção de uma ponte maior, mais larga e com ciclovia. A única que recebeu um nome, popularmente conhecida como Ponte do Idálio, em homenagem ao genitor do ex-porta-voz da Presidência da República, Frota Neto. Inaugurada pelo prefeito Francisco Souto Vasconcelos, na época do governador Tasso Jereissati.


Raro postal - nele, a nova ponte (sobre o rio Jatobá)


A história das três pontes são um pequeno retalho do que tem sido feito para integrar Ipueiras aos seus bairros que como a própria cidade apresentam características distintas mas ao mesmo tempo identificadoras do espírito marcante que caracteriza o povo ipueirense. *PC*

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

As imagens da travessia a pé e do raro postal da Ponte do Idálio pertencem ao acervo pessoal de Bérgson Frota.

(044)

quarta-feira, 22 de junho de 2005

Mensalões e clichês - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

Ivan - Diário de Natal (RN)


De novo, a crise se instala aguda, em nossa vida política. Velha crise, a repetir-se episódica, em nossa história. Mas, agora, sob nova roupagem: a do neologismo "mensalão". De resto, os "pcfarias" já clichês. Novo, o habitat do moralismo: "a UDN de tamancos", o PT na expressão de Brizola.

Na boca do povo, as suspeitas do óbvio. E, na liturgia das CPIs, provas testemunhais a exigir documentos, e o registro em filmes a se acusar de chantagem. Inéditos, choros e biografias a isentar culpas. O "corte na própria carne" e o "não ficará pedra sobre pedra" inflamam a nova retórica. Filme já visto, ora revisto pelo "não é por aí" de Collor de Mello!...

Passar a limpo o país, a partir de nossa política. Reforma política, a palavra-de-ordem! E urgente, a partir do "financiamento", que se quer limpo e transparente. Os partidos, voltados para ideologias e programas a dar rumo à vida nacional, sob os laços da "fidelidade partidária", num durável pacto entre votantes e votados. Assim, evitando-se o imoral troca-troca partidário e a "governabilidade" à custa de interesses menores e "mensalões". Eleição, enfim, algo mais digno que o estelionato social das promessas de campanha política, não cumpridas e abandonadas.

Males podem trazer-nos o bem. O país nos pede rumos e curso. Sem ideologia e programas, tudo é fisiologia. É a vez, pois, de resgatarmos ética e sentido na vida nacional. As ditaduras espreitam-nos cientes de que, sensíveis à dor do povo, serão abraçadas por este. E projetos políticos não se esgotam em projeto de poder a ter por símbolo vazio um operário a escalar, da planície, o Planalto! *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

(043)

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Quadrilha - Por Dalinha Aragão / Rio de Janeiro
Maria bonita
vestida de chita
dançava São João.
Em meio a quadrilha,
seguia a trilha
do seu coração.
Coração aventureiro
gostava de Pedro,
e queria João.
João tava difícil,
não foi sacrifício
pegar noutra mão
Viva S. Pedro!
Viva S. João!
Maria era bonita!
E com laço de fita
virou perdição.
Com cabelos trançados,
e seu requebrado,
chamava atenção.
Dançando faceira
esqueceu-se de Pedro,
e também de João.
Nos braços de Antônio
perdeu-se nos sonhos,
ardeu-se em paixão.
Foi aí que Maria
perdeu sua fita
rolando no chão.
Maria aflita
sem laço de fita
engrossou a cintura
e fugiu do sertão

*PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Dalinha Aragão é escritora.

(042)

sábado, 18 de junho de 2005

Blecaute - Por José Luis Lira / Sobral (CE)

A batida do relógio bicentenário denunciava que novo dia despontava: zero hora! O que houve? Um silêncio horripilante se fez...

O som do Bar "Guaracy" parou e, junto com ele, o restante da cidade também. Decido acender a luz e vi que faltava energia.

Pensei: deve chegar logo. Tirei o telefone do gancho e ele estava mudo. Comecei a me assustar e decidi sair do quarto.

Bato-me na cadeira de balanço, mas, prossigo...

Constato que eu estava sozinho dentro de casa. Não havia mais ninguém, e lá fora caía o maior temporal. Contudo, não existiam motivos para medo. Tudo deveria ser conseqüência das fortes chuvas caídas naquela serrania, imaginava eu...

