quinta-feira, 13 de outubro de 2005

O Príncipe e a Rosa - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Certa vez, um principezinho mimado, passando pelo jardim de seu castelo, deparou-se com uma linda Dália, que se requebrava graciosamente ao vento. Caiu de amores pela rosa, e todos os dias fazia o mesmo caminho só para apreciar e sentir o cheiro daquela que tanto lhe encantava.

Cada dia que passava, ele ficava mais e mais apaixonado, era tanto seu amor que acabou conquistando o coração da bela rosa.

A rosa humilde e bela sabia que jamais passaria de um simples enfeite de jardim. Mas, não tinha grandes ambições. Sentia-se bem assim. Era uma rosa doce e cativante, não possuía espinhos, vivia cercada de borboletas, pequenos besouros, beija-flores, abelhas e outros insetos.

O principezinho começou a ficar enciumado com tanto movimento em volta de sua amada, e num ataque de ciúmes e egoísmo, ordenou aos seus serviçais que transferissem sua rosa querida para dentro do castelo, onde só ele e mais ninguém pudesse desfrutar da presença da doce Dália.

O tempo foi passando, e a pobre rosa não se conformava com a atitude egoísta de seu amado.

Sentia falta do seu mundo, do seu habitat. De que adiantava tanto amor se no fundo era uma prisioneira. Sentia saudades dos zumbidos dos besouros, do colorido das borboletas em festa, dos chamegos do beija-flor, das abelhas que ao sugarem seu açúcar para fazer o mel distribuíam seu pólen para as outras flores, e chorava de saudades do orvalho que umedecia suas pétalas deixando-a bela a cada manhã e reluzente dos raios solares.

Assim foi murchando e murchando, perdendo a cor, perdendo o brilho e preocupando o principezinho. Certo dia, ele acordou, e qual não foi a sua surpresa! No lugar da sua Dália havia apenas galhos murchos e pétalas de rosas espalhadas pelo chão.

Triste e inconformado, saiu juntando pétala por pétala e as colocou dentro de um belo vaso levando-o até o lugar de origem os restos de sua amada.

Todo dia ele ia ao canto do jardim chorar suas mágoas e pedir perdão à dona de seu coração. Seu sofrimento dava pena. Foi aí que aconteceu um grande milagre.

As lágrimas que todos os dias molhavam o vaso e o arrependimento sincero do nobre fizeram com que a roseira florescesse novamente e no primeiro dia de primavera, para a felicidade do príncipe, apareceu uma linda Dália requebrando-se ao vento graciosamente exalando o cheiro da liberdade e anunciando o recomeço dos sonhos. *PC*

Publicado no caderno DN Infantil do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

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