sábado, 12 de novembro de 2005

Chapeuzinho de Palha - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Numa casinha de taipa, no meio de um lindo carnaubal, morava Chapeuzinho de Palha. Lá, viviam também seu pai, sua mãe e um irmãozinho.

O pai era um simples agricultor. A mãe, para ajudar nas despesas de casa, dedicava-se ao artesanato. As carnaubeiras, que cantarolavam ao vento abrigando passarinhos, eram as mesmas que lhe forneciam palha para a confecção do artesanato.

Dava gosto de se ver, pendurado num alpendre, construídos com troncos de carnaúbas, o artesanato que ali ficava exposto. Encantava os passantes, que vez por outra, paravam para adquirir alguma peça como: abanos, vassouras, peneiras, cestas, chapéus, entre outros objetos que compunham o cenário.

O que era feito no meio da semana era levado para ser vendido na feira de sábado. Eles viviam com sacrifício. O que ganhavam não sobrava para brinquedos. As crianças tinham que se contentar com brinquedos improvisados.

Chapeuzinho de Palha tinha esse nome porque não tirava da cabeça o chapéu que ganhara de presente de sua mãe.

Já seu irmão passava o dia para cima e para baixo, montado num cavalo de pau, feito do talo da carnaúba - um mimo do pai, que se esmerou em fazer umas orelhas e colocar um cabresto de barbante.

Chapeuzinho vivia triste e emburrada pelos cantos, por não ter com o que brincar. Não queria brincadeira de menino. Com o chapéu não tinha graça brincar. Fazer o quê?

Chegou o sábado e a menina pediu à mãe para ir com ela à feira. Chegando ao mercado, Chapeuzinho ficou maravilhada com um cesto cheio de bonecas de pano com roupinhas coloridas. Pedia insistentemente à mãe que comprasse uma para ela.

Sem condições de satisfazer a vontade da filha, pois ainda não havia vendido uma peça sequer das que levara à feira, nada podia fazer. Além disso, precisava primeiramente comprar alimentos, mas a filha, em sua inocência, não entendia.

A vendedora de bonecas, vendo o pranto da criança, e a contrariedade estampada no rosto da mãe, num gesto de bondade, pegou uma bonequinha rechonchuda de pano e deu de presente à menina, que de imediato começou a sorrir, pegando a boneca no colo feito um bebê.

A mãe, comovida, escolheu a mais bela peça de palha e ofertou àquela que, numa atitude de nobreza, fez sua filha sorrir.

Muitas vezes, um pequeno gesto se torna grande quando feito com amor. *PC*

Publicado no caderno DN Infantil do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.