Continuei a andar dentro de casa, e a ansiedade, aos poucos, começava a tomar conta de mim... O que terá acontecido? Pensava incessantemente, enquanto procurava vela e fósforo.

Já com a vela acesa, desço a escada e vou até o porão.

Com certeza, lá estaria mais calmo, e, ontem, Joanita fez fachina.

Deve estar tudo limpo. Ligarei o gerador e o resto da noite será mais tranqüilo; no entanto, a porta estava fechada, e eu fiquei desapontado.

A angústia aumentou. Decidi procurar socorro. Mas, como? Não tem telefone, energia, nada... até água na torneira falta.

Olho para o velho relógio de parede e mais intrigado fico. O relógio tinha parado em zero hora. E agora? O que foi? Algo muito sério deve ter acontecido. E essa chuva que não pára!

Ainda assim, me visto e saio rumo à garagem. Ao tentar ligar o carro, sem saber o que faltava acontecer, este não funcionou. Vi o celular, que ali estava, e, quem sabe, pelo menos ele funcionasse? Fechando o cerco, leio no visor a mensagem: "sem serviço".

Ao som dos trovões e relâmpagos, lembrei-me do Pastor que gritava na praça: "O juízo final está próximo! Se preparem..." e eu, qual aqueles que zombavam de Noé, enquanto este construía a Arca, fiz ouvido de mercador.

Outra opção surgia: será que foi blecaute? A redenção, o fim dos tempos? Será que as águas da montanha irão invadir as cidades? A destruição anunciada deve ter chegado.

Sem conseguir pensar em mais nada, acordei achando que acabara de ter o maior pesadelo de minha vida...

Confuso, vi que tudo estava claro, e a flores do jardim perfumavam o amanhecer daquele primeiro de abril. *PC*


Praça Guaracy - Guaraciaba do Norte (CE)


Extraído do livro AJEB letras - Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil

José Luis Lira é sócio colaborador da AJEB-CE, escritor, advogado, articulista e historiador.

(041)

terça-feira, 14 de junho de 2005

I Feira Cultural e Regional de Nova Fátima - Por Carlos Moreira / Ipueiras

Nova Fátima recebeu um público de aproximadamente 2 mil pessoas no último domingo dia 12 de junho. A banda de música Joaquim Catunda Sobrinho (imagem acima) animou o público que se aglomerava na praça central.

A realização da I Feira Cultural e Regional de Nova Fátima foi da Prefeitura Municipal de Ipueiras. A coordenação do evento foi da Secretaria de Desenvolvimento Rural e da vereadora Tereza Ferreira de Jesus Morais (foto logo abaixo), que ressaltou a importância e a valorização da Feira para a região da serra da Ibiapaba, destacou também o trabalho que o prefeito Raimundo Melo Sampaio vem fazendo na região e se disse feliz pelo brilhante trabalho feito no distrito de Nova Fátima.


Barracas foram colocadas para atendimento médico. Produtos agrícolas, roupas, artesanato, comidas típicas, exposição de quadros e de motocicletas eram encontrados na Feira. Grupos folclóricos e de capoeira apresentaram-se no decorrer da Feira.


O secretário de Desenvolvimento Rural, Lisboa Lima, falou para o Primeira Coluna da participação de agricultores de toda a região serrana e sertão. Com isto, abre-se espaço para o pequeno e médio produtor, viabilizando mais ainda o comércio agrícola na região.


Barraca com comidas típicas - Nova Fátima


A Feira Cultural e Regional já acontece aos domingos nos distritos de Matriz de São Gonçalo e América, na região da serra da Ibiapaba.

O distrito de Nova Fátima localiza-se a 25km da sede do município, sua principal fonte de renda é a agricultura. A padroeira daquela comunidade é Nossa Senhora de Fátima. Terra de gente humilde e hospitaleira, Nova Fátima já é considerada rota turística de Ipueiras.

(040)

domingo, 12 de junho de 2005

Eu tenho orgulho - Por Paulo Felipe / Rio de Janeiro

Na camisa: "o mundo não é uma piada"


Algo acelera meu coração... e me pergunto, o que será?

Lembro do texto que leio sempre em meu livro de cabeceira - Por que tenho medo de lhe dizer quem sou? -, retirado de outro livro, Sandálias de um pescador, que diz:

"Custa tanto ser uma pessoa plena que muito poucos são aqueles que têm a luz ou a coragem de pagar o preço..."

Então descubro o motivo de meu coração estar mais acelerado este mês. Claro, é isso! Só pode ser! Dia 26/06/05 quero estar na orla de Copacabana levantando aquela bandeira com as cores do arco-íris e mostrando que eu "TENHO ORGULHO" e que assim como paramos neste país para comemorar tantos feitos conquistados como o 07 de setembro, "independência do Brasil", por que não pararmos para comemorar a conquista de podermos ou tentarmos, pelo menos, ser o que somos sexualmente, sem medo! sem culpa! Buscando conquistar a cada dia nossos direitos.

No mesmo livro de cabeceira citado acima tem uma frase que se tornou meu lema de vida:

"Sabe por que ninguém deve decidir como você vai agir? Porque cada um deve marchar ao som do seu próprio tambor..."

Hoje penso como seria marchar ao som do meu próprio tambor na distante Ipueiras-CE? (minha terra natal)... não consegui marchar ao som dele durante o tempo que lá vivi (infância/adolescência), mas com certeza fui em busca e encontrei um lugar, um espaço onde o seu som foi respeitado, relutei muito, implorei, chorei e até pedi ao sobrenatural mudança, foi quando descobri que não se muda o que não te incomoda, aquilo que você gosta e aceita, MESMO SENDO DIFERENTE! E o que seria da cor preta se não existisse a cor branca? Foi preciso muita coragem para mostrar minha cara e sem medo e sem culpa descobri que "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é."

Sou realista e vejo também que o dia do orgulho gay se transforma numa grande festa cômica e com caricaturas e expressões agressivas para alguns, mas creio que cada um demonstra aquilo que tem e da forma que sabe e pode demonstrar. Percebo na mídia e no meio político o preconceito estampado ao se referirem às grandes passeatas, como a de São Paulo. Se estivesse lá em São Paulo, com certeza teria vaiado o Sr. José Serra, foi simplesmente cumprir um ritual/obrigação e segundo informações já está usando de seu poder como prefeito para retirar a passeata da Av. Paulista no próximo ano, que falta nos fazem políticos no poder como Marta Suplicy... enfim, temos muito que enfrentar ainda...

Viva a diversidade!! Cada pessoa é uma individualidade. Cada homossexual também é único, diferente, e pode demonstrar o seu ORGULHO da sua forma.

Dia 26/06/05 na orla de Copacabana é dia de festa!!, é dia de alegria! De sairmos à rua (que seja Copacabana - como foi na Av. Paulista em São Paulo dia 29/05/05) e mostrarmos e dizermos com nossas expressões, trejeitos, roupa, fantasia, música, dança, bebida, enfim, com muita alegria em Português ou Inglês:

SE VOCÊ É TRISTE, EU SOU ALEGRE!!

Na minha camiseta ano passado estampei: IF YOU ARE SAD, I AM GAY!

A camiseta deste ano ainda não providenciei. Aceito sugestões.

Quero festejar com ORGULHO o pouco ou o muito, em meio a tanta hipocrisia social, que já conquistamos, graças à disposição e à coragem de tantos ativistas que colocaram sua cara a tapa. A nossa parte é tão simples e prática: é só participarmos e mostrarmos que somos MILHÕES e que temos deveres, obrigações e direitos como todos os outros cidadãos ditos heterossexuais (chega de rótulos!! Somos todos seres humanos!).

VIVA O DIA DO ORGULHO GAY!

VIVA OS ATIVISTAS QUE LUTAM POR NOSSOS DIREITOS!

VIVA TODOS OS ORGANIZADORES DAS PARADAS NO BRASIL E NO MUNDO!


Tenho dito. *PC*

Paulo Felipe é advogado trabalhista e ger. de RH/consultor jurídico de uma empresa privada na Cidade do Rio de Janeiro.

A imagem utilizada nesta matéria foi originalmente publicada no Centro de Mídia Independente (CMI-Brasil) e captada na II Parada do Orgulho Gay de Goiânia.

(039)

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Apelo a São José - Por Dalinha Aragão / Rio de Janeiro
Glorioso São José.
Santo da minha devoção.
Não se esqueça de mandar,
chuva pro meu sertão.
Aqui o povo é sofrido,
carece de proteção.

Olho pro gado no pasto,
tão magro, tão desnutrido...
Parece que lambe pedra,
o verde foi destruido.
só se vê nessas paragens,
galhos secos retorcidos.

A vontade de trabalhar é grande.
A fé em Deus não é menor.
A gente só quer do senhor,
uma ajudinha maior,
pois o nordestino é forte,
não economiza suor.

Dá uma tristeza danada,
ver nosso açude secar.
Primeiro vira lama,
depois se dana a rachar.
Os peixes vão se sumindo,
e os urubus a rondar.

É a miséria chegando.
É a chuva sem chegar.
É a oração e o pranto,
e o pobre sempre a rogar:
_ Glorioso são José,
venha nos ajudar.

Dalinha Aragão é natural de Ipueiras, Ceará.

*PC*

(038)

quinta-feira, 9 de junho de 2005

A História da Praça Central - Por Bérgson Frota / Fortaleza
Ipueiras como muitas das atuais cidades cearenses da zona norte do Estado tornou-se município no final do século XIX, no caso da terra de Luzia-Homem, em 1883.

O progresso era lento, mas na área intelectual os primeiros habitantes do município destacavam-se. Na capital Hugo Catunda Fontenelle foi um dos filhos mais ilustres da terra, quando ainda era adolescente morando em Ipueiras publicou em 1916 o primeiro jornal do município de que se tem notícia, "O Sertão".


Em 1933 Ipueiras completava 50 anos de municipalidade, Hugo Catunda, que já morava em Fortaleza, convenceu o então prefeito da época Sr. Luiz Moreira de Carvalho a construir uma praça (imagem acima) e nela colocar um obelisco para representar a data deste importante evento, naquela época o local era um campo aberto com algumas carnaúbas. O prefeito foi acessível e a praça foi feita, derrubaram-se as carnaúbas e plantaram pés-de-figos para ornamentar a obra, no centro um obelisco foi construído, de cor branca e com filetes de azul celeste nas passagens de cada forma. No monumento uma placa indicava que o mesmo fora construído em comemoração aos 50 anos da cidade.


Esta praça como foi construída permaneceu inalterada até meados da década de 40, quando então "vândalos mirins" da própria cidade amarraram uma corda e derrubaram o monumento, decidiu-se então por ser um período posterior à Segunda Guerra homenagear o grande presidente Getúlio Vargas e sobre o lugar do obelisco foi erguido um busto (imagem acima, à esquerda) do mesmo. Algumas características foram mantidas, entre elas uns bancos da praça primeira. O Obelisco ficou somente em fotos raras.

Na década de 70 fez-se uma nova praça, com jardins altos e no centro uma fonte, no meio em cima de duas paredes paralelas feito colunas o busto de Getúlio Vargas, assim ficando até metade da década de 80 quando novamente sofreu modificação.

A praça que ainda tinha o nome de Getúlio Vargas sobreviveu ao início do século XXI, mas sofreu uma mudança drástica, o monumento ao ex-presidente foi transferido para um dos lados da mesma e no centro foi construído um quiosque, finalmente quando um caminhão enroscou por engano um cabo de aço e derrubou o busto este não mais foi posto no lugar e desta forma foi esquecido.

Dois ou três anos depois a praça passou a chamar-se Maria Lima (fotos abaixo - 2005), nome pelo qual é atualmente conhecida.


A preservação da memória de uma cidade passa antes de tudo por uma conscientização de que cada monumento guarda um pedaço da história do município, portanto deve ser conservado mantendo as características originais da época em que foi feito, só assim se garante para as futuras gerações o legado deixado por seus antepassados.


Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

As fotos da antiga praça Getúlio Vargas pertencem ao acervo pessoal de Edson Morais.

(037)

sábado, 4 de junho de 2005

O Televisor Público Idálio Frota - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Inauguração do Televisor Público Idálio Frota - Final da década de 60


Nos últimos anos da década de 60 o prefeito de Ipueiras, Manuel Cavalcante Dias (à direita, usando óculos - foto acima), inaugurou várias obras que beneficiaram em muitos aspectos a população do município.

Grupos escolares, praça em homenagem a Sebastião Matos, um dos melhores prefeitos de Ipueiras, chafariz no bairro da Estação, caixa d?água na praça do Cristo, centro telefônico (1970), quadra de esporte no colégio Otacílio Mota e um televisor público que tinha como arquibancada vários bancos de cimento situados em um lado da avenida Pe. Angelim, construídos em cima de degraus.


Televisor Público Idálio Frota - Foto de 2005


Esta obra trouxe para a maioria dos ipueirenses que ainda não possuíam um aparelho de televisão (coisa rara na época) a oportunidade de se ligarem ao que se passava no país e no mundo. Era mais uma inovação no ato de administrar que marcou o primeiro período em que foi prefeito Manuel Cavalcante Dias.

Não se pode negar a administração inovadora deste prefeito. Coube a ele homenagear por primeiro a figura de Idálio Frota, farmacêutico ilustre da terra, dando seu nome à obra.


A inauguração do televisor (foto acima) foi um evento que lotou a avenida.

Idálio Frota esteve presente e descerrou a faixa do monumento, coube ao genro, jornalista Jeremias Catunda, fazer o discurso de agradecimento.

O povo passou depois a assistir à TV Ceará que retransmitia os sinais da Rede Tupi, captados de uma torre no alto do morro do Cristo, as imagens brilhantes e em preto-e-branco fascinaram tanto a população que o número de pessoas cresceu a ponto de tornar necessário a presença da guarda municipal para organizar a multidão. Foi esse o primeiro evento televisivo em massa que Ipueiras assistiu.


O tempo passou e a praça sofreu várias modificações, em uma das primeiras derrubou-se a arquibancada de cimento e finalmente fechou-se o televisor público, pois o aparelho já acessível a classe média tornou a atração pública obsoleta.

Atualmente ainda se pode ver o local onde ficava o televisor público que como o antigo centro telefônico e o prédio da estação ferroviária, também desativados, esperam pela sentença do tempo.


*PC*

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

As imagens da inauguração do Televisor Público Idálio Frota pertencem ao acervo pessoal de Bérgson Frota.

(036)

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Segurança, o chão dos direitos - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Medo, fobia até! Eis o sentimento detectado por recente pesquisa de O POVO, em Fortaleza. Insegurança, a queixa maior (65,5%), acima do desemprego (60,1%), do mau serviço de saúde (53,1%) e do custo de vida (37,1%). A violência pisoteia-nos a vida: nos shows, nas ruas, no trabalho, residências, escolas. E faz-se presente em pessoas próximas (58,6%), sob a forma de furtos (30,2%), de assaltos e roubos (37,6%), entre outros.

Desculpas, as de sempre: recursos minguantes, regime de colaboração (União, Estado e Município) em atropelo, a esconder incompetências. No mais, o clima geral em nossa política: papos, palanques, promessas adiadas para "o próximo mandato". Tudo, num estranho e maligno autismo, cada um a se agarrar a seus pedaços e ganhos.

Cidadão, retorno aos bancos de faculdade, quando me premiam os sonhos socialistas, de um lado, e os pessoais dramas existenciais, de outro. Nisso, cai-me às mãos o livro Meu encontro com Marx e Freud, de Eric Fromm. E, em sala de sala, a voz do escritor Moreira Campos em refrão: "Drama social algum é maior que minha dor de dente" (Fitzgerald).

Hoje, violência torna-se dor-de-dente maior a nos roubar o chão em que se assentam os "direitos fundamentais do homem". Assim, há que ser discutida para além da ótica policial. Ensaio disso tivemos, nas últimas eleições em Fortaleza, quando "amor e temor" foram a campo, feitos "mocinho e bandido". Fim de jogo, abraços sob a bandeira do "quem ama protege".

Voltar à questão impõe-se. Mesmo sem eleição. Não possível, simulem-se "pré-candidatos". Moroni e Delegado Cavalcante, ícones ainda do imaginário do povo?

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

O "ethos" (a convivência
humana e a responsabilidade social),
eis o nosso porto.

A "paidéia", com este horizonte,
é a caminhada educacional - escolar e social -
a nos fazer cidadãos, profissionais e pessoas,
em construção permanente.


Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

(035)